{"id":418232,"date":"2026-06-15T08:00:12","date_gmt":"2026-06-15T08:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/418232\/"},"modified":"2026-06-15T08:00:12","modified_gmt":"2026-06-15T08:00:12","slug":"mario-cucinella-o-arquiteto-italiano-que-pos-os-operarios-da-nova-fabrica-da-ferrari-a-ver-o-verde-das-colinas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/418232\/","title":{"rendered":"Mario Cucinella, o arquiteto italiano que p\u00f4s os oper\u00e1rios da nova f\u00e1brica da Ferrari a ver o verde das colinas"},"content":{"rendered":"<p>Sobre a preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade, acrescenta que aquilo que faz \u201cbaseia-se no programa de redu\u00e7\u00e3o do impacto da constru\u00e7\u00e3o civil no contexto europeu. Menos 85% entre agora e 2050, o que \u00e9 um plano muito ambicioso. Os edif\u00edcios representam quase metade do problema. 50% a 55% das emiss\u00f5es prov\u00eam dos edif\u00edcios. Por isso, \u00e9 preciso ter cuidado quando se trabalha na produ\u00e7\u00e3o do material e na constru\u00e7\u00e3o, para reduzir o impacto da obra. E a\u00ed entra a inova\u00e7\u00e3o. A procura de materiais naturais\u201d.<\/p>\n<p>Cucinella admite que o seu nome \u00e9 hoje associado \u00e0 longa aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 sustentabilidade na constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios. Mas ser italiano, admite, traz vantagens:  <strong>\u201cacho que os arquitetos italianos, fora de It\u00e1lia, t\u00eam a oportunidade de usar esta ideia de \u2018<\/strong><strong>Made in Italy<\/strong><strong>\u2019. De que algo \u2018Feito em It\u00e1lia\u2019 \u00e9 sempre algo bom<\/strong>. Fora de It\u00e1lia, quando se fala em \u2018Made in Italy\u2019, as pessoas associam a moda, o design, os autom\u00f3veis, os edif\u00edcios. Penso que temos uma vantagem hist\u00f3rica: associamos o nome de It\u00e1lia e o \u2018Made in Italy\u2019 a coisas boas. E acredito que isto se aplica a tudo, quer se seja ou n\u00e3o um bom arquiteto, quer se seja ou n\u00e3o um bom designer, todos partem de uma atitude positiva, porque, afinal, est\u00e1-se em It\u00e1lia e \u00e9 preciso ser bom. Nem sempre \u00e9 verdade\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 neste momento uma <strong>colabora\u00e7\u00e3o da Mario Cucinella Architects com uma empresa portuguesa, no Porto, e tudo tem que ver uma vez mais com novas tecnologias e materiais mais ecol\u00f3gicos.<\/strong> \u201cConsidero que a utiliza\u00e7\u00e3o da impress\u00e3o 3D como tecnologia de ponta se traduz na redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio, ou melhor, na elimina\u00e7\u00e3o total do mesmo, uma vez que a m\u00e1quina utiliza apenas o necess\u00e1rio. E \u00e9 seguro, pois n\u00e3o h\u00e1 pessoas a circular com maquinaria, tudo \u00e9 controlado por um computador. Al\u00e9m disso, existe uma nova gera\u00e7\u00e3o de trabalhadores, que utilizam ferramentas digitais. Trabalham com cimento, mas controlam tudo atrav\u00e9s de dados. Por isso, acho que \u00e9 uma tecnologia interessante para construir de forma r\u00e1pida, segura e reduzindo o impacto ambiental\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 que falamos do Porto, de onde s\u00e3o os dois arquitetos portugueses com o Pr\u00e9mio Pritzker, pe\u00e7o a Cucinella que me fale das suas refer\u00eancias. <strong>Real\u00e7a logo a admira\u00e7\u00e3o que tem pelo compatriota Renzo Piano:<\/strong>  \u201cTrabalhei com Renzo Piano quando era jovem e ele \u00e9 realmente uma refer\u00eancia para mim. Ele \u00e9 um dos maiores. Ora, em It\u00e1lia, quando era estudante, estudei muito os arquitetos italianos do per\u00edodo renascentista e a bel\u00edssima arquitetura das igrejas. Mas, na era moderna, acho que Renzo foi o arquiteto que me inspirou. Porque surgiu em 1970 e em 1980, e a sua vis\u00e3o estava virada para a tecnologia, a alta tecnologia. Depois, fomo-nos aproximando cada vez mais da arquitetura po\u00e9tica, mais virada para as pessoas e mais amiga dos materiais. Foi uma evolu\u00e7\u00e3o bonita e realmente inspiradora\u201d.<\/p>\n<p>Depois do elogio a Piano, tamb\u00e9m Pr\u00e9mio Pritzker, as palavras de apre\u00e7o por \u00c1lvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura. <strong>\u201cBem, Siza \u00e9, sem d\u00favida, uma das minhas refer\u00eancias. Eu era estudante e j\u00e1 acompanhava o trabalho dele; \u00e9 uma arquitetura muito delicada, muito genu\u00edna.