{"id":424917,"date":"2026-06-20T21:14:13","date_gmt":"2026-06-20T21:14:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/424917\/"},"modified":"2026-06-20T21:14:13","modified_gmt":"2026-06-20T21:14:13","slug":"sindrome-dos-ovarios-poliquisticos-sao-anos-e-anos-sempre-com-dores-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/424917\/","title":{"rendered":"S\u00edndrome dos ov\u00e1rios poliqu\u00edsticos: \u201cS\u00e3o anos e anos sempre com dores\u201d | Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Na primeira vez que fez uma ecografia aos ov\u00e1rios, Beatriz descobriu que pareciam \u201ccachos de uvas\u201d. Como tinha outros sintomas \u2013 per\u00edodos irregulares, dores, p\u00ealos grossos na cara que a deixavam t\u00e3o incomodada que nem apanhava o cabelo para ningu\u00e9m reparar \u2013, \u201cfoi muito f\u00e1cil identificar o que era\u201d, conta ao P3 a jovem de 29 anos. O diagn\u00f3stico foi-lhe dado pela m\u00e9dica endocrinologista: s\u00edndrome dos ov\u00e1rios poliqu\u00edsticos (SOP).<\/p>\n<p>Esta perturba\u00e7\u00e3o hormonal e metab\u00f3lica afecta uma em cada oito mulheres e \u00e9 uma das principais raz\u00f5es para se ter dificuldades em engravidar. Estima-se que cerca de 70% das mulheres com esta s\u00edndrome n\u00e3o sabem que a t\u00eam ou n\u00e3o t\u00eam um diagn\u00f3stico oficial, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www.who.int\/news-room\/fact-sheets\/detail\/polycystic-ovary-syndrome\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">OMS<\/a>). \u201c\u00c9 uma s\u00edndrome ainda desconhecida, mas frequent\u00edssima\u201d, resume a m\u00e9dica endocrinologista S\u00edlvia Saraiva.<\/p>\n<p>Os sintomas diferem muito de mulher para mulher, mas h\u00e1 alguns mais comuns: ciclos menstruais irregulares, aus\u00eancia de menstrua\u00e7\u00e3o, acne ou hirsutismo (excesso de p\u00ealos mais grossos na face, no peito, abd\u00f3men ou pernas). As ecografias ginecol\u00f3gicas podem mostrar tamb\u00e9m o ov\u00e1rio com \u201cquistos\u201d, mas nem sempre acontece. \u201cO nome surgiu \u00e0 volta dos quistos, mas a s\u00edndrome \u00e9 muito mais do que isso\u201d, comenta a m\u00e9dica ginecologista Liliana Gomes. Essa foi uma das raz\u00f5es para que esta s\u00edndrome recebesse no m\u00eas passado <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/05\/12\/ciencia\/noticia\/cientistas-dao-novo-nome-sindrome-ovarios-poliquisticos-2174385\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">uma nova designa\u00e7\u00e3o<\/a>, para ser mais fiel aos sintomas: passou a chamar-se s\u00edndrome metab\u00f3lica poliend\u00f3crina do ov\u00e1rio (SOMP).<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                    &#13;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que aconteceu com Beatriz, muitas vezes a identifica\u00e7\u00e3o desta s\u00edndrome n\u00e3o \u00e9 assim t\u00e3o simples. O facto de ser uma doen\u00e7a complexa e com sintomas muito diferentes gera confus\u00e3o e atrasos no diagn\u00f3stico. Foi o caso da assistente social Ana Neves, que tem 28 anos e lida com dores menstruais intensas desde a adolesc\u00eancia. H\u00e1 dez anos, procurou ajuda profissional, mas n\u00e3o obteve as respostas que esperava: \u201cA minha m\u00e9dica de fam\u00edlia desvalorizou os sintomas, dizia que era normal ter dores menstruais e p\u00ealos a mais.\u201d<\/p>\n<p>Por isso, tentou adaptar-se. N\u00e3o foi f\u00e1cil: acabou por se sentir com menos auto-estima por causa da acne e dos p\u00ealos mais grossos. \u201cEra barba de homem, mesmo\u201d, descreve a jovem, natural da Guarda. J\u00e1 as dores menstruais eram t\u00e3o \u201cexcessivas\u201d que a obrigavam a faltar \u00e0s aulas e, mais recentemente, ao trabalho \u2013 algo que considera que ainda n\u00e3o \u00e9 \u201cbem visto\u201d e que continua a ser muito incompreendido. Mesmo com medica\u00e7\u00e3o, tem dores fortes ao ponto de causar v\u00f3mitos, o que a fez recorrer por v\u00e1rias vezes \u00e0s urg\u00eancias. Quando esteve de baixa por causa das dores incapacitantes, sentiu \u201cestigma e falta de compreens\u00e3o\u201d por parte da sua entidade patronal.