{"id":435446,"date":"2026-06-30T12:54:23","date_gmt":"2026-06-30T12:54:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435446\/"},"modified":"2026-06-30T12:54:23","modified_gmt":"2026-06-30T12:54:23","slug":"sintra-lagarde-aponta-que-juros-nao-irao-subir-bruscamente-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435446\/","title":{"rendered":"Sintra. Lagarde aponta que juros n\u00e3o ir\u00e3o subir bruscamente \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>A economia europeia est\u00e1 mais resiliente a choques e, por isso, eventuais \u201c<strong>ajustes<\/strong>\u201d na taxa de juro por parte do BCE ser\u00e3o \u201c<strong>comedidos<\/strong>\u201c. O sinal foi dado por <strong>Christine Lagarde<\/strong> nesta segunda-feira, no discurso de abertura oficial do F\u00f3rum BCE, que anualmente re\u00fane em Sintra os principais banqueiros centrais de todo o mundo e acad\u00e9micos desta \u00e1rea. Comparando com a grande subida dos juros de 2022\/2023, Lagarde afirma que \u201c<strong>j\u00e1 n\u00e3o temos necessidade de agir com a mesma for\u00e7a<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>No discurso feito durante o jantar que abre o evento anual, no resort Penha Longa, em Sintra, Christine Lagarde defendeu que a pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco Central Europeu entrou numa nova fase, marcada por um <strong>regresso ao \u201cessencial\u201d:<\/strong> controlar a infla\u00e7\u00e3o <strong>atrav\u00e9s das taxas de juro<\/strong>, deixando para segundo plano os instrumentos extraordin\u00e1rios utilizados durante as sucessivas crises da \u00faltima d\u00e9cada e meia \u2013 que inclu\u00edram, por exemplo, programas de compra de t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<p>A presidente do BCE sustentou que o contexto econ\u00f3mico mudou, permitindo ao banco central atuar de forma mais gradual, com <strong>decis\u00f5es tomadas reuni\u00e3o a reuni\u00e3o<\/strong> e dependentes dos dados dispon\u00edveis, sem recorrer \u00e0 chamada forward guidance (orienta\u00e7\u00e3o antecipada) que foi empregue em anos anteriores, quando a autoridade monet\u00e1ria sentiu necessidade de dar pistas sobre as decis\u00f5es futuras para mais facilmente levar as taxas de juro de mercado (como as Euribor) para os n\u00edveis que queria, em cada momento.<\/p>\n<p>Segundo Lagarde, esta mudan\u00e7a tornou-se poss\u00edvel porque a <strong>zona euro \u00e9 hoje mais resiliente<\/strong>. A respons\u00e1vel referiu que as reformas introduzidas ap\u00f3s a crise das d\u00edvidas soberanas, o refor\u00e7o da supervis\u00e3o banc\u00e1ria e, mais recentemente, a cria\u00e7\u00e3o de instrumentos como o Mecanismo de Prote\u00e7\u00e3o da Transmiss\u00e3o (TPI), ao abrigo do qual se pode voltar a comprar d\u00edvida p\u00fablica se for necess\u00e1rio, explicam porque \u00e9 que a zona euro tem resistido melhor aos \u00faltimos choques como a guerra no Ir\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Esta resili\u00eancia tem sido claramente vis\u00edvel nos \u00faltimos anos<\/strong>\u201c, afirmou Christine Lagarde. \u201cA fal\u00eancia do Silicon Valley Bank [nos EUA] n\u00e3o desestabilizou os bancos da zona euro. A zona euro tamb\u00e9m superou o maior aumento das tarifas dos EUA em quase um s\u00e9culo, bem como o que a Ag\u00eancia Internacional de Energia denominou a maior interrup\u00e7\u00e3o no fornecimento de petr\u00f3leo da hist\u00f3ria\u201d, notou, acrescentando que \u201c<strong>os custos foram substanciais, mas a economia n\u00e3o descarrilou<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>A convic\u00e7\u00e3o do BCE \u00e9 que \u201cas flutua\u00e7\u00f5es c\u00edclicas permaneceram controladas, mesmo que alguns destes choques representem desafios para as perspetivas de crescimento a longo prazo da Europa\u201d, afirma Lagarde, acrescentando que o Mecanismo Europeu de Estabilidade e o NextGenerationEU [o PRR] \u201creduziram os riscos de fragmenta\u00e7\u00e3o financeira e permitem ao BCE ajustar as taxas de juro para combater a infla\u00e7\u00e3o <strong>sem receio de desencadear instabilidade nos mercados<\/strong>\u201c. Al\u00e9m disso, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 a reduzir a vulnerabilidade da economia europeia aos choques nos pre\u00e7os da energia, considerou a presidente do BCE.<\/p>\n<blockquote>\n<p>Ao tornar a economia mais resiliente a choques, esta estrutura reduziu a necessidade de respostas pol\u00edticas n\u00e3o convencionais ou agressivas, afirmou Lagarde.