{"id":433024,"date":"2026-06-28T10:26:15","date_gmt":"2026-06-28T10:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/433024\/"},"modified":"2026-06-28T10:26:15","modified_gmt":"2026-06-28T10:26:15","slug":"fossil-com-120-milhoes-de-anos-revela-nova-criatura-jian-changmaensis-um-bizarro-predador-planador-que-cacava-aves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/433024\/","title":{"rendered":"F\u00f3ssil com 120 milh\u00f5es de anos revela nova criatura. Jian changmaensis, um bizarro predador planador que ca\u00e7ava aves"},"content":{"rendered":"<p>                A linha que separa os dinossauros das primeiras aves torna-se cada vez mais t\u00e9nue \u00e0 medida que se fazem novas descobertas, especialmente porque os f\u00f3sseis revelam caracter\u00edsticas de dinossauros semelhantes a aves, ou de aves semelhantes a dinossauros<\/p>\n<p class=\"CustomStyleTitle\" style=\"margin-bottom:11px\">Um f\u00f3ssil com 120 milh\u00f5es de anos, encontrado no que \u00e9 hoje o noroeste da China, est\u00e1 a mudar a forma como os cientistas encaram um grupo invulgar de dinossauros predadores conhecido como microrraptores.<\/p>\n<p>O local onde o f\u00f3ssil foi descoberto vem ampliar a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica conhecida do primo menor e planador do velocirraptor de garras em forma de foice.<\/p>\n<p>Os ossos representam tamb\u00e9m o esp\u00e9cime mais recente e definitivo de microrraptor no registo f\u00f3ssil, alargando o per\u00edodo de tempo durante o qual os dinossauros com penas existiram.<\/p>\n<p>Uma nova an\u00e1lise dos ossos intactos do ombro e dos membros anteriores, referida pela primeira vez num resumo de um estudo em 2010, revelou que o f\u00f3ssil pertencia a uma esp\u00e9cie de microrraptor at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida.\u00a0A equipa de investiga\u00e7\u00e3o batizou o dinossauro de Jian changmaensis, de acordo com o estudo publicado recentemente na revista <a href=\"https:\/\/carnegiemnh.org\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Jian-changmaensis-Annals-of-Carnegie-Museum.pdf\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Annals of Carnegie Museum<\/a>.<\/p>\n<p>Jian faz refer\u00eancia a uma ave de uma \u00fanica asa da mitologia chinesa, numa alus\u00e3o \u00e0s caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s das aves que o dinossauro apresenta. O nome da esp\u00e9cie foi tamb\u00e9m uma refer\u00eancia \u00e0 Bacia de Changma, na prov\u00edncia de Gansu, onde o f\u00f3ssil foi descoberto &#8211; e, at\u00e9 ao momento, \u00e9 o \u00fanico esp\u00e9cime de microrraptor indiscut\u00edvel encontrado fora do nordeste da China.<\/p>\n<p>\u201cO jian changmaensis revela que dinossauros n\u00e3o avi\u00e1rios viveram naquilo que \u00e9 hoje a Bacia de Changma, uma \u00e1rea famosa pelos seus f\u00f3sseis de aves\u201d, afirmou numa declara\u00e7\u00e3o o coautor do estudo, o Dr. Matt Lamanna, investigador s\u00e9nior especializado em dinossauros e curador de paleontologia de vertebrados Mary R. Dawson no Museu Carnegie de Hist\u00f3ria Natural, em Pittsburgh.<\/p>\n<p>\u201cA nossa equipa recuperou mais de cem f\u00f3sseis de aves em Changma, mas apenas este \u00fanico esp\u00e9cime de dinossauro n\u00e3o avi\u00e1rio. Jian fornece novas informa\u00e7\u00f5es fundamentais sobre a hist\u00f3ria biol\u00f3gica da regi\u00e3o de Changma e o contexto ecol\u00f3gico dos antepassados das aves atuais.\u201d<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil bem preservado poder\u00e1 ajudar os investigadores a compreender melhor como os microrraptores usavam as suas asas para se deslocarem entre as \u00e1rvores &#8211; oferecendo novas pistas sobre as origens do voo das aves, segundo Lamanna.<\/p>\n<p>Um predador planador <\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, as reconstru\u00e7\u00f5es art\u00edsticas dos microrraptores parecem representa\u00e7\u00f5es de aves.<\/p>\n<p>\u201cSe vissem aquela coisa sentada numa \u00e1rvore, n\u00e3o pensariam no velocirraptor do \u201cJurassic Park\u201d\u201c, diz Lamanna \u00e0 CNN.\u00a0\u201cEste \u00e9 um dinossauro com caracter\u00edsticas extraordinariamente semelhantes \u00e0s das aves, capaz de voar at\u00e9 certo ponto.\u201d<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1782642374_9_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O f\u00f3ssil do microrraptor \u00e9 composto apenas por alguns ossos, mas encontra-se preservado em 3D.\u00a0Hailu You <\/p>\n<p>O corpo de um microrraptor estava coberto de penas &#8211; talvez at\u00e9 mais do que uma ave, pois, al\u00e9m dos bra\u00e7os, ou \u201casas\u201d, estes dinossauros tamb\u00e9m tinham penas longas nas patas traseiras, o que lhes conferia a apar\u00eancia de quatro asas.