{"id":415361,"date":"2026-06-12T16:56:24","date_gmt":"2026-06-12T16:56:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/415361\/"},"modified":"2026-06-12T16:56:24","modified_gmt":"2026-06-12T16:56:24","slug":"os-fosforos-foram-inventados-ha-200-anos-por-acidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/415361\/","title":{"rendered":"Os f\u00f3sforos foram inventados h\u00e1 200 anos \u2014 por acidente"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/GodPWB7RYIY\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Ian Talmacs \/ Unsplash<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-527335 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/862209994a4ae4029dea2378d3bd093a-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Uma figura hist\u00f3rica inventou as \u2018luzes de fric\u00e7\u00e3o\u2019, num acaso genial, mas \u201cn\u00e3o quis acompanhar a sua pr\u00f3pria inven\u00e7\u00e3o\u201d \u2014 que continua a ser essencial nos dias de hoje.<\/strong><\/p>\n<p>Em 1826, h\u00e1 exatamente 200 anos, um epis\u00f3dio acidental mudaria para sempre a forma como criamos luz e calor.<\/p>\n<p>O farmac\u00eautico experimental ingl\u00eas <strong>John Walker (1781-1859)<\/strong> misturava subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, tentando produzir explosivos, quando um palito coberto com a mistura embateu inadvertidamente numa pedra em frente \u00e0 lareira, criando uma chama espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>Walker nasceu em plena Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, na cidade portu\u00e1ria de Stockton-on-Tees, no nordeste de Inglaterra. A m\u00e1quina a vapor de James Watt (1736-1819), principal impulsionadora dos avan\u00e7os da \u00e9poca, foi lan\u00e7ada comercialmente em 1776, e a primeira ferrovia p\u00fablica a usar locomotivas a vapor chegou a Stockton, no condado de Durham, em 1825. Quatro anos depois, a locomotiva Rocket (\u201cFoguete\u201d), do engenheiro George Stephenson (1781-1848), provou que as locomotivas a vapor podiam puxar comboios de passageiros a 50 km\/h. Pouco tempo depois, viagens que demoravam 12 dias a cavalo j\u00e1 podiam ser feitas em apenas oito horas.<\/p>\n<p>No entanto, as pessoas continuavam a ter dificuldade em acender o fogo que produzia aquela energia. Usavam pedra e a\u00e7o, ou esfor\u00e7avam-se por manter brasas permanentemente acesas \u2014 at\u00e9 que a inven\u00e7\u00e3o acidental de Walker revolucionou a produ\u00e7\u00e3o, a aplica\u00e7\u00e3o e a portabilidade do fogo.<\/p>\n<p>\u201cUm aventureiro\u201d e o seu \u201cmomento genial\u201d<\/p>\n<p>Walker tinha forma\u00e7\u00e3o de cirurgi\u00e3o. Mas, desencorajado pela natureza sangrenta dos blocos operat\u00f3rios do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, voltou a estudar para se tornar farmac\u00eautico. Em 1826, passava a maior parte do tempo a produzir medicamentos para seres humanos, cavalos, bois e at\u00e9 galinhas, segundo Alan Middleton, autor do livro A Tale of Hope and Despair: North of England Match Co. West Hartlepool 1932-1954 (\u201cUma hist\u00f3ria de esperan\u00e7a e desespero: a North of England Match Co. West Hartlepool 1932-1954\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre). Mas, no essencial, Walker tamb\u00e9m fazia experi\u00eancias com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>\u201cWalker era um homem muito gentil e inteligente e, segundo alguns, talvez um aventureiro\u201d, afirma Middleton. \u201cUma das suas paix\u00f5es era a qu\u00edmica. Misturava subst\u00e2ncias para produzir espoletas [os dispositivos que permitem disparar armas] para os seus amigos agricultores.\u201d<\/p>\n<p>\u201cUm dia, preparou uma certa mistura e deixou-a a secar\u201d, conta. \u201cQuando secou, bateu simplesmente com o peda\u00e7o de madeira na lareira \u2014 e pegou fogo. Foi o momento genial de algo que ningu\u00e9m no mundo tinha feito antes.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPercebeu as possibilidades comerciais daquilo. Aconteceu em algum momento de 1826; n\u00e3o sabemos a data exacta, mas a primeira venda ocorreu em Abril de 1827. <strong>Chamou-lhes \u2018luzes de fric\u00e7\u00e3o\u2019<\/strong> e eram inicialmente vendidas \u00e0s centenas por lata\u201d, explica Middleton.<\/p>\n<p>As \u201cluzes de fric\u00e7\u00e3o\u201d de Walker eram palitos de madeira achatados e muito finos, com uma extremidade mergulhada numa pasta feita de clorato de pot\u00e1ssio, sulfureto de antim\u00f3nio, goma-ar\u00e1bica e \u00e1gua. Ao ser friccionado contra um peda\u00e7o de lixa dobrado, o palito incendiava-se, criando uma chama.<\/p>\n<p>N\u00e3o eram perfeitos, nem patenteados<\/p>\n<p>Walker manteve a f\u00f3rmula em segredo, mas nunca a patenteou. O produto era vendido a baixo custo e o inventor conseguia responder \u00e0 procura em Stockton.