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico da s\u00edndrome dos ov\u00e1rios poliqu\u00edsticos s\u00f3 chegou anos depois da consulta com a m\u00e9dica de fam\u00edlia. Foi em 2022, altura em que foi encaminhada para uma m\u00e9dica endocrinologista: \u201cO diagn\u00f3stico demorou muito tempo\u201d, recorda Ana Neves, explicando que poder\u00e1 ter contribu\u00eddo o facto de n\u00e3o ter quistos vis\u00edveis nos ov\u00e1rios. Mas, quando soube o que tinha, \u201cfoi um al\u00edvio\u201d, refere a assistente social. \u201cAssim sabia que era algo que j\u00e1 estava a ser estudado, fez com que n\u00e3o me sentisse sozinha e pude procurar informa\u00e7\u00e3o por outras fontes\u201d, conta.<\/p>\n<p>J\u00e1 Margarida continua at\u00e9 hoje sem certezas. Foi diagnosticada com s\u00edndrome dos ov\u00e1rios poliqu\u00edsticos quando tinha 19 anos (hoje tem 28). Na altura, \u201cnunca tinha ouvido falar naquele nome t\u00e3o complicado\u201d. Explicaram-lhe que poderia ter dificuldades em engravidar, que era esta a causa das suas dores menstruais e foi-lhe receitada uma p\u00edlula espec\u00edfica para SOP.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        &#13;<br \/>\n                    &#13;<\/p>\n<p>S\u00f3 que, h\u00e1 alguns anos, repetiu a ecografia com uma outra m\u00e9dica e disseram-lhe que, afinal, n\u00e3o deveria ser este o problema. N\u00e3o tem acne, nem hirsutismo nem quistos aparentes nos ov\u00e1rios. \u201cFiquei espantada quando me disseram que estava tudo ok\u201d, conta ao P3. As conclus\u00f5es diferentes deixam-na confusa, ainda mais quando suspeita que possa ter <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/03\/27\/sociedade\/noticia\/mulheres-endometriose-terao-faltas-justificadas-trabalho-partir-abril-2127549\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">endometriose<\/a>. \u201cNingu\u00e9m me consegue dizer o que \u00e9 que se passa ou n\u00e3o\u201d, suspira, dizendo que j\u00e1 passou por v\u00e1rios m\u00e9dicos e que nunca chegou a fazer an\u00e1lises hormonais. Este m\u00eas voltar\u00e1 a ter consulta com a ginecologista, em que tenciona voltar a fazer todas estas quest\u00f5es para ver se consegue ter um \u201cdiagn\u00f3stico cabal\u201d. Quer compreender o que se passa com o seu corpo.<\/p>\n<p>Independentemente do diagn\u00f3stico, Margarida lida com \u201cdores horr\u00edveis\u201d e ciclos irregulares. Na altura da pandemia, teve sangramentos vaginais durante seis meses seguidos (que podem ser um sintoma de SOP), e ficou com anemia. Quando tem a menstrua\u00e7\u00e3o, sobretudo nos primeiros dias, \u201co fluxo \u00e9 imenso e \u00e9 muito desconfort\u00e1vel\u201d. O fluxo abundante faz com que fique com a roupa manchada e tem at\u00e9 de acordar durante a noite para se mudar. Para aguentar as dores, toma \u201cdoses cavalares\u201d de analg\u00e9sicos.<\/p>\n<p>Quando est\u00e1 no trabalho, n\u00e3o se sente \u00e0 vontade para comentar a sua situa\u00e7\u00e3o por ainda ser um \u201cassunto tabu\u201d. \u201cSinto que \u00e9 um esfor\u00e7o muito grande com tudo o que acontece no meu corpo ter de me manter operacional.\u201d De certa forma, sente que n\u00e3o tem alternativa. \u201cCresci com as dores, sempre tive de ultrapassar v\u00e1rios momentos da vida com dores\u201d, conta. \u201cS\u00e3o anos e anos sempre com dores.