{"id":427922,"date":"2026-06-23T11:08:19","date_gmt":"2026-06-23T11:08:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/427922\/"},"modified":"2026-06-23T11:08:19","modified_gmt":"2026-06-23T11:08:19","slug":"ha-50-anos-o-calor-que-sentiamos-era-ate-cinco-graus-menos-intenso-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/427922\/","title":{"rendered":"H\u00e1 50 anos, o calor que sent\u00edamos era at\u00e9 cinco graus menos intenso | Clima"},"content":{"rendered":"<p>A Europa est\u00e1 entre as regi\u00f5es do mundo onde o stress t\u00e9rmico mais se agravou desde a d\u00e9cada de 1970, com um aumento expressivo das temperaturas de \u201csensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica\u201d, uma intensifica\u00e7\u00e3o do calor nocturno (as chamadas \u201cnoites tropicais\u201d) e um alargamento da \u00e9poca do ano em que o corpo humano \u00e9 exposto a condi\u00e7\u00f5es perigosas.<\/p>\n<p>\u201cO stress t\u00e9rmico j\u00e1 se intensificou \u00e0 escala global, tornando-se mais grave, mais frequente, mais generalizado e mais duradouro, com impactos reais na forma como as pessoas vivem o clima e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no seu quotidiano para uma propor\u00e7\u00e3o significativa e crescente da popula\u00e7\u00e3o mundial\u201d, afirma ao <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/azul\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Azul<\/a> a investigadora Rebecca Emerton, primeira autora de um estudo publicado nesta segunda-feira na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-026-02670-5\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Nature Climate Change<\/a>.<\/p>\n<p>O estudo apresenta-se como \u201ca primeira an\u00e1lise abrangente \u00e0 escala global do stress t\u00e9rmico no contexto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas\u201d. Recorre a numa base de dados globais, referentes ao per\u00edodo de 1950 a 2024, e ao \u00cdndice Clim\u00e1tico T\u00e9rmico Universal (UTCI, na sigla em ingl\u00eas), que estima o calor sentido pelo corpo humano tendo em conta a temperatura, a humidade, o vento e a pr\u00f3pria radia\u00e7\u00e3o solar.<\/p>\n<p>\u201cO UTCI pode diferir substancialmente da temperatura do ar. Durante a recente onda de calor de Maio de 2026 na Europa, por exemplo, o UTCI atingiu frequentemente valores quatro graus Celsius superiores \u00e0 temperatura do ar no pico diurno. Isto real\u00e7a a import\u00e2ncia de ter em conta outros factores, tais como a humidade e a radia\u00e7\u00e3o\u201d, refere a co-autora Claudia Di Napoli, citada num comunicado do Cop\u00e9rnico, o servi\u00e7o europeu de observa\u00e7\u00e3o da Terra. <\/p>\n<p>O estudo mostra que, nos dez dias mais quentes de cada ano, a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica m\u00e1xima aumentou em grande parte do globo, mas o aquecimento mais forte ocorreu precisamente na Europa, assim como no Norte de \u00c1frica e na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica, onde o acr\u00e9scimo chegou a quatro graus Celsius e localmente a cinco graus Celsius, quando se comparam os \u00faltimos dez anos com a d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>                &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                    &#13;<br \/>\n                        Altera\u00e7\u00f5es?nas temperaturas de &#8220;sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica&#8221;, nos dias de stress t\u00e9rmico e nas noites tropicais ao longo do tempo&#13;<br \/>\nCop\u00e9rnico                     &#13;<\/p>\n<p>O risco das noites tropicais<\/p>\n<p>As temperaturas m\u00ednimas nocturnas mais elevadas aumentaram ainda mais depressa do que as m\u00e1ximas diurnas, o que agrava o risco de sa\u00fade p\u00fablica por reduzir a capacidade de o organismo se recuperar durante a noite. Globalmente, as dez noites mais quentes do ano aqueceram a um ritmo m\u00e9dio de 0,32 graus Celsius por d\u00e9cada, acima de 0,27 graus Celsius registados nos dez dias mais quentes.