{"id":42707,"date":"2025-08-24T10:53:06","date_gmt":"2025-08-24T10:53:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/42707\/"},"modified":"2025-08-24T10:53:06","modified_gmt":"2025-08-24T10:53:06","slug":"bruna-linzmeyer-sou-sapatao-mas-isso-nao-e-tudo-23-08-2025-monica-bergamo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/42707\/","title":{"rendered":"Bruna Linzmeyer: Sou sapat\u00e3o, mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo &#8211; 23\/08\/2025 &#8211; M\u00f4nica Bergamo"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Adoro falar que eu sou sapat\u00e3o, tem muito a ver com a minha estrat\u00e9gia de enfrentar o preconceito&#8221;, diz <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2024\/12\/bruna-linzmeyer-sera-homenageada-em-mostra-de-cinema-de-tiradentes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Bruna Linzmeyer<\/a> numa conversa de mais de uma hora no come\u00e7o desta semana. &#8220;As pessoas xingavam as mulheres queer de sapat\u00e3o no passado, a\u00ed a gente pegou essa palavra para a gente e tomou posse dela. Ningu\u00e9m vai me atingir me chamando de sapat\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Muitas vezes na conversa com Bruna ela fala &#8220;a gente&#8221;, mas isso n\u00e3o \u00e9 esquisitice de celebridade de falar de si mesma na terceira pessoa do singular. O &#8220;a gente&#8221; de Bruna quer dizer a comunidade queer, ou <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/lgbtqia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">LGBT<\/a>, na qual ela naturalmente transita, mas que tamb\u00e9m virou um objeto de pesquisa da atriz e modelo.<\/p>\n<p>&#8220;Estudo teoria queer, me interesso por esse universo, estudo audiovisual queer, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cinema\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cinema<\/a> queer. \u00c9 um campo de pesquisa e de muito interesse meu&#8221;, conta. &#8220;Tem muitos trabalhos autorais que estou desenvolvendo que se relacionam com essa tem\u00e1tica, por isso eu n\u00e3o me canso nunca de falar sobre esse assunto.&#8221;<br \/>&#13;\n <\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para me aprofundar muito nesse assunto dos trabalhos autorais por um pedido da produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podemos revelar nem o nome do longa-metragem nem o tema. &#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 a hist\u00f3ria da minha vida, todo mundo me pergunta isso&#8221;, adianta. O que d\u00e1 pra dizer \u00e9 que Bruna Linzmeyer vai estrear como roteirista e diretora ainda neste ano.<\/p>\n<p>Bruna mora no Rio, mas passou por S\u00e3o Paulo para fazer parte do lan\u00e7amento da s\u00e9rie &#8220;M\u00e1scaras de Oxig\u00eanio (N\u00e3o) Cair\u00e3o Automaticamente&#8221;, que estreia no pr\u00f3ximo dia 31 na HBO. A s\u00e9rie tem oito epis\u00f3dios de mais ou menos uma hora cada e \u00e9 baseada em fatos reais. Se passa nos anos 1980, quando a epidemia da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/aids\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Aids<\/a>, que atingia principalmente os homens gays, era quase uma senten\u00e7a de morte. Sem cura nem tratamento eficaz.<\/p>\n<p>O AZT, \u00fanico medicamento dispon\u00edvel para conter o v\u00edrus na \u00e9poca, ainda n\u00e3o tinha sido liberado pelo governo brasileiro. Diante do desespero e da falta de perspectiva, um grupo de comiss\u00e1rios de bordo passa a contrabandear a droga dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Bruna interpreta a comiss\u00e1ria L\u00e9a, da companhia a\u00e9rea fict\u00edcia Fly Brasil, melhor amiga do comiss\u00e1rio Fernando, personagem de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/11\/johnny-massaro-vira-diretor-em-a-cozinha-e-vai-de-nerd-a-sex-symbol-com-nova-fase.