{"id":425920,"date":"2026-06-21T19:16:52","date_gmt":"2026-06-21T19:16:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/425920\/"},"modified":"2026-06-21T19:16:52","modified_gmt":"2026-06-21T19:16:52","slug":"stefan-olsdal-fala-sobre-o-retorno-do-placebo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/425920\/","title":{"rendered":"Stefan Olsdal fala sobre o retorno do Placebo"},"content":{"rendered":"<p>Se a m\u00fasica alternativa dos anos 1990 fosse um filme de \u00e9poca, o figurino padr\u00e3o seria feito de camisas xadrez largas e jeans rasgados. Mas, em 1996, figuras de unhas pintadas, delineador carregado e guitarras afinadas de forma her\u00e9tica decidiram que o t\u00e9dio suburbano merecia um pouco de glamour, pervers\u00e3o e androginia. O <strong>Placebo<\/strong> n\u00e3o pediu licen\u00e7a para entrar no cen\u00e1rio musical brit\u00e2nico \u2013 eles arrombaram a porta da frente enquanto o britpop ainda tentava decidir qual pub era o mais aut\u00eantico.<\/p>\n<p>Tr\u00eas d\u00e9cadas se passaram, e o que era visto como uma afronta juvenil transformou-se em profecia. Em um mundo que finalmente aprendeu a debater a fluidez de g\u00eanero e a identidade fora das margens, o \u00e1lbum de estreia da banda ganha uma nova vida com <strong>Placebo RE:CREATED<\/strong>. O projeto n\u00e3o \u00e9 um tributo ca\u00e7a-n\u00edqueis e nem uma tentativa de corrigir o passado, mas sim um acerto de contas art\u00edstico. <\/p>\n<p>\u00c9 a maturidade de 2026 abra\u00e7ando a urg\u00eancia crua de 30 anos atr\u00e1s, provando que aquelas can\u00e7\u00f5es estavam apenas esperando a tecnologia e a experi\u00eancia da banda alcan\u00e7arem o que j\u00e1 estava em suas cabe\u00e7as.<\/p>\n<p>Aproveitando esse retorno \u00e0s origens e a iminente turn\u00ea que tocar\u00e1 as faixas do disco autointitulado e de seu sucessor (<strong>Without You I\u2019m Nothing<\/strong>), o <strong>TMDQA!<\/strong> teve a oportunidade de mergulhar em uma conversa profunda com <strong>Stefan Olsdal<\/strong>. Neste papo, o calmo e anal\u00edtico multi-instrumentista despe a m\u00edstica da banda para falar de matem\u00e1tica musical, o impacto do isolamento na composi\u00e7\u00e3o e a beleza das imperfei\u00e7\u00f5es gravadas em fitas de duas polegadas. Ele reconecta o passado ao presente, avalia o estado atual das nossas \u201cguerras culturais\u201d e resume a maior li\u00e7\u00e3o de longevidade no rock em pouqu\u00edssimas palavras.<\/p>\n<p>Confira essa conversa especial abaixo!<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o post<\/p>\n<p>TMDQA! Entrevista Stefan Olsdal (Placebo)<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Stefan, muito obrigado por nos receber, \u00e9 uma honra! Como voc\u00ea est\u00e1?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Ol\u00e1! Estou bem, muito obrigado por me receber, \u00e9 um prazer imenso.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: O prazer \u00e9 todo meu! Queria come\u00e7ar perguntando: o abrir as fitas master de 30 anos atr\u00e1s, voc\u00ea certamente redescobriu notas e escolhas de produ\u00e7\u00e3o que j\u00e1 havia esquecido h\u00e1 muito tempo. Se voc\u00ea pudesse isolar um \u00fanico erro ou imperfei\u00e7\u00e3o daquela \u00e9poca que hoje considera brilhante, qual seria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Nossa, uau! <strong>[risos]<\/strong> Essa \u00e9 dif\u00edcil, escolher s\u00f3 uma \u00e9 complicado. \u00c9 como perguntar qual \u00e9 a sua m\u00fasica favorita ou, se voc\u00ea tiver