{"id":4210,"date":"2025-07-27T17:38:07","date_gmt":"2025-07-27T17:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4210\/"},"modified":"2025-07-27T17:38:07","modified_gmt":"2025-07-27T17:38:07","slug":"legado-de-maria-jose-palla-em-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/4210\/","title":{"rendered":"Legado de Maria Jos\u00e9 Palla em Lisboa"},"content":{"rendered":"<p>A fot\u00f3grafa Maria Jos\u00e9 Palla, 81 anos, morreu este domingo, 27 de julho, em Lisboa, tr\u00eas dias antes de completar 82 anos.<\/p>\n<p>Professora jubilada da Universidade Nova de Lisboa, fot\u00f3grafa, investigadora, especialista em L\u00ednguas e Literaturas, Hist\u00f3ria e Artes, Maria Jos\u00e9 Palla viveu em Paris, onde esteve exilada durante a ditadura portuguesa, e doutorou-se na Universidade da Sorbonne, na \u00e1rea de L\u00ednguas e Literaturas Rom\u00e2nicas, com uma tese sobre a simb\u00f3lica do traje na obra de Gil Vicente, depois de um mestrado dedicado a \u201cLes Objets de civilisation dans l&#8217;oeuvre de Gil Vicente\u201d, sob a dire\u00e7\u00e3o do linguista e lusitanista Paul Teyssier (1912-2002).<\/p>\n<p>Na capital francesa, <strong>Maria Jos\u00e9 Palla estudou fotografia e cinema com o cineasta Jean Rouch (1917-2004), na \u00c9cole Pratique des Hautes \u00c9tudes, depois de ter completado o curso do Institut Fran\u00e7ais de Photographie,<\/strong> e de ter frequentado a Ecole National de Photographie de Paris (Ecole de Vaugirard), que a levou a um est\u00e1gio na ag\u00eancia RL Dupuy, nos anos de 1960.<\/p>\n<p>Diplomada em Hist\u00f3ria de Arte, pela \u00c9cole du Louvre, em Paris, <strong>\u00e9 autora de v\u00e1rios livros e artigos sobre Gil Vicente, o teatro do s\u00e9culo XVI e a pintura portuguesa do Renascimento.<\/strong><\/p>\n<p>Entre as suas obras contam-se &#8220;Dicion\u00e1rio das Personagens do Teatro de Gil Vicente&#8221;, &#8220;Do Essencial e do Sup\u00e9rfluo &#8211; Estudo lexical do traje e adornos em Gil Vicente&#8221;, &#8220;Traje e Pintura &#8211; Gr\u00e3o Vasco e o Ret\u00e1bulo da S\u00e9 de Viseu&#8221;.<\/p>\n<p>A sua investiga\u00e7\u00e3o na \u00e1rea liter\u00e1ria levou-a tamb\u00e9m ao resgate do &#8220;Auto de Dom Andr\u00e9&#8221;, de autor desconhecido do s\u00e9culo XVI, e \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de diversos artigos e monografias como &#8220;Met\u00e1foras alimentares no teatro quinhentista&#8221;, &#8220;Para uma nova leitura iconogr\u00e1fica d&#8221;O Inferno&#8217; do Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa&#8221;, &#8220;O tempo do sil\u00eancio \u2013 O di\u00e1logo da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Gil Vicente&#8221; e &#8220;Making sense of their senses: a new look at the still lifes of Josefa de \u00d3bidos and her father Baltasar Gomes Figueira&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Como fot\u00f3grafa, arte a que se dedicou nos \u00faltimos 40 anos de vida, realizou v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es em Portugal e no estrangeiro, como \u201cArquivo\u201d, em que revisitou o trabalho de quatro d\u00e9cadas na Appleton Associa\u00e7\u00e3o Cultural, em Lisboa, em 2022, e \u201cMaria Jos\u00e9 Palla: o auto-retrato como natureza-morta \u2013 uma retrospetiva\u201d, a mais recente em nome individual, que esteve patente no ano passado no Museu Nacional Frei Manuel do Cen\u00e1culo, em \u00c9vora.<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 ao passado m\u00eas de maio, a Galeria Gra\u00e7a Brand\u00e3o, em Lisboa, mostrou &#8220;Room next door&#8221;, uma exposi\u00e7\u00e3o partilhada de Maria Jos\u00e9 Oliveira e Maria Jos\u00e9 Palla.<\/p>\n<p>Em 2022, a artista levou \u201cV\u00edctor Palla \u2013 Maria Jos\u00e9 Palla\u201d, ao Centro de Arte de S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, no centen\u00e1rio de seu pai, o arquiteto, designer, fot\u00f3grafo e pintor que marcou a modernidade de Lisboa nos anos 1950-1970, cruzando a sua obra com a express\u00e3o do seu parceiro art\u00edstico.