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No entanto, apesar desta maior robustez, Lagarde alertou que o <strong>enquadramento internacional se tornou mais complexo e imprevis\u00edvel<\/strong>. A economia europeia enfrenta, agora, maior risco de sofrer <strong>choques econ\u00f3micos que t\u00eam origem sobretudo na oferta<\/strong>, com destaque para as tens\u00f5es geopol\u00edticas, as restri\u00e7\u00f5es ao com\u00e9rcio, a energia e as mat\u00e9rias-primas cr\u00edticas, fatores que podem alterar rapidamente as perspetivas econ\u00f3micas do bloco de pa\u00edses.<\/p>\n<p>Como exemplos, Lagarde apontou o impacto das tarifas impostas pelos EUA e a volatilidade provocada pelo conflito no M\u00e9dio Oriente, sublinhando que estes acontecimentos podem intensificar-se ou dissipar-se num curto espa\u00e7o de tempo, <strong>tornando mais dif\u00edcil a resposta da pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n<p>A presidente do BCE explicou que, perante este novo contexto, a institui\u00e7\u00e3o que gere a pol\u00edtica monet\u00e1ria na zona euro refor\u00e7ou os seus instrumentos de an\u00e1lise, recorrendo a indicadores mais detalhados da infla\u00e7\u00e3o subjacente, a proje\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas mais sofisticadas e a dados em tempo real \u2013 isto para evitar que se repita o que <strong>reconhece ter sido um \u201cerro\u201d<\/strong> na avalia\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias no final de 2021 e 2022, quando as press\u00f5es inflacionistas j\u00e1 se estavam a enraizar.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"XPniH5JuaK\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/memoria-fresca-da-crise-inflacionista-de-2022-os-salarios-e-as-margens-das-empresas-porque-e-que-bce-achou-tao-necessario-subir-juros\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">\u201cMem\u00f3ria fresca\u201d da crise inflacionista de 2022, os sal\u00e1rios e as margens das empresas. Porque \u00e9 que BCE achou t\u00e3o \u201cnecess\u00e1rio\u201d subir juros<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em linha com aquilo que tinha dito na \u00faltima confer\u00eancia de imprensa, a <a href=\"https:\/\/observador.pt\/especiais\/memoria-fresca-da-crise-inflacionista-de-2022-os-salarios-e-as-margens-das-empresas-porque-e-que-bce-achou-tao-necessario-subir-juros\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">11 de junho em Frankfurt<\/a>, Lagarde rejeitou que a subida das taxas de juro decidida nesse dia tenha sido uma mera medida preventiva. A decis\u00e3o, reiterou, resultou da avalia\u00e7\u00e3o de que a infla\u00e7\u00e3o global e subjacente continuava a aumentar e de que, sem um novo ajustamento da pol\u00edtica monet\u00e1ria, a infla\u00e7\u00e3o permaneceria acima da meta de 2% tamb\u00e9m em 2027 e tamb\u00e9m em 2028, um horizonte considerado demasiado elevado e que, por isso, levou a que houvesse uma mexida.<\/p>\n<p>O BCE volta a reunir o seu Conselho a 23 de julho mas a perspetiva enraizada, neste momento, nos mercados, \u00e9 que n\u00e3o dever\u00e1 ser anunciada qualquer altera\u00e7\u00e3o nos juros. <strong>A haver uma subida, \u00e9 mais prov\u00e1vel que seja em setembro<\/strong>, quando \u00e9 divulgado um novo conjunto de previs\u00f5es macroecon\u00f3micas para a zona euro.<\/p>\n<p>O F\u00f3rum BCE deste ano conta com v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es sobre temas como inova\u00e7\u00e3o, produtividade e Intelig\u00eancia Artificial. Um dos pratos fortes surge na quarta-feira, \u00faltimo dia do evento, quando estar\u00e1 presente Kevin Warsh, novo governador da Reserva Federal dos EUA, que se estreia em Sintra e ir\u00e1 participar num debate com Christine Lagarde e outros banqueiros centrais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A economia europeia est\u00e1 mais resiliente a choques e, por isso, eventuais \u201cajustes\u201d na taxa de juro por&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":435447,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[475,12576,1213,88,40492,476,89,90,1956,32,33],"class_list":["post-435446","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-banca","tag-banco-central","tag-bce","tag-business","tag-cru00e9dito-u00e0-habitau00e7u00e3o","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-euribor","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116839164638595625","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=435446"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435446\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/435447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=435446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=435446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=435446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}