{"id":427619,"date":"2026-06-23T03:39:20","date_gmt":"2026-06-23T03:39:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/427619\/"},"modified":"2026-06-23T03:39:20","modified_gmt":"2026-06-23T03:39:20","slug":"estudo-descreve-avanco-explosivo-da-febre-amarela-em-fragmento-florestal-da-cidade-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/427619\/","title":{"rendered":"Estudo descreve avan\u00e7o explosivo da febre amarela em fragmento florestal da cidade de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Epidemiologia\n                            <\/p>\n<p>                            Estudo descreve avan\u00e7o explosivo da febre amarela em fragmento florestal da cidade de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p class=\"summary\">Trabalho publicado na Nature Microbiology reconstituiu o surto ocorrido na Regi\u00e3o Metropolitana entre 2017 e 2018. Dados mostram n\u00edvel de transmiss\u00e3o muito elevado e uma din\u00e2mica diferente da observada em outras regi\u00f5es do pa\u00eds<\/p>\n<p>\n                                 Epidemiologia\n                            <\/p>\n<p>                                                        Estudo descreve avan\u00e7o explosivo da febre amarela em fragmento florestal da cidade de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Trabalho publicado na Nature Microbiology reconstituiu o surto ocorrido na Regi\u00e3o Metropolitana entre 2017 e 2018. Dados mostram n\u00edvel de transmiss\u00e3o muito elevado e uma din\u00e2mica diferente da observada em outras regi\u00f5es do pa\u00eds<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/58469.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(58469,'files\/post\/58469.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Fila para vacina\u00e7\u00e3o contra febre amarela na Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade no Jardim Peri, S\u00e3o Paulo (foto: Rovena Rosa\/<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/foto\/2017-10\/imagens-da-semana-27102017-1582313878-0\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Ag\u00eancia Brasil<\/a>, 2017)<\/p>\n<p><strong>Maria Fernanda Ziegler | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Um grupo de pesquisadores do Brasil e do Reino Unido reconstituiu a din\u00e2mica do surto de febre amarela silvestre que atingiu a Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo h\u00e1 cerca de nove anos \u2013 marcado por mais de 90 mortes humanas, pelo exterm\u00ednio dos bugios do Horto Florestal e pela corrida aos postos de vacina\u00e7\u00e3o. Os resultados foram <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41564-026-02302-w\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>divulgados<\/strong><\/a> em mar\u00e7o na revista Nature Microbiology.<\/p>\n<p>O primeiro alerta foi dado em 9 de outubro de 2017, quando a carca\u00e7a de um macaco foi encontrada no Horto Florestal, zona norte da capital. Em apenas seis semanas, o v\u00edrus se espalhou de forma r\u00e1pida, matando os cerca de 80 bugios que viviam no parque. \u201cFoi a primeira vez que vimos a febre amarela avan\u00e7ar de forma t\u00e3o explosiva em um ambiente florestal encravado dentro da cidade\u201d, comenta Nuno Faria, docente do Imperial College London (Reino Unido), professor visitante da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador da investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo calculou pela primeira vez o n\u00famero b\u00e1sico de reprodu\u00e7\u00e3o (R0) da febre amarela silvestre, estimado em 8,2. Tamb\u00e9m conhecido como \u201cR zero\u201d, esse \u00e9 um valor usado na epidemiologia para representar o potencial de dispers\u00e3o de uma doen\u00e7a infecciosa. Nesse caso, significa que um \u00fanico bugio infectado e picado por mosquitos podia transmitir o v\u00edrus a outros oito animais, em m\u00e9dia. Segundo os autores, trata-se de um valor extremamente alto para uma doen\u00e7a transmitida por mosquitos. \u201cA t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, o R0 da COVID\u201119 variava entre 3 e 4 mesmo nos piores momentos da pandemia\u201d, conta <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3102\/adriano-pinter-dos-santos\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Adriano Pinter<\/strong><\/a>, professor da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da USP, que na \u00e9poca trabalhava na Superintend\u00eancia de Controle de Endemias (Sucen) \u2013 um \u00f3rg\u00e3o da Secretaria de Estado da Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo. Ou seja, cada pessoa com COVID podia transmitir a doen\u00e7a para outras tr\u00eas ou quatro pessoas, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p><strong>Portas de entrada<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisas anteriores ao surto j\u00e1 apontavam os parques estaduais da Cantareira e Alberto L\u00f6fgren (Horto Florestal) como poss\u00edveis portas de entrada para a febre amarela na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. Mesmo assim, o epis\u00f3dio surpreendeu os cientistas pela velocidade e intensidade da dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A r\u00e1pida propaga\u00e7\u00e3o nas Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o que margeiam S\u00e3o Paulo deixou os moradores dos bairros densamente povoados do entorno em extrema vulnerabilidade. Na pequena cidade de Mairipor\u00e3, vizinha \u00e0 capital paulista, foram 142 casos notificados e mais de 40 \u00f3bitos, mesmo com a imuniza\u00e7\u00e3o em andamento.