filhos, qual \u00e9 o seu filho favorito <strong>[risos]<\/strong> mas, no geral, quando abrimos as fitas master, estava praticamente tudo l\u00e1. Foi gravado em fita de 2 polegadas, ent\u00e3o eram apenas 24 canais. Era o m\u00e1ximo de canais que cabia em uma fita de 2 polegadas, e ali estava todo o primeiro \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Foi um processo bem direto voltar a essas fitas, revigorante ver como tudo era simples naquela \u00e9poca. Depois, no segundo e no terceiro \u00e1lbum, fomos para est\u00fadios maiores, a tecnologia mudou e toda a era digital chegou; ent\u00e3o, esse primeiro disco foi gravado de uma forma surpreendentemente simples. Pareceu mesmo uma viagem ao passado.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos que acertar cada take na fita, n\u00e3o dava para copiar e colar como hoje. Agora, no computador, se voc\u00ea grava algo e gosta, pode copiar e colar onde quiser na m\u00fasica, pode dobrar, inverter, tudo mais. <br \/>Naquela \u00e9poca, t\u00ednhamos que fazer o drop-in (gravar por cima de um trecho espec\u00edfico). Se voc\u00ea errasse uma parte da guitarra, por exemplo, era tipo: \u201cok, vamos de novo, mas voc\u00ea tem que entrar exatamente no ponto certo da m\u00fasica\u201d.<\/p>\n<p>Houve alguns momentos marcantes assim. Lembro de gravar uma parte de guitarra em \u201c<strong>Bruise Pristine<\/strong>\u201d e, logo ap\u00f3s tocar, soube que tinha sido a grava\u00e7\u00e3o perfeita. Eu sabia que era um daqueles momentos no tempo que nunca poderiam ser recriados, porque cada vez que voc\u00ea toca, toca de um jeito diferente. <br \/>Aquela sensa\u00e7\u00e3o de saber, enquanto est\u00e1 tocando, que \u00e9 o take perfeito, que vai ficar ali e que voc\u00ea nunca far\u00e1 melhor, mas que conseguiu\u2026 houve alguns momentos desses, e lembro de um especificamente em \u201cBruise Pristine\u201d. Isso \u00e9 algo \u00fanico desse nosso \u00e1lbum, porque depois dele a era digital dominou. Acho que \u00e9 por isso que esses pequenos momentos continuam guardados comigo.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Imagino como deveria ser m\u00e1gico! O baixo costuma ser visto como um suporte r\u00edtmico, mas no Placebo, ele frequentemente dita a melancolia. Voc\u00ea v\u00ea o seu instrumento mais como um escudo que protege os vocais do Brian ou como uma lan\u00e7a que corta a agressividade das m\u00fasicas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> No primeiro \u00e1lbum, \u00e9ramos um trio. Ao vivo \u00e9ramos um trio e no est\u00fadio tamb\u00e9m, basicamente. <br \/>Ent\u00e3o era bateria, baixo, guitarras e vocais. O fato de sermos um trio permitia que nossos instrumentos fossem mais mel\u00f3dicos e preenchessem mais espa\u00e7o, porque eram literalmente apenas tr\u00eas instrumentos.<\/p>\n<p>Ter esse tipo de din\u00e2mica me deu muita liberdade para ser mais mel\u00f3dico. Como n\u00e3o t\u00ednhamos um segundo guitarrista nem um tecladista, eu precisava ser um pouco mais inventivo nas minhas linhas de baixo para preencher o que um segundo guitarrista ou tecladista faria. Acho que as limita\u00e7\u00f5es de ser um trio, na verdade, trouxeram \u00e0 tona mais musicalidade de cada instrumento.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Voc\u00ea tem uma forte liga\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica eletr\u00f4nica e ambiental. Como essa sensibilidade eletr\u00f4nica \u201cfria\u201d ajuda a aquecer o som org\u00e2nico e visceral do Placebo em 2026?