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Johnny Massaro<\/a>, que contrai o v\u00edrus. E come\u00e7a a fazer parte do esquema de contrabando por convic\u00e7\u00e3o de que aquela era a coisa certa a ser feita diante de tamanho descaso do governo brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;Ela tem muita empatia com a causa, bota o trabalho dela, a vida dela, em risco para ajudar as v\u00edtimas do HIV\/Aids. \u00c9 a \u00fanica personagem que n\u00e3o entra no esquema por causa pr\u00f3pria ou para favorecer irm\u00e3o, filho, marido&#8221;, diz Bruna. Sua personagem, apesar de n\u00e3o ser baseada em uma pessoa espec\u00edfica, foi constru\u00edda a partir de muita pesquisa da atriz.<\/p>\n<p>&#8220;Conversei com v\u00e1rias ex-comiss\u00e1rias de bordo que trabalhavam nessa \u00e9poca, inclusive uma delas que viveu uma hist\u00f3ria de amor muito parecida com a da minha personagem, que tem um caso com um piloto casado e acaba engravidando&#8221;, conta a atriz. &#8220;Foi um encontro muito lindo, ela me trouxe o uniforme da Varig que usava na \u00e9poca, tinha guardado esses anos todos. E contou que o piloto tinha sido o grande amor da vida dela.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar de tratar de um assunto terr\u00edvel, triste e s\u00e9rio, a s\u00e9rie n\u00e3o \u00e9 sombria. Os comiss\u00e1rios s\u00e3o muito amigos, mesmo fora do trabalho, e aproveitam a vida de viajante com a qual a maioria de n\u00f3s s\u00f3 consegue sonhar. Um romance em cada porto, sabe? Muita balada, muito bom humor, mesmo lidando com uma amea\u00e7a impens\u00e1vel. &#8220;Foi com muita responsabilidade social e emocional que contamos essa hist\u00f3ria, de um momento terr\u00edvel da nossa vida, do Brasil, do mundo. Ao mesmo tempo, fizemos uma escolha de falar sobre esse assunto de um jeito bem queer&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O jeito queer a que Bruna se refere tem a ver com n\u00e3o se entregar diante de um inimigo t\u00e3o poderoso. &#8220;A comunidade LGBT faz isso muito bem, dar a volta na dor. \u2018Isso aqui \u00e9 um problema, mas o que a gente faz com isso?&#8217; E essa comunidade criou uma rede de solidariedade muito impactante que mudou de fato o curso da hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O que essas pessoas fizeram nos anos 1980 transformou a vis\u00e3o do governo brasileiro da \u00e9poca e fez com que a gente seja, hoje, o \u00fanico pa\u00eds do mundo que tem tratamento 100% gratuito no SUS, tanto para quem j\u00e1 contraiu o v\u00edrus como para quem quer se prevenir&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Bruna mergulha de cabe\u00e7a nas coisas por que se apaixona. Foi assim com o seu trabalho audiovisual, com a comunidade queer e, mais recentemente, com o futebol feminino. &#8220;O mundo do futebol tem muitas mulheres l\u00e9sbicas e bissexuais, e elas falam muito abertamente sobre o tema e tamb\u00e9m sobre o preconceito. Essa foi a minha primeira conex\u00e3o&#8221;, diz a atriz. &#8220;Agora sou uma aficcionada, n\u00e3o s\u00f3 pelo jogo em si mas por tudo o que ele significa culturalmente e socialmente. S\u00f3 pra ter uma ideia, em 2015 n\u00e3o tinha transmiss\u00e3o de muitos jogos e a gente foi campe\u00e3 da Copa Am\u00e9rica naquele ano, mas o Brasil n\u00e3o viu essa final&#8221;, conta.<\/p>\n<p>A indigna\u00e7\u00e3o dela vem repleta de dados: &#8220;O futebol feminino foi proibido durante 40 anos, desde a Era Vargas at\u00e9 1981. Em 1941 foi assinado um decreto oficial que proibia as mulheres de jogar futebol, porque n\u00e3o seria compat\u00edvel com o corpo da mulher, que devia ser m\u00e3e. Se foi proibido \u00e9 porque existia e incomodava, n\u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o acabou com as ligas, com os clubes da \u00e9poca, tudo que era oficial ou profissionalizante deixou de existir. &#8220;S\u00f3 que as mulheres nunca pararam de jogar futebol. O que aconteceu foi que o futebol feminino se espalhou pelo interior e pelas periferias, onde tinha menos fiscaliza\u00e7\u00e3o.