{"id":424322,"date":"2026-06-20T08:38:17","date_gmt":"2026-06-20T08:38:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/424322\/"},"modified":"2026-06-20T08:38:17","modified_gmt":"2026-06-20T08:38:17","slug":"o-que-acontece-as-baleias-quando-morrem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/424322\/","title":{"rendered":"O que acontece \u00e0s baleias quando morrem?"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/que-deviennent-les-baleines-quand-elles-meurent-cimetiere-australie-squelettes-ocean-pacifique-17815.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Quando a carca\u00e7a de uma baleia n\u00e3o \u00e9 levada at\u00e9 \u00e0 costa, acaba por afundar-se e torna-se uma fonte de alimento para as esp\u00e9cies do fundo do mar.\" title=\"Baleine Mer Animal marin Biodiversit\u00e9\" data-image=\"rqj10lrn9wqw\"\/>Quando a carca\u00e7a de uma baleia n\u00e3o \u00e9 levada at\u00e9 \u00e0 costa, acaba por afundar-se e torna-se uma fonte de alimento para as esp\u00e9cies do fundo do mar.   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/hinatea-chatal.jpg\" alt=\"Hinatea Chatal\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/hinatea-chatal\/\" title=\"Hinatea Chatal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Hinatea Chatal<\/a> Meteored Fran\u00e7a       19\/06\/2026 18:03   6 min   <\/p>\n<p>Quando uma baleia morre em mar aberto, a sua hist\u00f3ria est\u00e1 longe de terminar. A sua enorme carca\u00e7a pode tornar-se uma verdadeira ilha de vida no fundo do mar, servindo de alimento a uma infinidade de esp\u00e9cies durante d\u00e9cadas. Este fen\u00f3meno, conhecido como <strong>&#8220;whale fall&#8221;<\/strong>, tem fascinado os cientistas h\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Uma descoberta recente no Oceano \u00cdndico <strong>alterou drasticamente a nossa compreens\u00e3o<\/strong> destes ecossistemas \u00fanicos.<\/p>\n<p>Uma equipa internacional liderada pelo investigador Xiaotong Peng, da Academia Chinesa de Ci\u00eancias, descobriu o que \u00e9 agora considerado <strong>o maior e mais antigo cemit\u00e9rio de baleias alguma vez encontrado<\/strong>. As descobertas foram publicadas na revista Nature em junho de 2026.<\/p>\n<p>A morte de uma baleia marca o in\u00edcio de um novo ecossistema<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte, uma baleia fica frequentemente a flutuar \u00e0 superf\u00edcie durante v\u00e1rios dias ou mesmo semanas. <strong>Tubar\u00f5es, peixes e outros necr\u00f3fagos consomem parte dos seus tecidos<\/strong>. Gradualmente, a carca\u00e7a torna-se mais pesada e acaba por afundar-se nas profundezas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1781944696_589_que-deviennent-les-baleines-quand-elles-meurent-cimetiere-australie-squelettes-ocean-pacifique-17815.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Aqui, a carca\u00e7a de um animal marinho \u2014 um golfinho ou uma baleia?\" title=\"Carcasse Animal Marin Baleine Dauphin Sable\" data-image=\"cl6vi69ruxa5\"\/>Aqui, a carca\u00e7a de um animal marinho \u2014 um golfinho ou uma baleia?<\/p>\n<p>Assim que chega ao fundo do oceano, torna-se uma <strong>fonte excecional de alimento<\/strong> num ambiente que \u00e9 normalmente pobre em mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p>Os cientistas distinguem <strong>v\u00e1rias fases de decomposi\u00e7\u00e3o<\/strong>: primeiro, grandes necr\u00f3fagos; depois, organismos oportunistas; seguidos por esp\u00e9cies especializadas, capazes de explorar os l\u00edpidos contidos nos ossos.<\/p>\n<p>Estas comunidades podem incluir vermes perfuradores de ossos do g\u00e9nero Osedax, moluscos, estrelas-do-mar, ofiuras e bivalves que sobrevivem atrav\u00e9s da quimios\u00edntese. <strong>As carca\u00e7as de baleias s\u00e3o, por isso, consideradas verdadeiros o\u00e1sis de biodiversidade nas profundezas do mar<\/strong>.<\/p>\n<p>Um vasto cemit\u00e9rio descoberto perto da Austr\u00e1lia<\/p>\n<p>A equipa de Xiaotong Peng explorou a regi\u00e3o de Diamantina, no sudeste do Oceano \u00cdndico, entre a Austr\u00e1lia e a Ant\u00e1rtida. Utilizando o submers\u00edvel tripulado Fendouzhe, os investigadores realizaram 32 mergulhos a profundidades que variaram entre os 4 616 e os 7 001 metros.<\/p>\n<p>Uma descoberta \u00fanica<\/p>\n<p>A sua descoberta \u00e9 not\u00e1vel: <strong>um corredor submarino com cerca de 1 200 km de comprimento, contendo 476 f\u00f3sseis de cet\u00e1ceos<\/strong>, bem como cinco carca\u00e7as recentes de baleias ainda associadas a comunidades biol\u00f3gicas vivas. Segundo os autores, trata-se do maior s\u00edtio deste tipo alguma vez identificado.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises isot\u00f3picas revelam que estes dep\u00f3sitos se acumularam ao longo de, pelo menos, <strong>5,3 milh\u00f5es de anos<\/strong>. Os investigadores identificaram tamb\u00e9m uma nova esp\u00e9cie f\u00f3ssil de baleia-bicuda, denominada <strong>Pterocetus diamantinae<\/strong>.