{"id":418176,"date":"2026-06-15T06:41:46","date_gmt":"2026-06-15T06:41:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/418176\/"},"modified":"2026-06-15T06:41:46","modified_gmt":"2026-06-15T06:41:46","slug":"estudo-recente-mostra-como-pode-um-vulcao-dar-vida-ao-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/418176\/","title":{"rendered":"Estudo recente mostra como pode um vulc\u00e3o dar vida ao oceano"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estudo-recente-mostra-como-pode-um-vulcao-dar-vida-ao-oceano-1781437206441_1024.jpg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Entre vulc\u00f5es submarinos e sedimentos milenares, o Pac\u00edfico revela uma hist\u00f3ria profunda sobre a liga\u00e7\u00e3o entre a geologia, a vida e o clima.\" title=\"Vulc\u00f5es submarinos\" data-image=\"5a6keb5qn83a\"\/>Entre vulc\u00f5es submarinos e sedimentos milenares, o Pac\u00edfico revela uma hist\u00f3ria profunda sobre a liga\u00e7\u00e3o entre a geologia, a vida e o clima.   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/paula-goncalves.jpg\" alt=\"Paula Gon\u00e7alves\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/paula-goncalves\/\" title=\"Paula Gon\u00e7alves\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Paula Gon\u00e7alves<\/a>      15\/06\/2026 07:19   6 min   <\/p>\n<p>Durante as <strong>eras glaciais da Terra,<\/strong> o planeta n\u00e3o mudou apenas \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Enquanto enormes mantos de gelo cobriam continentes inteiros e o n\u00edvel do mar descia dezenas a centenas de metros, uma <strong>transforma\u00e7\u00e3o silenciosa ocorria milhares de metros abaixo das ondas, o fundo oce\u00e2nico tornava-se mais ativo<\/strong>, os vulc\u00f5es submarinos libertavam mais ferro e esse elemento pode ter alimentado pequenas formas de vida que ajudaram a regular o clima global.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o publicada na revista Nature Geoscience fundamenta uma <strong>liga\u00e7\u00e3o inesperada entre o gelo das eras glaciais, o vulcanismo submarino, o ferro no oceano e o clima global<\/strong>.<\/p>\n<p>Os investigadores prop\u00f5em que, durante per\u00edodos em que o n\u00edvel do mar baixou devido \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de grandes mantos de gelo, a <strong>atividade vulc\u00e2nica nas dorsais oce\u00e2nicas aumentou<\/strong>, libertando aissim mais ferro para o oceano profundo.<\/p>\n<p>O ferro que alimentava o fundo oce\u00e2nico <\/p>\n<p>Esse ferro pode ter estimulado o <strong>crescimento do fitopl\u00e2ncton e contribu\u00eddo para a remo\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO\u2082) da atmosfera<\/strong>.<\/p>\n<p>O ferro \u00e9 um elemento pequeno, mas com um <strong>impacto clim\u00e1tico muito grande<\/strong>. Em v\u00e1rias regi\u00f5es do oceano, especialmente nas chamadas zonas de \u201calto teor de nutrientes mas baixa clorofila\u201d, existem <strong>grandes quantidades de nutrientes como azoto e f\u00f3sforo, mas o crescimento do fitopl\u00e2ncton \u00e9 limitado pela falta de ferro<\/strong>. Para estes organismos microsc\u00f3picos, o ferro funciona quase como uma vitamina essencial.<\/p>\n<p>&#8220;<strong>As altera\u00e7\u00f5es no n\u00edvel do mar durante os ciclos glaciais podem ter moldado a atividade hidrotermal do fundo oce\u00e2nico, influenciando a disponibilidade de ferro e a produtividade biol\u00f3gica do oceano.<\/strong>&#8221; Nature Geoscience <\/p>\n<p>O fitopl\u00e2ncton \u00e9 uma das pe\u00e7as fundamentais do sistema clim\u00e1tico terrestre. Atrav\u00e9s da fotoss\u00edntese, estes <strong>organismos absorvem di\u00f3xido de carbono da atmosfera e transformam-no em mat\u00e9ria org\u00e2nica<\/strong>.<br \/>Quando parte desse material afunda para o oceano profundo, <strong>o carbono pode ficar armazenado durante longos per\u00edodos<\/strong>, um processo conhecido como bomba biol\u00f3gica de carbono.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, os cientistas pensaram sobretudo que o ferro que fertilizava estas regi\u00f5es vinha da poeira transportada pelo vento dos continentes.<\/p>\n<p>Um ciclo natural entre o gelo, o fogo e o carbono<\/p>\n<p>No entanto este novo estudo cient\u00edfico apresenta uma possibilidade diferente, <strong>o pr\u00f3prio fundo do oceano poderia ter sido uma fonte importante desse elemento em determinados momentos da hist\u00f3ria clim\u00e1tica da Terra<\/strong>.<\/p>\n<p>A chave est\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o entre o gelo e a press\u00e3o. Durante uma era glacial, <strong>enormes volumes de \u00e1gua ficam presos nas calotas de gelo<\/strong>, fazendo com que o n\u00edvel m\u00e9dio do mar baixasse. Essa altera\u00e7\u00e3o reduz a press\u00e3o sobre certas zonas da crosta oce\u00e2nica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/estudo-recente-mostra-como-pode-um-vulcao-dar-vida-ao-oceano-1781436188331_1024.jpg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Localiza\u00e7\u00e3o dos estudos sobrepostas \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es m\u00e9dias anuais de nitrato \u00e0 superf\u00edcie do oceano (Atlas Mundial dos Oceanos 2018) e Topografia do fundo oce\u00e2nico indicando a Dorsal Meso-Oce\u00e2nica do Pac\u00edfico Oriental. Fonte: Kong, T., Ruan, X., Farmer, J.R. at al.