&#8221; O encanto de Bruna com esse esporte tamb\u00e9m passa por sua vida privada, j\u00e1 que sua namorada, Kin Saito, \u00e9 diretora-executiva da Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol Feminino.<\/p>\n<p>&#8220;Eu fui para as duas \u00faltimas Copas do Mundo, na Fran\u00e7a e na Austr\u00e1lia&#8221;, conta ela, que quase n\u00e3o se aguenta de emo\u00e7\u00e3o com o fato de que a pr\u00f3xima <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/esporte\/2024\/05\/brasil-supera-candidatura-europeia-e-vai-receber-copa-do-mundo-feminina-de-2027.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Copa do Mundo ser\u00e1 no Brasil, em 2027<\/a>. &#8220;Vai ser muito especial, tenho certeza. Quem tiver oportunidade de entrar no campo para ver essas mulheres jogarem vai ser impactado pelo resto da vida.&#8221;<\/p>\n<p>Pergunto se ela tem vontade de ter uma carreira internacional. &#8220;Acho que eu j\u00e1 tenho, de alguma maneira. Estive em festivais internacionais com filmes em que atuei nos \u00faltimos sete anos. Fui a Berlim, Roterd\u00e3, fui ao Sundance e esse ano fiz parte do Torino Film Lab, um dos laborat\u00f3rios de roteiros mais importantes da It\u00e1lia.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Se aparecer uma oportunidade para atuar em outra l\u00edngua, beleza, mas tem muita gente no Brasil com quem eu tenho vontade de trabalhar&#8221;, diz a atriz. Por fim, conta que o que ela n\u00e3o quer perder, de jeito nenhum, \u00e9 a oportunidade de encontrar as amigas paulistas e sair para dan\u00e7ar quando passa por S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o Paulo tem uma cena queer\/sapat\u00e3o eletrizante, principalmente no centro da cidade. S\u00e3o lugares de encontro, de flerte, de divers\u00e3o. E eu adoro comer, beber, dan\u00e7ar. Dan\u00e7ar organiza muito a minha cabe\u00e7a&#8221;, afirma. S\u00f3 n\u00e3o pe\u00e7a fotos com ela na madrugada.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0s vezes s\u00e3o quatro da manh\u00e3, eu t\u00f4 no meio da rua, feliz da vida, bebendo minha cacha\u00e7a, meu u\u00edsque, e vem algu\u00e9m pedir para tirar uma foto. Eu negocio com a pessoa, \u2018n\u00e3o prefere um abra\u00e7o? Ou cinco minutos de conversa?\u2019 E assim vou seguindo minha vida, tentando sempre estabelecer di\u00e1logos.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Adoro falar que eu sou sapat\u00e3o, tem muito a ver com a minha estrat\u00e9gia de enfrentar o preconceito&#8221;,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":42708,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[145],"tags":[9397,207,10261,13063,211,210,470,13061,13062,114,115,236,2388,1626,1175,7245,1909,1208,32,33,13060,117,13064],"class_list":{"0":"post-42707","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-celebridades","8":"tag-aids","9":"tag-arte","10":"tag-bruna-linzmeyer","11":"tag-camisinha","12":"tag-celebridades","13":"tag-celebrities","14":"tag-cinema","15":"tag-doenca-sexualmente-transmissivel","16":"tag-dst","17":"tag-entertainment","18":"tag-entretenimento","19":"tag-folha","20":"tag-futebol-feminino","21":"tag-hbo","22":"tag-hiv","23":"tag-johnny-massaro","24":"tag-lgbtqia","25":"tag-medicina","26":"tag-portugal","27":"tag-pt","28":"tag-queer","29":"tag-saude","30":"tag-virus-hiv"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42707\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}