{"id":423927,"date":"2026-06-19T21:50:09","date_gmt":"2026-06-19T21:50:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/423927\/"},"modified":"2026-06-19T21:50:09","modified_gmt":"2026-06-19T21:50:09","slug":"afastados-da-realidade-ataques-da-ucrania-estao-a-esgotar-a-paciencia-ate-aqueles-que-sempre-estiveram-ao-lado-de-putin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/423927\/","title":{"rendered":"&#8220;Afastados da realidade&#8221;: ataques da Ucr\u00e2nia est\u00e3o a esgotar a paci\u00eancia at\u00e9 \u00e0queles que sempre estiveram ao lado de Putin"},"content":{"rendered":"<p>                Mais de quatro anos depois do in\u00edcio da invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia, a estrat\u00e9gia de Vladimir Putin de manter a guerra afastada do quotidiano da popula\u00e7\u00e3o come\u00e7a a revelar os seus limites. Pela primeira vez em v\u00e1rios anos de guerra, at\u00e9 algumas das vozes mais nacionalistas e pr\u00f3-guerra da R\u00fassia come\u00e7am a admitir que aquilo que os russos veem &#8220;com os pr\u00f3prios olhos&#8221; j\u00e1 n\u00e3o coincide com a narrativa oficial de que &#8220;est\u00e1 tudo bem&#8221;<\/p>\n<p>A guerra que Vladimir Putin tentou manter \u00e0 dist\u00e2ncia dos russos est\u00e1 a chegar cada vez mais ao interior do pa\u00eds e a tornar-se imposs\u00edvel de esconder. A conclus\u00e3o \u00e9 do mais recente relat\u00f3rio do <a href=\"https:\/\/understandingwar.org\/research\/russia-ukraine\/russian-offensive-campaign-assessment-june-18-2026\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Instituto para o Estudo da Guerra (ISW)<\/a>, que considera que a intensifica\u00e7\u00e3o dos ataques ucranianos em profundidade est\u00e1 a expor &#8220;as fraquezas da R\u00fassia e a incapacidade de defender a sua popula\u00e7\u00e3o&#8221;, ao mesmo tempo que coloca o Kremlin perante um dilema: como continuar a apresentar a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia como um conflito distante quando as consequ\u00eancias come\u00e7am a ser sentidas no cora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria R\u00fassia.\u00a0<\/p>\n<p>Ao longo de mais de quatro anos de guerra, o Kremlin procurou preservar uma esp\u00e9cie de normalidade no quotidiano dos russos. Enquanto as opera\u00e7\u00f5es militares se desenrolavam em territ\u00f3rio ucraniano, a m\u00e1quina de propaganda do Estado manteve a ideia de que a chamada &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221; decorria longe das grandes cidades russas e que os cidad\u00e3os n\u00e3o tinham de alterar as suas vidas por causa dela. No entanto, essa narrativa est\u00e1 a tornar-se progressivamente mais dif\u00edcil de sustentar, de acordo com o ISW.<\/p>\n<p>Segundo os analistas\u00a0norte-americanos, a &#8220;crescente frequ\u00eancia, dimens\u00e3o e profundidade&#8221; dos ataques ucranianos contra cidades fortemente protegidas, como Moscovo e S\u00e3o Petersburgo, est\u00e1 a revelar &#8220;vulnerabilidades cada vez mais evidentes nas defesas russas&#8221; e a obrigar o Kremlin a confrontar-se com os &#8220;custos internos da <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/aominuto\/6207bf6c0cf2cc58e7e276ff?_gl=1*1i5su3w*_up*MQ..*_ga*MTIzNDQxOTYyMC4xNzgxODk0NjQ2*_ga_F2JC3V5NZ2*czE3ODE4OTQ2NDUkbzEkZzAkdDE3ODE4OTQ2NDUkajYwJGwwJGg1NDIxMDg0NTY.*_ga_VS2KHT9HQC*czE3ODE4OTQ2NDUkbzEkZzAkdDE3ODE4OTQ2NDUkajYwJGwwJGg3ODExNjE0NTk.\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">guerra&#8221; que lan\u00e7ou em fevereiro de 2022<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>O ISW considera que Kiev est\u00e1 a conseguir demonstrar que mesmo os centros urbanos mais importantes da R\u00fassia n\u00e3o s\u00e3o intoc\u00e1veis. E os acontecimentos das \u00faltimas horas voltam a refor\u00e7ar essa ideia.\u00a0<\/p>\n<p>Na madrugada de quarta-feira, a <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/videos\/moscovo-a-arder-as-imagens-da-capital-russa-apos-o-maior-ataque-de-sempre-da-ucrania\/6a3428560cf21fcd837763b2\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Ucr\u00e2nia lan\u00e7ou uma nova vaga de ataques em territ\u00f3rio russo<\/a>, tendo voltado a atingir a refinaria de Moscovo, pela segunda vez em apenas dois dias.\u00a0Apesar de as autoridades russas garantirem ter intercetado a esmagadora maioria dos drones, o ISW considera que Kiev est\u00e1 a aumentar as suas capacidades de ataque de longo alcance ao ponto de &#8220;mesmo um n\u00famero relativamente reduzido de drones que consegue atingir os seus alvos produzir efeitos significativos&#8221;.<\/p>\n<p>Mais importante ainda, os ataques parecem estar a provocar fissuras num dos setores que, desde o in\u00edcio da guerra, mais apoio tem dado ao Kremlin.