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Bem, acho que o Placebo RE:CREATED, se trata exatamente disso \u2013 quer\u00edamos usar toda a nossa experi\u00eancia de est\u00fadio dos \u00faltimos 30 anos. A forma como incorporamos a tecnologia, os sintetizadores e o lado eletr\u00f4nico da m\u00fasica, al\u00e9m do uso do pr\u00f3prio est\u00fadio \u2013 porque hoje o est\u00fadio pode ser um instrumento, com todos os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos -, e n\u00f3s amamos tudo isso.<\/p>\n<p>Ao revisitar este primeiro \u00e1lbum, quer\u00edamos pegar todas as coisas boas que aconteceram nos \u00faltimos 30 anos e trazer para ele. N\u00e3o quer\u00edamos tirar nada, porque o primeiro \u00e1lbum tinha muita energia, muita paix\u00e3o, e todas as composi\u00e7\u00f5es e performances j\u00e1 estavam l\u00e1. Quer\u00edamos adicionar camadas de texturas sonoras e alguns sons que passamos a amar ao longo dos anos. Foi isso o que quisemos fazer: trazer esse \u00e1lbum de 30 anos atr\u00e1s para os dias de hoje.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o v\u00eddeo<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Stefan, nos anos 90, a androginia de voc\u00eas era um ato radical de rebeli\u00e3o visual e hoje, a moda e o g\u00eanero s\u00e3o fluidos no mainstream. Voc\u00ea sente que o Placebo venceu a guerra cultural ou a hipervisibilidade atual acabou tirando um pouco do mist\u00e9rio que antes definia a identidade da banda?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Olha, quando lan\u00e7amos o primeiro \u00e1lbum, a banda certamente tinha aspectos de androginia e uma certa fluidez de g\u00eanero. As pessoas ficavam confusas sobre quem \u00e9ramos: \u201c\u00e9 um menino? \u00e9 uma menina?\u201d. <br \/>Explor\u00e1vamos todos esses temas nas letras tamb\u00e9m. Isso n\u00e3o era nem um pouco \u201cda moda\u201d na \u00e9poca, at\u00e9 porque o pano de fundo do Placebo era o britpop, formado por caras que sentavam no pub, bebiam e depois subiam ao palco para tocar suas guitarras de camiseta. Aquilo n\u00e3o era o que quer\u00edamos fazer, n\u00e3o \u00e9ramos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Nossa abordagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica sempre foi muito instintiva, nunca tentamos ser outra pessoa ou nos esconder atr\u00e1s de algo. Continuamos fi\u00e9is a isso ao longo de toda a nossa carreira. \u00c9 \u00f3timo ver que muita coisa mudou na sociedade, que hoje h\u00e1 muito mais visibilidade e discuss\u00f5es mais abertas sobre identidade e g\u00eanero\u2026 acho isso fant\u00e1stico!<\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo que voc\u00ea pensa que a sociedade e a cultura est\u00e3o avan\u00e7ando, tamb\u00e9m olhamos para o lado e vemos que a outra metade do mundo est\u00e1 indo na dire\u00e7\u00e3o oposta. <\/p>\n<p>O assunto parece t\u00e3o relevante agora quanto era naquela \u00e9poca. E voc\u00ea pode ir ainda mais longe no passado e encontrar artistas como <strong>Little Richard<\/strong>, por exemplo: um homem negro e gay usando maquiagem, cantando sobre sexo e \u201ctutti frutti\u201d. Existe uma linhagem desse tipo de m\u00fasica e de artistas, e n\u00e3o acho que isso v\u00e1 desaparecer, porque sempre haver\u00e1 uma grande parte do mundo que vai se posicionar contra, infelizmente.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Agora, uma pergunta pessoal: como algu\u00e9m que j\u00e1 viveu em diferentes polos culturais, de que forma a sua localiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica impacta a frequ\u00eancia do que voc\u00ea comp\u00f5e? O Stefan que escreve em Londres soa diferente do Stefan que escreve na Espanha?