{"id":43351,"date":"2025-08-24T20:10:08","date_gmt":"2025-08-24T20:10:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/43351\/"},"modified":"2025-08-24T20:10:08","modified_gmt":"2025-08-24T20:10:08","slug":"a-leitura-sobreviveu-a-crise-das-livrarias-agora-escreve-seus-proximos-capitulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/43351\/","title":{"rendered":"A Leitura sobreviveu \u00e0 crise das livrarias. Agora, escreve seus pr\u00f3ximos cap\u00edtulos"},"content":{"rendered":"<p>Ainda menino, Marcus Teles costumava subir na pilha de livros estocados no apartamento da fam\u00edlia, em Belo Horizonte. \u201cCoisa de crian\u00e7a\u201d, diz. Ele deixara a pequena Dores do Indai\u00e1 (MG) aos tr\u00eas anos. A m\u00e3e era professora e contadora de hist\u00f3rias. O pai, fazendeiro e poeta.<\/p>\n<p>Anos antes, em 1967, Em\u00eddio, seu irm\u00e3o mais velho, j\u00e1 tinha seguido para a capital mineira, onde fundou, ao lado do primo L\u00facio, a livraria L\u00ea, as iniciais dos seus nomes. Nesse in\u00edcio, o cat\u00e1logo era formado, em sua maioria, por livros usados, vindos do acervo do pr\u00f3prio cl\u00e3 e de doa\u00e7\u00f5es de amigos.<\/p>\n<p>A loja vingou. E, com o tempo, boa parte da prole \u2014 eram 15 filhos no total \u2014 trabalhou no neg\u00f3cio. Para Teles, os livros deixaram de ser uma brincadeira aos 13 anos, quando se tornou o office-boy da L\u00ea. E, principalmente, na d\u00e9cada de 1990, ao assumir a frente da opera\u00e7\u00e3o, j\u00e1 rebatizada como <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/noticias-sobre\/livraria-leitura\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Leitura<\/a>.<\/p>\n<p>Sob seu comando, a Leitura expandiu suas fronteiras \u2014 mesmo em um pa\u00eds que pouco l\u00ea \u2014 e sobreviveu \u00e0 trama que colocou um ponto final em <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/noticias-sobre\/livrarias\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">livrarias<\/a> como a <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/noticias-sobre\/livraria-saraiva\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Saraiva<\/a>. Hoje, a rede \u00e9 a maior do Brasil em lojas f\u00edsicas, com 128 unidades. E, no que depender de Teles, essa hist\u00f3ria ainda guarda muitos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>\u201cRedes como a Leitura e a Livraria da Vila est\u00e3o recuperando as prateleiras que o livro perdeu no Brasil\u201d, diz Teles, CEO da Leitura. \u201cOutras fecharam as portas e sobrou espa\u00e7o. \u00c9 claro que essa margem est\u00e1 diminuindo, mas o Pa\u00eds \u00e9 muito grande e ainda tem muita regi\u00e3o carente de uma boa livraria.\u201d<\/p>\n<p>Nessa equa\u00e7\u00e3o, a Saraiva faliu em 2023, ap\u00f3s entrar em recupera\u00e7\u00e3o judicial, cinco anos antes. Tamb\u00e9m em 2018, a <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/noticias-sobre\/livraria-laselva\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Laselva<\/a> fechou suas portas e a francesa <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/noticias-sobre\/fnac\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Fnac<\/a> deixou o Pa\u00eds. No mesmo ano, a RJ foi o caminho da <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/noticias-sobre\/livraria-cultura\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Cultura<\/a>, que hoje opera com poucas lojas em S\u00e3o Paulo e, majoritariamente, no online.<\/p>\n<p>No saldo entre fechamentos e aberturas, o Brasil j\u00e1 est\u00e1 pr\u00f3ximo da base que tinha antes dessas baixas. Hoje, s\u00e3o cerca de 2,9 mil livrarias no Pa\u00eds, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias (ANL). E a Leitura j\u00e1 est\u00e1 tra\u00e7ando as pr\u00f3ximas linhas para seguir ampliando esse n\u00famero.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, a rede chegou a 128 lojas, com duas novas livrarias nos shoppings SP Market, em S\u00e3o Paulo, e DF Plaza Shopping, em \u00c1guas Claras (DF). Com projetos ainda em An\u00e1polis (GO), Rio de Janeiro e Volta Redonda (RJ), a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 fechar 2025 com 131 unidades.