<\/p>\n<p>\u201cA primeira li\u00e7\u00e3o que fica com esse epis\u00f3dio \u00e9 que a vacina\u00e7\u00e3o de febre amarela precisa ser antecipada. N\u00e3o podemos mais esperar encontrar macacos mortos para come\u00e7ar a imunizar as pessoas. A janela entre o primeiro alerta e o pico de transmiss\u00e3o \u00e9 de duas a tr\u00eas semanas. E a vacina leva de dez a 12 dias para come\u00e7ar a proteger a popula\u00e7\u00e3o. Ou seja, quando o primeiro bugio aparece morto, j\u00e1 estamos atrasados\u201d, diz Pinter \u00e0 <strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>.<\/p>\n<p>Dados da pesquisa indicam que o mosquito Haemagogus leucocelaenus, principal vetor do ciclo silvestre da doen\u00e7a, teve papel central na explos\u00e3o de casos. O inseto, que tradicionalmente vive restrito \u00e0 copa das \u00e1rvores, tamb\u00e9m infectou humanos e outros primatas no solo, o que acelerou a transmiss\u00e3o. \u201cFoi uma combina\u00e7\u00e3o de for\u00e7as: a alta densidade de hospedeiros, a grande abund\u00e2ncia de mosquitos, a presen\u00e7a desses vetores tanto no solo quanto na copa e a temperatura elevada. Tudo isso criou o cen\u00e1rio perfeito para uma propaga\u00e7\u00e3o explosiva\u201d, conta Juliana Telles, pesquisadora do Instituto Pasteur, que na \u00e9poca tamb\u00e9m trabalhava na Sucen.<\/p>\n<p>Como o mosquito urbano (Aedes) tamb\u00e9m est\u00e1 presente nessa interface entre a floresta e a cidade, existe um risco de potencial reurbaniza\u00e7\u00e3o da febre amarela. \u201cNesse caso, o v\u00edrus tamb\u00e9m passaria a ser transmitido de humano para humano pelo Aedes aegypti. No entanto, detectamos o pat\u00f3geno apenas em mosquitos Haemagogus, o que significa que a transmiss\u00e3o no Horto ocorreu por meio do ciclo silvestre\u201d, conta Faria, que tamb\u00e9m coordena o <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/en\/auxilios\/103130\/brazil-uk-centre-for-arbovirus-discovery-diagnosis-genomics-and-epidemiology-cadde\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Centro Conjunto Brasil\u2011Reino Unido para Descoberta, Diagn\u00f3stico, Gen\u00f4mica e Epidemiologia de Arbov\u00edrus<\/strong><\/a> (CADDE) ao lado da professora da USP <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3785\/ester-cerdeira-sabino\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Ester Sabino<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0s conclus\u00f5es descritas no artigo, os pesquisadores combinaram monitoramento de mosquitos, an\u00e1lise de carca\u00e7as de primatas, sequenciamento metagen\u00f4mico (ou seja, de todo o material gen\u00e9tico presente em amostras ambientais) e modelagem matem\u00e1tica. O trabalho foi poss\u00edvel gra\u00e7as a a\u00e7\u00f5es conjuntas entre as secretarias estaduais e municipais de Sa\u00fade e Meio Ambiente, articuladas por pesquisadores do Instituto Florestal, da Sucen \u2013 atualmente incorporada ao Instituto Pasteur \u2013 e da USP.<\/p>\n<p>Telles ressalta a import\u00e2ncia da integra\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de vigil\u00e2ncia, pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cAo integrar as diferentes frentes de vigil\u00e2ncia, foi poss\u00edvel entender com precis\u00e3o como o v\u00edrus entrou e se espalhou no parque. Essa abordagem combinada revelou quantas introdu\u00e7\u00f5es virais ocorreram e mostrou que o ciclo de transmiss\u00e3o no Horto Florestal foi extremamente intenso e concentrado em um per\u00edodo muito curto, um padr\u00e3o bem diferente do observado na Amaz\u00f4nia, por exemplo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os autores destacam ainda a import\u00e2ncia de incorporar no trabalho a abordagem de Sa\u00fade \u00danica (que reconhece a interdepend\u00eancia entre a sa\u00fade humana, animal, vegetal e ambiental). \u201cO estudo de metagen\u00f4mica viral identificou em um dos bugios infectados uma coinfec\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus da hepatite A. Isso sugere contamina\u00e7\u00e3o por res\u00edduos humanos nas bordas da floresta. O que acontece na borda da mata tem impacto direto na sa\u00fade p\u00fablica\u201d, alerta Telles.<\/p>\n<p>O artigo Evolution and spillover dynamics of yellow fever at the forest-urban interface in Brazil pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41564-026-02302-w\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>nature.com\/articles\/s41564-026-02302-w<\/strong><\/a>.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Epidemiologia Estudo descreve avan\u00e7o explosivo da febre amarela em fragmento florestal da cidade de S\u00e3o Paulo Trabalho publicado&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":427620,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[1665,44231,4480,7954,116,32,33,117,896,23282],"class_list":["post-427619","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-cidades","tag-dinamica","tag-febre-amarela","tag-florestas","tag-health","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-saude-publica","tag-vigilancia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116797346456658867","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427619","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427619"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427619\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/427620"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427619"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427619"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427619"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}