{"id":41686,"date":"2025-08-23T14:51:15","date_gmt":"2025-08-23T14:51:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/41686\/"},"modified":"2025-08-23T14:51:15","modified_gmt":"2025-08-23T14:51:15","slug":"quem-menos-recebe-prioriza-bom-ambiente-de-trabalho-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/41686\/","title":{"rendered":"Quem menos recebe prioriza bom ambiente de trabalho \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Os <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/08\/06\/desemprego-recua-para-59-no-2-o-trimestre-de-acordo-com-ine\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">dados mais recentes<\/a> do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE) indicam que a taxa de desemprego do segundo trimestre de 2025 diminuiu e agora se situa nos 5,9% da popula\u00e7\u00e3o. Atualmente, Portugal tem mais de cinco milh\u00f5es de pessoas com emprego.<\/p>\n<p>Em parceria com a Netsonda, o Observador revela qual \u00e9 a realidade do Trabalho em Portugal. Qual \u00e9 o regime de trabalho mais comum? Segundo os inquiridos, o teletrabalho adotado durante a pandemia de covid-19 tem vindo a perder terreno para o trabalho presencial. Contudo, a maioria das pessoas avalia de forma positiva o equil\u00edbrio entre o trabalho e a vida pessoal.<\/p>\n<p>Cruzando informa\u00e7\u00e3o recolhida em seis regi\u00f5es do territ\u00f3rio continental (Grande Lisboa, Grande Porto, Litoral Centro, Litoral Norte, Interior Norte e Sul), e analisando as respostas dadas pelas diferentes gera\u00e7\u00f5es, a Netsonda conduziu um inqu\u00e9rito sobre o Trabalho no pa\u00eds. Estes s\u00e3o os principais resultados.<\/p>\n<p>Por maiores que sejam as queixas a surgir entre os v\u00e1rios setores profissionais, seja pelos baixos sal\u00e1rios, condi\u00e7\u00f5es de trabalho ou qualquer outra coisa que apare\u00e7a em virtude da atividade, de uma forma geral, os portugueses fazem aquilo que gostam. De acordo com o inqu\u00e9rito da Netsonda, 72% dos trabalhadores manifestaram estar a exercer numa \u00e1rea de interesse pessoal, com metade dos participantes a revelar que gosta do seu trabalho \u201cna maioria das vezes\u201d. Apenas 5% admitem n\u00e3o gostar.<\/p>\n<p>\u201cNormalmente, as pessoas gostam do conte\u00fado do seu trabalho. Aquilo que muitas vezes afeta o seu envolvimento \u00e9 mais a n\u00edvel de condi\u00e7\u00f5es ou de suporte da organiza\u00e7\u00e3o\u201d, esclarece ao Observador a psic\u00f3loga Liliana Dias, especialista em Bem-estar no Trabalho. Apesar de ser diferente gostar daquilo que fazem e fazer aquilo que gostam, a tend\u00eancia que se observa neste estudo \u00e9 coerente para as mais diferentes demografias analisadas. Entre gera\u00e7\u00f5es, escal\u00f5es de rendimento e regi\u00e3o territorial, de uma forma homog\u00e9nea, os portugueses est\u00e3o satisfeitos com o trabalho que fazem.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de perspetiva fica mais vincada quando se altera a quest\u00e3o. N\u00e3o tendo em conta o tipo de trabalho exercido, 63% dos inquiridos avaliam como positivo ou muito positivo o equil\u00edbrio entre a sua vida pessoal e profissional. Apesar de o parecer ser maioritariamente positivo \u2014 apenas 11% dos inquiridos deram nota negativa \u2014 h\u00e1 uma diferen\u00e7a not\u00e1vel que se verifica entre os agregados com rendimento mensal l\u00edquido superior a 3.000\u20ac, em compara\u00e7\u00e3o com aqueles que auferem entre 1.500\u20ac e 3.000\u20ac (74% consideram muito positivo\/positivo vs. 59%, respetivamente).