{"id":435562,"date":"2026-06-30T14:57:47","date_gmt":"2026-06-30T14:57:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435562\/"},"modified":"2026-06-30T14:57:47","modified_gmt":"2026-06-30T14:57:47","slug":"a-industria-nao-tem-sabido-construir-a-percecao-no-cliente-de-que-nao-somos-todos-iguais-eco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/435562\/","title":{"rendered":"\u201cA ind\u00fastria n\u00e3o tem sabido construir a perce\u00e7\u00e3o no cliente de que n\u00e3o somos todos iguais\u201d \u2013 ECO"},"content":{"rendered":"<p> Para a CEO da Meo, o setor das telecomunica\u00e7\u00f5es &#8220;devia estar a discutir soberania digital e resili\u00eancia das redes&#8221;, ao inv\u00e9s de &#8220;estar a discutir pre\u00e7o&#8221;. Ana Figueiredo, em grande entrevista. <\/p>\n<p>Nos quatro anos em que lidera a Meo, Ana Figueiredo viu o mercado portugu\u00eas de telecomunica\u00e7\u00f5es entrar numa fase nova: a chegada de um operador a um mercado j\u00e1 maduro, algo que, diz, \u201c\u00e9 a primeira vez\u201d que acontece em Portugal. A press\u00e3o concorrencial mudou a din\u00e2mica do setor, sobretudo no segmento de consumo, mas a CEO da Meo rejeita que a resposta passe por uma guerra de pre\u00e7os:<strong> \u201cN\u00f3s nunca competimos em pre\u00e7o\u201d, afirma, sublinhando que a empresa continua a apostar na diferencia\u00e7\u00e3o, na qualidade das redes e no crescimento \u201cem valor, em detrimento de volume\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\t\tEscolha o ECO como fonte preferida no Google\n\t\t<\/p>\n<p>\t<a class=\"preferred-source__button\" href=\"https:\/\/google.com\/preferences\/source?q=https%3A%2F%2Feco.sapo.pt%2F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\"><br \/>\n\t\tEscolher<br \/>\n\t\t\u203a<br \/>\n\t<\/a><\/p>\n<p>Essa press\u00e3o j\u00e1 se sente nas contas. A descida da receita m\u00e9dia por servi\u00e7o e o aumento dos custos marcam, segundo Ana Figueiredo, uma fase de transi\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 prolongar-se por 2026 e 2027. Para os consumidores, admite, a concorr\u00eancia pode significar pre\u00e7os mais baixos no curto prazo. Mas deixa um aviso: o setor precisa de um \u201cmodelo econ\u00f3mico sustent\u00e1vel\u201d para continuar a investir. E \u00e9 aqui que desloca o debate: <strong>\u201cEste setor n\u00e3o devia estar a discutir pre\u00e7o. Este setor devia estar a discutir soberania digital e devia estar a discutir resili\u00eancia das redes\u201d, adverte.<\/strong><\/p>\n<p>Perante o surgimento da Digi, a CEO da Meo reconhece, ainda assim, uma falha coletiva dos operadores: <strong>\u201cA ind\u00fastria n\u00e3o tem sabido construir a perce\u00e7\u00e3o do cliente de que n\u00e3o somos todos iguais.\u201d<\/strong> Mas a pr\u00f3xima batalha n\u00e3o ser\u00e1 ganha apenas com mais gigas nos pacotes, mas com redes mais consistentes, capacidade de resposta em caso de falha e uma gest\u00e3o mais inteligente e proativa da experi\u00eancia do cliente, sublinha. \u00c9 nesse terreno \u2014 qualidade, atendimento, antecipa\u00e7\u00e3o de problemas e resili\u00eancia \u2014 que a Meo quer marcar a diferen\u00e7a, explica a gestora, numa grande entrevista ao ECO.<\/p>\n<p>Nos quatro anos em que \u00e9 l\u00edder da Meo, o que mudou de forma estrutural no mercado em Portugal?<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, alterou-se a din\u00e2mica concorrencial no segmento de retalho e mais tradicional das telecomunica\u00e7\u00f5es, com a entrada de um novo operador no mercado. <strong>\u00c9 a primeira vez no mercado portugu\u00eas, se olharmos para a sua hist\u00f3ria, que entra um novo operador num segmento de mercado que est\u00e1 maduro.