{"id":41365,"date":"2025-08-23T09:28:14","date_gmt":"2025-08-23T09:28:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/41365\/"},"modified":"2025-08-23T09:28:14","modified_gmt":"2025-08-23T09:28:14","slug":"depois-da-europa-tudo-o-resto-o-k4-500-portugues-nao-sabe-o-que-e-perder-e-sagra-se-campeao-mundial-de-canoagem-em-milao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/41365\/","title":{"rendered":"Depois da Europa, tudo o resto: o K4 500 portugu\u00eas n\u00e3o sabe o que \u00e9 perder e sagra-se campe\u00e3o mundial de canoagem em Mil\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quatro anos, a canoagem portuguesa viveu um momento de natural encruzilhada numa das suas embarca\u00e7\u00f5es de maior sucesso. O K4 500 de Emanuel Silva, Jo\u00e3o Ribeiro, Messias Baptista e David Varela chegou \u00e0 final de T\u00f3quio, mas a regata decisiva dava sinais inequ\u00edvocos de fim de ciclo. O 8.\u00ba lugar entre os melhores do mundo \u00e9 bom, claro, muito bom. Mas o cansa\u00e7o sentia-se nas palavras emocionadas dos cano\u00edstas portugueses, frases de incompreens\u00e3o face \u00e0 terr\u00edvel constata\u00e7\u00e3o que at\u00e9 o trabalho mais s\u00e9rio e dedicado n\u00e3o estava a chegar para chegar ao p\u00f3dio.  <\/p>\n<p>Em Paris, Portugal n\u00e3o conseguiu qualificar o seu barco de quatro, campe\u00e3o da Europa em 2011, vice-campe\u00e3o mundial em 2014, 6.\u00ba classificado nos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Era necess\u00e1ria a mudan\u00e7a, encontrar novos atores depois da desilus\u00e3o da n\u00e3o presen\u00e7a ol\u00edmpica nos \u00faltimos Jogos. E do adeus de nomes que tanto suor havia colocado naquela embarca\u00e7\u00e3o. O hist\u00f3rico Emanuel Silva, vice-campe\u00e3o ol\u00edmpico em 2012, deixou a competi\u00e7\u00e3o, tal como David Varela, este no final do ano passado. Kevin Santos, com bons resultados em provas de 200m, tamb\u00e9m chegou a fazer parte da equipa, mas n\u00e3o se fixou. Portugal tinha no jovem Messias Baptista, que se estreou olimpicamente em T\u00f3quio, um talento para reter, numa modalidade onde ela tem sido t\u00e3o dif\u00edcil. E em Jo\u00e3o Ribeiro a experi\u00eancia necess\u00e1ria para a transi\u00e7\u00e3o. Faltava renovar dois dos lugares.<\/p>\n<p>Chegaram ent\u00e3o \u00e0 equipa mais dos jovens, Gustavo Gon\u00e7alves e Pedro Casinha, ainda ambos sub-23. E essa transi\u00e7\u00e3o n\u00e3o poderia estar mais bem-sucedida. Em junho, na primeira regata internacional do novo quarteto, Portugal foi campe\u00e3o da Europa, em Racice, na Ch\u00e9quia. E agora, dois meses depois, chega um in\u00e9dito t\u00edtulo mundial, numa dist\u00e2ncia que \u00e9 ol\u00edmpica e obriga Portugal a sonhar alto para Los Angeles. <\/p>\n<p>Se em Racice a prova de Gustavo Gon\u00e7alves, Jo\u00e3o Ribeiro, Messias Baptista e Pedro Casinha foi feita de ataque e controlo, em Mil\u00e3o, onde decorrem estes Mundiais, o quarteto foi ainda mais ex\u00edmio na gest\u00e3o do esfor\u00e7o, de forma calma, fria e confiante, face \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o da fort\u00edssima embarca\u00e7\u00e3o da Hungria. <\/p>\n<p>A meio da prova, aos 250m, o K4 portugu\u00eas liderava, mas sem folga. Na rea\u00e7\u00e3o ao ataque h\u00fangaro, n\u00e3o houve p\u00e2nico nem tenta\u00e7\u00e3o de despender mais esfor\u00e7os do que aqueles que podiam ser usados. Um K4 \u00e9 uma embarca\u00e7\u00e3o feita de quatro personalidades, quatro corpos, quatro condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, quatro mentes: fazer com que tudo isto resulte em pouco mais de um minuto de prova \u00e9 um esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio de simbiose.<\/p>\n<p>Esse t\u00e3o dif\u00edcil alinhamento de vontades e estados de esp\u00edrito nunca deixou a equipa portuguesa, em momento algum. Nem quando caiu para segundo. Nunca deixou fugir a Hungria, manteve os rivais sempre no el\u00e1stico, numa ilus\u00e3o v\u00e3 de que era poss\u00edvel roubar o ouro aos portugueses. E nos metros finais, Portugal teve a for\u00e7a e o cora\u00e7\u00e3o para conseguir regressar \u00e0 lideran\u00e7a e passar a meta em primeiro, com os h\u00fangaros a escassos cinco cent\u00e9simos. A Espanha foi medalha de bronze, a 40.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Esta \u00e9 a primeira medalha de Portugal nos Mundiais de Mil\u00e3o, nos quais Jo\u00e3o Ribeiro e Messias Baptista defendem o t\u00edtulo de K2 500 metros e Fernando Pimenta de K1 1.000.<\/p>\n<p>Gustavo Gon\u00e7alves, a primeira cara que se d\u00e1 ao sol na embarca\u00e7\u00e3o, jogou-se ao canal, um salto de felicidade de quem, t\u00e3o jovem, veio do Clube N\u00e1utico de Marecos, em Gondomar, para conquistar o mundo. Ainda h\u00e1 poucas semanas foi tamb\u00e9m ouro com o colega Pedro Casinha no K2 500 nos Mundiais sub-23. A nova gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 a\u00ed para continuar os esfor\u00e7os de Jos\u00e9 Garcia, de Emanuel Silva, de Teresa Portela, de Fernando Pimenta, que ainda por c\u00e1 anda e parece eterno.<\/p>\n<p>Em T\u00f3quio, o des\u00e2nimo e as l\u00e1grimas dos atletas portugueses, num dia em que a chuva torrencial chegou \u00e0 capital nip\u00f3nica, n\u00e3o seriam ainda o ponto mais baixo para esta embarca\u00e7\u00e3o. Ainda havia que sofrer um pouco mais. Por vezes, \u00e9 preciso conhecer os fundos para voltar \u00e0 tona, para saber que o sol vai voltar a brilhar. Esta tarde, em Mil\u00e3o houve sol, muito sol. Que voltou a brilhar para um K4 que, para j\u00e1, s\u00f3 sabe o que \u00e9 ganhar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 quatro anos, a canoagem portuguesa viveu um momento de natural encruzilhada numa das suas embarca\u00e7\u00f5es de maior&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41366,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-41365","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-featured-news","11":"tag-featurednews","12":"tag-headlines","13":"tag-latest-news","14":"tag-latestnews","15":"tag-main-news","16":"tag-mainnews","17":"tag-news","18":"tag-noticias","19":"tag-noticias-principais","20":"tag-noticiasprincipais","21":"tag-portugal","22":"tag-principais-noticias","23":"tag-principaisnoticias","24":"tag-pt","25":"tag-top-stories","26":"tag-topstories","27":"tag-ultimas","28":"tag-ultimas-noticias","29":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41365"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41365\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}