{"id":435335,"date":"2026-06-30T10:51:14","date_gmt":"2026-06-30T10:51:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435335\/"},"modified":"2026-06-30T10:51:14","modified_gmt":"2026-06-30T10:51:14","slug":"desvendando-a-vacina-da-gripe-como-a-vigilancia-global-do-influenza-define-as-cepas-do-imunizante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435335\/","title":{"rendered":"Desvendando a vacina da gripe: como a vigil\u00e2ncia global do influenza define as cepas do imunizante"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/gripe-k-2.webp\" alt=\"Mar\u00edlia Ruberti\/Comunica\u00e7\u00e3o Instituto Butantan)\" title=\"Mar\u00edlia Ruberti\/Comunica\u00e7\u00e3o Instituto Butantan)\" style=\"max-width:100%;height:auto;\"\/>Cepa do v\u00edrus influenza utilizada em uma das formula\u00e7\u00f5es da vacina da gripe (Foto: Mar\u00edlia Ruberti\/Comunica\u00e7\u00e3o Instituto Butantan<\/p>\n<p>Todos os anos, meses antes do in\u00edcio das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o contra a gripe, a comunidade cient\u00edfica global se debru\u00e7a sobre uma quest\u00e3o fundamental: quais cepas do v\u00edrus influenza ser\u00e3o as mais prevalentes nas pr\u00f3ximas temporadas, tanto no Hemisf\u00e9rio Norte quanto no Sul? A resposta a essa pergunta crucial \u00e9 fruto de uma extensa e complexa rede de vigil\u00e2ncia global, que monitora a evolu\u00e7\u00e3o constante do v\u00edrus e orienta a formula\u00e7\u00e3o das vacinas anuais. No Brasil, essa pesquisa \u00e9 essencial para a produ\u00e7\u00e3o de imunizantes como a vers\u00e3o trivalente fabricada pelo Instituto Butantan e distribu\u00edda pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um esfor\u00e7o cont\u00ednuo e coordenado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que envolve centenas de laborat\u00f3rios em mais de 130 pa\u00edses\u201d, explica Isabela Carvalho Brcko, pesquisadora especialista em v\u00edrus respirat\u00f3rios e p\u00f3s-doutoranda do Centro para Vigil\u00e2ncia Viral e Avalia\u00e7\u00e3o Sorol\u00f3gica (CeVIVAS) do Instituto Butantan. Esse trabalho minucioso de vigil\u00e2ncia \u00e9 o que permite transformar dados coletados em diversas partes do mundo na composi\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de doses de vacina, essenciais para proteger a popula\u00e7\u00e3o contra um v\u00edrus que est\u00e1 em constante muta\u00e7\u00e3o. A OMS estima que cerca de um bilh\u00e3o de casos de gripe sazonal ocorram anualmente, com tr\u00eas a cinco milh\u00f5es deles podendo evoluir para quadros graves.<\/p>\n<p>A complexidade do v\u00edrus influenza e suas varia\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>O v\u00edrus influenza possui caracter\u00edsticas singulares, sendo a sua variedade uma das mais not\u00e1veis. Atualmente, a ci\u00eancia reconhece tr\u00eas tipos principais que circulam entre humanos: Influenza A, B e C. No entanto, apenas os tipos A e B s\u00e3o respons\u00e1veis por causar as epidemias sazonais que afetam a sa\u00fade p\u00fablica globalmente.<\/p>\n<p>O Influenza A, por exemplo, \u00e9 categorizado em subtipos com base na combina\u00e7\u00e3o de duas prote\u00ednas presentes em sua superf\u00edcie: a hemaglutinina (HA) e a neuraminidase (NA). A HA \u00e9 crucial para o reconhecimento e infec\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas do trato respirat\u00f3rio, enquanto a NA atua na libera\u00e7\u00e3o das part\u00edculas virais no organismo. J\u00e1 foram identificados 18 subtipos de HA e 11 de NA. As combina\u00e7\u00f5es mais comuns que circulam entre a popula\u00e7\u00e3o humana s\u00e3o o influenza A(H1N1) e A(H3N2), o que justifica a inclus\u00e3o de ambos na formula\u00e7\u00e3o da vacina da gripe.<\/p>\n<p>O v\u00edrus influenza B, embora tamb\u00e9m possua HA e NA, \u00e9 subdividido em duas linhagens conhecidas: Victoria e Yamagata. Contudo, desde 2020, n\u00e3o h\u00e1 registros da circula\u00e7\u00e3o da linhagem Yamagata. Cientistas levantam a hip\u00f3tese de que as rigorosas restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e sociais implementadas durante a pandemia de Covid-19 podem ter contribu\u00eddo para a poss\u00edvel extin\u00e7\u00e3o desse subtipo. Diante desse cen\u00e1rio, a OMS tem recomendado a inclus\u00e3o apenas da cepa Victoria na composi\u00e7\u00e3o do imunizante trivalente.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica das muta\u00e7\u00f5es e a necessidade da vacina anual<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais desafiadoras do v\u00edrus influenza \u00e9 sua not\u00e1vel capacidade de muta\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma estrat\u00e9gia biol\u00f3gica e evolutiva que garante a \u201csobreviv\u00eancia\u201d do microrganismo. \u201cGeralmente, essas transforma\u00e7\u00f5es se acumulam na regi\u00e3o do ep\u00edtopo, a \u2018cabe\u00e7a\u2019 da hemaglutinina, que \u00e9 a \u00e1rea respons\u00e1vel por reconhecer e se fixar nas c\u00e9lulas saud\u00e1veis do hospedeiro\u201d, detalha a pesquisadora Isabela Brcko.