{"id":417181,"date":"2026-06-14T09:21:16","date_gmt":"2026-06-14T09:21:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/417181\/"},"modified":"2026-06-14T09:21:16","modified_gmt":"2026-06-14T09:21:16","slug":"como-o-comercio-entre-a-ue-e-a-russia-pode-financiar-a-ucrania-e-aumentar-a-pressao-sobre-o-kremlin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/417181\/","title":{"rendered":"Como o com\u00e9rcio entre a UE e a R\u00fassia pode financiar a Ucr\u00e2nia e aumentar a press\u00e3o sobre o Kremlin"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de j\u00e1 terem sido aprovados 20 pacotes de san\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia desde 2022, o com\u00e9rcio entre o bloco e a R\u00fassia <strong>ascendeu a 57,2 mil milh\u00f5es de euros no ano passado, incluindo 27,2 mil milh\u00f5es de euros em importa\u00e7\u00f5es da UE e 30 mil milh\u00f5es de euros em exporta\u00e7\u00f5es para a R\u00fassia. Embora este valor seja substancialmente inferior aos registados antes da guerra, o atual saldo ainda representa valor econ\u00f3mico para Moscovo.<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com uma an\u00e1lise do Instituto Kiel para a Economia Mundial, este com\u00e9rcio residual pode ser transformado num instrumento de pol\u00edtica econ\u00f3mica atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de uma tarifa de importa\u00e7\u00e3o sobre as importa\u00e7\u00f5es da UE provenientes da R\u00fassia, combinada com uma taxa sobre as exporta\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias para Moscovo. Este think tank alem\u00e3o nota, por\u00e9m, que a componente das importa\u00e7\u00f5es \u00e9 legal e institucionalmente mais simples, enquanto a taxa sobre as exporta\u00e7\u00f5es exigiria uma abordagem jur\u00eddica mais espec\u00edfica.<\/p>\n<p><strong>\u201cA principal conclus\u00e3o \u00e9 simples: enquanto o com\u00e9rcio com a R\u00fassia continuar, a Europa deve utiliz\u00e1-lo para apoiar a Ucr\u00e2nia\u201d, afirma Julian Hinz, chefe do Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o de Pol\u00edtica Comercial do Instituto de Kiel e coautor do Relat\u00f3rio de Pol\u00edticas de Kiel. \u201cUma tarifa bem calibrada permite \u00e0 UE gerar receitas substanciais e, ao mesmo tempo, aumentar a press\u00e3o econ\u00f3mica sobre a R\u00fassia, sem impor grandes custos a si pr\u00f3pria.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Para garantir resultados robustos, os investigadores do Kiel combinaram duas abordagens que se complementam: uma examina diretamente o com\u00e9rcio entre a UE e a R\u00fassia e o potencial de receitas de uma tarifa deste tipo. A outra considera a forma como as empresas e os mercados podem reagir, atrav\u00e9s de novas cadeias de abastecimento, altera\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os ou desvio de com\u00e9rcio via pa\u00edses terceiros.<\/p>\n<p><strong>O estudo conclui que tarifas de 30% a 50% poder\u00e3o gerar receitas anuais na ordem dos 11 a 16 mil milh\u00f5es de euros, considerando as estimativas mais otimistas para o curto prazo. J\u00e1 uma elevada taxa tarif\u00e1ria de 90% poderia gerar at\u00e9 12 mil milh\u00f5es de euros por ano em receitas no per\u00edodo inicial.<\/strong><\/p>\n<p>A \u201cTarifa de Apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia\u201d serviria para v\u00e1rios objetivos. Primeiro, geraria receita para financiar a defesa militar, a reconstru\u00e7\u00e3o e as necessidades humanit\u00e1rias de Kiev, complementando os compromissos existentes &#8211; que ascendem em m\u00e9dia a cerca de 70 mil milh\u00f5es de euros anuais-, incluindo a utiliza\u00e7\u00e3o de receitas extraordin\u00e1rias provenientes de ativos soberanos russos imobilizados. Em segundo lugar, a tarifa imporia custos econ\u00f3micos adicionais a Moscovo, minando ainda mais os recursos russos para sustentar a guerra de agress\u00e3o. Em terceiro lugar, a tarifa ofereceria \u00e0 Europa um instrumento de press\u00e3o mais flex\u00edvel que pode ser aumentado para intensificar a press\u00e3o ou reduzido como parte de um acordo negociado.<\/p>\n<p>Mesmo estimativas mais conservadoras, considerando um decl\u00ednio comercial prolongado provocado pela tarifa, ainda rondariam em torno ou acima dos cerca de 3 mil milh\u00f5es de euros anuais atualmente previstos com os juros dos ativos soberanos russos congelados.