<\/p>\n<p>\u201cPara 2026, a meta \u00e9 chegar a 140 lojas\u201d, diz Teles. \u201cJ\u00e1 temos duas certas, em Fortaleza e no interior de Minas. E outras em negocia\u00e7\u00e3o, em pra\u00e7as como a regi\u00e3o metropolitana de Recife, Centro-Oeste e S\u00e3o Paulo.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de avan\u00e7ar sobre os espa\u00e7os deixados pela concorr\u00eancia, a Leitura vai seguir \u201ccomendo pelas beiradas\u201d, em um modelo que, \u00e0 parte do decl\u00ednio das rivais, ajuda a explicar, em boa medida, seu crescimento. Tanto que, em 2018, a empresa j\u00e1 tinha cerca de 70 livrarias.<\/p>\n<p>Essa tese se traduz em lojas em cidades do interior e nas regi\u00f5es metropolitanas das capitais \u2013 Teles calcula que o Pa\u00eds comporta uma livraria a cada 50 mil habitantes. Esse foi o plano adotado em pra\u00e7as como S\u00e3o Paulo, onde a Leitura desembarcou em 2016, com uma primeira unidade em Jundia\u00ed.<\/p>\n<p>A mesma abordagem vale para periferias das capitais e grandes cidades. Na capital paulista, por exemplo, a rede tem uma loja no Shopping Aricanduva, em Itaquera, zona leste da capital, de olho nos potenciais leitores n\u00e3o apenas do local, mas tamb\u00e9m dos bairros no entorno.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o precisa ser rico para gostar de livro\u201d, diz ele. \u201cO pre\u00e7o m\u00e9dio de um t\u00edtulo no Brasil \u00e9 de R$ 51,60. Sim, \u00e9 mais caro que outros meios culturais. Uma ida ao <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/finde\/um-filme-que-fala-de-coracoes-partidos-e-revela-o-jovem-joao-pedro-mariano\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">cinema<\/a> custa R$ 40, mas \u00e9 um programa de 1h30.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-179263 size-full\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/marcus-teles-ceo-leitura.jpg\" alt=\"\" width=\"860\" height=\"484\"\/>Marcus Teles, CEO da Leitura<\/p>\n<p>Em outra conta, a Leitura tamb\u00e9m come\u00e7a a baixar um pouco sua r\u00e9gua. Se at\u00e9 pouco tempo, a prioridade eram cidades acima de 300 mil habitantes, agora, a rede come\u00e7a a abrir espa\u00e7o para cidades com mais de 200 mil habitantes.<\/p>\n<p>Aqui, novamente, uma leitura mais ampla embala essa estrat\u00e9gia. \u201cVolta Redonda, por exemplo, tem 260 mil habitantes. Mas, ao lado, tem Barra Mansa, com 170 mil. E \u00e9 uma regi\u00e3o carente de livrarias\u201d, diz Teles, citando ainda aberturas recentes que seguem essa mesma linha, como a loja de Indaiatuba (SP).<\/p>\n<p>Em contrapartida, ele v\u00ea menos espa\u00e7o para megastores, especialmente no tamanho em que o formato avan\u00e7ou antes da crise do setor \u2014 de 3 a 4 mil metros quadrados. Hoje, as lojas da Leitura variam, em m\u00e9dia, de 200 a mil metros quadrados, com investimentos de R$ 700 mil a R$ 2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Outros personagens e uma &#8220;grande vil\u00e3&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 mais fios condutores nesse enredo. A fam\u00edlia Teles de Carvalho controla a Leitura, com dois ter\u00e7os da opera\u00e7\u00e3o. Mas abre espa\u00e7o para outros personagens. A fatia restante est\u00e1 dividida entre gerentes de lojas com melhor desempenho, que, a cada ano, s\u00e3o convidados a serem s\u00f3cios em novas unidades.<\/p>\n<p>O cl\u00e3 det\u00e9m uma porcentagem de, no m\u00ednimo, 51% dessas lojas. E entende que, al\u00e9m de ampliar o v\u00ednculo e dividir o risco com esse novo s\u00f3cio, ganha uma vantagem ao ter um acionista na ponta da opera\u00e7\u00e3o, assim como j\u00e1 acontece com as unidades tocadas diretamente pela fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cNossos administradores est\u00e3o dentro das lojas. N\u00e3o s\u00e3o diretores ou vendedores que est\u00e3o no escrit\u00f3rio\u201d, explica. \u201cTemos mais de 2,6 mil funcion\u00e1rios e menos de 2% est\u00e3o na nossa central. Boa parte deles est\u00e1 enxergando o cliente no dia a dia.\u201d<\/p>\n<p>Essa proximidade tamb\u00e9m se reflete no mix. Cada loja tem autonomia para escolher o cat\u00e1logo mais aderente ao perfil da sua regi\u00e3o. Assim, pelo menos 15% a 20% dos seus acervos seguem essa proposta.