<\/p>\n<p>A especialista na \u00e1rea da Sa\u00fade e Bem-estar no Trabalho acrescenta que o modelo h\u00edbrido de trabalho, no qual as pessoas dividem a sua semana entre trabalho remoto e presencial, tem vindo a trazer grandes benef\u00edcios nesta m\u00e9trica. \u201cH\u00e1 uma maior flexibilidade [hor\u00e1ria] e as pessoas acabam por sentir que t\u00eam uma maior capacidade de gerir as suas prioridades\u201d, refere a psic\u00f3loga. Desta forma, Liliana Dias acredita que tem havido \u201calguns ganhos\u201d nos \u00faltimos anos em encontrar um maior equil\u00edbrio entre a vida dentro e fora do trabalho.<\/p>\n<p>Contudo, admite que algumas empresas j\u00e1 est\u00e3o a \u201cfazer um retrocesso\u201d, apontando para a tend\u00eancia de algumas organiza\u00e7\u00f5es estarem a reverter este regime laboral e a regressar ao trabalho inteiramente presencial, o que acredita trazer um maior desequil\u00edbrio nesse sentido. \u201cEstamos a vivenciar um movimento em que as empresas come\u00e7am a querer trazer as pessoas de volta para um regime totalmente presencial e n\u00e3o sei se n\u00e3o voltaremos a ter indicadores mais cr\u00edticos do ponto de vista de concilia\u00e7\u00e3o [entre vida pessoal e profissional]\u201d.<\/p>\n<p>Mais de metade dos trabalhadores portugueses consultados pela Netsonda revelaram que fazem aquilo que gostam e que t\u00eam um equil\u00edbrio positivo entre a sua vida pessoal e profissional. Os dados neste sentido s\u00e3o relativamente uniformes em toda a popula\u00e7\u00e3o, mas o paradigma muda relativamente aos fatores que influenciam estas respostas.<\/p>\n<p>Os 800 inquiridos foram questionados sobre o que mais valorizam no seu trabalho, e as prefer\u00eancias revelaram ser mais dispersas. As mais comuns, com quase metade (49%) dos participantes a votar nestas duas op\u00e7\u00f5es, s\u00e3o a estabilidade e um bom ambiente profissional. O terceiro lugar foi para o ordenado, com 46% das respostas. Quando se olha para as respostas dadas pelos diferentes escal\u00f5es de rendimentos, pelas diferentes gera\u00e7\u00f5es ou at\u00e9 mesmo entre g\u00e9neros, a ordem e a preponder\u00e2ncia varia consideravelmente.<\/p>\n<p>O ordenado e o bom ambiente de trabalho s\u00e3o as duas grandes prioridades para mais de metade (55%) da Gera\u00e7\u00e3o Z. Segundo a psic\u00f3loga Liliana Dias, estas respostas podem ser justificadas principalmente pelo facto de \u201cos jovens terem o sal\u00e1rio mais baixo\u201d. \u201cGeralmente, o ordenado [dos mais jovens] \u00e9 o de entrada no mercado e, por isso, a prioridade deles \u00e9 conseguir otimizar-se financeiramente\u201d, afirma a especialista. Para os Baby Boomers, que se encontram j\u00e1 numa \u201creta final\u201d de atividade profissional, a grande prioridade \u00e9 a estabilidade (48%), enquanto o ordenado recebeu apenas 34% das respostas \u2014 o mais baixo de todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>            O que valoriza mais no seu trabalho?<\/p>\n<p>Rendimento Mensal L\u00edquido<\/p>\n<p>          At\u00e9 1.000\u20ac\n        <\/p>\n<p>          1.001 &#8211; 1.500\u20ac\n        <\/p>\n<p>          1.501 &#8211; 2.000\u20ac\n        <\/p>\n<p>          2.001 &#8211; 3.000\u20ac\n        <\/p>\n<p>          Mais de 3.000\u20ac\n        <\/p>\n<p>Fonte: Netsonda<\/p>\n<p>\u201cTem muito a ver com os riscos do pr\u00f3prio mercado de trabalho. Ou seja, se tiverem uma situa\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel, vai ser muito mais dif\u00edcil recuperar essa estabilidade, estando na faixa et\u00e1ria em que est\u00e3o, porque existe, neste caso, muita limita\u00e7\u00e3o da oportunidade de entrada com esta idade no mercado\u201d, explica Liliana Dias, advertindo que, para os casos daqueles que t\u00eam mais de 60 anos, \u201co trabalho \u00e9 muito mais dif\u00edcil de conseguir recuperar\u201d comparativamente a um jovem, sublinhando o \u201cpreconceito, idadismo e as dificuldades\u201d que existem em muitos casos.