<\/p>\n<p>&#8220;O f\u00f3ssil mais antigo, juntamente com numerosos cr\u00e2nios mais recentes, demonstra que<strong> as carca\u00e7as de baleias se t\u00eam acumulado continuamente neste local h\u00e1, pelo menos, cinco milh\u00f5es de anos&#8221;<\/strong>, afirmou o paleont\u00f3logo norte-americano Stephen Godfrey, que n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>Por que raz\u00e3o se encontram tantas baleias no mesmo local?<\/p>\n<p>A raz\u00e3o para esta concentra\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria continua a ser objeto de debate. Os cientistas propuseram v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es. A geografia invulgar da zona, <strong>uma vasta fratura oce\u00e2nica em forma de V<\/strong>, pode ter favorecido a acumula\u00e7\u00e3o de carca\u00e7as.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1781944697_214_que-deviennent-les-baleines-quand-elles-meurent-cimetiere-australie-squelettes-ocean-pacifique-17815.jpeg\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Aqui est\u00e1 a carca\u00e7a de uma baleia f\u00eamea jovem.\" title=\"Cadavre baleine plage sable mer\" data-image=\"doxhftrhwykd\"\/>Aqui est\u00e1 a carca\u00e7a de uma baleia f\u00eamea jovem.<\/p>\n<p>As baixas taxas de sedimenta\u00e7\u00e3o e determinadas condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas podem tamb\u00e9m <strong>ter permitido que os ossos permanecessem excecionalmente bem preservados durante milh\u00f5es de anos<\/strong>. Os investigadores sugerem ainda que esta regi\u00e3o possa ter sido, no passado, um corredor migrat\u00f3rio para as baleias, o que explicaria o elevado n\u00famero de restos mortais a\u00ed encontrados.<\/p>\n<p>Uma descoberta importante para a biodiversidade das profundezas marinhas<\/p>\n<p>Segundo os autores do estudo, esta &#8220;necr\u00f3pole de baleias&#8221; altera profundamente a nossa compreens\u00e3o dos ecossistemas associados \u00e0s carca\u00e7as de baleias. At\u00e9 agora, os locais conhecidos de &#8220;whale-fall&#8221; eram raros e fragmentados.<\/p>\n<p><strong>A descoberta na regi\u00e3o de Diamantina demonstra que estes podem formar verdadeiras redes ecol\u00f3gicas \u00e0 escala de todo o oceano<\/strong>.<\/p>\n<p><a class=\"imagen \" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/noticias\/ciencia\/cientistas-descobrem-sinais-de-autoconsciencia-em-baleias-beluga.html\" title=\"Cientistas descobrem sinais de autoconsci\u00eancia em baleias-beluga\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy img-body non-editable\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/cientistas-descobrem-sinais-de-autoconsciencia-em-baleias-beluga-1779780708249_320.png\"  width=\"320\" height=\"225\"\/><\/a><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m alarga os limites conhecidos destes ecossistemas. Embora j\u00e1 tivessem sido observados<strong> restos de baleias a profundidades de cerca de 4 200 metros<\/strong>, os investigadores identificaram-nos aqui a quase 7 000 metros, estabelecendo um novo recorde.<\/p>\n<p>Tal como a equipa de investiga\u00e7\u00e3o observou, o local oferece uma<strong> &#8220;perspetiva \u00fanica sobre a hist\u00f3ria evolutiva, a paleoecologia e a din\u00e2mica populacional das baleias antigas&#8221;<\/strong>.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias da not\u00edcia<\/p>\n<p>Lib\u00e9ration avec AFP, (11\/06\/2026),<a href=\"https:\/\/www.liberation.fr\/environnement\/biodiversite\/dune-importance-majeure-pour-comprendre-leur-evolution-un-cimetiere-de-pres-de-500-baleines-decouvert-au-fond-de-locean-indien-20260611_RRZZYUVNABAIHGLGVRZX7WJXUE\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> \u00abD\u2019une importance majeure pour comprendre leur \u00e9volution\u00bb : un cimeti\u00e8re de pr\u00e8s de 500 baleines d\u00e9couvert au fond de l\u2019oc\u00e9an Indien<\/a><\/p>\n<p>Peng, X., Zhou, P., Song, X. et al.<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-026-10546-z?utm_source=chatgpt.com#citeas\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"> A 5.3-million-year-old deep-sea whale necropolis in the Diamantina Zone.<\/a> Nature (2026).<\/p>\n<p>Stephen J. Godfrey, Nature, (10\/06\/2026), <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-026-01581-x?utm_source=chatgpt.com\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">A vast whale necropolis has been found<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando a carca\u00e7a de uma baleia n\u00e3o \u00e9 levada at\u00e9 \u00e0 costa, acaba por afundar-se e torna-se uma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":424323,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[2337,26805,27,28,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,40904,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-424322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-australia","tag-baleias","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-oceano-indico","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116781535294578116","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424322"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424322\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/424323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=424322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=424322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}