<\/p>\n<p>Hoje, com esse modelo, a Leitura n\u00e3o tem presen\u00e7a apenas nos estados do Acre, Roraima e Paran\u00e1. E entende que essa capilaridade \u00e9 tamb\u00e9m sua maior fortaleza no digital, j\u00e1 que cada uma das suas lojas opera como um estoque avan\u00e7ado para as entregas e retiradas dos livros comprados pelo canal online.<\/p>\n<p>\u201cMeu concorrente pode conseguir entregar r\u00e1pido em S\u00e3o Paulo e no Rio\u201d, diz o CEO. \u201cMas quero ver ele entregar em menos de 24 horas em Macap\u00e1, Caruaru, <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/negocios\/na-porto-novas-verticais-ganham-corpo-e-abrem-espaco-para-socios-estrategicos\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Porto<\/a> Velho ou no interior de Minas.\u201d<\/p>\n<p>Distante das lojas f\u00edsicas, o tal concorrente citado por Teles atende pelo nome da <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/noticias-sobre\/amazon\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Amazon<\/a>. E ele entende que, assim como aconteceu em outros pa\u00edses, e, \u00e0 parte dos problemas espec\u00edficos de cada opera\u00e7\u00e3o, a chegada da gigante fundada por <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/negocios\/jeff-bezos-leva-espiao-britanico-para-casa-e-amazon-assume-controle-criativo-de-007\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jeff Bezos<\/a>, em 2012, foi o que acelerou a derrocada das rivais.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico come\u00e7ou pelo livro, com a <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/negocios\/amazon-abre-os-cofres-e-busca-uma-openai-para-chamar-de-sua\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Amazon<\/a>\u201d, diz. \u201cEla entra vendendo livro, normalmente com preju\u00edzo, para crescer r\u00e1pido e como isca para um ecossistema muito maior, a\u00ed sim, bastante lucrativo. Para eles, perder US$ 0,90 por livro n\u00e3o \u00e9 nada.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, o grande erro de redes como Saraiva foi tentar acompanhar essa toada, com o peso adicional, por\u00e9m, de suas lojas f\u00edsicas, do portf\u00f3lio mais restrito e do menor poder de fogo. \u201cAlguns tentaram ser a Amazon do Brasil e cresceram no virtual. Mas tinham lojas que j\u00e1 nasciam deficit\u00e1rias. E n\u00e3o fechavam.\u201d<\/p>\n<p>A Leitura, por sua vez, \u00e9 comedida em descontos no canal online. E n\u00e3o tem nenhum \u201capego\u201d \u00e0s suas lojas. No modelo da rede, uma unidade tem, na maioria dos casos, at\u00e9 dois anos para operar no azul. Do contr\u00e1rio, suas portas s\u00e3o fechadas.<\/p>\n<p>Nessa mesma linha, o CEO ressalta que \u201cmais de 95%\u201d dos investimentos da Leitura s\u00e3o financiados com caixa pr\u00f3prio. Ele guarda a sete chaves, por\u00e9m, os n\u00fameros da opera\u00e7\u00e3o. E s\u00f3 revela que a rede j\u00e1 bateu a meta de vender 13,2 milh\u00f5es de livros em 2025. A nova proje\u00e7\u00e3o aponta para 13,6 milh\u00f5es de t\u00edtulos.<\/p>\n<p>Os livros representam cerca de 65% da receita da companhia. O que, levando-se em conta o pre\u00e7o-m\u00e9dio de R$ 51,60 e as categorias restantes, j\u00e1 apontaria para um faturamento acima de R$ 1 bilh\u00e3o. Nas estimativas mais recentes do mercado, esse n\u00famero foi de R$ 770 milh\u00f5es em 2024.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ainda menino, Marcus Teles costumava subir na pilha de livros estocados no apartamento da fam\u00edlia, em Belo Horizonte.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43352,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[514,169,114,115,3637,879,13261,13262,13263,3640,170,13264,32,33],"class_list":{"0":"post-43351","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-amazon","9":"tag-books","10":"tag-entertainment","11":"tag-entretenimento","12":"tag-fnac","13":"tag-leitura","14":"tag-livraria-cultura","15":"tag-livraria-laselva","16":"tag-livraria-saraiva","17":"tag-livrarias","18":"tag-livros","19":"tag-marcus-teles","20":"tag-portugal","21":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}