{"id":414074,"date":"2026-06-11T15:54:23","date_gmt":"2026-06-11T15:54:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/414074\/"},"modified":"2026-06-11T15:54:23","modified_gmt":"2026-06-11T15:54:23","slug":"avc-pilula-de-anti-hipertensivos-previne-novos-derrames-11-06-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/414074\/","title":{"rendered":"AVC: P\u00edlula de anti-hipertensivos previne novos derrames &#8211; 11\/06\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/05\/avc-principal-causa-de-morte-cardiaca-no-brasil-tem-deficiencia-em-prevencao-e-em-atendimento-rapido-no-sus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">acidente vascular cerebral,<\/a> popularmente conhecido como AVC, \u00e9 a segunda causa de morte entre os brasileiros. Em 2024, foram registrados mais de 106 mil \u00f3bitos, segundo a plataforma Tabnet, do DataSUS, que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es dos sistemas de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a> nacionais. \u00c9 tamb\u00e9m a principal causa de incapacidade: 70% das pessoas que sofrem um AVC n\u00e3o retornam ao trabalho, e 50% ficam dependentes de cuidados, de acordo com a SBAVC (Sociedade Brasileira de AVC).<\/p>\n<p>O acidente vascular cerebral pode ser de dois tipos: isqu\u00eamico, quando ocorre obstru\u00e7\u00e3o ou redu\u00e7\u00e3o do fluxo sangu\u00edneo em uma art\u00e9ria cerebral, causando falta de circula\u00e7\u00e3o; ou hemorr\u00e1gico, causado pela ruptura espont\u00e2nea de um vaso, com extravasamento de sangue no interior do c\u00e9rebro. O primeiro tipo \u00e9 o mais comum, identificado em 60% a 70% dos casos. J\u00e1 o hemorr\u00e1gico \u00e9 o mais letal.<\/p>\n<p>Entre as causas do AVC est\u00e3o a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/03\/hipertensao-e-doenca-silenciosa-e-rastreio-e-falho-no-brasil-afirmam-especialistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">press\u00e3o arterial elevada<\/a>, o sedentarismo, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/obesidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">obesidade<\/a>, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/04\/atendimentos-para-largar-o-cigarro-quadruplicam-em-seis-anos-mas-programa-do-sus-tem-gargalos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">tabagismo <\/a>e a dieta desequilibrada. Por esse motivo, uma das principais caracter\u00edsticas da doen\u00e7a \u00e9 a recorr\u00eancia. Uma vez que o indiv\u00edduo sofre um AVC, a probabilidade de apresentar novos epis\u00f3dios ou outros eventos cardiovasculares, como o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/05\/estudo-revela-4-fatores-por-tras-dos-casos-de-infarto.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">infarto agudo do mioc\u00e1rdio<\/a>, aumenta. Cerca de 20% dos pacientes que tiveram um AVC podem experimentar posteriormente um infarto num per\u00edodo entre dois e cinco anos.<\/p>\n<p>Devido a esse quadro, \u00e9 fundamental que se exer\u00e7a um controle sobre os fatores de risco, em especial dos n\u00edveis de press\u00e3o arterial. O problema est\u00e1 justamente na ades\u00e3o dos pacientes aos tratamentos no longo prazo. Para enfrentar tais dificuldades, um time internacional de pesquisadores se prop\u00f4s a investigar o potencial de uma nova medica\u00e7\u00e3o para melhorar o controle da press\u00e3o arterial em pacientes que tiveram AVC hemorr\u00e1gico.<\/p>\n<p>Denominado Trident (Triple Therapy Prevention of Recurrent Intracerebral Disease Events Trial, ou Ensaio Cl\u00ednico de Terapia Tripla para a Preven\u00e7\u00e3o de Eventos Recorrentes de Doen\u00e7a Intracerebral), o ensaio cl\u00ednico multinacional, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo envolveu 61 centros de pesquisa de 12 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Dentre eles, a Faculdade de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicina\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Medicina<\/a> da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/unesp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Unesp<\/a> (FMB), em Botucatu. O objetivo era avaliar a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a de um \u00fanico comprimido contendo tr\u00eas medicamentos, a chamada polip\u00edlula.