{"id":430332,"date":"2026-06-25T16:11:25","date_gmt":"2026-06-25T16:11:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/430332\/"},"modified":"2026-06-25T16:11:25","modified_gmt":"2026-06-25T16:11:25","slug":"um-tsunami-vai-atingir-o-mediterraneo-a-probabilidade-e-de-100-e-portugal-esta-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/430332\/","title":{"rendered":"Um tsunami vai atingir o Mediterr\u00e2neo. A probabilidade \u00e9 de 100% e Portugal est\u00e1 em risco"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de se, mas de quando. Na noite de ontem, dois sismos de magnitude 7.2 e 7.5 abalaram a Venezuela com apenas 39 segundos de diferen\u00e7a, provocando o colapso de edif\u00edcios em Caracas e gerando um alerta de tsunami que acabaria por ser cancelado. Poucas horas depois, tamb\u00e9m durante a noite, um sismo de magnitude 6.9 sacudiu a costa nordeste do Jap\u00e3o, ao largo da prefeitura de Iwate, sem v\u00edtimas reportadas mas com registo de pequenas varia\u00e7\u00f5es do n\u00edvel do mar em v\u00e1rios portos da regi\u00e3o. <\/p>\n<p>Dois lembretes, em menos de 24 horas, de que a atividade s\u00edsmica do planeta n\u00e3o dorme e de que a amea\u00e7a de tsunamis \u00e9 permanente. \u00c9 neste contexto que vale a pena revisitar um alerta da UNESCO que, apesar de n\u00e3o ser novo, permanece por cumprir em muitos pa\u00edses costeiros, incluindo Portugal.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas declarou que as estat\u00edsticas mostram uma probabilidade de 100% de ocorrer um tsunami com pelo menos um metro de altura no <a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"underline underline underline-offset-2 decoration-1 decoration-current\/40 hover:decoration-current focus:decoration-current\" href=\"https:\/\/www.ioc.unesco.org\/en\/our-work\/programmes\/tsunami\">Mar Mediterr\u00e2neo<\/a> nos pr\u00f3ximos 30 anos. O alerta foi lan\u00e7ado em 2022 e voltou a ganhar relevo \u00e0 medida que os pa\u00edses costeiros intensificam os planos de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Importa perceber o que esta percentagem significa na pr\u00e1tica. N\u00e3o significa que o fen\u00f3meno v\u00e1 acontecer amanh\u00e3, mas confirma algo essencial: \u00e9 inevit\u00e1vel. Um metro de altura n\u00e3o equivale necessariamente a uma cat\u00e1strofe de grande escala, mas num mar densamente habitado e com infraestruturas cr\u00edticas ao longo de toda a costa, o impacto pode ser consider\u00e1vel.<\/p>\n<p>O Mediterr\u00e2neo \u00e9, depois do Pac\u00edfico, o segundo maior reposit\u00f3rio de tsunamis hist\u00f3ricos registados. S\u00f3 na Costa Azul francesa foram documentados cerca de vinte incidentes desde o s\u00e9culo XVI, com ondas que chegaram frequentemente a ultrapassar os dois metros de altura.<\/p>\n<p><strong>Por que raz\u00e3o o Mediterr\u00e2neo \u00e9 t\u00e3o vulner\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>O Mediterr\u00e2neo \u00e9 um mar fechado e de dimens\u00f5es reduzidas, o que agrava a propaga\u00e7\u00e3o das ondas. A UNESCO considera que o risco de tsunamis foi subestimado em algumas regi\u00f5es do mundo, nomeadamente no Mediterr\u00e2neo, onde as comunidades n\u00e3o est\u00e3o preparadas ou instru\u00eddas sobre como reagir a este tipo de desastre. O Mediterr\u00e2neo oriental, que inclui a Gr\u00e9cia, a Turquia e a It\u00e1lia, \u00e9 considerado a zona de maior risco, devido \u00e0 intensa atividade tect\u00f3nica da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O fator tempo \u00e9 outro elemento cr\u00edtico. Um deslizamento submarino ou um sismo no Mar da Lig\u00faria poderia gerar ondas na Riviera Francesa em menos de dez minutos. Mesmo um sismo mais distante, como o de Boumerd\u00e8s em 2003, ao largo da costa argelina, levou apenas cerca de 75 minutos a fazer sentir os seus efeitos em Fran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>E Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>Embora