<\/p>\n<p>No caso dos escal\u00f5es de rendimento, a realidade op\u00f5e-se um pouco \u00e0quilo que talvez fosse o esperado. Os participantes que recebem menos de 1.000\u20ac euros por m\u00eas, na sua grande maioria (61%) colocam no topo da lista um bom ambiente de trabalho. Do outro lado da moeda, os que t\u00eam rendimentos mensais superiores a 3.000\u20ac euros, mant\u00eam que o ordenado \u00e9 o mais importante do seu trabalho. A faixa dos 1.000\u20ac euros \u00e9 \u201cmuito comum\u201d, de acordo com a especialista ouvida pelo Observador, \u00e9 onde existem \u201cmuitas pessoas\u201d. Por\u00e9m, s\u00e3o as que t\u00eam \u201cmenos influ\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO ambiente de trabalho tem muito mais impacto nas pessoas que ganham menos, porque elas na verdade t\u00eam muito menos poder de influ\u00eancia nesse ambiente de trabalho. Enquanto as pessoas que t\u00eam mais sal\u00e1rio, ganham muito mais, normalmente acedem tamb\u00e9m a n\u00edvel de responsabilidade de autonomia maior e influenciam mais o ambiente de trabalho\u201d, continua Liliana Dias, sublinhando que uma boa atmosfera no espa\u00e7o laboral poder\u00e1 influenciar a pr\u00f3pria qualidade do trabalho deste escal\u00e3o mais inferior, e n\u00e3o tanto nos que mais recebem.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga menciona tamb\u00e9m que, como \u00e9 uma faixa de rendimento onde se inserem \u201cmuitas pessoas\u201d, existe tamb\u00e9m uma grande quantidade de trabalhadores que ascende a outros n\u00edveis de rendimentos e passa a receber um sal\u00e1rio maior. Desta forma, estes que j\u00e1 \u201csa\u00edram deste marco\u201d, acabam por dar mais valor ao ordenado que recebem e \u00e0s \u201cnovas conquistas\u201d que agora est\u00e3o ao seu alcance \u2014 e n\u00e3o querem voltar atr\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"tinymceh2\">\u00c0 semelhan\u00e7a do que acontece entre os que recebem menos, as mulheres tamb\u00e9m priorizam esta quest\u00e3o do ambiente de trabalho (54%) \u2014 enquanto os homens d\u00e3o mais import\u00e2ncia ao ordenado (50%) \u2014 e, de acordo com Liliana Dias, deve-se \u00e0 realidade da maioria das organiza\u00e7\u00f5es. \u201cTemos de olhar para esta quest\u00e3o da assimetria de poder. Os homens continuam a ter muito mais poder de influ\u00eancia no local de trabalho do que as mulheres. A mulher sente-se muito mais \u00e0 merc\u00ea. Tem mais impacto psicol\u00f3gico no ambiente de trabalho, porque se sente menos empoderada\u201d, afirma a especialista.<\/p>\n<p>No inqu\u00e9rito da Netsonda, os participantes foram tamb\u00e9m questionados sobre o seu regime de trabalho. A grande maioria (85%) tem um contrato de trabalho, entre os quais 65% s\u00e3o sem termo, e 21% a termo certo. Nota-se, por\u00e9m, que os contratos sem termo s\u00e3o menos comuns entre os mais jovens. Apenas 45% da Gera\u00e7\u00e3o Z revelou estar contratado neste regime, existindo uma consider\u00e1vel representa\u00e7\u00e3o de trabalhadores em contratos a termo certo (38%). Esta realidade difere do que \u00e9 poss\u00edvel observar nas outras faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p>Para as restantes gera\u00e7\u00f5es, a diferen\u00e7a entre contratos sem termo e a termo certo \u00e9 mais vincada. Nos Millennials, s\u00e3o 64% dos trabalhadores nesta primeira op\u00e7\u00e3o, enquanto a Gera\u00e7\u00e3o X tem 72%. Diminui nos Baby Boomers para os 48%, mas o segundo lugar \u2014 ao contr\u00e1rio do que acontece nas outras gera\u00e7\u00f5es \u2014 n\u00e3o \u00e9 dos contratos a termo certo. 