{"id":422981,"date":"2026-06-19T00:09:17","date_gmt":"2026-06-19T00:09:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/422981\/"},"modified":"2026-06-19T00:09:17","modified_gmt":"2026-06-19T00:09:17","slug":"freud-estava-errado-nunca-e-tarde-demais-para-comecar-a-fazer-terapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/422981\/","title":{"rendered":"Freud estava errado: nunca \u00e9 tarde demais para come\u00e7ar a fazer terapia"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/elderly-woman-talking-financial-advisor-loan-appointment-205199232.html\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">photographee.eu<br \/>\n\/Depositphotos<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-749414 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/7a558a89bf1d86c4a10df01edf150874-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Cerca de 14% das pessoas com mais de 70 anos vivem com alguma perturba\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental, mas os idosos s\u00e3o encaminhados para tratamentos psicol\u00f3gicos com menos frequ\u00eancia.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Maurizio tem 70 anos. Recentemente, come\u00e7ou a fazer terapia para tentar compreender melhor as <strong>enxaquecas<\/strong> que o acompanham desde os sete anos. Queria perceber o que poderia estar por tr\u00e1s delas.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, consultou v\u00e1rios m\u00e9dicos e procurou diferentes opini\u00f5es. A terapia foi mais uma tentativa de rastrear as origens do problema. Mas manteve o tratamento mesmo depois de perceber que talvez nunca encontrasse uma causa \u00fanica.<\/p>\n<p>\u201cO pr\u00f3prio processo tornou-se algo significativo, um espa\u00e7o de introspe\u00e7\u00e3o que me ajudou a compreender a minha vida com mais clareza\u201d, diz Maurizio.<\/p>\n<p>Antonio, de 73 anos, e a mulher, Gigliola, de 68, recorreram \u00e0 terapia na esperan\u00e7a de <strong>salvar a rela\u00e7\u00e3o<\/strong>, depois de anos marcados por dece\u00e7\u00f5es e tens\u00f5es n\u00e3o ditas.<\/p>\n<p>\u201cAo fim de algum tempo, percebi que me sentia mais leve, mais aberto\u201d, diz Antonio. \u201cOlhar para dentro de n\u00f3s pr\u00f3prios e trazer \u00e0 superf\u00edcie coisas que nunca t\u00ednhamos conseguido dizer talvez nos tenha ajudado\u201d, acrescenta Gigliola.<\/p>\n<p>As suas hist\u00f3rias desafiam uma ideia comum: a de que a terapia \u00e9 apenas para os jovens. E um n\u00famero crescente de estudos sugere que muitas pessoas idosas poderiam beneficiar do mesmo tipo de ajuda.<\/p>\n<p>Terapia em idade avan\u00e7ada<\/p>\n<p>O potencial da terapia para tratar perturba\u00e7\u00f5es mentais e melhorar o bem-estar geral est\u00e1 bem estabelecido. Ainda assim, continua a ser relativamente raro que as pessoas mais velhas tenham acesso a estes servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), cerca de<strong> 14% das pessoas com mais de 70 anos vivem com alguma perturba\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental, sobretudo ansiedade e depress\u00e3o<\/strong>, e 17% de todos os suic\u00eddios ocorrem nesta faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um estudo publicado em 2024 concluiu que apenas cerca de 4% dos adultos nos Estados Unidos com 65 anos ou mais receberam acompanhamento psicoterap\u00eautico, em compara\u00e7\u00e3o com 12% dos jovens entre os 18 e os 24 anos e 8% dos adultos entre os 35 e os 64 anos.<\/p>\n<p>Isto acontece apesar de n\u00e3o haver provas de que a terapia seja menos eficaz ou menos \u00fatil \u00e0 medida que envelhecemos, segundo Pim Cuijpers, professor de psicologia cl\u00ednica na Vrije Universiteit Amsterdam, nos Pa\u00edses Baixos.<\/p>\n<p><strong>\u201cAs terapias funcionam ao longo de toda a idade adulta<\/strong>\u201d, defende Cuijpers, que publicou recentemente uma revis\u00e3o sobre psicoterapia para a depress\u00e3o em diferentes faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p>\u201cO que me surpreendeu foi haver uma quantidade consider\u00e1vel de investiga\u00e7\u00e3o com pessoas acima dos 75 anos e n\u00e3o termos encontrado qualquer indica\u00e7\u00e3o de que as psicoterapias funcionem de forma diferente neste grupo et\u00e1rio\u201d, diz.