{"id":409502,"date":"2026-06-07T13:59:25","date_gmt":"2026-06-07T13:59:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/409502\/"},"modified":"2026-06-07T13:59:25","modified_gmt":"2026-06-07T13:59:25","slug":"sines-investimento-celebrado-nos-gabinetes-de-lisboa-causa-ondas-de-choque-na-regiao-eco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/409502\/","title":{"rendered":"Sines: investimento celebrado nos gabinetes de Lisboa causa ondas de choque na regi\u00e3o \u2013 ECO"},"content":{"rendered":"<p> Pre\u00e7os proibitivos no imobili\u00e1rio, ensino e sa\u00fades sob press\u00e3o, empresas pouco envolvidas nos grandes projetos e um Estado central &#8220;distra\u00eddo&#8221;. Em Sines, questiona-se a valia dos mega-investimentos. <\/p>\n<p>Os <strong>investimentos de milhares de milh\u00f5es de euros<\/strong> que est\u00e3o a dar \u00e0 costa em Sines nesta d\u00e9cada <strong>tardam em traduzir-se em ganhos para a popula\u00e7\u00e3o<\/strong>. A comunidade v\u00ea o fumo sair das chamin\u00e9s, mas as grandes empresas n\u00e3o cooperam com a comunidade. O Estado investe no comboio de mercadorias, mas n\u00e3o devolve o de passageiros que daqui levou h\u00e1 mais de 35 anos. Gigantes da ind\u00fastria e da tecnologia anunciam projetos de grande dimens\u00e3o, mas as empresas locais n\u00e3o s\u00e3o chamadas a participar. Os trabalhadores t\u00eam um <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/2025\/11\/06\/regioes-de-lisboa-e-porto-concentram-mais-de-40-do-poder-de-compra-nacional\/\" rel=\"nofollow noopener\">poder de compra entre os maiores do pa\u00eds<\/a>, mas para aqui viverem pagam rendas ao n\u00edvel de Lisboa e Porto. Criam-se milhares de postos de trabalho, mas os naturais de Sines e Santiago do Cac\u00e9m j\u00e1 est\u00e3o quase em pleno emprego, pelo que o acr\u00e9scimo ter\u00e1 de ser suprido por gente de fora \u2013 e com estes, mais press\u00e3o sobre habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como o ECO\/Local Online foi ouvindo ao longo de dois dias de reportagem, os mais de 20 mil milh\u00f5es de euros em execu\u00e7\u00e3o, ou estudo, para Sines, est\u00e3o a passar ao largo de parte significativa do tecido empresarial de Sines e do concelho vizinho de Santiago do Cac\u00e9m. <strong>\u201cGrande parte dos grandes investimentos v\u00eam pela AICEP. Ficamos, normalmente, um pouco afastados desde cedo da decis\u00e3o de poder\u201d, explica o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Empresarial de Sines<\/strong>, Hugo Ferreira.<\/p>\n<p>Ainda assim, h\u00e1 quem esfregue as m\u00e3os com os servi\u00e7os de trabalho tempor\u00e1rio, a restaura\u00e7\u00e3o e o retalho alimentar, e, acima de todos estes, o imobili\u00e1rio. Aqui, o ECO\/Local Online encontrou casos de <strong>promotores a preferirem manter as casas novas fechadas enquanto observam a valoriza\u00e7\u00e3o do metro quadrado, ainda que os pre\u00e7os de apartamentos novos<\/strong> j\u00e1 toquem nos <strong>5.000 euros por metro quadrado<\/strong>.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1333\" class=\"size-full wp-image-1898608\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/santo-andre11.jpg\" alt=\"\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tSanto Andr\u00e9, dividida pela A26\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tHugo Amaral\/ECO\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A cidade que em 1971 era um pinhal<\/p>\n<p>S\u00e3o 14 horas num dia de semana e a reportagem do ECO\/Local Online chega a <strong>Vila Nova de Santo Andr\u00e9, freguesia do concelho de Santiago do Cac\u00e9m. Cidade desenhada de raiz a partir de 1971<\/strong>, surgiu com a miss\u00e3o de trazer alojamento e servi\u00e7os condignos aos trabalhadores do grande projeto industrial e portu\u00e1rio de Sines.