<\/p>\n<p>A polip\u00edlula \u00e9 composta por medicamentos j\u00e1 conhecidos no mercado: os anti-hipertensivos em baixas doses: telmisartana 20 mg, anlodipino 2,5 mg e indapamida 1,25 mg. Estes medicamentos s\u00e3o comercializados separadamente. No teste, a polip\u00edlula foi administrada de forma complementar ao tratamento padr\u00e3o j\u00e1 estabelecido para o paciente ap\u00f3s a alta hospitalar.<\/p>\n<p>Para participar do estudo, os pacientes precisavam estar clinicamente est\u00e1veis, apresentar press\u00e3o arterial sist\u00f3lica entre 130 e 160 mmHg em repouso, mesmo com o uso de terapia anti-hipertensiva, e n\u00e3o apresentar contraindica\u00e7\u00e3o a nenhum dos componentes do comprimido triplo utilizado. Ao todo, foram recrutados 1.670 sujeitos com tais caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um estudo longo&#8221;, explica Rodrigo Bazan, m\u00e9dico neurologista chefe do Departamento de Neuroci\u00eancias e Sa\u00fade Mental da Faculdade de Medicina de Botucatu e um dos investigadores principais do estudo no Brasil. Durante cinco anos, os 1.670 pacientes selecionados \u2014 833 designados para receber o comprimido triplo e 837 para receber placebo \u2014 foram acompanhados em consultas presenciais peri\u00f3dicas. &#8220;E tamb\u00e9m de forma remota, por meio de liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas feitas aos pacientes ou aos seus cuidadores&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Decorrido o per\u00edodo de acompanhamento, os investigadores puderam constatar que, entre o grupo que recebeu o comprimido triplo, a press\u00e3o arterial m\u00e9dia foi de 127 mmHg, enquanto, no grupo placebo, foi de 138 mmHg. Transcorridos dois anos e meio, 38 pacientes do grupo que recebia a medica\u00e7\u00e3o tiveram um novo acidente vascular cerebral, o equivalente a 4,6% do total. No grupo placebo, foram registrados 62 casos, correspondentes a 7,4% do total. J\u00e1 a incid\u00eancia de outros eventos cardiovasculares importantes foi menor no grupo da polip\u00edlula do que entre os pacientes que recebiam placebo: 6,6% e 9,8%, respectivamente.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um estudo seguro, porque o comprimido triplo era usado em complemento ao tratamento convencional. E o simples fato de a pessoa controlar a press\u00e3o para n\u00edveis inferiores a 130 mmHg por 90 mmHg, ou 13 por 9, reduziu em 39% o risco de qualquer tipo de acidente vascular cerebral recorrente&#8221;, afirma Bazan.<\/p>\n<p>O diferencial da polip\u00edlula<\/p>\n<p>Para o docente da Unesp, um dos grandes diferenciais do tratamento testado est\u00e1 na combina\u00e7\u00e3o dos medicamentos em baixa dosagem em um s\u00f3 comprimido, o que se reflete na ades\u00e3o dos pacientes.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo do estudo, a ades\u00e3o foi de 86%. Isso \u00e9 muito dif\u00edcil de se conseguir, principalmente se considerarmos um estudo de tantos anos. E isso se deve ao fato de se reunirem tr\u00eas f\u00e1rmacos em baixa dosagem em uma mesma p\u00edlula, tomada uma \u00fanica vez ao dia. Imagine se o paciente tivesse que tomar os tr\u00eas f\u00e1rmacos diferentes em hor\u00e1rios variados ao longo do dia? Ele acabaria esquecendo de tomar a medica\u00e7\u00e3o ou interromperia o tratamento. Ent\u00e3o, a efic\u00e1cia tem rela\u00e7\u00e3o com essa tecnologia proposta&#8221;, completa o pesquisador.