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise demonstra ainda que os efeitos macroecon\u00f3micos de uma tal tarifa seriam altamente assim\u00e9tricos, com os especialistas do Kiel a estimarem que as perdas econ\u00f3micas agregadas da R\u00fassia seriam tr\u00eas a quatro vezes superiores \u00e0s sofridas pela UE. De notar que <strong>as importa\u00e7\u00f5es da UE provenientes da R\u00fassia continuam a ser dominadas pelos produtos minerais (17,7 mil milh\u00f5es de euros), principalmente fluxos residuais de g\u00e1s e petr\u00f3leo que alguns Estados-membros, como a Hungria e a Eslov\u00e1quia, t\u00eam vindo a eliminar gradualmente de uma forma mais lenta.<\/strong><\/p>\n<p><strong>As exporta\u00e7\u00f5es europeias para a R\u00fassia s\u00e3o mais diversificadas. Os produtos qu\u00edmicos e afins (14,6 mil milh\u00f5es de euros) constituem a maior categoria, seguidos pelos alimentos preparados, bebidas e tabaco (4,2 mil milh\u00f5es de euros) e m\u00e1quinas e aparelhos mec\u00e2nicos (2,6 mil milh\u00f5es). Ve\u00edculos e equipamento de transporte (2,3 mil milh\u00f5es) e t\u00eaxteis (1,5 mil milh\u00f5es de euros) completam as principais categorias de exporta\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Ao visar tanto os fluxos de importa\u00e7\u00e3o como os de exporta\u00e7\u00e3o, a tarifa proposta pelos analistas do Kiel alarga a base de cobran\u00e7a e refor\u00e7a a efic\u00e1cia do instrumento. O estudo constata ainda que o desvio de com\u00e9rcio para a China permaneceria limitado, enquanto as taxas tarif\u00e1rias extremas seriam contraproducentes, pois destruiriam a base fiscal e reduziriam drasticamente as receitas a longo prazo.<\/p>\n<p>Uma ferramenta flex\u00edvel<\/p>\n<p>\u201cA estrutura de custos assim\u00e9trica torna a Tarifa de Apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia um instrumento vi\u00e1vel para exercer press\u00e3o econ\u00f3mica a longo prazo\u201d, refere o coautor Moritz Schularick, presidente do Instituto Kiel. \u201cIsto proporcionaria aos decisores pol\u00edticos um instrumento flex\u00edvel: as taxas das tarifas poderiam, por exemplo, ser novamente reduzidas como parte de um acordo negociado, enquanto os custos econ\u00f3micos para a Europa permaneceriam limitados.\u201d<\/p>\n<p><strong>As preocupa\u00e7\u00f5es de que a tarifa pudesse afetar principalmente os consumidores, as fam\u00edlias ou as empresas da UE s\u00e3o hoje menos relevantes, pois, quatro anos ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra, as empresas j\u00e1 tiveram tempo suficiente para reorientar as suas cadeias de abastecimento. As que continuam a negociar com a R\u00fassia fazem-no por op\u00e7\u00e3o, e a tarifa torna vis\u00edveis os custos econ\u00f3micos dessa escolha.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Do ponto de vista pol\u00edtico, a componente de importa\u00e7\u00e3o da proposta \u00e9 legal e institucionalmente mais simples, uma vez que poderia basear-se nas regras comerciais existentes da UE. J\u00e1 a taxa sobre as exporta\u00e7\u00f5es exigiria uma estrutura jur\u00eddica mais espec\u00edfica. As receitas poderiam ent\u00e3o ser canalizadas atrav\u00e9s de um mecanismo espec\u00edfico da UE para financiar o apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs restantes 57,2 mil milh\u00f5es de euros em com\u00e9rcio UE-R\u00fassia demonstram que a Europa continua a deixar subutilizar uma importante alavanca\u201d, sublinha Schularick. \u201cEsta \u00e9 uma oportunidade estrat\u00e9gica perdida para transformar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas em curso num instrumento que aumente a press\u00e3o sobre a R\u00fassia, reduza as vulnerabilidades estrat\u00e9gicas da Europa e reforce substancialmente o apoio \u00e0 Ucr\u00e2nia.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Apesar de j\u00e1 terem sido aprovados 20 pacotes de san\u00e7\u00f5es da Uni\u00e3o Europeia desde 2022, o com\u00e9rcio entre&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":417182,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,15,16,889,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,839,8379,17,18,840,29,30,31,636,1153,2415,2416,63,64,65],"class_list":["post-417181","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-guerra-na-ucrania","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-russia","tag-tarifas-comerciais","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ucrania","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-uniao-europeia","tag-ursula-von-der-leyen","tag-vladimir-putin","tag-volodymyr-zelensky","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=417181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/417181\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/417182"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=417181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=417181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=417181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}