\u201d<\/p>\n<p><b>Al\u00e9m dos quistos <\/b><\/p>\n<p>A endocrinologista S\u00edlvia Saraiva refere que \u00e9 normal os sintomas d\u00edspares e a dificuldade no diagn\u00f3stico criarem alguma confus\u00e3o (e frustra\u00e7\u00e3o) nas pacientes. \u201cOs ov\u00e1rios poliqu\u00edsticos t\u00eam muitas formas de se manifestar e de formas diferentes ao longo da vida\u201d, explica, dizendo que h\u00e1 \u201cimensos\u201d casos de mulheres que t\u00eam esta s\u00edndrome e n\u00e3o sabem. A m\u00e9dica Liliana Gomes concorda, dizendo que \u201cesta s\u00edndrome \u00e9 muitas vezes um diagn\u00f3stico de exclus\u00e3o.\u201d Segundo as m\u00e9dicas ouvidas pelo P3, muitas mulheres s\u00f3 se apercebem desta desregula\u00e7\u00e3o quando deixam de tomar a p\u00edlula ou quando tentam engravidar.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de nome da SOP para s\u00edndrome metab\u00f3lica poliend\u00f3crina do ov\u00e1rio surge porque a anterior designa\u00e7\u00e3o era \u201cimprecisa\u201d, por implicar a exist\u00eancia de quistos nos ov\u00e1rios, o que nem sempre acontece, ocultando \u201cdiversas caracter\u00edsticas end\u00f3crinas e metab\u00f3licas e contribuindo para o atraso no diagn\u00f3stico, a fragmenta\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade e o estigma\u201d, l\u00ea-se no estudo publicado na <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(26)00717-8\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">revista cient\u00edfica Lancet<\/a> em que foi anunciado o novo nome.<\/p>\n<p>\u201cO que \u00e9 mesmo importante nesta mudan\u00e7a do nome \u00e9 que vai obrigar a que se valorizem todos os componentes. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o ov\u00e1rio\u201d, considera S\u00edlvia Saraiva. Assim, os profissionais com menos experi\u00eancia nesta \u00e1rea \u201cacabam por ficar mais atentos para a necessidade de tratar esses m\u00faltiplos factores\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do impacto no bem-estar e na sa\u00fade mental das mulheres, esta doen\u00e7a pode tamb\u00e9m trazer outros perigos para a sa\u00fade f\u00edsica, como a resist\u00eancia \u00e0 insulina, a diabetes e a propens\u00e3o a ganhar peso \u2013 alguns destes factores tamb\u00e9m podem contribuir para um maior risco de hipertens\u00e3o, colesterol e doen\u00e7as cardiovasculares. \u201c\u00c9 um c\u00edrculo vicioso\u201d, descreve S\u00edlvia Saraiva.<\/p>\n<p>\u201cUm muro\u201d<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Liliana Gomes reconhece que um dos principais problemas no diagn\u00f3stico e no al\u00edvio de sintomas \u2013 desta s\u00edndrome, mas n\u00e3o s\u00f3 \u2013 \u00e9 \u201ca falta de tempo nas consultas\u201d. E diz ainda que h\u00e1 casos em que as mulheres procuram ajuda para o seu problema junto de profissionais de sa\u00fade e que \u201cencontram um muro\u201d. Tanto Margarida como Beatriz sentiram essa barreira nas suas consultas. Dizem que houve muitos momentos em que n\u00e3o foram ouvidas e em que alguns dos seus sintomas foram desvalorizados.<\/p>\n<p>Ana Neves tamb\u00e9m n\u00e3o encontrou as respostas de que precisava junto dos profissionais de sa\u00fade, que n\u00e3o descartam que possa ter endometriose ou algum problema relacionado com a tir\u00f3ide. Os m\u00e9dicos limitaram-se a aconselhar a p\u00edlula anticoncepcional, diz, \u201cque mascara os sintomas, mas n\u00e3o vai tratar da doen\u00e7a\u201d. Ainda experimentou duas diferentes, mas sentia que exacerbava as suas altera\u00e7\u00f5es de humor e alguns dos sintomas. Foi de si que partiu a iniciativa de falar com os m\u00e9dicos para tentar adaptar a alimenta\u00e7\u00e3o e fazer mais exerc\u00edcio f\u00edsico. E \u00e9 por isso que sente que falta uma \u201can\u00e1lise mais hol\u00edstica\u201d no tratamento da SOP. \u201cA alimenta\u00e7\u00e3o, o exerc\u00edcio f\u00edsico, o estilo de vida em si tem sido a estrat\u00e9gia que eu tenho adoptado e que atenua mais os sintomas do que um f\u00e1rmaco, pelo menos no meu caso.