<\/p>\n<p>\u201cIsso levou muitos paleont\u00f3logos a sugerir que estes animais provavelmente viviam em parte no solo, mas que provavelmente tamb\u00e9m conseguiam trepar e planar de \u00e1rvore em \u00e1rvore, quase como um esquilo voador moderno\u201d, afirma Lamanna.<\/p>\n<p>Os microrraptores mais pequenos tinham um tamanho semelhante ao dos corvos modernos. O Jian changmaensis tinha provavelmente o tamanho de uma coruja-das-torres. Outros f\u00f3sseis que poder\u00e3o pertencer ao grupo dos microrraptores indicam que estas criaturas poderiam ter atingido tamanhos maiores, o que sugere que o Jian changmaensis se situava algures a meio caminho.<\/p>\n<p>Os velocirraptores e os microrraptores n\u00e3o eram aves, mas estavam intimamente relacionados com os antepassados das primeiras aves, como o Archaeopteryx.<\/p>\n<p>A linha que separa os dinossauros das primeiras aves torna-se cada vez mais t\u00e9nue \u00e0 medida que se fazem novas descobertas, explica Lamanna, especialmente porque os f\u00f3sseis revelam caracter\u00edsticas de dinossauros semelhantes a aves, ou de aves semelhantes a dinossauros.<\/p>\n<p>As aves modernas continuam a ser os parentes vivos mais pr\u00f3ximos dos dinossauros, que se extinguiram h\u00e1 cerca de 66 milh\u00f5es de anos, ap\u00f3s um enorme asteroide ter colidido com a Terra.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o todos dinossauros em termos evolutivos, mas depende realmente do lado do Archaeopteryx em que se situa\u201d, afirma Lamanna.<\/p>\n<p>No caso do f\u00f3ssil do Jian changmaensis, o ind\u00edcio inequ\u00edvoco de que a asa pertencia a um microrraptor e n\u00e3o a uma ave primitiva &#8211; tal como tantos outros na Bacia de Changma &#8211; era uma caracter\u00edstica distintiva do coracoide, uma parte da estrutura do ombro.<\/p>\n<p>A fenestra supracoracoide \u00e9 uma grande abertura que divide quase ao meio o osso do ombro. Essa caracter\u00edstica \u00e9 algo que todos os microrraptores possuem, mas que quase nenhuma outra criatura tem, refere Lamanna.<\/p>\n<p>A finalidade deste orif\u00edcio continua a ser uma inc\u00f3gnita para os investigadores; Lamanna afirmou acreditar que possa estar relacionada com o voo.\u00a0Tal como as aves modernas, os microrraptores tinham ombros compridos. O Jian changmaensis tem um excepcionalmente longo.<\/p>\n<p>\u201cPode ter algo a ver com o deslizamento ou com o facto de os animais que est\u00e3o na linha evolutiva das aves terem alterado a estrutura dos ombros para se adaptarem melhor ao voo\u201d, diz Lamanna.<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil \u00e9 composto apenas por alguns ossos, mas o comprimento indica que o dinossauro era provavelmente um voador, afirma Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolu\u00e7\u00e3o na Universidade de Edimburgo, na Esc\u00f3cia. Brusatte n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>\u201cIsto \u00e9 fant\u00e1stico, um novo f\u00f3ssil daqueles dinossauros que estavam praticamente prestes a tornar-se verdadeiras aves\u201d, aponta Brusatte.<\/p>\n<p>Um f\u00f3ssil raro na Bacia de Changma <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1782642374_731_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   A Bacia de Changma, local onde se encontrava um antigo lago, situa-se na prov\u00edncia de Gansu, no noroeste da China.\u00a0Matt Lamanna <\/p>\n<p>Os investigadores continuam a especular sobre o motivo pelo qual os parentes mais pequenos do velocirraptor desenvolveram asas e passaram a viver nas \u00e1rvores, mas Lamanna suspeita que existia um nicho ecol\u00f3gico dispon\u00edvel para predadores arbor\u00edcolas que os microrraptores vieram preencher.<\/p>\n<p>Os primos do microrraptor viviam no solo, mas habitar a copa das \u00e1rvores e planar de \u00e1rvore em \u00e1rvore pode ter sido uma forma mais segura de se manterem fora do alcance dos dinossauros carn\u00edvoros de maior porte.<\/p>\n<p>\u201cTalvez estas criaturas tenham come\u00e7ado no solo, tenham come\u00e7ado a trepar e, depois de chegarem \u00e0s \u00e1rvores, tenham desenvolvido caracter\u00edsticas que as ajudam a manter-se l\u00e1\u201d, teoriza Lamanna.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, de que se alimentava o Jian changmaensis? Aproveitando o seu habitat arb\u00f3reo, \u00e9 prov\u00e1vel que as aves fizessem parte do seu card\u00e1pio.<\/p>\n<p>Anteriormente, foi encontrado um f\u00f3ssil de microrraptor com ossos de uma ave dentro da sua caixa tor\u00e1cica.