<\/p>\n<p>O estudo cl\u00ednico internacional Trident contou com o financiamento do Conselho Nacional de Sa\u00fade e Pesquisa M\u00e9dica da Austr\u00e1lia e do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema \u00danico de Sa\u00fade, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade do Brasil. A George Medicines, pertencente ao Instituto George para a Sa\u00fade Global, foi a respons\u00e1vel por fornecer o comprimido triplo e o placebo correspondente. Os resultados foram <a href=\"https:\/\/www.nejm.org\/doi\/full\/10.1056\/NEJMoa2515043\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">publicados<\/a> no The New England Journal of Medicine.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o da Unesp<\/p>\n<p>A Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, foi um dos 61 centros participantes do estudo TRIDENT e contribuiu para o recrutamento de 18 pacientes. Ap\u00f3s o atendimento inicial na Unidade de AVC do Hospital das Cl\u00ednicas, os pacientes eram encaminhados para avalia\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de inclus\u00e3o no estudo e para a aplica\u00e7\u00e3o do protocolo do ensaio cl\u00ednico na Upeclin, Unidade de Pesquisa Cl\u00ednica vinculada \u00e0 faculdade.<\/p>\n<p>&#8220;Desde a inclus\u00e3o do paciente, o fornecimento de informa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 a administra\u00e7\u00e3o do medicamento, que ficava guardado na farm\u00e1cia da unidade, e o monitoramento dos pacientes e a coleta de informa\u00e7\u00f5es por meio de atendimentos presenciais e liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas peri\u00f3dicas ao longo dos cinco anos de pesquisa, tudo teve o apoio log\u00edstico da Upeclin, que tem expertise nesse tipo de ensaio cl\u00ednico&#8221;, explica Bazan.<\/p>\n<p>O pesquisador refor\u00e7a a import\u00e2ncia de que a universidade se engaje em ensaios cl\u00ednicos com esse perfil, que contribuem para a melhora da qualidade de vida de grande parte da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Estamos falando de f\u00e1rmacos conhecidos, que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam mais patente, mas que, ao serem associados em uma s\u00f3 p\u00edlula, resultam em inova\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. &#8220;E ter a possibilidade de oferecer esse medicamento a um paciente no Brasil, no interior de S\u00e3o Paulo, que enfrenta in\u00fameras dificuldades em raz\u00e3o da doen\u00e7a e necessita de toda uma rede de apoio, al\u00e9m de acompanh\u00e1-lo periodicamente junto a um time internacional, \u00e9 uma oportunidade \u00fanica que a universidade oferece.&#8221;<\/p>\n<p>Alerta para o frio<\/p>\n<p>O inverno se aproxima e,<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/07\/frio-pode-aumentar-incidencia-de-doencas-cardiovasculares-dizem-especialistas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> com as baixas temperaturas, a incid\u00eancia de acidente vascular cerebral pode aumentar em at\u00e9 20%<\/a>, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Principalmente em regi\u00f5es com as esta\u00e7\u00f5es do ano bem demarcadas, a varia\u00e7\u00e3o da temperatura pode favorecer a ocorr\u00eancia da doen\u00e7a. &#8220;No inverno, a press\u00e3o arterial costuma ficar descontrolada, porque o corpo trabalha de forma diferente para se manter aquecido, e as pessoas tamb\u00e9m tomam menos \u00e1gua e ficam mais sedent\u00e1rias. Esses s\u00e3o fatores que favorecem a ocorr\u00eancia de AVCs&#8221;, diz Bazan.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o dos especialistas \u00e9 redobrar a aten\u00e7\u00e3o com a press\u00e3o arterial nesse per\u00edodo, manter a hidrata\u00e7\u00e3o e praticar atividades f\u00edsicas regularmente.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como AVC, \u00e9 a segunda causa de morte entre os brasileiros. 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