<\/p>\n<p>Essas noites tropicais, definidas como aquelas em que a temperatura m\u00ednima n\u00e3o desce abaixo dos 20 graus, afectam negativamente a recupera\u00e7\u00e3o do corpo ao limitar o arrefecimento nocturno necess\u00e1rio ao bom funcionamento do organismo ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o ao calor durante o dia.<\/p>\n<p>\u201cO stress t\u00e9rmico \u00e9 perigoso durante o dia, quando atinge a sua intensidade m\u00e1xima, mas o stress t\u00e9rmico prolongado, especialmente quando as condi\u00e7\u00f5es durante a noite permanecem quentes, impedindo-nos de recuperar eficazmente do calor do dia, exerce uma press\u00e3o cont\u00ednua sobre o organismo\u201d, sublinha Rebecca Emerton, cientista do Centro Europeu de Previs\u00e3o Meteorol\u00f3gica a M\u00e9dio Prazo (ECMWF, na sigla em ingl\u00eas)\u200b do Cop\u00e9rnico.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Rebecca Emerton recorda que os riscos das temperaturas elevadas para a sa\u00fade incluem a exaust\u00e3o por calor e a insola\u00e7\u00e3o. O stress t\u00e9rmico agrava tamb\u00e9m doen\u00e7as subjacentes, tais como as doen\u00e7as cardiovasculares e respirat\u00f3rias. Os idosos e as crian\u00e7as pequenas integram os grupos considerados <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/01\/21\/azul\/noticia\/desastre-climatico-preocupa-pessoas-deficiencia-2035398\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">mais vulner\u00e1veis<\/a> \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o prolongada ao calor.<\/p>\n<p>O artigo sublinha que o calor j\u00e1 \u00e9 \u201ca principal causa de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/06\/22\/azul\/noticia\/ja-ha-tres-mortos-franca-devido-onda-calor-40c-europa-2179054\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">mortalidade<\/a> relacionada com fen\u00f3menos meteorol\u00f3gicos em todo o mundo\u201d, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2026\/04\/21\/azul\/noticia\/impactos-saude-calor-extremo-portugal-espanha-sao-paises-vulneraveis-2171880\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">agravando doen\u00e7as<\/a> cardiovasculares, respirat\u00f3rias e tamb\u00e9m condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>\u201cEste estudo fornece provas convincentes de que o stress t\u00e9rmico j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/07\/11\/local\/noticia\/tornar-lisboa-fresca-calor-desconfortavel-atravessar-zonas-cidade-2139803\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">risco emergente<\/a>, mas sim uma caracter\u00edstica determinante do clima actual, afirma Umberto Modigliani, director interino de previs\u00f5es do ECMWF, citado na nota de imprensa. <\/p>\n<p>\u201cAo registar a forma como [o clima] \u00e9 experienciado pelas pessoas, tanto de dia como de noite, esta investiga\u00e7\u00e3o revela uma clara intensifica\u00e7\u00e3o que j\u00e1 est\u00e1 a <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/06\/01\/economia\/noticia\/desconforto-termico-regra-casas-portuguesas-1918598\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">afectar<\/a> as sociedades em todo o mundo. Isto refor\u00e7a o papel fundamental de informa\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas e clim\u00e1ticas fi\u00e1veis e de confian\u00e7a para ajudar as comunidades a antecipar, adaptar-se e proteger vidas e meios de subsist\u00eancia\u201d, acrescenta Modigliani.<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio do calor mudou\u200b<\/p>\n<p>Os autores deixam no estudo um aviso relevante para a Europa, onde o calor extremo continua a ser relativamente raro em termos absolutos, mas cresce com rapidez em termos relativos. \u201cA extens\u00e3o geogr\u00e1fica do stress t\u00e9rmico perigoso expandiu-se, expondo regi\u00f5es que antes n\u00e3o eram afectadas.\u201d<\/p>\n<p>Da\u00ed que enfatizem que as estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ter\u00e3o de responder n\u00e3o s\u00f3 ao calor diurno, mas tamb\u00e9m ao calor nocturno, atrav\u00e9s de planos locais de sa\u00fade para o calor, sistemas de aviso precoce e interven\u00e7\u00f5es urbanas de protec\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u2014 centros de arrefecimento, por exemplo, onde grupos vulner\u00e1veis possam passar o dia ou a noite (no caso das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo).