{"id":416304,"date":"2026-06-13T13:03:17","date_gmt":"2026-06-13T13:03:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/416304\/"},"modified":"2026-06-13T13:03:17","modified_gmt":"2026-06-13T13:03:17","slug":"o-milagre-da-multiplicacao-da-sardinha-a-tempo-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/416304\/","title":{"rendered":"O milagre da multiplica\u00e7\u00e3o da sardinha, a tempo dos Santos"},"content":{"rendered":"<p>        As sardinhas regressaram ao mercado em maior abund\u00e2ncia, mas mais caras, ap\u00f3s anos de escassez e quotas apertadas. Os portugueses j\u00e1 as come\u00e7aram a comprar.    <\/p>\n<p>O cheiro nem engana, depois vem o olhar:prateada e pequenina, a sardinha destaca-se na banca do peixe e a pergunta \u00e9 sempre a mesma: \u201cJ\u00e1 est\u00e1 boa?\u201d\u201cJ\u00e1 se come\u201d, responde Elisabete Nunes, administradora da Propeixe.\u201cEst\u00e1 gordinha\u201d, refor\u00e7a Joana Martins, peixeira no mercado de Benfica, em Lisboa, pegando orgulhosa no pescado enquanto o exibe para a fotografia.<\/p>\n<p>Do lado de Matosinhos, onde o pulso da lota dita o ritmo dos dias, h\u00e1 sinais de abund\u00e2ncia moderada. \u201cH\u00e1 muita sardinha, pelo menos aqui no Norte. E tem vindo a melhorar\u201d, afian\u00e7a Elisabete, contando 40 barcos di\u00e1rios a irem para o mar.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1415892 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Beige-and-Black-Minimalist-Project-Deck-Presentation-13-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\"\/><\/p>\n<p>Contudo, a mem\u00f3ria recente impede entusiasmos f\u00e1ceis. A sardinha quase desapareceu do mar. Em 2017, no ponto mais cr\u00edtico, Portugal e Espanha partilhavam uma quota de apenas 10 mil toneladas. Isto sucedeu devido a condi\u00e7\u00f5es ambientais adversas e por press\u00e3o excessiva sobre o recurso. Juntos estes dois fatores contribu\u00edram para o seu decl\u00ednio.<\/p>\n<p>\u201cO risco de colapso n\u00e3o era um receio abstrato. Era uma realidade identificada pela ci\u00eancia\u201d, recorda ao jornal econ\u00f3mico Alberto Mart\u00edn, diretor do programa do Marine Stewardship Council (MSC) para a Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>Nesses anos, muitos pescadores passaram mais tempo em terra do que no mar. A sardinha, esse s\u00edmbolo t\u00e3o portugu\u00eas, tornava-se escassa, Foi preciso parar para a salvar. Impor per\u00edodos de defesos, restri\u00e7\u00f5es \u00e0 captura de juvenis e aceitar perdas no presente para garantir futuro. \u201cA recupera\u00e7\u00e3o exigiu sacrif\u00edcios importantes por parte dos pescadores\u201d, sublinha Alberto Mart\u00edn. \u201cMas foram fundamentais para permitir que o stock regressasse a n\u00edveis sustent\u00e1veis, garantindo a sustentabilidade do setor e a preserva\u00e7\u00e3o do recurso para as gera\u00e7\u00f5es futuras.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, o cen\u00e1rio \u00e9 outro \u2014 ainda que fr\u00e1gil na sua pr\u00f3pria conquista. A biomassa da sardinha com mais de um ano de idade aumentou de cerca de 152 mil toneladas em 2019 para mais de 385 mil em 2020. O que representa um crescimento de 153%. Al\u00e9m disso, as quotas aumentaram cinco vezes face ao pior momento e a sardinha voltou \u00e0s redes com outra consist\u00eancia. Ainda assim, nem tudo o que vem \u00e0 rede \u00e9 peixe.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1415899 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-12-at-11.43.21-1024x768.jpeg\" alt=\"\" width=\"841\" height=\"631\"  \/><\/p>\n<p>Joana Martins, peixeira, no mercado de Benfica, em Lisboa<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1415901 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/WhatsApp-Image-2026-06-12-at-11.46.02-e1781261275965.jpeg\" alt=\"\" width=\"837\" height=\"962\"\/><\/p>\n<p>Junho \u00e9 o auge desta j\u00f3ia do atl\u00e2ntico. Com a aproxima\u00e7\u00e3o dos Santos Populares, a procura intensifica-se e a sardinha volta ao centro da mesa \u2014 e da economia que gira \u00e0 sua volta. A EGEAC estima que, s\u00f3 em Lisboa, sejam consumidas cerca de 13 sardinhas por segundo durante as festas, o que se traduz em mais de um milh\u00e3o ao longo dos dias de celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas pra\u00e7as, mercados municipais e supermercados, esse movimento j\u00e1 \u00e9 vis\u00edvel. Os consumidores regressam, antecipando as semanas de maior procura,e os pre\u00e7os acompanham essa press\u00e3o. O quilo oscila entre os sete e os 8,40 euros, refletindo a procura externa e a concorr\u00eancia. \u201cOs portugueses j\u00e1 est\u00e3o a comprar muito e a sardinha j\u00e1 est\u00e1 a ficar gordinha\u201d, diz Carlos Proen\u00e7a, peixeiro no mercado de Benfica.