<\/strong> <strong>Tamb\u00e9m gosto do trabalho do Eduardo Souto de Moura,<\/strong> espero ir jantar um dia destes com ele no Porto. Gosto da arquitetura portuguesa, tem um car\u00e1ter muito forte. E um compromisso com o social que \u00e9 muito importante. Vi uma exposi\u00e7\u00e3o no Porto com os trabalhos de Siza desde o tempo em que era jovem. No novo museu, fez um excelente desenho, ficou muito bonito. Mas a sensibilidade de Siza n\u00e3o \u00e9 apenas famosa pelas casas  brancas, mas por muitos outros projetos, fruto de imenso talento\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tal como Siza, Cucinella projetou escolas, hospitais e at\u00e9 igrejas. Diz serem um grande desafio estas \u00faltimas: \u201cEu desenhei uma igreja. E digo que projetar uma igreja \u00e9 muito dif\u00edcil, especialmente para os arquitetos italianos, porque as igrejas em It\u00e1lia s\u00e3o lind\u00edssimas, muitas delas do Barroco.<\/strong> Mas desenhei uma igreja no meio das montanhas, no sul do pa\u00eds. Estava a tentar perceber o que funciona melhor, qual era o ingrediente essencial de uma igreja. Para mim \u00e9 a luz. Quando se entra na igreja, a luz \u00e9 muito natural. \u00c9 muito importante. E \u00e9 tamb\u00e9m um lugar onde se vai com outras pessoas, mas principalmente vai-se para si mesmo. Depois precisa de encontrar um pouco de intimidade. N\u00e3o se pode estar realmente numa igreja como se est\u00e1 num congresso. \u00c9 preciso encontrar intimidade. E a igreja tem tudo a ver com isso. \u00c9 muito moderna, mas \u00e9 como um teto com uma luz transl\u00facida, que difunde a luz. E, sabe, h\u00e1 alguns pormenores. Ir a uma igreja barroca \u00e9 uma experi\u00eancia intensa, com muitos m\u00e1rmores e outras coisas, por isso \u00e9 preciso encontrar algo assim, mas mais moderno. Depois, o ingrediente principal tem a ver com a experi\u00eancia f\u00edsica e emocional. Precisa de se conectar com o seu interior, precisa de vivenciar emo\u00e7\u00e3o. J\u00e1 se vai \u00e0 procura da ora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 algo emocional, por isso \u00e9 preciso encontrar um espa\u00e7o e criar essa emo\u00e7\u00e3o. E \u00e9 esse o papel da arquitetura\u201d<\/p>\n<p>Termino a entrevista no Audit\u00f3rio Lagoa Henriques (onde est\u00e1 o modelo em gesso da est\u00e1tua de Fernando Pessoa feita pelo escultor que hoje surge junto \u00e0 Brasileira) com esta quest\u00e3o da luz. Pergunro se os seus projetos, que se enquadram na beleza da paisagem italiana, do verde intenso dos campos e do c\u00e9u limpo, tamb\u00e9m podem funcionar nos pa\u00edses do norte? <strong>\u201cH\u00e1 uma bela hist\u00f3ria sobre um pintor do norte da Europa que pintava quadros azuis e muito frios. Depois chegou a It\u00e1lia, e a\u00ed \u00e9 tudo amarelo e dourado. E com um arquiteto \u00e9 algo assim tamb\u00e9m. Assim, percebe a qualidade da luz, as cores, a temperatura. Precisa de projetar o seu edif\u00edcio tamb\u00e9m para captar essa diferen\u00e7a\u201d<\/strong>. E se for um arquiteto italiano a projetar na Escandin\u00e1via? \u201cTem tudo que ver com empatia, como disse na confer\u00eancia. Precisamos de ser emp\u00e1ticos com o lugar e lidar com essa natureza diferente.\u201d<\/p>\n<p>Nesta vinda a Lisboa, Cucinella participou tamb\u00e9m num debate no MAAT com a arquiteta Helena Botelho, centrado na regenera\u00e7\u00e3o urbana e no papel das cidades como laborat\u00f3rios de sustentabilidade e inclus\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sobre a preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade, acrescenta que aquilo que faz \u201cbaseia-se no programa de redu\u00e7\u00e3o do impacto&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":418233,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[144],"tags":[9355,207,205,206,203,201,202,315,204,306,114,115,2193,233,32,33],"class_list":["post-418232","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-arte-e-design","tag-arquitetos","tag-arte","tag-arte-e-design","tag-artedesign","tag-arts","tag-arts-and-design","tag-artsanddesign","tag-cultura","tag-design","tag-edicao-impressa","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-ferrari","tag-italia","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116753073902488925","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=418232"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/418232\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/418233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=418232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=418232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=418232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}