<\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/reportagem\/sines-megalopolis-industrial-e-digital-aproxima-se-dos-10-da-riqueza-nacional\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Sines, \u201cMegal\u00f3polis\u201d aproxima-se de 10% da riqueza nacional<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p>O primeiro habitante instalou-se aqui h\u00e1 51 anos, mas, olhando \u00e0 escassa circula\u00e7\u00e3o de pessoas na rua, nem parece haver aqui 9.000 habitantes. Apesar de a <strong>popula\u00e7\u00e3o ser hoje inferior a 10% das 100 mil pessoas para as quais Vila Nova de Santo Andr\u00e9 foi dimensionada<\/strong>, esta cidade desenhada por alguns dos mais proeminentes urbanistas e arquitetos portugueses concentra numa pequena faixa de territ\u00f3rio quase tantos eleitores quanto Sines \u2013 9.050 eleitores registados em Santo Andr\u00e9, contra 12.021 em todo o concelho celebrizado pelo \u00fanico porto de \u00e1guas profundas em Portugal.<\/p>\n<p><strong>David Gorgulho, presidente da Junta de Freguesia de Santo Andr\u00e9<\/strong>, recebe-nos na sede da edilidade, junto \u00e0s casas do Futebol Clube do Porto, Sporting Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica, que convivem pacificamente no chamado Bairro Azul \u2013 todos os bairros t\u00eam uma designa\u00e7\u00e3o derivada das suas caracter\u00edsticas, como o Panteras, onde os edif\u00edcios s\u00e3o da cor da personagem de anima\u00e7\u00e3o Pantera Cor-de-Rosa, ou o Picapau, de novo pela natureza crom\u00e1tica, o amarelo, ou ainda o Bairro dos Serrotes, em alus\u00e3o ao telhado recortado. Entre muitos, h\u00e1 ainda o Bairro da Ford, refer\u00eancia a uma f\u00e1brica de autom\u00f3veis que nunca passou do papel no ambicioso projeto do tri\u00e2ngulo Sines-Vila Nova de Santo Andr\u00e9-Santiago do Cac\u00e9m (este, sede de concelho onde se insere a nova cidade).<\/p>\n<p>Perante as v\u00e1rias queixas que vamos ouvindo ao longo de dois dias de reportagem, o presidente da junta de Vila Nova de Santo Andr\u00e9 alude a \u201calguma distra\u00e7\u00e3o, principalmente ao n\u00edvel do Governo central\u201d, com o investimento que tem desaguado na regi\u00e3o. Isso est\u00e1 patente nas infraestruturas e habita\u00e7\u00e3o, desde logo, nota o governante local:<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>&#8220;As preocupa\u00e7\u00f5es e as movimenta\u00e7\u00f5es que est\u00e3o a acontecer, tanto ao n\u00edvel do Governo, como das autarquias locais, se calhar j\u00e1 deviam ter acontecido h\u00e1 mais tempo, para precavermos algo que n\u00e3o se resolve em dois, tr\u00eas anos. J\u00e1 sabemos que a constru\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o e destas infraestruturas vai demorar seguramente mais tempo e que se calhar vamos andar em permanente atraso.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>David Gorgulho adiciona a sa\u00fade, \u201cuma das infraestruturas que certamente merece aqui uma aten\u00e7\u00e3o particular e que vai sofrer\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 no edif\u00edcio da C\u00e2mara Municipal de Santiago do Cac\u00e9m, Bruno Pereira avan\u00e7a ao ECO\/Local Online que <strong>\u201cest\u00e1 a ser feito um estudo de impacto da chegada de 15.000 pessoas para uma unidade hospitalar e a respetiva unidade local de sa\u00fade<\/strong>, que no caso de Santiago do Cac\u00e9m, abrange cinco concelhos e uma \u00e1rea de milhares largos de quil\u00f3metros\u201d.<\/p>\n<p>No outro concelho envolvido no grande projeto portu\u00e1rio e industrial, o autarca de Sines diz-nos ter ouvido, numa reuni\u00e3o com o secret\u00e1rio de Estado do Planeamento e Desenvolvimento, H\u00e9lder Reis, que \u201co Governo est\u00e1 sensibilizado\u201d para os problemas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta faixa de territ\u00f3rio no distrito de Set\u00fabal, a chegada de grandes investimentos est\u00e1 a provocar press\u00e3o em v\u00e1rios servi\u00e7os. A cumprir o seu terceiro mandato, David Gorgulho real\u00e7a que \u201cestamos a falar de algo que j\u00e1 se sabia h\u00e1 v\u00e1rios anos. \u00c9 um assunto que est\u00e1 na ordem do dia, se calhar com maior intensidade, h\u00e1 dois, tr\u00eas anos, mas n\u00f3s j\u00e1 sentimos este impacto e j\u00e1 alertamos para esta para os problemas decorrentes h\u00e1 mais tempos do que isso\u201d. No caso espec\u00edfico da habita\u00e7\u00e3o, destaca \u201co mercado de arrendamento, altamente inflacionado\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Estamos a falar de algo que j\u00e1 se sabia h\u00e1 v\u00e1rios anos. \u00c9 um assunto que est\u00e1 na ordem do dia, se calhar com maior intensidade, h\u00e1 dois, tr\u00eas anos, mas n\u00f3s j\u00e1 sentimos este impacto e j\u00e1 alertamos para esta para os problemas decorrentes h\u00e1 mais tempos do que isso\u201d. No caso espec\u00edfico da habita\u00e7\u00e3o, destaca \u201co mercado de arrendamento, altamente inflacionado.