<\/p>\n<p>At\u00e9 chegar ao prato existe uma cadeia exigente. O pre\u00e7o \u00e0 sa\u00edda da lota ronda os dois euros, mas ao longo do percurso acumulam-se custos log\u00edsticos, operacionais e comerciais. A isso soma-se a press\u00e3o internacional sobre um recurso que voltou a ser pro- curado, sobretudo ap\u00f3s a recupera\u00e7\u00e3o do stock e a certifica\u00e7\u00e3o de sustentabilidade.<\/p>\n<p>Segundo dados do INE, Portugal exportou entre 7000 a 9000 toneladas de sardinha fresca e congelada em 2024. O principal mercado foi Espanha, seguido de Fran\u00e7a e It\u00e1lia, mas no mesmo per\u00edodo importou entre 3 a 5 mil toneladas sobretudo de Espanha, o maior forncedor, seguindo-se Fran\u00e7a e Pa\u00edses Baixos.<\/p>\n<p>J\u00e1 agora para n\u00e3o comprar gato por lebre, segundo a Deco, a qualidade da sardinha exige olhar atento: \u201cpele brilhante, guelras vermelhas e olhos salientes e transparentes, com cheiro a maresia, s\u00e3o bons indicadores de frescura.\u201d Apesar das contas, em junho a hist\u00f3ria \u00e9 sempre a mesma: uma sardinha no p\u00e3o, comida sentada ou de p\u00e9, ao ritmo de m\u00fasica popular e aromatizada com o perfume do manjerico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1415907 size-full aligncenter\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Sardinhas-enlatadas-@Flymedia.jpg\" alt=\"\" width=\"912\" height=\"513\"  \/><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que significa a certifica\u00e7\u00e3o do MSC?<\/strong><br \/>O MSC (Marine Stewardship Council) \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o internacional sem fins lucrativos que estabelece normas reconhecidas globalmente para a pesca sustent\u00e1vel, contando com escrit\u00f3rios em todo o mundo, incluindo em Portugal. Atualmente, as pescarias certificadas pelo MSC representam cerca de 20% de toda a captura marinha selvagem a n\u00edvel mundial. Em Portugal, j\u00e1 existem mais de 450 produtos dispon\u00edveis no mercado com o Selo Azul MSC.<\/p>\n<p>Trata-se de uma certifica\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria que avalia as pescarias com base em tr\u00eas princ\u00edpios fundamentais. O primeiro diz respeito ao estado dos stocks pesqueiros, garantindo que as popula\u00e7\u00f5es exploradas se mant\u00eam em n\u00edveis saud\u00e1veis e capazes de assegurar a sua reprodu\u00e7\u00e3o a longo prazo. O segundo avalia o impacto ambiental da atividade, exigindo que a pesca seja gerida de forma a minimizar os seus efeitos nos ecossistemas marinhos, noutras esp\u00e9cies e nos habitats. O terceiro princ\u00edpio centra-se na gest\u00e3o da pescaria, que deve cumprir a legisla\u00e7\u00e3o em vigor e dispor de mecanismos que permitam adaptar-se a altera\u00e7\u00f5es das condi\u00e7\u00f5es ambientais, cient\u00edficas ou regulat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Um aspeto particularmente relevante \u00e9 que esta avalia\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 realizada pelo pr\u00f3prio MSC, mas por organismos certificadores independentes. A certifica\u00e7\u00e3o tem uma validade de<br \/>cinco anos e est\u00e1 sujeita a auditorias anuais. Em alguns casos, podem ser impostas condi\u00e7\u00f5es de melhoria que a pescaria certificada \u00e9 obrigada a cumprir. Caso deixe de satisfazer os crit\u00e9rios exigidos, a certifica\u00e7\u00e3o pode ser suspensa. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a pescaria da sardinha ib\u00e9rica em 2014.<\/p>\n<p>A certifica\u00e7\u00e3o assenta ainda num segundo pilar essencial: a rastreabilidade. O Selo Azul que chega ao consumidor \u00e9 suportado pela norma de Cadeia de Cust\u00f3dia do MSC, que assegura o acompanhamento e a verifica\u00e7\u00e3o do produto certificado em todas as etapas dacadeia de abastecimento, desde o momento da captura at\u00e9 ao ponto de venda.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As sardinhas regressaram ao mercado em maior abund\u00e2ncia, mas mais caras, ap\u00f3s anos de escassez e quotas apertadas.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":416305,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[27,28,15,16,14,25,26,21,22,62331,12,13,19,20,32,23,24,33,63788,65986,17,18,29,30,31],"class_list":["post-416304","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-msc","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-pt","tag-santos-populares","tag-sardinhas","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116742941070199617","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416304","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=416304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416304\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/416305"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=416304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=416304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=416304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}