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Nossa, boa pergunta! Acho que n\u00e3o, porque para onde quer que voc\u00ea v\u00e1, voc\u00ea sempre leva a sua pr\u00f3pria cabe\u00e7a junto e voc\u00ea nunca consegue fugir dela, para o bem ou para o mal. Acho que \u00e0s vezes voc\u00ea \u00e9 ativado por est\u00edmulos externos, mas na maioria das vezes as coisas v\u00eam de dentro de voc\u00ea, e o que vem de dentro voc\u00ea carrega para onde for.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante porque, durante a pandemia, por exemplo, eu fiz um projeto musical com outra pessoa e o que percebemos foi que, em vez de viajarmos para nos ver ou para um lugar espec\u00edfico para gravar e compor, n\u00f3s viaj\u00e1vamos dentro da m\u00fasica. A m\u00fasica passou a ser a localiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Aquele era o lugar para onde viaj\u00e1vamos. N\u00e3o era um espa\u00e7o f\u00edsico real; era um mundo que existia dentro da m\u00fasica, dentro da nossa cabe\u00e7a. N\u00e3o sei se faz sentido, mas \u00e9 assim que eu vejo <strong>[risos]<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: N\u00e3o, isso \u00e9 incr\u00edvel e faz todo sentido! Continuando agora, o Placebo sempre foi apoiado por gigantes. Qual \u00e9 a li\u00e7\u00e3o mais valiosa sobre envelhecer com dignidade no rock que voc\u00ea aprendeu apenas observando o Robert Smith nos bastidores, por exemplo, sem que ele precisasse dizer uma \u00fanica palavra?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Chegue no hor\u00e1rio e n\u00e3o fique pregui\u00e7oso <strong>[risos]<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Perfeito, just\u00edssimo! [risos] Voc\u00eas v\u00e3o tocar m\u00fasicas que n\u00e3o s\u00e3o ouvidas ao vivo h\u00e1 20 anos. Existe alguma m\u00fasica que voc\u00ea reaprendeu a amar durante a prepara\u00e7\u00e3o para a turn\u00ea? Algo que estava enterrado e que agora soa como se tivesse sido escrito ontem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Sim, estou muito animado! Revisitar o \u00e1lbum fez com que nos reaproxim\u00e1ssemos dele 30 anos depois, e \u00e9 um pouco como reencontrar um amigo que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea h\u00e1 muito tempo. Leva um tempinho para se reambientar, mas a\u00ed voc\u00ea percebe que ainda t\u00eam muito em comum e a conex\u00e3o volta, sabe?<\/p>\n<p>Acho que a principal diferen\u00e7a \u00e9 que vamos ter que recuperar o f\u00f4lego e a for\u00e7a f\u00edsica, porque toc\u00e1vamos algumas dessas m\u00fasicas t\u00e3o r\u00e1pido que eu me pergunto: \u201ccomo diabos a gente conseguia tocar nessa velocidade?\u201d <strong>[risos]<\/strong> Ent\u00e3o, sim, vou ter que come\u00e7ar a praticar logo para conseguir acompanhar o ritmo, porque aquela energia que voc\u00ea tem aos 20 anos, voc\u00ea n\u00e3o tem mais aos 50.<\/p>\n<p>Continua ap\u00f3s o v\u00eddeo<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Agora imagine que voc\u00ea \u00e9 um artista com uma instala\u00e7\u00e3o em um museu daqui a 100 anos, e os visitantes podem ouvir um loop de apenas 10 segundos de qualquer um dos seus canais de instrumentos para entender a alma da banda. Qual trecho voc\u00ea escolheria?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan Olsdal:<\/strong> Caralho! N\u00e3o sei, essa \u00e9 dif\u00edcil\u2026 acho que seria incr\u00edvel ter apenas uma microfonia de guitarra, sabe? Uma microfonia de guitarra muito boa.