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u00c1lvaro Beijinha<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da C\u00e2mara Municipal de Sines<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma realidade que Hugo Ferreira, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Empresarial de Sines (AES), concretiza em n\u00fameros: <strong>em tempos de pandemia, teve em arrendamento um apartamento na freguesia por 350 euros, e hoje esse mesmo im\u00f3vel (entretanto j\u00e1 vendido) est\u00e1 no mercado em torno dos 1.500 euros.<\/strong><\/p>\n<p>Uma t\u00e9cnica da sua empresa, que acompanha a entrevista realizada na Zona Industrial e Log\u00edstica de Sines (ZILS), diz ao ECO\/Local Online que um outro apartamento, um T3 igualmente em Santo Andr\u00e9, pelo qual pagava, enquanto inquilina, 450 euros mensais at\u00e9 h\u00e1 cerca de meio ano (altura em que mudou de resid\u00eancia), est\u00e1 agora no mercado pr\u00f3ximo dos 2.000 euros.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1898604\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/santo-andre07.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1333\"\/>David Gorgulho, presidente da Junta de Freguesia de Santo Andr\u00e9Hugo Amaral\/ECO<br \/>\n\u201cNem n\u00f3s conseguimos justificar\u201d<\/p>\n<p>\u201cPara quem tem im\u00f3veis para arrendar, \u00e9 bom. Agora, jovens da terra que querem casar, comprar uma casa, isto \u00e9 praticamente imposs\u00edvel\u201d, diz Hugo Ferreira. \u201cUm apartamento usado em Santo Andr\u00e9 ou em Sines custa 250 mil a 300 mil euros. Comprei alguns apartamentos antes do COVID, em 2020, a 80 mil euros cada um. Um deles est\u00e1 marcado [para venda] a 300 mil euros\u201d.<\/p>\n<p>Esta ordem de valores \u00e9 constat\u00e1vel numa volta por imobili\u00e1rias. Na Predimed, um <strong>apartamento T1 novo, numa zona de expans\u00e3o de Sines, com 61 metros quadrados de \u00e1rea, acaba de ser vendido por 310 mil euros.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Um apartamento usado em Santo Andr\u00e9 ou em Sines custa 250 mil a 300 mil euros. Comprei alguns apartamentos antes do COVID, em 2020, a 80 mil euros cada um. Um deles est\u00e1 marcado [para venda] a 300 mil euros.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tHugo Ferreira<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Empresarial de Sines<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>Numa r\u00e1pida visita a sites de imobili\u00e1rio, num exerc\u00edcio meramente comparativo, na capital de distrito, <strong>Set\u00fabal, vemos um T1 de 59 metros quadrados num condom\u00ednio com piscina e vista de rio por 325 mil euros<\/strong>. Para quem tente \u201cfugir\u201d de Sines para Santiago do Cac\u00e9m, a fasquia n\u00e3o est\u00e1 muito abaixo: perto do castelo, um T1 de 62 metros quadrados, sem piscina (tal como o referido T1 de Sines), custa 269 mil euros.<\/p>\n<p>\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/eco.sapo.pt\/reportagem\/sines-o-arrojo-da-ditadura-enfrenta-a-ditadura-do-tempo-para-alimentar-o-colosso\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<\/p>\n<p class=\"info-card__intro\">Sines: o arrojo da ditadura enfrenta a ditadura do tempo<\/p>\n<p class=\"info-card__link\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t Ler Mais&#13;\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t<\/a>&#13;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Malveiro, consultor imobili\u00e1rio em Sines, descreve um cen\u00e1rio promissor para os promotores. Um<strong> empreendimento com mais de 70 apartamentos, cuja constru\u00e7\u00e3o se iniciou h\u00e1 cerca de dois anos, foi totalmente vendido ainda em planta<\/strong>. Um T1 est\u00e1 ali em arrendamento por 1.600 euros, enquanto os T2 rondam os 2.000 euros e os T3 sobem aos 2.500 euros. \u201c<strong>Daqui a dois, tr\u00eas meses, n\u00e3o lhe consigo responder. Chamamos a Sines a nova Lisboa<\/strong>\u201d, diz o especialista, que h\u00e1 d\u00e9cadas trabalha em imobili\u00e1rio. <strong>\u201cOs valores aqui, nem n\u00f3s conseguimos explicar\u201d, admite<\/strong>.