<\/p>\n<p><strong>Das fotografias que fez de V\u00edctor Palla (1922-2006), em particular sobre a s\u00e9rie &#8220;Olhos nos Olhos&#8221;, a fot\u00f3grafa escreveu: &#8220;O meu pai gostava de brincar com as palavras, com os n\u00fameros, com as pessoas. Quando eu e as minhas irm\u00e3s \u00e9ramos crian\u00e7as falava-nos muitas vezes atrav\u00e9s de prov\u00e9rbios, de frases em rima, de m\u00e1ximas<\/strong>. Com o seu irm\u00e3o Jos\u00e9 Palla e Carmo ou Jos\u00e9 Sesinando, [&#8230;} o di\u00e1logo era efectuado por meio de jogos em v\u00e1rias l\u00ednguas, com charadas, trocadilhos, gracejos e zombarias. [&#8230;] O meu pai inventou livros com autores e t\u00edtulos imagin\u00e1rios e fez capas para esses livros.&#8221;<\/p>\n<p>As imagens refletem esse universo no rosto do arquiteto. &#8220;S\u00e3o imagens doces, c\u00f3micas, fantasistas, onde o olhar \u00e9 transformado, ora com os olhos abertos ora fechados&#8221;, escreveu a fot\u00f3grafa.<\/p>\n<p>Entre as suas muitas exposi\u00e7\u00f5es, levadas a diferentes pontos do pa\u00eds, da Europa e do Oriente (Macau), contam-se &#8220;Fragmentos de Um Discurso&#8221; (2013), &#8220;Le Temps&#8221; (2010), &#8220;A Roda do Tempo&#8221; (2006), &#8220;Anatomia de Um Rosto&#8221;, &#8220;Faces da Melancolia&#8221; e &#8220;A Mulher sem Sombra&#8221; (2001), &#8220;Retratos de Poetas&#8221; (1998), com grandes planos de autores da literatura portuguesa contempor\u00e2nea, de Ant\u00f3nio Franco Alexandre e M\u00e1rio Cesariny, a Nuno J\u00fadice e Sophia de Mello Breyner Andresen, Eug\u00e9nio de Andrade e Pedro Tamen.<\/p>\n<p>A artista, que usou em particular o retrato como meio de express\u00e3o &#8211; e o auto-retrato, sobre si mesma -, para a mostra em \u00c9vora no ano passado, no Museu Nacional Frei Manuel do Cen\u00e1culo, optou por conjugar fotografias e objetos, numa a\u00e7\u00e3o consubstanciada no t\u00edtulo da mostra: \u201cMaria Jos\u00e9 Palla: o auto-retrato como natureza-morta \u2013 uma retrospetiva\u201d.<\/p>\n<p>A artista fotografou-se \u201ccompulsivamente\u201d, desde a d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo XX, \u201catualizando a procura de si nos reflexos e espelhos da fotografia, que nesta exposi\u00e7\u00e3o&#8221; foram met\u00e1fora, l\u00ea-se no\u00a0cat\u00e1logo ent\u00e3o publicado pelo museu eborense.<\/p>\n<p>Segundo a exposi\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Jo\u00e3o da Madeira, dedicada a Victor Palla, o Centro de Arte lembrou que Maria Jos\u00e9 Palla foi muitas vezes modelo de si pr\u00f3pria no registo de \u201cestados emocionais e vivenciais de tempos e lugares diversos, mostrando-se livre de press\u00f5es formais ou composicionais, e fixando-se numa est\u00e9tica de representa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e filos\u00f3fica por vezes metaf\u00f3rica e subjetiva.\u201d<\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Palla, que lecionou Hist\u00f3ria do Teatro, Literatura Portuguesa, Literatura Francesa, Literatura do Renascimento e Literatura e Outras Artes \u2013 Fotografia, na Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, <strong>foi tamb\u00e9m tradutora do &#8220;Livre de Cuisine de l&#8217;Infante Maria du Portugal&#8221;, para o Instituto de Estudos Medievais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Com Manuel Villaverde Cabral traduziu &#8220;Hiroshima, meu amor&#8221;, de Marguerite Duras, para as Publica\u00e7\u00f5es Europa-Am\u00e9rica (1963), &#8220;Vida de Miguel Angelo&#8221;, de Romain Rolland, para a editora Presen\u00e7a do Homem (1967), e &#8220;Camus por Ele Pr\u00f3prio&#8221;, de Morvan Lebesque, para a Portug\u00e1lia Editora (1967).<\/strong><\/p>\n<p>Maria Jos\u00e9 Palla nasceu em Lisboa em 30 de julho 1943, filha da artista pl\u00e1stica Zulcides Saraiva e do fot\u00f3grafo, arquiteto e designer Victor Palla.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A fot\u00f3grafa Maria Jos\u00e9 Palla, 81 anos, morreu este domingo, 27 de julho, em Lisboa, tr\u00eas dias antes&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4211,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,2466,2465,2409,32,33],"class_list":{"0":"post-4210","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-fotografa","18":"tag-maria-jose-palla","19":"tag-obito","20":"tag-portugal","21":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4210","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4210\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}