{"id":421018,"date":"2026-06-17T10:10:15","date_gmt":"2026-06-17T10:10:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/421018\/"},"modified":"2026-06-17T10:10:15","modified_gmt":"2026-06-17T10:10:15","slug":"os-ultimos-35-dias-de-vida-de-jeffrey-epstein-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/421018\/","title":{"rendered":"Os \u00faltimos 35 dias de vida de Jeffrey Epstein \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>O \u00faltimo contacto confirmado com Epstein ocorreu pouco depois das 22h00 de 9 de agosto, quando Noel fez a ronda e o empres\u00e1rio lhe pediu para ligar a sua m\u00e1quina de CPAP (utilizada para a apneia do sono). A investiga\u00e7\u00e3o encontrou aqui o seu primeiro grande obst\u00e1culo: o sistema de vigil\u00e2ncia. Uma falha de hardware ocorrida uma semana antes significava que <strong>quase metade das c\u00e2maras da SHU n\u00e3o estava a gravar<\/strong>, embora transmitissem imagens em tempo real. Entre as poucas imagens recuperadas, \u00e0s 22h40, a c\u00e2mara captou um vulto laranja indistinto a subir as escadas em dire\u00e7\u00e3o ao corredor de Epstein. Embora tenha alimentado teorias sobre um assassino, o inspetor-geral concluiu ser \u201cmuito prov\u00e1vel\u201d que fosse a guarda Noel a transportar len\u00e7\u00f3is ou uniformes de recluso, uma vez que ela tinha as chaves da unidade.<\/p>\n<p>Enquanto os dois guardas estavam no posto, Chad Brown, um recluso da cela vizinha de Epstein, relatou ter ouvido algo perturbador naquela noite: o som de len\u00e7\u00f3is a serem rasgados. Reconhecendo o potencial significado do ru\u00eddo, Brown tentou intervir de forma indireta, perguntando a Epstein se ele tinha selos postais que pudesse usar. \u201cEu n\u00e3o pedi selos nenhuns\u201d, respondeu o empres\u00e1rio, com uma calma que Brown recordou como \u201cinvulgar\u201d. O som de tecido a rasgar continuou por mais dez minutos antes de ficar tudo em sil\u00eancio. <strong>Foi o \u00faltimo sinal de vida de Jeffrey Epstein<\/strong>.<\/p>\n<p>Entre a 1h00 e as 2h44 da manh\u00e3, as c\u00e2maras de vigil\u00e2ncia que ainda funcionavam mostraram Noel e Thomas sentados \u00e0 secret\u00e1ria, im\u00f3veis. Os investigadores federais conclu\u00edram que <strong>os guardas estavam a dormir<\/strong>. Noel tentou mais tarde acordar Thomas por volta das 3h00, mas este n\u00e3o reagiu. \u00c0s 3h14, Noel abandonou o posto durante tr\u00eas minutos para ajudar numa contagem noutra ala da pris\u00e3o, <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2019\/08\/11\/apesar-de-ter-apresentado-tendencias-suicidas-epstein-nao-estava-sob-vigia-quando-se-enforcou\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">deixando a unidade de Epstein sem qualquer vigil\u00e2ncia ativa<\/a>.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"MmZFeSMYzh\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2019\/08\/11\/apesar-de-ter-apresentado-tendencias-suicidas-epstein-nao-estava-sob-vigia-quando-se-enforcou\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Apesar de ter apresentado tend\u00eancias suicidas, Epstein n\u00e3o estava sob vigia quando se enforcou<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Durante todo este per\u00edodo, <strong>as rondas de 30 minutos que deveriam ter sido realizadas nunca aconteceram<\/strong>. No entanto, para efeitos de registo oficial, os guardas falsificaram os documentos, assinando formul\u00e1rios que confirmavam inspe\u00e7\u00f5es que nunca realizaram. A neglig\u00eancia s\u00f3 foi interrompida \u00e0s 6h30 da manh\u00e3, quando Michael Thomas iniciou a distribui\u00e7\u00e3o do pequeno-almo\u00e7o. Ao chegar \u00e0 cela 220, encontrou Epstein im\u00f3vel, <strong>pendurado no beliche por um la\u00e7o de tecido laranja<\/strong>. O corpo estava a poucos cent\u00edmetros do ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Thomas cortou o la\u00e7o laranja e iniciou compress\u00f5es tor\u00e1cicas, gritando desesperadamente: \u201cRespira, Epstein, respira!\u201d. Momentos depois, a admiss\u00e3o da culpa foi verbalizada pelo pr\u00f3prio guarda \u00e0 sua colega Noel: \u201c<strong>Vamos ter tantos problemas<\/strong>\u201c. Mais tarde, perante um tenente da pris\u00e3o, Thomas seria ainda mais expl\u00edcito: \u201cN\u00f3s lix\u00e1mo-nos\u201d.<\/p>\n<p>Jeffrey Epstein morreu na cela no dia 10 de agosto de 2019. Apresentou-se, desde ent\u00e3o, o suic\u00eddio como causa de morte, mas sempre foram surgindo quest\u00f5es quanto \u00e0 forma como teria conseguido suicidar-se. Ap\u00f3s a sua morte, abriu-se uma nova frente de batalha no campo da medicina forense, onde a interpreta\u00e7\u00e3o de les\u00f5es f\u00edsicas se tornou o centro de uma das maiores controv\u00e9rsias do sistema prisional norte-americano.