21% da popula\u00e7\u00e3o na faixa et\u00e1ria mais avan\u00e7ada englobada pelo estudo revelam ser trabalhadores independentes ou freelancers, uma m\u00e9trica que \u00e9 significativamente mais alta do que nas restantes.<\/p>\n<p>Verifica-se um paralelismo entre as realidades dos mais jovens e os que menos recebem. 45% dos inquiridos com rendimentos mensais inferiores a mil euros est\u00e3o sob contrato sem termo, ao mesmo tempo que esta condi\u00e7\u00e3o contratual representa 70% da popula\u00e7\u00e3o que aufere mais de 3.000\u20ac por m\u00eas. Os participantes com rendimentos mais inferiores s\u00e3o, tamb\u00e9m, os mais representados entre os empres\u00e1rios por conta pr\u00f3pria, com 11%.<\/p>\n<p>Na procura de emprego ou novas oportunidades, o canal online \u00e9 o mais utilizado, com destaque para plataformas tipo LinkedIn (59%) e os pr\u00f3prios sites das empresas a que se querem candidatar (51%). Estes dois meios s\u00e3o essencialmente os \u00fanicos utilizados pelas gera\u00e7\u00f5es mais jovens, com 85% da Gera\u00e7\u00e3o Z a recorrer \u00e0s plataformas online para encontrar novas oportunidades profissionais. Em contraste, os Baby Boomers, quando est\u00e3o nesta mesma situa\u00e7\u00e3o, o mais comum \u00e9 recorrer tamb\u00e9m a ag\u00eancias de recrutamento (48%) \u2014 para al\u00e9m dos sites de empresas (55%) \u2014 deixando o LinkedIn para terceiro plano.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias pessoais s\u00e3o mais comuns entre os jovens at\u00e9 aos 28 anos (51%), ao passo que as gera\u00e7\u00f5es mais velhas t\u00eam uma maior percentagem de trabalhadores sem o h\u00e1bito de procurar emprego (30% da Gera\u00e7\u00e3o X e 24% dos Baby Boomers).<\/p>\n<p>Quando passam a exercer fun\u00e7\u00f5es numa organiza\u00e7\u00e3o, o mais comum (67%) continua a ser o trabalho 100% presencial, apesar do crescimento do regime h\u00edbrido de teletrabalho (22%), ou at\u00e9 mesmo totalmente \u00e0 dist\u00e2ncia (8%). Liliana Dias, psic\u00f3loga na \u00e1rea da Sa\u00fade e Bem-estar no Trabalho, admite ao Observador que o teletrabalho tem \u201cvantagens e desvantagens\u201d, entre um \u201caumento generalizado da produtividade\u201d e um \u201ccusto social muito elevado\u201d.<\/p>\n<p>A especialista sublinha os \u201cganhos\u201d que os trabalhadores tiveram fruto da ado\u00e7\u00e3o destes regimes h\u00edbridos. \u201cAs perce\u00e7\u00f5es de concilia\u00e7\u00e3o [com a vida pessoal]\u201d e as quest\u00f5es de \u201credu\u00e7\u00e3o de n\u00edvel de stress\u201d s\u00e3o duas das maiores vantagens destacadas por Liliana Dias, mas refere que n\u00e3o \u00e9 algo que seja universal para todos os trabalhadores. \u201cO modelo h\u00edbrido tem de ter uma balan\u00e7a b\u00e1sica. O que funciona, de facto, n\u00e3o \u00e9 o modelo 100% presencial ou 100% remoto, \u00e9 haver flexibilidade\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>        Atualmente, tem algum regime de teletrabalho?<\/p>\n<p>Percentagem de pessoas que respondeu<br \/>&#8220;Sim, totalmente&#8221; ou &#8220;Sim, parcialmente&#8221;<\/p>\n<p>\n    40%<br \/>\n    35%<br \/>\n    30%<br \/>\n    25%<br \/>\n    20%<br \/>\n    15%\n  <\/p>\n<p>              Grande Lisboa (41%)\n            <\/p>\n<p>              Grande Porto (41%)\n            <\/p>\n<p>              Litoral Norte (24%)\n            <\/p>\n<p>              Litoral Centro (28%)\n            <\/p>\n<p>              Interior Norte (23%)\n            <\/p>\n<p>              Sul (21%)\n            <\/p>\n<p>Fonte: Netsonda<\/p>\n<p>Entre os trabalhadores inquiridos que