virado para o Atl\u00e2ntico, Portugal n\u00e3o est\u00e1 fora do radar. O especialista Rachid Omira, do <a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"underline underline underline-offset-2 decoration-1 decoration-current\/40 hover:decoration-current focus:decoration-current\" href=\"https:\/\/www.ipma.pt\">Instituto Portugu\u00eas do Mar e da Atmosfera<\/a>, foi direto ao assumir que &#8220;n\u00e3o pode dizer que o risco de tsunami \u00e9 baixo&#8221;, distinguindo a perigosidade reduzida da zona tect\u00f3nica do risco real a que a costa portuguesa continua exposta.<\/p>\n<p>Estudos citados pelo IPMA indicam que existe uma probabilidade de 100% de as costas de Portugal continental, dos A\u00e7ores e da Madeira serem afetadas por um tsunami com pelo menos um metro de altura num per\u00edodo de exposi\u00e7\u00e3o de 500 anos. Portugal, Espanha e Marrocos poder\u00e3o ainda enfrentar um tsunami com pelo menos cinco metros de altura no mesmo per\u00edodo, com uma probabilidade de 50%.<\/p>\n<p>Modelos do IPMA apontam o Algarve como o ponto mais exposto: cidades como Portim\u00e3o, Lagos ou Faro podem ser atingidas em 20 a 30 minutos em caso de sismo de grande magnitude no Atl\u00e2ntico. O historial do pa\u00eds fala por si. O terramoto de 1755 gerou um dos tsunamis mais destrutivos da hist\u00f3ria europeia, com ondas que varreram a Baixa Pombalina e devastaram o litoral algarvio.<\/p>\n<p>Desde 2017, o <a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"underline underline underline-offset-2 decoration-1 decoration-current\/40 hover:decoration-current focus:decoration-current\" href=\"https:\/\/www.ipma.pt\/pt\/geofisica\/tsunami\/\">Centro de Alerta de Tsunamis de Portugal<\/a>, reconhecido pela UNESCO em 2019, integra a rede NEAM (Atl\u00e2ntico Nordeste, Mediterr\u00e2neo e Mares Conectados) e colabora com pa\u00edses como Espanha, Fran\u00e7a, Marrocos, It\u00e1lia e Reino Unido. Para refor\u00e7ar a dete\u00e7\u00e3o precoce, o IPMA est\u00e1 a instalar um cabo submarino com sensores s\u00edsmicos que ligar\u00e1 o continente \u00e0 Madeira e aos A\u00e7ores.<\/p>\n<p><strong>O que os pa\u00edses t\u00eam de fazer<\/strong><\/p>\n<p>Para responder \u00e0 amea\u00e7a, a UNESCO criou o <a target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"underline underline underline-offset-2 decoration-1 decoration-current\/40 hover:decoration-current focus:decoration-current\" href=\"https:\/\/www.ioc.unesco.org\/en\/our-work\/programmes\/tsunami\/tsunami-ready\">programa Tsunami Ready<\/a>, uma iniciativa internacional de base comunit\u00e1ria que certifica localidades com capacidade real de resposta. Os pa\u00edses participantes t\u00eam de cumprir 12 indicadores, entre os quais:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p>Cartografar e sinalizar as zonas de risco<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Aprovar mapas de evacua\u00e7\u00e3o de f\u00e1cil leitura<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Realizar pelo menos tr\u00eas a\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o por ano<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Efetuar simulacros comunit\u00e1rios de dois em dois anos<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p>Garantir mecanismos de alerta redundantes dispon\u00edveis 24 horas por dia<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>Portugal integra o Centro de Vigil\u00e2ncia para Tsunamis da Europa e Noroeste Atl\u00e2ntico, a par de Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia e Turquia, com centros nacionais de alerta acreditados pela UNESCO. Os avisos s\u00e3o acionados cerca de dez minutos ap\u00f3s a dete\u00e7\u00e3o de um sismo e podem ser transmitidos por diferentes canais, incluindo colunas de som e aplica\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de se, mas de quando. 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