{"id":42819,"date":"2025-08-24T12:32:13","date_gmt":"2025-08-24T12:32:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/42819\/"},"modified":"2025-08-24T12:32:13","modified_gmt":"2025-08-24T12:32:13","slug":"marina-simao-a-grande-colorista-de-sua-geracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/42819\/","title":{"rendered":"Marina Sim\u00e3o, a grande colorista de sua gera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Alguns artistas pintam com o instinto. Outros, com a raz\u00e3o.<\/p>\n<p>Marina Sim\u00e3o faz os dois.<\/p>\n<p>Aos 43 anos, a mineira j\u00e1 \u00e9 representada pela Mendes Wood e pela Pace Gallery, e suas obras integram cole\u00e7\u00f5es de diversas institui\u00e7\u00f5es pelo mundo, incluindo museus na \u00c1sia.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-88170 alignright\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/08-24-Marina-Simao-ok-293x300.jpg\" alt=\"08 24 Marina Simao ok\" width=\"293\" height=\"300\" title=\"Marina Sim\u00e3o, a grande colorista de sua gera\u00e7\u00e3o 1\"  \/><\/p>\n<p>Agora, o Instituto Tomie Ohtake traz a mostra <b>Diapas\u00e3o<\/b>, com cerca de 80 pinturas, aquarelas e cadernos de estudo de Marina. O t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o, escolhido pelo curador Paulo Miyada, se refere ao instrumento de afina\u00e7\u00e3o \u2014 o diapas\u00e3o \u2014 comparando-o \u00e0s pinturas de Marina, que afinam nossa percep\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o, cor e mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um exerc\u00edcio de afina\u00e7\u00e3o constante, feito de queda e recome\u00e7o, onde o instinto encontra a cabe\u00e7a e a pintura, enfim, se revela,\u201d Miyada escreve no texto de abertura sobre o processo de Marina.<\/p>\n<p>A pintora se inspira na natureza, mas suas obras n\u00e3o t\u00eam c\u00e9u nem terra, nem mar nem floresta; interior e exterior se confundem, e as formas escapam a qualquer defini\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n<p>Sua pintura est\u00e1 longe de ser minimalista, muito pelo contr\u00e1rio: o gesto de Marina \u00e9 grandioso e radical. Come\u00e7a e termina sem hesita\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um ritmo musical em que harmonia e movimento regem o desenho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-88154 alignleft\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-legenda-2-2.png\" alt=\"Sem legenda 2 2\" width=\"260\" height=\"300\" title=\"Marina Sim\u00e3o, a grande colorista de sua gera\u00e7\u00e3o 2\"\/><\/p>\n<p>\u201cQuando eu come\u00e7o uma tela, j\u00e1 desenhei a imagem tantas vezes que sei exatamente o que fazer. Pare\u00e7o um animal. Eu ataco a tela. Acho que fica mais vibrante dessa forma,\u201d ela disse num livro sobre sua obra.<\/p>\n<p>As pinturas, sobretudo as de grande escala, costumam deixar o espectador entre o espanto e o maravilhamento \u2014 como se fossem portais para um universo paralelo.<\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a, Marina gostava de desenhar e fez v\u00e1rios cursos. Sua m\u00e3e pintava, e seu pai lhe estimulava o lado criativo; al\u00e9m de adorar escrever, estudou m\u00fasica e dan\u00e7a. Apesar da veia art\u00edstica, decidiu cursar Direito em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Entre as aulas de processo civil e penal, ingressou na Escola Guignard sob a orienta\u00e7\u00e3o da tamb\u00e9m artista \u2014 e hoje colega de galeria \u2014 Solange Pessoa. Em uma viagem a Paris para visitar amigos do curso de Direito, encantou-se pela \u00c9cole des Beaux\u2011Arts e teve a certeza de que era ali que queria estar.