est\u00e3o sob regime h\u00edbrido de teletrabalho, 40% refere deslocar-se tr\u00eas vezes ao local de trabalho durante a semana. De acordo com a psic\u00f3loga, n\u00e3o existem dados que apontem para um n\u00famero de dias mais eficaz \u2014 tudo depende de cada trabalhador. O que defende, no entanto, \u00e9 um maior esfor\u00e7o das empresas para personalizarem os hor\u00e1rios. \u201cExistem organiza\u00e7\u00f5es que sabem que querem reter [os mais jovens] e est\u00e3o a flexibilizar-se ainda mais. Est\u00e3o a permitir que as pessoas possam desenhar a forma como trabalham\u201d, refere.<\/p>\n<p>Liliana Dias diz que a Gera\u00e7\u00e3o Z \u00e9 a faixa et\u00e1ria que mais valoriza a flexibilidade e o equil\u00edbrio e, como tal, as empresas come\u00e7aram a \u201cceder\u201d para permitirem os jovens trabalhadores \u201ccumprirem aqueles que s\u00e3o os seus objetivos\u201d e \u201cacrescentarem o seu valor\u201d no trabalho, deixando-os, assim, definir os seus hor\u00e1rios. Esta procura, segundo a psic\u00f3loga, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o vis\u00edvel nas gera\u00e7\u00f5es mais velhas. A especialista menciona \u201cos valores de uma gera\u00e7\u00e3o digital face a estes modelos arcaicos de inflexibilidade e de assimetria\u201d, sublinhando que \u201cos jovens n\u00e3o se v\u00e3o sujeitar\u201d \u00e0s mesmas condi\u00e7\u00f5es que eram a norma h\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p>E, de acordo com a psic\u00f3loga, \u201cn\u00e3o est\u00e3o inteiramente errados\u201d. \u201cA flexibilidade traz sa\u00fade e valor acrescentado para a produtividade tamb\u00e9m. O poder escolher os meus dias de descanso ou poder ter mais flexibilidade para ter outras quest\u00f5es do foro pessoal traz benef\u00edcios para a entidade empregadora e para o pr\u00f3prio colaborador\u201d, remata, apontando para \u201cos dados que a Ci\u00eancia j\u00e1 nos mostrou\u201d.<\/p>\n<p>Num contexto nacional, este regime de teletrabalho tem maior incid\u00eancia nas regi\u00f5es da Grande Lisboa e Grande Porto, com 41% dos cen\u00e1rios em cada uma das cidades, enquanto a realidade no resto do pa\u00eds tem, na sua grande maioria, trabalhos que exigem uma desloca\u00e7\u00e3o di\u00e1ria ao escrit\u00f3rio ou local de trabalho.<\/p>\n<p>No calend\u00e1rio atual, existem 13 feriados obrigat\u00f3rios (com a possibilidade de se tornarem 14 com a ter\u00e7a-feira de Carnaval). Com as interrup\u00e7\u00f5es municipais, somam-se v\u00e1rias oportunidades distribu\u00eddas por todo o ano para um dia de descanso para a grande parte dos trabalhadores em Portugal. 65% dos inquiridos acredita que o n\u00famero atual de feriados \u00e9 adequado, mas 22% admitem que h\u00e1 espa\u00e7o para encaixar mais uns quantos.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o sobre o impacto que estes dias t\u00eam na produtividade profissional varia significativamente entre gera\u00e7\u00f5es. Os mais jovens, da Gera\u00e7\u00e3o Z, s\u00e3o quem mais acredita num efeito verdadeiramente positivo em ter estes momentos de descanso intercalados pelo ano. At\u00e9 aos 28 anos, 68% dos participantes aponta para este benef\u00edcio, enquanto apenas 29% dos Baby Boomers \u2014 a gera\u00e7\u00e3o mais velha \u2014 concorda.