<\/p>\n<p>Com o tempo, o ac\u00famulo dessas muta\u00e7\u00f5es permite que o v\u00edrus \u201cescape\u201d da resposta imunol\u00f3gica desenvolvida pelo organismo, resultando no surgimento de uma nova variante. \u00c9 essa constante varia\u00e7\u00e3o antig\u00eanica que explica por que uma pessoa pode ser infectada diversas vezes pelo v\u00edrus influenza ao longo da vida e por que a formula\u00e7\u00e3o da vacina da gripe precisa ser atualizada anualmente para manter sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>\u201cNem todos os v\u00edrus da gripe mudam no mesmo ritmo. O subtipo A(H3N2), por exemplo, apresenta uma velocidade de muta\u00e7\u00e3o superior \u00e0 do A(H1N1). J\u00e1 o Influenza B \u00e9 ainda mais lento em suas transforma\u00e7\u00f5es\u201d, observa a p\u00f3s-doutoranda do CeVIVAS. Al\u00e9m das muta\u00e7\u00f5es graduais, existe a possibilidade de um rearranjo antig\u00eanico, um processo de muta\u00e7\u00e3o muito mais abrupto que envolve a troca completa de um ou mais segmentos do genoma viral. \u201cEssas mudan\u00e7as podem impactar diretamente a infectividade, ou seja, a capacidade de dispers\u00e3o do v\u00edrus, fazendo com que ele se replique rapidamente, ou a virul\u00eancia, provocando uma doen\u00e7a com sintomas mais fortes e maior gravidade\u201d, complementa a especialista.<\/p>\n<p>O papel fundamental do Brasil na vigil\u00e2ncia da gripe<\/p>\n<p>Desde o final da d\u00e9cada de 1940, a vigil\u00e2ncia do v\u00edrus da gripe \u00e9 uma iniciativa global coordenada pela OMS. Seu principal objetivo \u00e9 recomendar as atualiza\u00e7\u00f5es anuais na composi\u00e7\u00e3o dos imunizantes para os hemisf\u00e9rios Sul e Norte, al\u00e9m de identificar precocemente muta\u00e7\u00f5es que possam ser alarmantes. Isso permite a r\u00e1pida ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para conter a dissemina\u00e7\u00e3o e mitigar o impacto do v\u00edrus em escala mundial.<\/p>\n<p>Atualmente, essa tarefa \u00e9 liderada pelo Sistema Global de Vigil\u00e2ncia e Resposta \u00e0 Gripe (GISRS), uma rede que congrega centenas de laborat\u00f3rios em mais de 130 pa\u00edses. O Brasil desempenha um papel ativo nesse sistema, contribuindo com um grupo nacional de vigil\u00e2ncia composto por 27 Laborat\u00f3rios Estaduais Centrais de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacens). Al\u00e9m disso, o pa\u00eds conta com tr\u00eas laborat\u00f3rios de refer\u00eancia para influenza credenciados junto \u00e0 OMS: a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro (RJ); o Instituto Adolfo Lutz, em S\u00e3o Paulo (SP); e o Instituto Evandro Chagas, em Ananindeua (PA).<\/p>\n<p>Isabela Brcko detalha que o monitoramento do v\u00edrus influenza come\u00e7a nas pr\u00f3prias unidades de sa\u00fade. Conhecidas como \u201csentinelas\u201d, essas unidades s\u00e3o respons\u00e1veis por coletar amostras de pacientes que apresentam S\u00edndrome Gripal (SG), uma infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria com potencial de dissemina\u00e7\u00e3o, e S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (SRAG), uma infec\u00e7\u00e3o severa que causa dificuldade respirat\u00f3ria. Essas coletas s\u00e3o realizadas de forma cont\u00ednua e padronizada, seguindo as normas estabelecidas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Parte dessas amostras \u00e9 ent\u00e3o encaminhada aos Lacens, onde se inicia o trabalho de identifica\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Acompanhar a ci\u00eancia por tr\u00e1s da vacina da gripe \u00e9 essencial para entender a import\u00e2ncia da imuniza\u00e7\u00e3o anual. Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade, ci\u00eancia e os avan\u00e7os que impactam o dia a dia, continue acompanhando o Fato Paulista, seu portal de not\u00edcias comprometido com informa\u00e7\u00e3o relevante e de qualidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cepa do v\u00edrus influenza utilizada em uma das formula\u00e7\u00f5es da vacina da gripe (Foto: Mar\u00edlia Ruberti\/Comunica\u00e7\u00e3o Instituto Butantan&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":435336,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[726,42942,70374,4769,25731,1418,116,35866,2850,70375,2778,32,33,117,4483,1333,23282,1893],"class_list":["post-435335","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-brasil","tag-butantan","tag-cepas","tag-cientistas","tag-epidemia","tag-gripe","tag-health","tag-imunizante","tag-influenza","tag-mutacao","tag-oms","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-sus","tag-vacina","tag-vigilancia","tag-virus"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116838681593267530","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=435335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435335\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/435336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=435335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=435335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=435335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}