\u201d<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Muita da terapia para acalmar os sintomas e, de alguma forma, prevenir doen\u00e7as futuras \u00e9 o estilo de vida<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\nLiliana Gomes                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Beatriz sentiu algum \u201cconforto\u201d com o diagn\u00f3stico, at\u00e9 porque sempre soube que tinha algo de diferente das outras raparigas, mas diz que este r\u00f3tulo pouco mudou a sua vida. &#8220;Eu sabia o que tinha, sim, mas n\u00e3o alterou nada. Continuo a ter dores, continuo a ter mais p\u00ealos. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o que nos d\u00e3o \u00e9 a p\u00edlula \u2013 que n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o&#8221;, refere, dizendo que deixou de tomar devido a problemas circulat\u00f3rios.<\/p>\n<p>Nos casos de Margarida, Ana e Beatriz, a p\u00edlula foi sempre receitada. \u201cTipicamente \u00e9 dada uma p\u00edlula que resolve esta sintomatologia, mas n\u00e3o vai tratar a quest\u00e3o\u201d, explica a ginecologista Liliana Gomes. \u201cN\u00e3o \u00e9 que seja um erro dar a p\u00edlula, mas estamos a adiar um problema.\u201d J\u00e1 a endocrinologista S\u00edlvia Saraiva concorda que, depois de se tentar alterar o estilo de vida, a p\u00edlula poder\u00e1 ser uma excelente aliada para lidar com algumas das complica\u00e7\u00f5es desta s\u00edndrome. H\u00e1 tamb\u00e9m outras medica\u00e7\u00f5es que podem ser administradas para tratar caracter\u00edsticas androg\u00e9nicas ou para diminuir a resist\u00eancia \u00e0 insulina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da incerteza do diagn\u00f3stico, h\u00e1 tamb\u00e9m o problema de ser mais dif\u00edcil engravidar. \u201cEstou a pensar ter filhos em pouco tempo e n\u00e3o sei como \u00e9 que vai ser\u201d, desabafa Beatriz. Ana Neves tamb\u00e9m n\u00e3o tem filhos, mas pretende ter \u2013 s\u00f3 que as dificuldades que poder\u00e1 encontrar assustam-na. Com esta incerteza em torno do seu diagn\u00f3stico, Margarida admite que anda a pensar em <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/07\/25\/impar\/noticia\/pensar-congelar-ovulos-resposta-cinco-duvidas-2057689\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">congelar \u00f3vulos<\/a>. Quer ter filhos, mas de momento n\u00e3o tem companheiro e teme ter dificuldades a engravidar no futuro por causa dos seus sintomas. Apesar de as pessoas com esta s\u00edndrome poderem ter uma dificuldade acrescida em engravidar, S\u00edlvia Saraiva garante que \u00e9 poss\u00edvel \u2013 pode ser s\u00f3 mais demorado.<\/p>\n<p><strong>O que pode ser feito?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o havendo uma cura, o que pode ser feito para amenizar os sintomas? \u201c\u00c9 extremamente importante para uma mulher com ov\u00e1rios poliqu\u00edsticos ter uma vida saud\u00e1vel\u201d, refere a endocrinologista S\u00edlvia Saraiva, directora cl\u00ednica da Clivip, em Lisboa.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica Liliana Gomes acredita que \u201c80% do tratamento vai ser trabalho de casa da paciente\u201d: fazer exerc\u00edcio f\u00edsico, ter uma boa higiene de sono, ter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. \u00c9 preciso uma \u201cabordagem mais integrativa desta s\u00edndrome\u201d, diz. \u201cMuita da terapia para acalmar os sintomas e, de alguma forma, prevenir doen\u00e7as futuras \u00e9 o estilo de vida\u201d, afian\u00e7a.<\/p>\n<p>Sentir-se ouvida tamb\u00e9m conta, ainda mais quando \u00e9 dif\u00edcil chegar a um diagn\u00f3stico preciso. Pelo menos no caso de Ana Neves: \u201c\u00c9 muito importante as redes de apoio e as redes sociais onde ouvimos testemunhos de quem sente o mesmo que n\u00f3s.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na primeira vez que fez uma ecografia aos ov\u00e1rios, Beatriz descobriu que pareciam \u201ccachos de uvas\u201d. 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