<\/p>\n<p>As pessoas mais velhas podem descobrir que a terapia ajuda a lidar com preocupa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do envelhecimento, como o <strong>isolamento social e as doen\u00e7as cr\u00f3nicas<\/strong>, trazendo v\u00e1rios benef\u00edcios. Muitas relatam uma melhoria do bem-estar geral, uma renova\u00e7\u00e3o da motiva\u00e7\u00e3o e uma maior participa\u00e7\u00e3o na vida social.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a terapia pode funcionar como uma ponte, ajudando os idosos a reconectarem-se consigo pr\u00f3prios e com o mundo \u00e0 sua volta. Segundo uma revis\u00e3o publicada em 2025, os<strong> resultados mais expressivos podem ocorrer em interven\u00e7\u00f5es realizadas em grupo<\/strong>, o que faz sentido, uma vez que estas oferecem uma forma estruturada de conv\u00edvio e partilha com outras pessoas.<\/p>\n<p>E, embora procurem terapia com menos frequ\u00eancia, os idosos tendem a manter-se no tratamento. As taxas de conclus\u00e3o entre participantes mais velhos podem chegar aos 54%, muitas vezes acima das observadas entre adultos mais jovens. Isto sugere que os pacientes idosos demonstram frequentemente um forte compromisso com a terapia e conseguem manter o trabalho necess\u00e1rio para promover mudan\u00e7as significativas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabemos exatamente porqu\u00ea, mas podemos imaginar que, quando os idosos decidem procurar ajuda, tamb\u00e9m est\u00e3o mais motivados para se envolver nesse processo\u201d, diz Cuijpers.<\/p>\n<p>Barreiras ao tratamento<\/p>\n<p>As dificuldades financeiras ajudam a explicar parte da diferen\u00e7a no acesso \u00e0 terapia entre pessoas mais velhas. Em alguns casos, os seguros de sa\u00fade n\u00e3o cobrem o tratamento psicol\u00f3gico, e muitos idosos n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para suportar os custos por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Mas outra barreira pode surgir dentro do pr\u00f3prio sistema de sa\u00fade. O caminho at\u00e9 \u00e0 terapia depende muitas vezes do encaminhamento por um m\u00e9dico de cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios. No entanto, algumas investiga\u00e7\u00f5es sugerem que <strong>os idosos s\u00e3o encaminhados para tratamentos psicol\u00f3gicos com menos frequ\u00eancia<\/strong>, mesmo quando apresentam sintomas de ansiedade ou depress\u00e3o. O seu sofrimento pode ser erradamente interpretado como uma consequ\u00eancia natural do envelhecimento ou do agravamento da sa\u00fade f\u00edsica, e n\u00e3o como uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade mental que merece tratamento.<\/p>\n<p>Freud estava errado<\/p>\n<p>Parte deste preconceito remonta a <strong>Sigmund Freud<\/strong>, fundador da psican\u00e1lise, que defendia que a terapia deixava de funcionar depois dos 40 ou 50 anos, afirma Rossana De Beni, professora e investigadora s\u00e9nior de psicologia experimental na Universidade de P\u00e1dua, em It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Em Sobre a psicoterapia, de 1905, um breve texto t\u00e9cnico sobre a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise, Freud escreveu que, acima de certa idade, \u201ca elasticidade dos processos mentais, da qual o tratamento depende, em geral est\u00e1 ausente\u201d. Mas isso \u00e9 <strong>\u201cabsolutamente falso\u201d<\/strong>, afirma De Beni. Na verdade, \u201cos estudos mostram exatamente o contr\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Segundo De Beni, os profissionais de sa\u00fade precisam de ver a pessoa idosa como ela realmente \u00e9: n\u00e3o apenas como \u201cum idoso\u201d, mas como um indiv\u00edduo complexo, com m\u00faltiplas dimens\u00f5es. O problema \u00e9 que os preconceitos relacionados com a idade costumam estar \u201cprofundamente enraizados\u201d.