<\/p>\n<p>Na habita\u00e7\u00e3o nova, conta, um <strong>promotor decidiu parar vendas de um empreendimento quando atingiu 70% de vendas, direcionando as casas para arrendamento, enquanto aguarda uma futura valoriza\u00e7\u00e3o para, mais tarde, aumentar as mais-valias<\/strong>. \u201cTenho dez clientes em carteira para comprar a pronto pagamento e n\u00e3o h\u00e1 casas\u201d, relata o consultor imobili\u00e1rio.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Tenho dez clientes em carteira para comprar a pronto pagamento e n\u00e3o h\u00e1 casas. Nos arrendamentos s\u00f3 trabalhamos com empresas. Estamos escaldados. S\u00e3o os pr\u00f3prios senhorios que nos dizem que n\u00e3o querem arrendar a particulares. Com as empresas \u00e9 mais seguro, conseguem pagar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tJos\u00e9 Malveiro<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Consultor imobili\u00e1rio<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais favor\u00e1vel no mercado de arrendamento. Deparados com a necessidade de alojar funcion\u00e1rios, os empres\u00e1rios preferem pagar um apartamento T3 at\u00e9 2.500 euros para alojar v\u00e1rios, poupando assim no que teriam de pagar por quartos de hotel, nota o respons\u00e1vel da AES. <strong>\u201cAs empresas t\u00eam feito uma press\u00e3o enorme, porque podem pagar um valor que os singulares n\u00e3o podem, porque o sal\u00e1rio n\u00e3o d\u00e1\u201d,<\/strong> lamenta Hugo Ferreira.<\/p>\n<p>Uma circunst\u00e2ncia confirmada por Pedro do \u00d3 Ramos, presidente da APS: \u201cas empresas n\u00e3o se importam de fazer elas pr\u00f3prias alguns contratos de arrendamento e assumem isso como parte da remunera\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, em vez de terem habita\u00e7\u00e3o\u201d pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Malveiro confirma esta ideia. \u201cNos arrendamentos s\u00f3 trabalhamos com empresas. Estamos escaldados. S\u00e3o os pr\u00f3prios senhorios que nos dizem que n\u00e3o querem arrendar a particulares. Com as empresas \u00e9 mais seguro, conseguem pagar\u201d, sintetiza o consultor.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1333\" class=\"size-full wp-image-1888296\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sines11.jpg\" alt=\"\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tHabita\u00e7\u00e3o\/imobili\u00e1rio em Sines\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tHugo Amaral\/ECO\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existem pessoas para trabalhar em Sines\u201d<\/p>\n<p>Hugo Ferreira conhece a dificuldade de recrutamento associada aos pre\u00e7os da habita\u00e7\u00e3o. Assim aconteceu no preenchimento de uma vaga para engenheiro civil, para fiscaliza\u00e7\u00e3o de uma obra, com vencimento de <strong>4.000 euros, um \u201csal\u00e1rio j\u00e1 razo\u00e1vel\u201d, nota. \u201cEle telefona a perguntar onde \u00e9. Sines. N\u00e3o vem!<\/strong> Vai ter que pagar uma casa de 2.000 euros, e vai ser dif\u00edcil arranj\u00e1-la, vai ter de pagar portagens e combust\u00edvel para ir a Lisboa ver a fam\u00edlia\u2026 no fim do m\u00eas sobra muito pouco dinheiro\u201d.<\/p>\n<p>O l\u00edder empresarial diz ser \u201c<strong>muito dif\u00edcil ter quadros. N\u00e3o existem pessoas para trabalhar em Sines, aos diversos n\u00edveis. Temos sempre vagas em aberto para os associados, dezenas de vagas todos os dias<\/strong>\u201d, explica o empres\u00e1rio, mencionando ainda a rotatividade, \u201cpela concorr\u00eancia entre empresas \u00e0 procura dos recursos humanos mais qualificados\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cTodos percebemos, n\u00f3s pr\u00f3prios, que \u00e9 muito dif\u00edcil captar talento, sobretudo pelos custos de contexto\u201d<\/strong>, refere o presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o dos Portos de Sines e Algarve (APS), situa\u00e7\u00e3o extens\u00edvel a entidades com quem o porto trabalho de forma estreita, casos da Autoridade Tribut\u00e1ria, DGAV e unidade costeira da GNR.