{"id":422384,"date":"2026-06-18T14:27:20","date_gmt":"2026-06-18T14:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/422384\/"},"modified":"2026-06-18T14:27:20","modified_gmt":"2026-06-18T14:27:20","slug":"por-que-nem-todo-surto-de-doenca-vira-pandemia-18-06-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/422384\/","title":{"rendered":"Por que nem todo surto de doen\u00e7a vira pandemia &#8211; 18\/06\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>O temor de uma nova <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2023\/05\/o-que-e-emergencia-de-saude-a-pandemia-continua-entenda-o-anuncio-da-oms-sobre-a-covid.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pandemia <\/a>segue vivo. No in\u00edcio de maio, um surto de hantav\u00edrus em um navio de cruzeiro no Atl\u00e2ntico deixou tr\u00eas mortos e levou a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sa\u00fade<\/a> (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/oms\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">OMS<\/a>) a coordenar evacua\u00e7\u00f5es, avalia\u00e7\u00e3o de risco e resposta internacional. Na \u00c1frica, o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/06\/surto-de-ebola-pode-se-tornar-o-pior-ja-registrado-alerta-agencia-de-saude-da-uniao-africana.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">surto de ebola<\/a> causado pelo v\u00edrus Bundibugyo na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo e em Uganda chega a 695 casos confirmados e 138 mortes, segundo boletim da OMS do \u00faltimo dia 13 de junho.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/05\/devemos-nos-preocupar-com-o-hantavirus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">caso de hantav\u00edrus<\/a> foi descrito como grave, mas contido, e sem restri\u00e7\u00f5es de viagem naquele momento. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou que o surto n\u00e3o representava risco para o pa\u00eds, pois a variante relacionada ao epis\u00f3dio no navio n\u00e3o tem circula\u00e7\u00e3o registrada em territ\u00f3rio nacional. At\u00e9 maio, o Brasil havia confirmado sete casos e um \u00f3bito, sem rela\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>A OMS classificou o atual surto de ebola como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/05\/surto-de-hantavirus-nao-tem-potencial-pandemico-e-risco-global-e-baixo-diz-oms.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica<\/a> de import\u00e2ncia internacional. A entidade avaliou o risco como muito alto na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, alto em Uganda e em pa\u00edses vizinhos, mas baixo em termos mundiais. Os casos suspeitos notificados no Brasil at\u00e9 o momento foram descartados.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que separa uma emerg\u00eancia localizada de uma amea\u00e7a pand\u00eamica? Na pr\u00e1tica, \u00e9 a capacidade de dissemina\u00e7\u00e3o sustentada. Uma infec\u00e7\u00e3o pode matar, exigir resposta r\u00e1pida e mobilizar autoridades de diferentes pa\u00edses sem necessariamente ter potencial para se espalhar pelo mundo. \u00c9 por isso que os surtos de ebola e hantav\u00edrus acendem alertas sanit\u00e1rios, mas n\u00e3o s\u00e3o tratados como o in\u00edcio de uma pandemia.<\/p>\n<p>Potencial de dissemina\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Do ponto de vista biol\u00f3gico, o principal crit\u00e9rio para avaliar o potencial pand\u00eamico de um agente infeccioso \u00e9 quantos novos casos ele consegue gerar a partir de uma pessoa infectada e quais medidas de controle s\u00e3o efetivas. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/07\/o-que-a-covid-longa-pode-nos-ensinar-sobre-futuras-pandemias.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">O potencial de dissemina\u00e7\u00e3o<\/a> n\u00e3o depende de um \u00fanico elemento: ele resulta de uma combina\u00e7\u00e3o de fatores ligados ao agente infeccioso, \u00e0 popula\u00e7\u00e3o exposta, ao ambiente e \u00e0 capacidade de resposta dos sistemas de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Entre os fatores ligados ao agente, o primeiro \u00e9 a forma de transmiss\u00e3o. V\u00edrus transmitidos pelas vias a\u00e9reas tendem a se espalhar com mais facilidade do que aqueles que dependem de contato direto com sangue, secre\u00e7\u00f5es ou outros fluidos corporais, como ocorre no ebola, ou de vetores, caso da dengue. O hantav\u00edrus \u00e9 mais espec\u00edfico: a infec\u00e7\u00e3o costuma ocorrer pela inala\u00e7\u00e3o de aeross\u00f3is formados a partir de urina, fezes ou saliva de roedores silvestres.