\" title=\"Vulc\u00e3o\" data-image=\"bkhh69htq0z5\"\/> Localiza\u00e7\u00e3o dos estudos sobrepostas \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es m\u00e9dias anuais de nitrato \u00e0 superf\u00edcie do oceano (Atlas Mundial dos Oceanos 2018) e Topografia do fundo oce\u00e2nico indicando a Dorsal Meso-Oce\u00e2nica do Pac\u00edfico Oriental. Fonte: Kong, T., Ruan, X., Farmer, J.R. at al.<\/p>\n<p>Segundo os investigadores, essa mudan\u00e7a pode <strong>favorecer altera\u00e7\u00f5es na circula\u00e7\u00e3o de fluidos subterr\u00e2neos e aumentar a atividade hidrotermal nas dorsais oce\u00e2nicas<\/strong>. Os sistemas libertam fluidos quentes ricos em minerais, incluindo ferro.<\/p>\n<p>Os investigadores estudaram ainda um arquivo natural escondido nos sedimentos do Pac\u00edfico equatorial oriental, analisando cerca de 200 mil anos de hist\u00f3ria ambiental.<\/p>\n<p>No fundo do Pac\u00edfico <\/p>\n<p>Pequenos f\u00f3sseis marinhos preservaram sinais qu\u00edmicos que permitem reconstruir como o fitopl\u00e2ncton utilizava nutrientes no passado. Quando esses registos foram comparados com evid\u00eancias de emiss\u00e3o hidrotermal de ferro, os investigadores encontraram uma <strong>coincid\u00eancia temporal entre per\u00edodos de maior liberta\u00e7\u00e3o de ferro e fases de transi\u00e7\u00e3o entre eras glaciais e per\u00edodos mais quentes<\/strong>.<\/p>\n<p>Esta descoberta revela um poss\u00edvel <strong>ciclo de feedback planet\u00e1rio<\/strong>, ou seja, o gelo baixa o n\u00edvel do mar; a mudan\u00e7a no oceano aumenta a atividade vulc\u00e2nica submarina; os vulc\u00f5es libertam ferro; o fitopl\u00e2ncton cresce mais; o oceano captura mais carbono; e a atmosfera pode sofrer altera\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p><a class=\"imagen \" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/noticias\/actualidade\/preocupacao-crescente-na-zona-do-maior-supervulcao-da-europa-os-terramotos-estao-a-aumentar-o-que-dizem-os-geologos-geologia.html\" title=\"Preocupa\u00e7\u00e3o crescente na zona do maior \u201csupervulc\u00e3o\u201d da Europa: os terramotos est\u00e3o a aumentar, o que dizem os ge\u00f3logos?\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy img-body non-editable\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/terremoti-suolo-che-si-deforma-cresce-la-preoccupazione-nell-area-del-superivulcano-1716375889533_32.jpeg\"  width=\"320\" height=\"225\"\/><\/a><\/p>\n<p>O mais fascinante \u00e9 que esta liga\u00e7\u00e3o une processos que normalmente estudamos separadamente. <strong>A tect\u00f3nica das placas parece distante da vida microsc\u00f3pica \u00e0 superf\u00edcie do mar, mas o planeta funciona como um sistema integrado<\/strong>. Um evento geol\u00f3gico profundo pode influenciar organismos invis\u00edveis a olho nu, que por sua vez podem alterar a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera.<\/p>\n<p>Contudo, os investigadores alertam que <strong>este mecanismo n\u00e3o deve ser interpretado como uma solu\u00e7\u00e3o simples para a crise clim\u00e1tica atual<\/strong>. O estudo analisa processos naturais que ocorreram ao longo de milhares de anos e n\u00e3o uma forma imediata de remover carbono da atmosfera.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da descoberta est\u00e1 em <strong>compreender melhor os mecanismos que controlaram o clima da Terra no passado<\/strong>.<\/p>\n<p>Refer\u00eancia do artigo:<\/p>\n<p>Kong, T., Ruan, X., Farmer, J.R. et al. &#8220;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41561-026-01982-7\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Ocean iron fertilization from enhanced mid-ocean-ridge volcanism due to ice-age sea-level falls.<\/a>&#8221; Nat. Geosci. 19, 706\u2013714 (2026). <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre vulc\u00f5es submarinos e sedimentos milenares, o Pac\u00edfico revela uma hist\u00f3ria profunda sobre a liga\u00e7\u00e3o entre a geologia,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":418177,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[68357,109,107,108,2271,6760,32,33,105,103,104,106,110,5241],"class_list":["post-418176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-atividade-vulcanica","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-clima","tag-oceano","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-vulcao"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116752763860267566","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418176\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/418177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}