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Estamos a falar de uma necessidade de m\u00e3o-de-obra brutal e que, naturalmente, vai ter de vir de fora. E j\u00e1 hoje temos o problema que temos com o mercado de arrendamento e com o pre\u00e7o de metro quadrado absolutamente astron\u00f3mico.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\u00c1lvaro Beijinha<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da C\u00e2mara Municipal de Sines<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>O caso torna-se mais relevante entre o tecido empresarial abaixo dos \u201ctubar\u00f5es\u201d. Pressionadas pelo poder financeiro dos gigantes de Sines, <strong>as PME \u201cv\u00e3o tendo os quadros que sobram das grandes empresas\u201d<\/strong>, nota Hugo Ferreira, e \u201cisto n\u00e3o nos permite crescer. Os quadros mais qualificados v\u00e3o sempre \u00e0 procura destas grandes empresas que t\u00eam outras condi\u00e7\u00f5es para pagar. <strong>N\u00f3s [PME] n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es para pagar sal\u00e1rios como h\u00e1 por a\u00ed [nas grandes empresas em Sines], de um engenheiro ganhar seis ou sete ou oito mil euros por m\u00eas. As PME n\u00e3o conseguem\u201d<\/strong>, lamenta o dirigente da AES, deixando o desabafo: \u201cclaro que o crescimento \u00e9 \u00f3timo, mas que trouxesse sustentabilidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTemos investimentos em Sines, pelo menos os que j\u00e1 est\u00e3o falados, que superam os 20 mil milh\u00f5es de euros, qualquer coisa como 7.000 trabalhadores, que trar\u00e3o ou n\u00e3o a sua fam\u00edlia\u201d, sintetiza o presidente da C\u00e2mara de Sines, \u00c1lvaro Beijinha. \u201cIsto tem press\u00e3o sobre os servi\u00e7os, designadamente a habita\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, e depois h\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o social, porque n\u00e3o sabemos que impacto vai ter\u201d, admite. \u201cEstamos a falar de uma necessidade de m\u00e3o-de-obra brutal e que, naturalmente, vai ter de vir de fora. E j\u00e1 hoje temos o problema que temos com o mercado de arrendamento e com o pre\u00e7o de metro quadrado absolutamente astron\u00f3mico\u201d, nota o autarca.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1666177 size-full\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/6p1a8766.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1333\"\/>Os investimentos tur\u00edsticos no litoral a norte de Sines est\u00e3o a criar press\u00e3o na habita\u00e7\u00e3o e sobre os recursos humanos dispon\u00edveis para as empresas desta regi\u00e3oHugo Amaral\/ECO <\/p>\n<p>A Sines e Santiago do Cac\u00e9m chega<strong> press\u00e3o tamb\u00e9m do concelho de Gr\u00e2ndola, com os novos empreendimentos tur\u00edsticos ali em constru\u00e7\u00e3o.<\/strong> Em 2025, tr\u00eas t\u00e9cnicos qualificados do grupo VHF, detido por Hugo Ferreira, rumaram a Norte, e no total da associa\u00e7\u00e3o, foram \u201ccentenas\u201d na debandada, assegura o empres\u00e1rio. \u201cNas minhas empresas, come\u00e7a tudo em 1.200 euros [de sal\u00e1rio] para cima. <strong>N\u00e3o se consegue pagar sal\u00e1rio m\u00ednimo em Sines. Na Costa Terra ou na Comporta pagam o dobro, ou mais. Estou a falar at\u00e9 de t\u00e9cnicos operacionais, pessoas para servir \u00e0 mesa<\/strong>\u201d, diz o l\u00edder da AES \u2013 de seguida, vira-se para a t\u00e9cnica da empresa que acompanha a entrevista, diz-lhe \u201co chefe de sala ali do hotel foi trabalhar para o Louboutin, para o Vermelho. Como ele, muitos. Estava ali h\u00e1 anos, o outro ofereceu muito mais dinheiro, foi\u201d.<\/p>\n<p>Ao ECO\/Local Online, Hugo Ferreira, transmontano a viver na regi\u00e3o h\u00e1 cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas, assegura que <strong>\u201cisto depois reflete-se no pre\u00e7o que o consumidor vai pagar. Se forem a um restaurante qualquer, v\u00e3o ver os pre\u00e7os\u201d.<\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Como \u00e9 que fazemos concorr\u00eancia a uma empresa instalada em Sines ou Santiago do Cac\u00e9m, com os vencimentos da C\u00e2mara tabelados, em que podemos negociar, quanto muito, a segunda ou terceira posi\u00e7\u00e3o contratual da tabela.