<\/p>\n<p>Mas, segundo o Pharmaceutical Journal, \u201cos f\u00f3sforos de Walker n\u00e3o eram perfeitos. O revestimento ardente de enxofre, por vezes, ca\u00eda do palito, com o risco de danificar o ch\u00e3o ou a roupa do utilizador\u201d.<\/p>\n<p><strong>Em 1829, Samuel Jones, de Londres, lan\u00e7ou os seus pr\u00f3prios f\u00f3sforos \u201cL\u00facifer\u201d<\/strong>, uma c\u00f3pia exata das Luzes de Fric\u00e7\u00e3o de Walker. Tornaram-se os primeiros a ser produzidos em massa.<\/p>\n<p>Pouco depois, outras pessoas come\u00e7aram a aperfei\u00e7oar a f\u00f3rmula, conta \u00e0 BBC o presidente da Sociedade Brit\u00e2nica de R\u00f3tulos de Caixas e Carteiras de F\u00f3sforos (BML&amp;BS, na sigla em ingl\u00eas), Derek Judd.<\/p>\n<p>O tamanho e o formato da embalagem em lata tamb\u00e9m foram sendo alterados. Foi apenas em 1844 que <strong>uma vers\u00e3o produzida na Su\u00e9cia popularizou a caixa de f\u00f3sforos moderna.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEsta foi a primeira caixa de f\u00f3sforos realmente patenteada\u201d, afirma Judd.<\/p>\n<p>Em muitas regi\u00f5es, o fabrico de f\u00f3sforos tornou-se uma ind\u00fastria dom\u00e9stica. Eram produzidos em casa, proporcionando \u00e0s fam\u00edlias um rendimento extra \u2014 embora algo arriscado.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres e crian\u00e7as que viviam na zona pr\u00f3xima da f\u00e1brica eram pagas \u00e0 pe\u00e7a [n\u00e3o por sal\u00e1rio] para fazer caixas\u201d, conta Judd, \u201cat\u00e9 chegarem as m\u00e1quinas e aquilo se tornar um neg\u00f3cio multimilion\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Uma chama que ainda arde<\/p>\n<p>Mas uma inven\u00e7\u00e3o posterior provocou um decl\u00ednio assinal\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o de f\u00f3sforos: o <strong>isqueiro<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO volume real de neg\u00f3cios diminuiu ao longo dos anos\u201d, explica Judd. \u201cEmpresas desapareceram.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, os f\u00f3sforos continuam a ser comuns em todo o mundo. Al\u00e9m de continuarem a ser um produto essencial, <strong>tornaram-se tamb\u00e9m um acess\u00f3rio de moda<\/strong>, segundo Middleton. Embalagens personalizadas e especiais s\u00e3o vendidas por at\u00e9 250 d\u00f3lares \u2014 cerca de 230 euros.<\/p>\n<p>Mas o seu inventor continua a ser uma figura pouco conhecida. Middleton e Judd concordam que John Walker, passados 200 anos da sua inven\u00e7\u00e3o, merece maior reconhecimento.<\/p>\n<p>\u201cWalker foi uma figura hist\u00f3rica que n\u00e3o quis acompanhar a sua inven\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Judd. \u201cSe o tivesse feito, poderia ter ficado mais conhecido.\u201d<\/p>\n<p>Felizmente, os habitantes de Stockton sentem o mesmo. Muitos esperam que as comemora\u00e7\u00f5es do 200.\u00ba anivers\u00e1rio da inven\u00e7\u00e3o, que come\u00e7am no dia do nascimento de Walker, 29 de maio, tragam finalmente ao extraordin\u00e1rio inventor local o cr\u00e9dito que merece.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que, ao longo dos eventos programados para este ano e para o pr\u00f3ximo, mais pessoas fiquem a conhecer o seu papel no desenvolvimento dos f\u00f3sforos comuns que todos usamos hoje em dia\u201d, afirma a presidente do conselho local, Lisa Evans.<\/p>\n<p>\u201cA inven\u00e7\u00e3o do palito de fric\u00e7\u00e3o permitiu criar chamas instantaneamente, com pouco esfor\u00e7o. E a populariza\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sforos tornou as tarefas dom\u00e9sticas e industriais muito mais f\u00e1ceis e r\u00e1pidas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA chama que criou continua a inspirar pessoas at\u00e9 hoje\u201d, conclui Evans.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1781283384_887_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ian Talmacs \/ Unsplash Uma figura hist\u00f3rica inventou as \u2018luzes de fric\u00e7\u00e3o\u2019, num acaso genial, mas \u201cn\u00e3o quis&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":415362,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,89,90,895,736,295,9106,32,33,9091],"class_list":["post-415361","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-economy","tag-empresas","tag-farmacia","tag-historia","tag-industria","tag-luz","tag-portugal","tag-pt","tag-quimica"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116738194630430284","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=415361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/415361\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/415362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=415361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=415361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=415361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}