<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a no continente europeu j\u00e1 se v\u00ea tamb\u00e9m no calend\u00e1rio. \u201cNa Europa, o <a href=\"http:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/26\/azul\/noticia\/calor-aqui-estao-oito-nao-estao-40-graus-2138022\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">stress t\u00e9rmico<\/a> moderado come\u00e7a agora, em m\u00e9dia, em meados de Maio, em vez do in\u00edcio de Junho, e prolonga-se at\u00e9 quase Outubro, ao passo que o stress t\u00e9rmico forte <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/26\/azul\/noticia\/junho-novo-julho-calor-intenso-verao-chegar-cedo-2137884\" target=\"_self\" rel=\"nofollow noopener\">come\u00e7a em Junho<\/a>, e n\u00e3o em Julho. Para estes n\u00edveis de stress t\u00e9rmico, a esta\u00e7\u00e3o mais curta dos \u00faltimos dez anos foi mais longa do que a esta\u00e7\u00e3o mais longa da d\u00e9cada de 1970\u201d, l\u00ea-se no estudo.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>O agravamento n\u00e3o se mede apenas em graus, mas tamb\u00e9m em frequ\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada de 1970, o stress t\u00e9rmico extremo ocorre hoje 2,5 vezes mais na Europa, segundo a distribui\u00e7\u00e3o continental de temperaturas UTCI apresentada pelo estudo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m os eventos compostos \u2014 ou seja, dias de forte calor seguidos de noites tropicais \u2014 tornaram-se mais comuns e duradouros. Na Europa, a ocorr\u00eancia de eventos compostos de um dia aumentou 73%, enquanto os epis\u00f3dios com dura\u00e7\u00e3o entre 15 e 30 dias s\u00e3o agora 3,4 vezes mais frequentes. As sequ\u00eancias mais longas observadas, at\u00e9 120 dias consecutivos, quase duplicaram de frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia europeia inscreve-se num quadro global de agravamento acelerado. As regi\u00f5es subtropicais, entre elas o Sul da Europa, com caracter\u00edsticas espec\u00edficas do Mediterr\u00e2neo, passam agora por at\u00e9 50 dias adicionais por ano com, pelo menos, stress t\u00e9rmico forte, em compara\u00e7\u00e3o com os anos 1970. O stress t\u00e9rmico forte corresponde a valores iguais ou superiores a 32 graus Celsius no \u00edndice UTCI. <\/p>\n<p>Em paralelo, a exposi\u00e7\u00e3o humana ao calor extremo cresceu de forma marcada: a percentagem da popula\u00e7\u00e3o mundial exposta a pelo menos um dia por ano de stress t\u00e9rmico extremo subiu de 16% para 22%, o equivalente a mais mil milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>O artigo conclui que esse aumento n\u00e3o \u00e9 explicado apenas pelo crescimento demogr\u00e1fico: em muitas categorias, o agravamento do pr\u00f3prio stress t\u00e9rmico pesa tanto ou mais do que a expans\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Europa est\u00e1 entre as regi\u00f5es do mundo onde o stress t\u00e9rmico mais se agravou desde a d\u00e9cada&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":427923,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[995,5291,785,27,28,2834,2271,353,445,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,4111,542,23,24,896,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-427922","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-abre-conteudo","tag-aquecimento-global","tag-azul","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-calor","tag-clima","tag-em-destaque","tag-europa","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-onda-de-calor","tag-para-redes","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-saude-publica","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427922","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=427922"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/427922\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/427923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=427922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=427922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=427922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}