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\tBruno Pereira<\/p>\n<p class=\"quote-author__description\">Presidente da C\u00e2mara Municipal de Santiago do Cac\u00e9m<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>Neste cen\u00e1rio, em d\u00e9fice claro ficam os servi\u00e7os p\u00fablicos. Desde logo, as autarquias. \u201cComo \u00e9 que fazemos concorr\u00eancia a uma empresa instalada em Sines ou Santiago do Cac\u00e9m, com os vencimentos da C\u00e2mara tabelados, em que podemos negociar, quanto muito, a segunda ou terceira posi\u00e7\u00e3o contratual da tabela\u201d, questiona o presidente da C\u00e2mara de Santiago do Cac\u00e9m, Bruno Pereira. E rapidamente responde: \u201cN\u00e3o conseguimos! Os ordenados, mesmo os do Executivo, mesmo os de um diretor de departamento, o chefe de divis\u00e3o, que s\u00e3o as posi\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias por tend\u00eancia mais altas numa C\u00e2mara Municipal, qualquer emprego b\u00e1sico na \u00e1rea industrial de Sines paga melhor\u201d.<\/p>\n<p>Por sua vez, Hugo Ferreira afirma que <strong>\u201cum assistente ou t\u00e9cnico da c\u00e2mara, ganha mil euros, ou 900, o sal\u00e1rio m\u00ednimo. Se for para uma f\u00e1brica destas trabalhar como serralheiro de segunda, ajudante, ganha 2.500. N\u00e3o \u00e9 soldador, nem serralheiro, s\u00f3 ajudante\u201d<\/strong>, explica o presidente da associa\u00e7\u00e3o de empresas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe habita\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>De todos os constrangimentos que nos chegam de v\u00e1rios quadrantes do poder local e das empresas, a habita\u00e7\u00e3o \u00e9 o hegem\u00f3nico. Sinal disso, como constatamos, vemos <strong>pessoas a residir nos armaz\u00e9ns da Zona Industrial e Log\u00edstica de Sines, atropelando a lei, em edif\u00edcios edificados com as especifica\u00e7\u00f5es de armaz\u00e9m ou espa\u00e7o comercial<\/strong>. Roupa a secar nos estendais e, visto na rua atrav\u00e9s das portas abertas, interiores com mob\u00edlia de casa, s\u00e3o presen\u00e7a ao longo das ruas da zona 2 da ZILS. \u201cSe esperarem um bocadinho, v\u00e3o ver ali no armaz\u00e9m da frente 20 pessoas a sa\u00edrem do armaz\u00e9m com 100 metros quadrados. Trabalhadores dos andaimes, agricultura, pinturas, constru\u00e7\u00e3o civil, estrangeiros, pessoas com poucas qualifica\u00e7\u00f5es, especialmente da \u00c1sia. <strong>Se vierem \u00e0 noite, v\u00e3o ver pessoas a passear os c\u00e3es, a assar na rua\u2026 \u00e9 proibid\u00edssimo, n\u00e3o se pode morar numa ZILS\u201d, salienta Hugo Ferreira.<\/strong><\/p>\n<p>Um <strong>armaz\u00e9m de 100 metros quadrados de \u00e1rea, com dois pisos e com uma dezena de quartos no interior, pode render 6.000 euros por m\u00eas em regime de habita\u00e7\u00e3o. Arrendado para a fun\u00e7\u00e3o comercial, o mesmo armaz\u00e9m, na sua totalidade, n\u00e3o passar\u00e1 em muito dos 500 euros<\/strong>, descreve o presidente da AES.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1898620\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sines09-1.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1333\"\/>Habita\u00e7\u00e3o na Zona Industrial e Log\u00edstica de SinesHugo Amaral\/ECO <\/p>\n<p>Segundo apurou o ECO\/Local Online, as <strong>autarquias de Sines e Santiago do Cac\u00e9m t\u00eam no\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia da exist\u00eancia de cerca de 2.000 pessoas nas diversas zonas da ZILS, mas n\u00e3o disp\u00f5em de uma solu\u00e7\u00e3o de alojamento condigno.<\/strong> A este prop\u00f3sito, Hugo Ferreira perspetiva que \u201cse houver uma fiscaliza\u00e7\u00e3o muito apertada, as pessoas n\u00e3o t\u00eam onde dormir. Vamos criar um problema maior. N\u00e3o existe habita\u00e7\u00e3o\u201d, insiste. \u201cConstruir habita\u00e7\u00e3o vai demorar anos e anos. J\u00e1 dev\u00edamos ter come\u00e7ado isto quando foram anunciados os primeiros projetos. Voc\u00eas viram h\u00e1 quantos anos estamos \u00e0 espera da autoestrada \u2013 foi parado no tempo do Passos Coelho, ficaram as obras a meio\u201d.