<\/p>\n<p>Os desafios eram in\u00fameros: estava no limite de idade aceito pelo curso, n\u00e3o dominava a l\u00edngua e enfrentaria concorr\u00eancia feroz. Apesar disso, foi aceita.<\/p>\n<p>Em Paris conheceu o tamb\u00e9m mineiro Pedro Mendes, ent\u00e3o estudante de hist\u00f3ria da arte. A din\u00e2mica da \u00c9cole previa a pr\u00e1tica em ateli\u00ea com um artista experiente orientando os alunos. Pedro, fascinado por visitar ateli\u00eas, se encantou com o que via Marina produzir. O hoje s\u00f3cio da Mendes Wood, que ainda n\u00e3o pensava em ser galerista, sugeriu a um amigo de Minas expor os desenhos de Marina. Venderam tudo.<\/p>\n<p>Pedro Mendes tornou\u2011se marchand solo e, depois, ao lado de Matthew Wood e Felipe Dmab, fundou a Mendes Wood, hoje uma das galerias brasileiras de maior proje\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Foi uma fase de expans\u00e3o: a artista ganhou representa\u00e7\u00e3o e um apoio raro para quem busca criar sem press\u00e3o comercial.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-88153 alignright\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Sem-legenda-3-2.png\" alt=\"Sem legenda 3 2\" width=\"260\" height=\"300\" title=\"Marina Sim\u00e3o, a grande colorista de sua gera\u00e7\u00e3o 3\"\/><\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o com um curador franc\u00eas \u2014 ent\u00e3o diretor do Mus\u00e9e d\u2019art moderne et contemporain de Saint\u2011\u00c9tienne, que tem uma das maiores cole\u00e7\u00f5es de desenho da Fran\u00e7a \u2014 abriu portas: convites para exposi\u00e7\u00f5es coletivas, incluindo a Bienal da Pol\u00f4nia, e inser\u00e7\u00e3o no circuito europeu. Nesse come\u00e7o de estudo formal e de carreira, Marina ainda n\u00e3o dominava a cor; seu trabalho era fortemente voltado ao desenho, testando materiais e a explora\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>De volta ao Brasil em 2012, depois de oito anos na Fran\u00e7a e j\u00e1 representada pela Mendes Wood, Marina decidiu se afastar do mercado para refletir sobre sua pr\u00e1tica art\u00edstica.<\/p>\n<p>Foram quase seis anos no ateli\u00ea enfrentando de frente seu maior desafio: a cor.<\/p>\n<p>A sedu\u00e7\u00e3o foi gradual e natural, uma demanda do pr\u00f3prio trabalho. O amigo galerista dizia que era hora de ela se jogar no abismo. Marina lembra que sentia medo do que encontraria nessa jornada; o mergulho \u00e9 dif\u00edcil para todo artista, ainda que seja a \u00fanica alternativa para a fiel tradu\u00e7\u00e3o do pensamento art\u00edstico.<\/p>\n<p>A dedica\u00e7\u00e3o valeu a pena. Em 2019, sua pintura ressurge magn\u00edfica e cheia de vitalidade, repercutindo internacionalmente, e hoje ela \u00e9 tida por muitos como a maior colorista de sua gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas acham que a minha pintura \u00e9 f\u00e1cil e r\u00e1pida, como uma explos\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 verdade. Envolve muito preparo, estudo, desenhos e ensaios,\u201d disse Marina. \u201cTem que parecer fluido \u00e9 autom\u00e1tico; eu quero que as pessoas sintam que \u00e9 natural e acess\u00edvel, por isso o resultado tem que ser generoso. Chegar nesse ponto n\u00e3o \u00e9 um caminho em linha reta.\u201d<\/p>\n<p>                                                        <a href=\"https:\/\/braziljournal.com\/author\/rita-drummond\/\" rel=\"author nofollow noopener\" title=\"Rita Drummond\" class=\"author url fn\" target=\"_blank\">Rita Drummond<\/a>                                                    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Alguns artistas pintam com o instinto. Outros, com a raz\u00e3o. Marina Sim\u00e3o faz os dois. 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