<\/p>\n<p>\u201cA Gera\u00e7\u00e3o Z d\u00e1 muita import\u00e2ncia a n\u00e3o trabalhar. Para elas, esta dimens\u00e3o da vida n\u00e3o tem qualquer sentimento de culpa ou vergonha. A perce\u00e7\u00e3o que tenho \u00e9 que os jovens olham para o fim de semana, para os feriados e d\u00e3o valor a esse tempo livre, o que \u00e9 fundamental\u201d, esclarece a psic\u00f3loga Liliana Dias. De acordo com a especialista, os trabalhadores mais novos d\u00e3o mais valor a um trabalho que tenha flexibilidade, com f\u00e9rias ou dias de folga, algo que aumente o \u201ctempo de recupera\u00e7\u00e3o e descanso\u201d. \u201c\u00c9 algo que faz parte do pr\u00f3prio pacote com que eles avaliam se querem continuar numa determinada empresa ou n\u00e3o. N\u00e3o querem ficar numa organiza\u00e7\u00e3o que os prenda num modelo e que considere que o seu tempo pessoal \u00e9 irrelevante\u201d, continua.<\/p>\n<p>Concorda com o n\u00famero de feriados em Portugal?<\/p>\n<p>Liliana Dias remete ainda para uma abordagem que \u00e9 feita em outros pa\u00edses na Europa, como a Alemanha ou a B\u00e9lgica, que \u00e9 a possibilidade de concentrar os feriados junto ao fim de semana, com o objetivo de evitar interrup\u00e7\u00f5es durante a semana ou at\u00e9 mesmo dar um dia extra de descanso caso o dia fixo do feriado calhe a um s\u00e1bado ou domingo. A popula\u00e7\u00e3o do estudo tamb\u00e9m foi questionada sobre esta medida e 59% das pessoas concordam com a proposta, sendo que 21% discorda e os restantes 20% mant\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o neutra.<\/p>\n<p>Ainda assim, 27% das pessoas com agregados com quatro pessoas discorda desta medida \u2014 a classe mais representada nesta estat\u00edstica. Entre jovens e mais velhos a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o marcante, mas a psic\u00f3loga volta a salientar a diferente mentalidade entre os novos trabalhadores e aqueles com maior experi\u00eancia de vida profissional. \u201cEsta vis\u00e3o de que uma pessoa deveria estar grata por uma oportunidade de trabalho. Grata pelo empregador \u2014 o que cria logo uma posi\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica\u201d, descreve a especialista.<\/p>\n<p>Desta forma, acredita que, no ponto de vista de uma percentagem dos Baby Boomers, \u201cmexer nos feriados seria alterar a ordem social\u201d. Aqui, nota uma grande separa\u00e7\u00e3o. Enquanto os mais velhos \u2014 \u201cas vozes arcaicas\u201d \u2014 s\u00e3o menos adeptas da mudan\u00e7a do regime de trabalho que conhecem e experenciaram, os mais jovens est\u00e3o \u201cmenos dispon\u00edveis\u201d para este tipo de registo.<\/p>\n<p>Este inqu\u00e9rito foi realizado pela Netsonda em colabora\u00e7\u00e3o com o Observador, entre os dias 14 e 21 de julho de 2025. O estudo foi realizado atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio online junto do painel Netsonda. O universo-alvo \u00e9 composto por uma amostra representativa de indiv\u00edduos com 18 a 64 anos residentes em Portugal continental. Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar. Foram recolhidas 800 entrevistas online (CAWI). Esta dimens\u00e3o amostral est\u00e1 associada a uma margem de erro de 3,46%, com um n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE) indicam que a taxa de desemprego do segundo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41687,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[27,28,476,618,15,16,14,8019,25,26,21,22,12,13,19,20,861,8018,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-41686","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-economia","11":"tag-emprego","12":"tag-featured-news","13":"tag-featurednews","14":"tag-headlines","15":"tag-iniciativas-observador","16":"tag-latest-news","17":"tag-latestnews","18":"tag-main-news","19":"tag-mainnews","20":"tag-news","21":"tag-noticias","22":"tag-noticias-principais","23":"tag-noticiasprincipais","24":"tag-observador","25":"tag-os-nu00fameros-que-somos","26":"tag-portugal","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-pt","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}