{"id":435514,"date":"2026-06-30T14:06:13","date_gmt":"2026-06-30T14:06:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435514\/"},"modified":"2026-06-30T14:06:13","modified_gmt":"2026-06-30T14:06:13","slug":"mosquito-da-dengue-pode-aprender-a-ignorar-repelente-mostra-estudo-frances-saude-em-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435514\/","title":{"rendered":"Mosquito da dengue pode aprender a \u2018ignorar\u2019 repelente, mostra estudo franc\u00eas &#8211; Sa\u00fade em dia"},"content":{"rendered":"<p>\n                                                O entom\u00f3logo Claudio Lazzari, do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica da Fran\u00e7a) e o neurocientista Clement Vinauger, da universidade americana Virginia Tech, realizaram uma experi\u00eancia in\u00e9dita com f\u00eameas do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue. Os insetos passaram a aceitar um repelente qu\u00edmico a base de DEET (N-dimetil-meta-toluamida ou N,N-dietil-3-metilbenzamida), um dos mais comuns e eficazes, desenvolvido nos anos 1940.                    <\/p>\n<p><strong>Ta\u00edssa Stivanin, <\/strong>da RFI em Paris<\/p>\n<p>Um dos objetivos do estudo, publicado em maio na revista Journal of Experimental Biology, foi entender se os insetos que transmitem doen\u00e7as s\u00e3o capazes de aprender e memorizar informa\u00e7\u00f5es. Em diversos experimentos, os cientistas analisaram percevejos, vetores da doen\u00e7a de Chagas, e mosquitos, e observaram que eles podem se adaptar e reduzir sua sensibilidade ao repelente, o que sugere a presen\u00e7a de processos de aprendizagem cognitiva.<\/p>\n<p>A equipe utilizou um protocolo cl\u00e1ssico de psicologia experimental para condicionar os animais. Ele estabelece associa\u00e7\u00f5es, como tocar uma campainha antes de oferecer comida, por exemplo. Esse m\u00e9todo, explicam os cientistas, funciona com c\u00e3es, mas tamb\u00e9m com abelhas, algumas esp\u00e9cies de moscas e outros bichos.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, nesses estudos, os est\u00edmulos n\u00e3o t\u00eam significado negativo. O som de uma campainha n\u00e3o provoca nenhuma rea\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, apenas indica que \u00e9 hora da comida. J\u00e1 no caso dos repelentes, a rea\u00e7\u00e3o instintiva do mosquito \u00e9 escapar.<\/p>\n<p>Para contornar esse problema, os pesquisadores ofereceram alimento ao mosquito e, em seguida, apresentaram o repelente. Esse tipo de protocolo \u00e9 chamado, na psicologia experimental, de condicionamento invertido. Ap\u00f3s v\u00e1rios testes, a estrat\u00e9gia deu certo. \u201cOs mosquitos estavam t\u00e3o estimulados a se alimentar que aceitaram o repelente sem escapar. Para eles, a comida e o cheiro do repelente eram percebidos ao mesmo tempo\u201d, explica Claudio Lazzari.<\/p>\n<p>O DEET passou a ser associado a algo positivo, como alimento. \u201cTestamos com sangue, mas tamb\u00e9m com a\u00e7\u00facar, j\u00e1 que os mosquitos t\u00eam alimenta\u00e7\u00e3o dupla: consomem tanto n\u00e9ctar de flores quanto sangue. Nos dois casos, o sangue e o a\u00e7\u00facar foram capazes de modificar o comportamento dos mosquitos diante do repelente\u201d, detalha\u00a0o entom\u00f3logo.<\/p>\n<p>Durante o experimento, os pesquisadores colocaram uma f\u00eamea de Aedes aegypti em um tubo isolado e ofereceram sangue de amostras dispon\u00edveis para a pesquisa. Ap\u00f3s exatamente quatro picadas, os cientistas aplicaram o repelente por 10 segundos, com intervalos de 5 minutos.<\/p>\n<p>Segundo Clement Vinauger, o sangue foi colocado atr\u00e1s de uma membrana que imitava a pele, feita com uma barreira de um material parecido com parafina. Durante a experi\u00eancia, o mosquito podia picar atrav\u00e9s da membrana e ingerir o sangue l\u00edquido, aquecido em um dispositivo criado para o experimento.<\/p>\n<p>\u201cDepois, controlamos a quantidade de alimento ingerida pelo mosquito cronometrando o tempo, ou seja, deixando-o se alimentar por um per\u00edodo determinado. Como os mosquitos comem, em m\u00e9dia, a uma taxa semelhante, conseguimos associar dura\u00e7\u00e3o e volume\u201d, explica o\u00a0neurocientista.<\/p>\n<p> Mudan\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Cerca de 30 insetos participaram do estudo. De acordo com Claudio Lazzari, as experi\u00eancias foram repetidas durante meses para validar dados estat\u00edsticos, e a conclus\u00e3o \u00e9 que, ap\u00f3s se alimentarem com o sangue, os mosquitos mudaram sua percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao repelente. Os resultados permitiram \u00e0 equipe entender o que ocorre no c\u00e9rebro do mosquito, explica o neurocientista Clement Vinauger.<\/p>\n<p>A equipe p\u00f4de visualizar a atividade neuronal dos insetos por meio de t\u00e9cnicas de imagem ou utilizando a eletrofisiologia, que consiste em inserir eletrodos diretamente no c\u00e9rebro do mosquito e registrar a atividade el\u00e9trica dos neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>\u201cO que tamb\u00e9m hav\u00edamos observado em nossos estudos com mosquitos \u00e9 que o centro de integra\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o olfativa, ou seja, a parte do c\u00e9rebro que recebe as informa\u00e7\u00f5es das antenas, funciona da seguinte forma: todos os odores que o mosquito detecta s\u00e3o percebidos pelas antenas, e esses sinais convergem para estruturas espec\u00edficas no c\u00e9rebro&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 nesse primeiro n\u00edvel de transmiss\u00e3o, ocorre integra\u00e7\u00e3o e modula\u00e7\u00e3o de como os odores s\u00e3o representados, dependendo de terem sido aprendidos ou n\u00e3o, ou de ter havido experi\u00eancia pr\u00e9via. Assim, temos uma ideia geral dos circuitos envolvidos nesse tipo de aprendizado.\u201d<\/p>\n<p>Esse aprendizado sensorial modifica a maneira como o mosquito percebe o repelente. A descoberta abre novas perspectivas sobre a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o cognitiva dos insetos, mas \u00e9 importante continuar usando repelente para se proteger, alertam Claudio Lazzari e Clement Vinauger.<\/p>\n<p>O DEET continua sendo o principal e mais eficaz repelente, especialmente em \u00e1reas com risco de doen\u00e7as como dengue, chikungunya e febre amarela, transmitidas pelo Aedes aegypti. Os resultados do estudo foram obtidos em laborat\u00f3rio e n\u00e3o indicam que mosquitos na natureza estejam desenvolvendo resist\u00eancia ao produto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O entom\u00f3logo Claudio Lazzari, do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Cient\u00edfica da Fran\u00e7a) e o neurocientista Clement Vinauger,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":435515,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[17777,1891,116,6541,1348,32,33,4426,117,17778],"class_list":["post-435514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-ciencias","tag-dengue","tag-health","tag-mosquito","tag-pesquisa","tag-portugal","tag-pt","tag-sangue","tag-saude","tag-saude-em-dia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116839447690095903","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=435514"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435514\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/435515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=435514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=435514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=435514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}