{"id":415318,"date":"2026-06-12T16:28:12","date_gmt":"2026-06-12T16:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/415318\/"},"modified":"2026-06-12T16:28:12","modified_gmt":"2026-06-12T16:28:12","slug":"el-nino-ja-chegou-e-esta-a-intensificar-se-rapidamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/415318\/","title":{"rendered":"El Ni\u00f1o j\u00e1 chegou e est\u00e1 a intensificar-se rapidamente"},"content":{"rendered":"<p>                Como o El Ni\u00f1o envolve a transfer\u00eancia de uma enorme quantidade de energia t\u00e9rmica do oceano para a atmosfera, este fen\u00f3meno tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es para o clima global. Ao somar-se \u00e0 tend\u00eancia de aquecimento provocada pelas emiss\u00f5es de combust\u00edveis f\u00f3sseis, praticamente garante que 2027 ultrapassar\u00e1 2024 como o ano mais quente alguma vez registado no planeta<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o come\u00e7ou oficialmente e prev\u00ea-se que evolua para um fen\u00f3meno muito forte, ou mesmo um \u201cSuper El Ni\u00f1o\u201d, provocando altera\u00e7\u00f5es significativas nos padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos globais e contribuindo para um clima ainda mais quente, segundo um novo relat\u00f3rio divulgado esta quinta-feira pela Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos Estados Unidos (NOAA).<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o \u00e9 um padr\u00e3o clim\u00e1tico peri\u00f3dico no Oceano Pac\u00edfico tropical que altera os ventos e se caracteriza por \u00e1guas invulgarmente quentes no Pac\u00edfico central e oriental. Estas mudan\u00e7as nos ventos e nas temperaturas oce\u00e2nicas t\u00eam efeitos em cadeia nos padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos em todo o mundo.<\/p>\n<p>O Centro de Previs\u00e3o Clim\u00e1tica da NOAA atribui a este El Ni\u00f1o uma probabilidade de 63% de se tornar um fen\u00f3meno \u201cmuito forte\u201d (conhecido informalmente como Super El Ni\u00f1o) e de vir a integrar o grupo dos \u201cmaiores eventos de El Ni\u00f1o registados desde 1950\u201d. Como sinal da confian\u00e7a nesta previs\u00e3o, o centro atribui uma probabilidade de 100% de o fen\u00f3meno se manter durante o outono e uma probabilidade extremamente elevada de persistir tamb\u00e9m durante o inverno.<\/p>\n<p>Para ser considerado um Super El Ni\u00f1o, as temperaturas das \u00e1guas do Pac\u00edfico tropical t\u00eam de ultrapassar em mais de dois graus a m\u00e9dia habitual. Alguns modelos computacionais considerados fi\u00e1veis sugerem que esse limiar poder\u00e1 ser largamente excedido.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, grandes volumes de \u00e1gua invulgarmente quente deslocaram-se do Pac\u00edfico ocidental para o Pac\u00edfico tropical oriental, impulsionados por altera\u00e7\u00f5es nos ventos. Esta massa de \u00e1gua quente viajou entre cerca de 180 e 300 metros abaixo da superf\u00edcie do oceano e est\u00e1 agora a come\u00e7ar a emergir milhares de quil\u00f3metros mais a leste, mais perto da Am\u00e9rica do Sul. Din\u00e2micas semelhantes foram observadas durante epis\u00f3dios intensos de El Ni\u00f1o no passado.<\/p>\n<p>Os eventos de Super El Ni\u00f1o s\u00e3o relativamente raros. Os mais recentes ocorreram em 2015-2016, 1997-1998 e 1982-1983.<\/p>\n<p>Como o El Ni\u00f1o envolve a transfer\u00eancia de uma enorme quantidade de energia t\u00e9rmica do oceano para a atmosfera, este fen\u00f3meno tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es para o clima global. Ao somar-se \u00e0 tend\u00eancia de aquecimento provocada pelas emiss\u00f5es de combust\u00edveis f\u00f3sseis, praticamente garante que 2027 ultrapassar\u00e1 2024 como o ano mais quente alguma vez registado no planeta.<\/p>\n<p>Como o El Ni\u00f1o o pode afetar <\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o aumenta a probabilidade de ocorr\u00eancia de determinados fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos e clim\u00e1ticos extremos, incluindo ondas de calor, cheias e secas, dependendo da regi\u00e3o. Nos Estados Unidos, os seus impactos s\u00e3o mais evidentes durante os meses de inverno.<\/p>\n<p><strong>Furac\u00f5es:<\/strong>\u00a0embora o El Ni\u00f1o possa intensificar a \u00e9poca de furac\u00f5es no Pac\u00edfico central e oriental, tende a reduzir o n\u00famero de furac\u00f5es no Atl\u00e2ntico. Quanto mais forte for o fen\u00f3meno, maior a probabilidade de estes efeitos se verificarem.<\/p>\n<p>As liga\u00e7\u00f5es entre o El Ni\u00f1o e a \u00e9poca de furac\u00f5es poder\u00e3o representar riscos para o sudoeste dos Estados Unidos e para o Havai, dependendo da trajet\u00f3ria individual das tempestades.<\/p>\n<p><strong>Inverno nos Estados Unidos:<\/strong>\u00a0normalmente registam-se temperaturas acima da m\u00e9dia no norte dos Estados Unidos, oeste do Canad\u00e1 e Alasca, embora isso n\u00e3o exclua per\u00edodos ocasionais de frio.