{"id":41611,"date":"2025-08-23T13:46:08","date_gmt":"2025-08-23T13:46:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/41611\/"},"modified":"2025-08-23T13:46:08","modified_gmt":"2025-08-23T13:46:08","slug":"portugal-tem-muita-agricultura-forcada-para-a-exportacao-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/41611\/","title":{"rendered":"Portugal tem &#8220;muita agricultura for\u00e7ada para a exporta\u00e7\u00e3o&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Portugal tem hoje muita agricultura for\u00e7ada para exporta\u00e7\u00e3o, que amea\u00e7a o equil\u00edbrio biol\u00f3gico, e recorre, sobretudo, a m\u00e3o-de-obra asi\u00e1tica, sujeita a \u201ccircunst\u00e2ncias detest\u00e1veis\u201d de sobre-explora\u00e7\u00e3o, defendeu o antigo ministro da Agricultura Ant\u00f3nio Barreto, em entrevista \u00e0 Lusa.<\/p>\n<p>\u201cHoje em dia, Portugal, a meu ver, perdeu bastante na capacidade de autossustenta\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e alimentar. Tem muita agricultura for\u00e7ada para exporta\u00e7\u00e3o \u2014 fruta, primores, mirtilos, morangos, abacates, coisas assim, que s\u00e3o amea\u00e7adoras do equil\u00edbrio biol\u00f3gico e social\u201d, defendeu Ant\u00f3nio Barreto.<\/p>\n<p>O antigo ministro da Agricultura do primeiro Governo constitucional, liderado por M\u00e1rio Soares, referiu que a m\u00e3o-de-obra agr\u00edcola \u00e9 hoje, nestas produ\u00e7\u00f5es, sobretudo, asi\u00e1tica, e que est\u00e1 sujeita a \u201ccircunst\u00e2ncias detest\u00e1veis de sobre-explora\u00e7\u00e3o, m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es de vida, m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es sociais e de instala\u00e7\u00e3o\u201d. Para Barreto, esta realidade \u00e9 fruto da imigra\u00e7\u00e3o clandestina, n\u00e3o regulamentada.<\/p>\n<p>O tamb\u00e9m soci\u00f3logo acredita que vai continuar a verificar-se uma \u201cpress\u00e3o\u201d no setor, tendo em conta que o tipo de agricultura praticada, com recurso, por exemplo, a estufas, precisa de m\u00e3o-de-obra barata e, portanto, abrem-se as portas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ir ver em que condi\u00e7\u00f5es \u00e9 que est\u00e3o a trabalhar [\u2026] e ver as condi\u00e7\u00f5es em que vivem [\u2026]. Bom, isto para n\u00e3o falar das condi\u00e7\u00f5es urbanas porque, em Lisboa, Porto ou Set\u00fabal, h\u00e1 dezenas, centenas ou milhares de apartamentos sobrelotados. Tudo isto necessita, evidentemente, de tratamento, legaliza\u00e7\u00e3o e cuidado at\u00e9 para defender os direitos dos imigrantes\u201d, precisou. Meio s\u00e9culo ap\u00f3s a reforma agr\u00e1ria, o mundo agr\u00edcola depara-se hoje com \u201cum real problema\u201d ligado ao desenvolvimento da paz social.<\/p>\n<p>H\u00e1 falta de m\u00e3o-de-obra, a maior parte das pessoas abandonou os campos, os propriet\u00e1rios venderam as suas terras ou est\u00e3o mais interessados em fazer turismo, agroturismo, enoturismo, turismo de sa\u00fade e \u201cturismo disto, daquilo e daqueloutro\u201d, apontou.<\/p>\n<p>Por outro lado, o essencial da agricultura \u00e9 tecnol\u00f3gico e o Alentejo est\u00e1 ocupado com centenas de milhares de hectares de olival \u201csuper, ultra intensivo\u201d, que tudo leva a crer \u201cque seja uma solu\u00e7\u00e3o errada\u201d.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Barreto, que foi respons\u00e1vel pela lei de 1977, destinada a regular o processo da reforma agr\u00e1ria, estruturando as condi\u00e7\u00f5es para a restitui\u00e7\u00e3o de propriedades aos antigos propriet\u00e1rios ou herdeiros e abrindo caminho para as indemniza\u00e7\u00f5es, considerou ainda que a pol\u00edtica nacional tem vindo a dar primado \u00e0 ind\u00fastria, \u00e0s estradas e \u00e0 rodovia de forma geral, bem como ao turismo e aos servi\u00e7os, em detrimento do mundo agr\u00edcola.<\/p>\n<p>\u201cForam gastos milh\u00f5es a reformar agricultores, a mand\u00e1-los para casa o mais depressa poss\u00edvel para vagar o mundo agr\u00edcola\u201d, afirmou. O abandono dos terrenos e do interior do pa\u00eds acabou por ser uma consequ\u00eancia natural da evolu\u00e7\u00e3o das sociedades, mas tamb\u00e9m \u00e9 reflexo do \u201cdesleixo e indiferen\u00e7a\u201d do poder pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Conforme apontou, os inc\u00eandios s\u00e3o tamb\u00e9m fruto deste abandono do interior, sendo que o \u00fanico ponto positivo \u00e9 que a mortalidade tem sido mais reduzida. \u201cAs pessoas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1. J\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o a ocupar a agricultura\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p>At\u00e9 19 de agosto, arderam mais de 201.000 hectares no pa\u00eds (dados provis\u00f3rios), mais do que a \u00e1rea ardida em todo o ano de 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Portugal tem hoje muita agricultura for\u00e7ada para exporta\u00e7\u00e3o, que amea\u00e7a o equil\u00edbrio biol\u00f3gico, e recorre, sobretudo, a m\u00e3o-de-obra&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41612,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[562,27,28,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,32,23,24,33,58,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-41611","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-agricultura","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-portugal","23":"tag-principais-noticias","24":"tag-principaisnoticias","25":"tag-pt","26":"tag-sociedade","27":"tag-top-stories","28":"tag-topstories","29":"tag-ultimas","30":"tag-ultimas-noticias","31":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41611\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}