\u00a0<\/p>\n<p>At\u00e9 os bloggers militares pr\u00f3-guerra come\u00e7am a perder a paci\u00eancia <\/p>\n<p>Uma das observa\u00e7\u00f5es mais relevantes do relat\u00f3rio do ISW prende-se com a rea\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios bloggers militares russos, habitualmente nacionalistas e defensores do esfor\u00e7o de guerra de Moscovo, alguns deles at\u00e9 com vis\u00f5es que v\u00e3o para l\u00e1 dos objetivos oficiais de Vladimir Putin.<\/p>\n<p>Longe de repetirem a narrativa oficial, v\u00e1rios desses comentadores utilizaram os ataques a Moscovo para chamar a aten\u00e7\u00e3o para uma realidade inc\u00f3moda para o Kremlin: a guerra est\u00e1 a deixar de ser um fen\u00f3meno distante e a chegar a regi\u00f5es da R\u00fassia que, durante anos, estiveram relativamente protegidas.\u00a0<\/p>\n<p>Um dos bloggers, numa publica\u00e7\u00e3o entretanto apagada, reconheceu que as for\u00e7as ucranianas conseguiram provocar danos significativos apesar da forte prote\u00e7\u00e3o antia\u00e9rea em torno da capital russa. Outros sublinharam que a Ucr\u00e2nia est\u00e1 a conseguir levar a guerra para muito al\u00e9m das regi\u00f5es fronteiri\u00e7as e defenderam que a R\u00fassia ter\u00e1 de refor\u00e7ar os sistemas de defesa a\u00e9rea em todo o territ\u00f3rio.\u00a0<\/p>\n<p>No entanto, as cr\u00edticas mais contundentes n\u00e3o foram dirigidas \u00e0s For\u00e7as Armadas, mas sim ao pr\u00f3prio sistema de informa\u00e7\u00e3o controlado pelo Estado.\u00a0<\/p>\n<p>Um dos bloggers acusou os respons\u00e1veis pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o russos de estarem &#8220;desligados do povo&#8221; e de terem criado uma realidade artificial em que &#8220;est\u00e1 tudo bem&#8221;. Na sua opini\u00e3o, os cidad\u00e3os devem ser confrontados com uma imagem mais pr\u00f3xima da realidade.<\/p>\n<p>Outro alertou que, se nada mudar, os relatos oficiais acabar\u00e3o por ficar &#8220;ainda mais afastados da realidade do que j\u00e1 est\u00e3o&#8221;. Houve ainda quem apontasse diretamente o dedo \u00e0 narrativa constru\u00edda pelo Kremlin desde o in\u00edcio da invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo um desses bloggers, os meios de comunica\u00e7\u00e3o estatais habituaram os russos \u00e0 ideia de que a &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221; era algo distante, que afetava apenas a Ucr\u00e2nia e n\u00e3o a pr\u00f3pria R\u00fassia. Agora, escreveu, os cidad\u00e3os russos conseguem &#8220;ver com os pr\u00f3prios olhos&#8221; que as afirma\u00e7\u00f5es da comunica\u00e7\u00e3o social estatal de que &#8220;est\u00e1 tudo a correr bem&#8221; n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>Kremlin tenta manter a narrativa de normalidade <\/p>\n<p>Para o ISW, a resposta da comunica\u00e7\u00e3o social estatal aos ataques demonstra que o Kremlin continua empenhado em controlar a informa\u00e7\u00e3o e em minimizar o impacto pol\u00edtico dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Os analistas sublinham que os repetidos ataques ucranianos contra \u00e1reas profundamente recuadas e fortemente defendidas, como Moscovo, &#8220;continuam a expor as fraquezas da R\u00fassia e a incapacidade de defender a sua popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, em vez de se concentrarem nos danos provocados pelos ataques, os principais meios de comunica\u00e7\u00e3o russos privilegiaram as declara\u00e7\u00f5es oficiais e deram destaque \u00e0 necessidade de punir os cidad\u00e3os que filmam os ataques e as suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Para os analistas, esta estrat\u00e9gia reflete o dilema crescente enfrentado pelo Kremlin: quanto mais a guerra se aproxima do cora\u00e7\u00e3o da R\u00fassia, mais dif\u00edcil se torna sustentar a ideia de que o conflito permanece distante da vida dos russos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mais de quatro anos depois do in\u00edcio da invas\u00e3o em larga escala da Ucr\u00e2nia, a estrat\u00e9gia de Vladimir&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":423928,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[609,836,611,68971,27,28,607,608,333,832,604,135,610,476,15,16,301,830,889,14,50561,603,6164,25,26,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,32,23,24,839,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-423927","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-bloggers-militares","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-guerra","tag-guerra-na-ucrania","tag-headlines","tag-isw","tag-justica","tag-kremlin","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-live","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-russia","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=423927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/423927\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/423928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=423927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=423927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=423927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}