\u00a0E a coautora de Lamanna, Jingmai O\u2019Connor, paleont\u00f3loga de vertebrados e curadora associada de r\u00e9pteis f\u00f3sseis no Field Museum de Chicago, tamb\u00e9m salientou que os aglomerados de ossos encontrados na Bacia de Changma se assemelham \u00e0s bolas de pelo que as corujas regurgitam ap\u00f3s se alimentarem das suas presas.<\/p>\n<p>Jian tamb\u00e9m pode ter se alimentado de Gansus yumenensis, uma das primeiras aves da era dos dinossauros alguma vez encontradas na China.\u00a0Os paleont\u00f3logos descobriram esse f\u00f3ssil em 1981 na Bacia de Changma.<\/p>\n<p>Lamanna e a sua equipa t\u00eam vindo a investigar a Bacia de Changma desde 2004.\u00a0Foram recuperados esqueletos completos, alguns com penas e pele, o que indica que o Gansus tinha patas palmadas e provavelmente passava pelo menos parte do tempo na \u00e1gua.<\/p>\n<p>Com a descoberta de Jian, os investigadores sabem finalmente o que provavelmente se alimentava de Gansus e de outras aves antigas naquele local, explica Lamanna.Mas, se \u00e9 esse o caso, por que raz\u00e3o s\u00f3 foi encontrado um f\u00f3ssil de microrraptor nesse local?<\/p>\n<p>\u201cSe pudesses viajar numa m\u00e1quina do tempo at\u00e9 h\u00e1 120 milh\u00f5es de anos, estar-te-ias nas margens de um vasto lago rodeado de vegeta\u00e7\u00e3o\u201d, refere Lamanna.\u00a0\u201c\u00c9 l\u00f3gico que, se estivermos a observar um lago, possamos encontrar mais animais que vivem no seu interior do que aqueles que vivem nas margens.\u201d<\/p>\n<p>Muitos f\u00f3sseis de aves e microrraptores s\u00e3o normalmente encontrados esmagados, achatados em duas dimens\u00f5es, o que torna mais dif\u00edcil o estudo dos seus ossos e das suas capacidades de voo.\u00a0Mas a asa f\u00f3ssil de Jian foi preservada em tr\u00eas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1782642375_144_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Os investigadores trabalham numa pedreira na Bacia de Changma. Jingmai O&#8217;Connor <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 raro ver o ombro de um Microraptor em 3D\u201d, afirma T. Alexander Dececchi, professor assistente na Faculdade de Artes e Ci\u00eancias da Universidade Estadual de Dakota, em Madison, Dakota do Sul.\u00a0Dececchi n\u00e3o participou neste estudo, mas j\u00e1 investigou outros esp\u00e9cimes de microrraptor.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, alarga o \u00e2mbito geogr\u00e1fico e ajuda a demonstrar a diversidade anat\u00f3mica deste grupo, o que \u00e9 importante para determinar onde, quando e quais destes animais poderiam recorrer \u00e0 locomo\u00e7\u00e3o a\u00e9rea\u201d, escreve Dececchi num e-mail.<\/p>\n<p>\u201cProvavelmente, isso tamb\u00e9m representa um paleoambiente diferente, o que, quando somado ao nosso conhecimento sobre a diversidade alimentar destes animais, sugere que, embora todos os microrraptorinos suspeitos, com exce\u00e7\u00e3o de um, sejam origin\u00e1rios do nordeste da China, nessa regi\u00e3o e naquela \u00e9poca constitu\u00edam uma componente comum e generalizada do ecossistema.&#8221;<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil tamb\u00e9m permitir\u00e1 aos cientistas estudar a evolu\u00e7\u00e3o das asas e do voo dos microrraptores, acrescenta.<\/p>\n<p>Como pr\u00f3ximo passo, Lamanna afirma que ele e os seus colegas est\u00e3o interessados em analisar a asa para ver o que ela poder\u00e1 revelar sobre as capacidades de voo ou de planar dos microrraptores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A linha que separa os dinossauros das primeiras aves torna-se cada vez mais t\u00e9nue \u00e0 medida que se&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":433025,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[609,836,611,3504,27,109,107,108,607,608,333,832,604,135,70066,610,476,9420,301,830,603,570,831,833,62,834,13,835,602,70067,52,32,33,105,103,104,106,110,29],"class_list":["post-433024","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-arqueologia","tag-breaking-news","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-costa","tag-crime","tag-desporto","tag-dinaussauro","tag-direto","tag-economia","tag-fossil","tag-governo","tag-guerra","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-palentologia","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-ultimas"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/433024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=433024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/433024\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/433025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=433024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=433024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=433024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}