<\/p>\n<p>Parte deste idadismo pode ser interiorizada pelos pr\u00f3prios pacientes. A ideia de que os problemas de sa\u00fade mental s\u00e3o apenas uma consequ\u00eancia normal do envelhecimento est\u00e1 entre os obst\u00e1culos mais frequentemente citados \u00e0 procura de tratamento.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 especialmente preocupante porque o pr\u00f3prio idadismo pode aumentar a predisposi\u00e7\u00e3o de uma pessoa para a ansiedade e a depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que mudan\u00e7as positivas podem acontecer ao longo de toda a vida.<\/p>\n<p>\u201cEnvelhecer, at\u00e9 ao \u00faltimo momento, \u00e9 um processo de mudan\u00e7a\u201d, diz De Beni. \u201cAs pessoas v\u00e3o-se tornando mais plenamente quem s\u00e3o, num movimento cont\u00ednuo de transforma\u00e7\u00e3o, aprendizagem e flexibilidade que nunca chega realmente ao fim.\u201d<\/p>\n<p>Maurizio identifica-se claramente com esta ideia.<\/p>\n<p>\u201cA terapia ajudou-me em tr\u00eas momentos: quando passei pela separa\u00e7\u00e3o do meu casamento, quando precisei de lidar com alguns conflitos com os meus filhos e durante a transi\u00e7\u00e3o do trabalho ativo para a fase que antecedeu a reforma, quando tive de encontrar novas formas de me relacionar e conviver com outras pessoas\u201d, diz. \u201cNunca achei que pudesse ser demasiado tarde para alguma coisa.\u201d<\/p>\n<p>E espera ter servido de exemplo para outras pessoas.<\/p>\n<p>\u201cAcho que isso pode ter plantado uma pequena semente. Talvez n\u00e3o hoje nem amanh\u00e3, mas quem sabe depois de amanh\u00e3 algu\u00e9m a fa\u00e7a germinar e a regue\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Um mundo de op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas<\/p>\n<p>Existem diferentes tipos de terapia, que podem ser adaptados \u00e0s necessidades de cada pessoa. Algumas op\u00e7\u00f5es que podem valer a pena considerar s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Terapia cognitivo-comportamental (TCC)<\/strong>: centra-se na identifica\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de pensamento considerados prejudiciais ou disfuncionais.<\/li>\n<li><strong>Terapia psicodin\u00e2mica<\/strong>, como a psican\u00e1lise, por exemplo: d\u00e1 especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como experi\u00eancias do passado influenciam emo\u00e7\u00f5es e comportamentos no presente.<\/li>\n<li><strong>Terapia familiar:<\/strong> indicada para quem deseja trabalhar quest\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m do indiv\u00edduo, como no caso de Antonio e Gigliola, analisando rela\u00e7\u00f5es e din\u00e2micas dentro da fam\u00edlia como um todo.<\/li>\n<li><strong>Terapia em grupo:<\/strong> cria oportunidades para partilhar experi\u00eancias com pessoas que enfrentam situa\u00e7\u00f5es semelhantes, ajudando os participantes a sentirem-se mais compreendidos e menos sozinhos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1781827757_123_2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"photographee.eu \/Depositphotos Cerca de 14% das pessoas com mais de 70 anos vivem com alguma perturba\u00e7\u00e3o de sa\u00fade&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":422982,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4843,1531,1490,116,32,4740,9825,33,10227,117,1030,10382],"class_list":["post-422981","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-ansiedade","tag-depressao","tag-envelhecimento","tag-health","tag-portugal","tag-psicologia","tag-psiquiatria","tag-pt","tag-relacionamentos","tag-saude","tag-saude-mental","tag-suicidio"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116773871139188143","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/422981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=422981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/422981\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/422982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=422981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=422981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=422981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}