<\/p>\n<p>N\u00f3s sempre usamos a microfonia como se fosse um instrumento musical, para trazer uma melodia dissonante e et\u00e9rea para a faixa \u2013 como um ru\u00eddo, uma disson\u00e2ncia quase irritante. Ent\u00e3o, sim, apenas um loop de microfonia (feedback loop). Seria bem legal.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Stefan, nossa conversa foi incr\u00edvel. Meu nome \u00e9 Eduardo e estou representando um site brasileiro chamado Tenho Mais Discos Que Amigos!. Voc\u00ea poderia listar alguns dos trabalhos que mudaram a sua vida e as raz\u00f5es para tal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan:<\/strong> Vamos l\u00e1! Provavelmente, o <strong>Violator<\/strong> do <strong>Depeche Mode<\/strong> \u00e9 um deles. Eu achava as m\u00fasicas deles e aquela escurid\u00e3o fascinantes, al\u00e9m dos aspectos eletr\u00f4nicos e da sensibilidade pop, acho que \u00e9 um cl\u00e1ssico absoluto desse g\u00eanero.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tem o <strong>White Album <\/strong>dos <strong>(The) Beatles<\/strong>, porque lan\u00e7ar um \u00e1lbum duplo foi algo muito corajoso na \u00e9poca. H\u00e1 tantos aspectos diferentes no que eles fazem ali, desde a super experimental \u201c<strong>Revolution 9<\/strong>\u201d at\u00e9 \u201c<strong>Helter Skelter<\/strong>\u201c, que \u00e9 uma das primeiras m\u00fasicas de rock pesado da hist\u00f3ria. Lembro de ouvir muito esse disco.<\/p>\n<p>O <strong>Sonic Youth<\/strong>, que conheci quando mudei para Londres. Acho que o <strong>Goo<\/strong> \u00e9 provavelmente o que mais influenciou a mim e \u00e0 banda, no sentido de usar sons n\u00e3o convencionais na guitarra. Eles usavam afina\u00e7\u00f5es muito estranhas e incorporavam a microfonia como parte das m\u00fasicas e da identidade sonora. <br \/>E tinha tamb\u00e9m aquela atitude muito foda e relaxada de: \u201cn\u00e3o precisamos cantar m\u00fasicas pop, nem precisamos deixar o cabelo crescer para ser heavy metal\u201d. O Sonic Youth existia nesse g\u00eanero punk art\u00edstico (arty punk). Eles foram uma grande influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Para fechar\u2026 eu teria que ir muito mais longe no passado e escolher as <strong>Su\u00edtes para Violoncelo <\/strong>de <strong>Bach<\/strong>. Eu acho que ele abordava a m\u00fasica de uma forma muito matem\u00e1tica; ele olhava para o papel e tudo se transformava em uma esp\u00e9cie de equa\u00e7\u00e3o. A maneira como as notas se encaixam, como modulam e se movem, e tudo feito em um \u00fanico instrumento. <br \/>Ele cria toda uma atmosfera e a sonoridade de quase uma orquestra sinf\u00f4nica usando apenas o violoncelo, essa precis\u00e3o musical sempre me inspirou a tentar dizer o m\u00e1ximo usando o m\u00ednimo. Ent\u00e3o, Bach sempre estar\u00e1 comigo como uma grande inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>TMDQA!: Escolhas incr\u00edveis, cara, me surpreendi bastante. Muito obrigado pelo seu tempo, foi um grande prazer! <\/strong><\/p>\n<p><strong>Stefan:<\/strong> Obrigado, cara! Tchau, tchau, se cuida.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\">Placebo RE:CREATED ser\u00e1 lan\u00e7ado nessa sexta-feira (19\/06)<\/p>\n<p>OU\u00c7A AGORA MESMO A PLAYLIST TMDQA! LAN\u00c7AMENTOS<\/p>\n<p>Quer ficar por dentro dos principais lan\u00e7amentos nacionais e internacionais? Siga a\u00a0<strong>Playlist TMDQA! 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