<\/p>\n<p>J\u00e1 o sul dos Estados Unidos tende a ser mais h\u00famido e mais fresco, devido a uma corrente de jato mais ativa que conduz mais tempestades para essa regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A Calif\u00f3rnia poder\u00e1 enfrentar epis\u00f3dios mais frequentes de rios atmosf\u00e9ricos, \u00e0 medida que correntes carregadas de humidade atingem a costa. No entanto, \u00e9 dif\u00edcil prever que zonas do estado ser\u00e3o mais afetadas.<\/p>\n<p><strong>Cheias, calor e secas:<\/strong>\u00a0algumas regi\u00f5es, como a Austr\u00e1lia e a Indon\u00e9sia, s\u00e3o particularmente vulner\u00e1veis a secas e ondas de calor durante os epis\u00f3dios de El Ni\u00f1o, o que pode aumentar o risco de inc\u00eandios florestais e de problemas no abastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Durante o ver\u00e3o, as chuvas das mon\u00e7\u00f5es tendem a diminuir na \u00cdndia e no Sudeste Asi\u00e1tico, havendo j\u00e1 sinais de que esse processo est\u00e1 a come\u00e7ar. A redu\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o pode agravar epis\u00f3dios de calor extremo.<\/p>\n<p>As Cara\u00edbas tamb\u00e9m enfrentam frequentemente condi\u00e7\u00f5es de seca durante o El Ni\u00f1o. Invernos quentes e secos s\u00e3o comuns em partes do sul e leste da \u00c1sia. As condi\u00e7\u00f5es de seca podem agravar-se no sudeste de \u00c1frica durante o ver\u00e3o do hemisf\u00e9rio sul, entre dezembro e fevereiro. Em contrapartida, regi\u00f5es pr\u00f3ximas do Corno de \u00c1frica podem registar chuvas intensas e inunda\u00e7\u00f5es entre outubro e janeiro.<\/p>\n<p>Parte do sudeste da Am\u00e9rica do Sul tende a receber mais precipita\u00e7\u00e3o durante anos de El Ni\u00f1o, enquanto o sudeste do Brasil costuma registar temperaturas acima do normal. Uma vasta \u00e1rea do norte da Am\u00e9rica do Sul, estendendo-se a partes da Am\u00e9rica Central, tende a ser mais seca do que a m\u00e9dia entre julho e dezembro. J\u00e1 o noroeste da Am\u00e9rica do Sul, incluindo o Peru, \u00e9 particularmente propenso a chuvas intensas entre janeiro e maio devido \u00e0 proximidade de \u00e1guas oce\u00e2nicas excecionalmente quentes.<\/p>\n<p><strong>Oceanos: <\/strong>os eventos de El Ni\u00f1o podem provocar ondas de calor marinhas generalizadas e fen\u00f3menos de branqueamento dos corais, dada a sensibilidade destes organismos \u00e0s temperaturas elevadas da \u00e1gua. As pr\u00f3prias ondas de calor marinhas tamb\u00e9m podem influenciar os padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos regionais.<\/p>\n<p><strong>Impacto econ\u00f3mico:<\/strong> estudos demonstram que epis\u00f3dios fortes de El Ni\u00f1o podem reduzir o crescimento econ\u00f3mico dos pa\u00edses devido aos preju\u00edzos causados por desastres naturais, interrup\u00e7\u00f5es no abastecimento alimentar e outros efeitos associados.<\/p>\n<p><strong>Mas nem tudo segue um gui\u00e3o previs\u00edvel:<\/strong>\u00a0mesmo os epis\u00f3dios mais intensos de El Ni\u00f1o n\u00e3o produzem exatamente os mesmos impactos e haver\u00e1 inevitavelmente surpresas.<\/p>\n<p>Existe ainda um grau adicional de incerteza em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos deste Super El Ni\u00f1o, porque ocorre num momento em que o planeta j\u00e1 est\u00e1 significativamente mais quente do que a m\u00e9dia devido ao aquecimento global provocado pelas emiss\u00f5es de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Por isso, subsistem d\u00favidas sobre a forma como esse contexto poder\u00e1 amplificar os fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos extremos associados ao El Ni\u00f1o.<\/p>\n<p>Em suma, nunca houve um El Ni\u00f1o \u2014 muito menos um Super El Ni\u00f1o \u2014 num planeta com uma temperatura m\u00e9dia de fundo t\u00e3o elevada como a atual.<\/p>\n<p>*O meteorologista da CNN Chris Dolce contribuiu para este artigo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como o El Ni\u00f1o envolve a transfer\u00eancia de uma enorme quantidade de energia t\u00e9rmica do oceano para a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":415319,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[609,2335,836,611,5291,27,28,607,608,333,832,604,788,135,610,476,11580,15,16,301,830,14,603,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,58663,13,19,20,835,602,52,32,23,24,62067,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-415318","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-alerta","tag-alteracoes-climaticas","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-aquecimento-global","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-crise-climatica","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-el-nino","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-guerra","tag-headlines","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noaa","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-super-el-nino","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=415318"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415318\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415319"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=415318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=415318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=415318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}