<\/p>\n<p>Epstein foi declarado morto \u00e0s 7h36 de 10 de agosto, no Hospital New York-Presbyterian Lower Manhattan, ap\u00f3s ter sido transportado de urg\u00eancia do MCC. No dia seguinte, Kristin Roman, uma examinadora m\u00e9dica da cidade de Nova Iorque, realizou a aut\u00f3psia cujas conclus\u00f5es seriam, cinco dias depois, inequ\u00edvocas: <strong>Epstein morreu por enforcamento suicida<\/strong>.<\/p>\n<p>Esta declara\u00e7\u00e3o oficial foi contestada por Michael Baden, um patologista de 91 anos contratado por Mark Epstein, o irm\u00e3o do financeiro. Baden, que j\u00e1 tinha liderado o gabinete de examinadores m\u00e9dicos de Nova Iorque nos anos 70 e participado em investiga\u00e7\u00f5es de casos c\u00e9lebres como os de John Belushi ou George Floyd, assistiu \u00e0 aut\u00f3psia e concluiu que as evid\u00eancias apontavam para <strong>homic\u00eddio<\/strong> por estrangulamento, e n\u00e3o para suic\u00eddio, devido a tr\u00eas fraturas no pesco\u00e7o.<\/p>\n<p>Segundo o patologista, este padr\u00e3o de les\u00f5es no pesco\u00e7o \u00e9 muito comum em casos de estrangulamento homicida e, na sua experi\u00eancia, quase nunca visto em suic\u00eddios. <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2019\/08\/12\/as-reacoes-a-morte-de-epstein-a-furia-das-vitimas-as-teorias-da-conspiracao-e-o-ponto-de-situacao-da-investigacao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Esta tese alimentou rapidamente as teorias de conspira\u00e7\u00e3o<\/a> que j\u00e1 circulavam nas redes sociais, sugerindo que Epstein teria sido silenciado por algu\u00e9m com interesse em proteger os segredos da elite global.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"1EWVSVV6Q7\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2019\/08\/12\/as-reacoes-a-morte-de-epstein-a-furia-das-vitimas-as-teorias-da-conspiracao-e-o-ponto-de-situacao-da-investigacao\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">A morte de Epstein: a f\u00faria das v\u00edtimas, as teorias da conspira\u00e7\u00e3o e o ponto de situa\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Contudo, a investiga\u00e7\u00e3o do New York Times consultou nove patologistas e m\u00e9dicos que ofereceram uma perspetiva diferente, sublinhando que a \u201cci\u00eancia forense n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia exata\u201d, mas sim interpretativa. Estes especialistas notaram que, embora as fraturas tenham sido vistas como indicadores claros de homic\u00eddio, o conhecimento m\u00e9dico atual confirma que elas podem, de facto, ocorrer em enforcamentos suicidas. Judy Melinek, uma patologista forense citada na investiga\u00e7\u00e3o, explicou que les\u00f5es id\u00eanticas podem resultar tanto de um crime como de um ato volunt\u00e1rio, sendo o contexto da cena da morte muitas vezes mais decisivo do que as les\u00f5es em si.<\/p>\n<p>O grande obst\u00e1culo \u00e0 verdade absoluta foi a \u201c<strong>gest\u00e3o desastrosa<\/strong>\u201d da cena do crime por parte do MCC, assinala o jornal nova-iorquino. Quando os agentes do FBI chegaram \u00e0 cela 220, sete horas ap\u00f3s a descoberta do corpo, encontraram um local que tinha sido totalmente mexido pelos guardas e param\u00e9dicos. A desorganiza\u00e7\u00e3o foi tal que os investigadores <strong>nem sequer tentaram recolher amostras de ADN<\/strong>, algo que \u00e9 uma rotina em cenas de crime.<\/p>\n<p>Mais grave ainda foi o erro na recolha de provas f\u00edsicas. Fotografias da cela reveladas posteriormente mostram que <strong>os investigadores registaram o la\u00e7o errado<\/strong>. O objeto como prova n\u00e3o correspondia em \u00e2ngulo ou largura \u00e0 marca deixada no pesco\u00e7o de Epstein. O la\u00e7o que provavelmente suportou o peso do corpo (uma tira de tecido mais longa, estreitamente torcida e rasgada num ponto) foi encontrado num canto da cela no meio do caos e acabou por ser deitado para o lixo antes que algu\u00e9m reconhecesse a sua import\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O \u00faltimo contacto confirmado com Epstein ocorreu pouco depois das 22h00 de 9 de agosto, quando Noel fez&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":421019,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[624,27,28,68660,604,9936,623,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,58,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-421018","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-amu00e9rica","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-caso-epstein","tag-crime","tag-crimes-sexuais","tag-estados-unidos-da-amu00e9rica","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-sociedade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116764909535665682","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=421018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/421018\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/421019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=421018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=421018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=421018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}