<\/p>\n<p>De facto, a autoestrada em que circulamos a partir do n\u00f3 de Gr\u00e2ndola da A2 \u00e9 a mesma que conhecemos de experi\u00eancia pessoal h\u00e1 mais de 30 anos \u2013 e j\u00e1 data da d\u00e9cada de 1970. De Santiago do Cac\u00e9m chegamos a Sines e depois dali viramos para Santo Andr\u00e9. Nem mais um quil\u00f3metro h\u00e1 do que o feito h\u00e1 cinco d\u00e9cadas. Uma falha nas acessibilidades que n\u00e3o escapa ao olhar dos investidores, entre os quais \u201ch\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o enorme\u201d, real\u00e7a o presidente da C\u00e2mara de Sines.<\/p>\n<p>Apontando o exemplo da Repsol, h\u00e1 mais de 20 anos presente no territ\u00f3rio e com o grande investimento Alba quase em fase final, \u00c1lvaro Beijinha conta um epis\u00f3dio vivido consigo: <strong>\u201crecordo-me perfeitamente de que quando estavam a querer avan\u00e7ar com o projeto, eu ainda na qualidade de presidente de Santiago, o diretor da f\u00e1brica nos consciencializar para que fiz\u00e9ssemos press\u00e3o junto do Governo central para a necessidade urgente de esta via passar a autoestrada, e tamb\u00e9m para a quest\u00e3o da ferrovia\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1888294\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/alvaro-beijinha01.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1333\"\/>\u00c1lvaro Beijinha, presidente da C\u00e2mara Municipal de Sines, em entrevista ao ECO\/Local OnlineHugo Amaral\/ECO <\/p>\n<p><strong>\u201cQuando se pensou o projeto de Sines, ainda antes do 25 de Abril \u2013 eu sou o primeiro a criticar o anterior regime \u2013 isto foi bem pensado e bem planeado\u201d, assume o autarca comunista<\/strong>, notando como nas \u00faltimas d\u00e9cadas \u201cconstruiu-se autoestradas por todo o lado e aqui, que \u00e9 estrat\u00e9gico para o pa\u00eds, n\u00e3o se criou a acessibilidade necess\u00e1ria. Temos aqui os investidores estrangeiros e eles n\u00e3o conseguem compreender isto\u201d. O mesmo com a ferrovia de passageiros, retirada aos dois concelhos no in\u00edcio dos anos 1990. Se ela existisse, \u201cas pessoas n\u00e3o precisavam de residir aqui\u201d, considera \u00c1lvaro Beijinha.<\/p>\n<p>PME da regi\u00e3o ficam \u00e0 margem dos grandes investimentos<\/p>\n<p>Na base de associados da AES, conta Hugo Ferreira, existem mais de 300 empresas, com preponder\u00e2ncia das pequenas e m\u00e9dias (PME), algumas de concelhos lim\u00edtrofes de Sines e Santiago do Cac\u00e9m e tamb\u00e9m pa\u00edses da CPLP. Uma das mais destacadas \u00e9 o porto de Sines, com o qual a associa\u00e7\u00e3o est\u00e1 articulada numa associa\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria da lusofonia, APLOP \u2013 Associa\u00e7\u00e3o dos Portos da L\u00edngua Portuguesa.<\/p>\n<p>Ao todo, estima Hugo Ferreira, os <strong>associados da regi\u00e3o empregam cerca de sete a oito mil pessoas, dimens\u00e3o que dispara na ordem dos milhares em certos momentos, por via do trabalho tempor\u00e1rio. Petr\u00f3leo, metalomec\u00e2nica, eletricidade, log\u00edstica e \u00e1rea portu\u00e1ria s\u00e3o parte do portef\u00f3lio de \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Empres\u00e1rio com presen\u00e7a em Portugal e Angola, Hugo Ferreira lamenta a aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o que privilegie a incorpora\u00e7\u00e3o local de servi\u00e7os e produtos, como ocorre naquele pa\u00eds africano, por exemplo. <strong>Em Angola, \u201csempre que h\u00e1 um projeto petrol\u00edfero, eles s\u00e3o obrigados a deixar 1% ou 2% para causas sociais. Tem de fazer a escola, o hospital. N\u00f3s vamos ao Cercal do Alentejo [concelho de Santiago do Cac\u00e9m] e n\u00e3o h\u00e1 uma creche\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1333\" class=\"size-full wp-image-1898625\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/zils-sines02.jpg\" alt=\"\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tComplexo Petroqu\u00edmico da Repsol na Zona Industrial e Log\u00edstica de Sines (ZILS)\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tHugo Amaral\/ECO\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>Com os grandes projetos a chegarem j\u00e1 desenhados a Sines, as empresas da regi\u00e3o ficam limitadas a