<\/p>\n<p>O momento em que o cont\u00e1gio ocorre tamb\u00e9m influencia o risco. Quando uma pessoa <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2020\/08\/assintomaticos-podem-ser-20-da-populacao-com-covid-19-diz-estudo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">infectada transmite antes de apresentar sintomas<\/a>, a identifica\u00e7\u00e3o e o isolamento dos casos se tornam mais dif\u00edceis. Outro fator importante \u00e9 a capacidade de mudan\u00e7a dos agentes infecciosos. &#8220;V\u00edrus sofrem muta\u00e7\u00f5es em maior ou menor grau e, ao longo do tempo, podem desenvolver caracter\u00edsticas de dissemina\u00e7\u00e3o de maior sucesso&#8221;, diz a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Einstein Hospital Israelita.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m podem desenvolver escape imunol\u00f3gico, quando escapam parcialmente da prote\u00e7\u00e3o gerada por infec\u00e7\u00f5es anteriores ou vacinas. Esse risco cresce quando um agente circula muito, porque cada nova infec\u00e7\u00e3o abre oportunidade para replica\u00e7\u00e3o e surgimento de variantes.<\/p>\n<p>A gravidade entra em outra etapa da avalia\u00e7\u00e3o. Um agente pode causar quadros graves sem ter grande capacidade de dissemina\u00e7\u00e3o, assim como um de menor letalidade pode provocar impacto relevante se atingir muitas pessoas em pouco tempo. &#8220;Um v\u00edrus que se dissemina muito, mas tem baixa gravidade, pode ter baixo potencial ofensivo, no sentido de sobrecarregar o sistema de sa\u00fade ou causar um n\u00famero consider\u00e1vel de \u00f3bitos&#8221;, explica o virologista Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Contexto de circula\u00e7\u00e3o importa<\/p>\n<p>Al\u00e9m das caracter\u00edsticas do agente infeccioso, o risco depende do contexto em que ele circula. Uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2026\/06\/e-normal-as-criancas-voltarem-doentes-da-escola-no-inverno-pesquisas-dizem-que-nao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">popula\u00e7\u00e3o sem imunidade pr\u00e9via<\/a>, com muitos deslocamentos e baixa ades\u00e3o a medidas de preven\u00e7\u00e3o, oferece mais oportunidades para um surto crescer. Em algumas doen\u00e7as, h\u00e1bitos locais tamb\u00e9m podem pesar, como ocorre com pr\u00e1ticas de sepultamento de pacientes de ebola, quando h\u00e1 contato direto com o corpo da pessoa infectada.<\/p>\n<p>J\u00e1 em infec\u00e7\u00f5es associadas a vetores ou animais, mudan\u00e7as no uso do solo, desmatamento e urbaniza\u00e7\u00e3o podem aproximar pessoas de reservat\u00f3rios naturais e criar novas rotas de exposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que a vigil\u00e2ncia de doen\u00e7as emergentes n\u00e3o come\u00e7a quando os pacientes chegam aos hospitais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante investigar casos humanos que parecem infecciosos, mas d\u00e3o negativo para os agentes mais comuns. &#8220;A gente n\u00e3o pode mais deixar pessoas apresentando sinais cl\u00ednicos compat\u00edveis com caracter\u00edsticas de doen\u00e7as infecciosas sem diagn\u00f3stico&#8221;, frisa Fernando Spilki.<\/p>\n<p>Detectar, notificar e responder<\/p>\n<p>Desde o Regulamento Sanit\u00e1rio Internacional de 2005, a OMS tem monitorado emerg\u00eancias de sa\u00fade p\u00fablica de forma mais ampla. Antes, o regulamento era voltado a um conjunto restrito de doen\u00e7as; agora, considera eventos novos ou inusitados que possam representar risco para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Por aqui, esse monitoramento passa pela notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria. Uma doen\u00e7a entra nessa lista quando a identifica\u00e7\u00e3o de um caso permite alguma medida de controle, seja ela voltada ao paciente, aos contatos ou \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de novos epis\u00f3dios, al\u00e9m do potencial de dissemina\u00e7\u00e3o, magnitude e gravidade. No caso de um evento com potencial de risco, a resposta depende da capacidade do sistema de sa\u00fade de detectar casos, confirmar diagn\u00f3sticos, proteger profissionais, isolar pacientes e monitorar contatos.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O temor de uma nova pandemia segue vivo. 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