alguns servi\u00e7os de menor escala. Tanto que, salienta o respons\u00e1vel da associa\u00e7\u00e3o empresarial, baseando-se numa lista do jornal Setubalense com as maiores empresas sediadas no distrito de Set\u00fabal (ficheiro que tem \u00e0 m\u00e3o no seu telem\u00f3vel), a agricultura, a pecu\u00e1ria, o imobili\u00e1rio e o trabalho tempor\u00e1rio s\u00e3o campe\u00f5es neste territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Hugo Ferreira explica o qu\u00e3o distantes ficam os empres\u00e1rios dos grandes investimentos:<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>&#8220;Quando os projetos s\u00e3o anunciados, a maior parte dos cadernos de encargos, das adjudica\u00e7\u00f5es, j\u00e1 est\u00e1 tudo feito, ou seja, fica muito pouco. Muitas vezes, estes grandes projetos s\u00f3 compram em Sines o que n\u00e3o conseguem trazer de fora. Os concursos s\u00e3o internacionais, as empresas que v\u00eam s\u00e3o quase todas de fora, t\u00eam a sua central de compras fora, as centrais de abastecimento tamb\u00e9m s\u00e3o de fora, e muitas vezes s\u00f3 compram aqui \u2018um quilo de pregos porque me esqueci de trazer os pregos\u2019\u2026\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O empres\u00e1rio e l\u00edder associativo reconhece que <strong>em \u201ctanta coisa e tanto projeto que aparece sempre alguma coisa\u201d,<\/strong> mas deixa o alerta para uma <strong>\u201crea\u00e7\u00e3o popular que j\u00e1 existe hoje em dia\u201d por desagrado face aos impactos dos grandes investimentos.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c<strong>Come\u00e7amos a n\u00e3o ter creches para as crian\u00e7as, a ter as escolas esgotadas, os centros de sa\u00fade e os hospitais ocupad\u00edssimos, com filas de espera, os restaurantes car\u00edssimos, as casas car\u00edssimas<\/strong>\u201c, nota o presidente da AES, ironizando: \u201cComo dizia um amigo, de cada vez que o primeiro-ministro anuncia um investimento para Sines, os pre\u00e7os no supermercado aumentam\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00c1lvaro Beijinha alerta para a falta de investimento do Estado central e alerta:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>&#8220;A c\u00e2mara n\u00e3o vai aumentar a sua receita brutalmente para construir uma nova escola, um centro de sa\u00fade novo, para meter mais efetivos da GNR\u2026 s\u00f3 para ter uma ideia: a GNR aqui em Sines tem vinte e tal guardas, tem duas viaturas\u2026 uma delas foi a C\u00e2mara que lhes cedeu, para fazer o patrulhamento todo. \u00c9 caricato. Uma cidade onde vivem 13 mil pessoas, onde, segundo estimativas, vivem mais cinco ou seis mil, atualmente \u2013 andam por a\u00ed. H\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a que cresce todos os dias na popula\u00e7\u00e3o local. Sabemos ao que isso leva muito facilmente\u2026\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pre\u00e7os proibitivos no imobili\u00e1rio, ensino e sa\u00fades sob press\u00e3o, empresas pouco envolvidas nos grandes projetos e um Estado&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":409503,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[15186,27,28,90,15,16,14,8624,25,26,12920,21,22,4998,12,13,19,20,32,23,24,33,12921,17,18,29,30,31],"class_list":["post-409502","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-autarquias","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-empresas","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-infraestruturas","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-local-online","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mobilidade","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-regioes","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116709187544487426","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/409502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=409502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/409502\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/409503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=409502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=409502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=409502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}