<\/strong> Sempre tivemos entradas de operadores e novos entrantes, mas em fases de crescimento do mercado e de expans\u00e3o do mercado. Nunca numa fase em que o mercado est\u00e1 maduro e em que vai provocar uma press\u00e3o concorrencial. Penso que essa foi a principal altera\u00e7\u00e3o do ponto de vista estrutural. Mas se h\u00e1 empresa que viveu com v\u00e1rios concorrentes e j\u00e1 viu v\u00e1rios entrantes e v\u00e1rios sa\u00edntes no mercado, \u00e9 a Meo.<\/p>\n<p>E concorrentes a tentarem comprar.<\/p>\n<p>Exato. N\u00f3s nunca competimos em pre\u00e7o, competimos e tentamos sempre competir com diferencia\u00e7\u00e3o, com qualidade das nossas redes. E, ao longo da nossa hist\u00f3ria, n\u00e3o tom\u00e1mos isso como garantido nem dado. Temos mantido a nossa lideran\u00e7a e a prefer\u00eancia dos consumidores portugueses e das empresas. Por isso \u00e9 que temos quotas de mercado acima dos 40% em praticamente todos os segmentos \u2014 m\u00f3vel, fixo, residencial \u2014 e temos a confian\u00e7a de mais de 50% das empresas portuguesas. <strong>O que procuramos depois, em cima da conectividade, \u00e9 procurar outras linhas de neg\u00f3cio e outras linhas de receita que nos permitam crescer do ponto de vista de valor.<\/strong> O nosso crescimento e a nossa aposta t\u00eam sido sempre em valor, em detrimento de volume.<\/p>\n<p>Os resultados do primeiro trimestre revelam alguma press\u00e3o: o EBITDA a cair, as receitas a abrandarem. A justifica\u00e7\u00e3o ao mercado \u00e9 a queda da receita m\u00e9dia por servi\u00e7o, mas tamb\u00e9m o aumento de custos. Esses fatores v\u00e3o continuar a pressionar as contas da Meo durante este ano e, previsivelmente, em 2027?<\/p>\n<p>Se olharmos tamb\u00e9m para os resultados do primeiro trimestre publicados pela pr\u00f3pria Anacom, verificamos que as margens e as quotas de mercado continuam muito est\u00e1veis entre os operadores. <strong>Vemos tamb\u00e9m que, em termos de quotas de receita, a Meo \u00e9 a \u00fanica que tem aumentado a sua quota de receita do mercado.<\/strong><\/p>\n<p>Resiste melhor que os outros, ainda assim sob press\u00e3o?<\/p>\n<p>Se olharmos para aquilo que \u00e9 o core do neg\u00f3cio, publicado pela Anacom, verificamos uma queda no primeiro trimestre de 2026 comparado com o primeiro trimestre de 2025. Vemos uma queda do mercado e uma retra\u00e7\u00e3o do mercado para n\u00edveis do in\u00edcio de 2023. N\u00e3o \u00e9 um problema de procura, porque, se verificarmos, vemos que os clientes crescem.<strong> Cresce o mercado, cresce o n\u00famero de servi\u00e7os. O que existe \u00e9 uma receita m\u00e9dia por servi\u00e7o mais baixa, derivada da press\u00e3o concorrencial que existe no mercado.<\/strong><\/p>\n<p>Isso \u00e9 bom para os clientes.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que \u00e9 bom no curto prazo. Vai depender, e depois j\u00e1 podemos falar sobre isso. Temos de ter um modelo econ\u00f3mico sustent\u00e1vel que permita continuar a investir. Temos paralelismo at\u00e9 com a ind\u00fastria de media nesse aspeto. S\u00f3 para concluir o meu racioc\u00ednio, neste momento da fase de transi\u00e7\u00e3o, em que <strong>estamos tamb\u00e9m a migrar o foco do investimento para outras \u00e1reas de crescimento, \u00e9 \u00f3bvio que \u00e1reas de crescimento s\u00e3o de menor margem, comparativamente \u00e0s margens tradicionais da telco<\/strong>. Portanto, estamos num momento, durante 2026 e 2027, de transi\u00e7\u00e3o, fazendo os investimentos que temos a fazer e a transforma\u00e7\u00e3o que estamos a fazer ao n\u00edvel da nossa empresa. A transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m adv\u00e9m n\u00e3o de uma press\u00e3o, mas de uma necessidade de manter sustent\u00e1vel a empresa no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>O que nos est\u00e1 a dizer, basicamente, \u00e9 que para o cliente, no curto prazo, h\u00e1 uma descida efetiva do pre\u00e7o, derivada dessa press\u00e3o que o novo operador traz, mas depois n\u00e3o h\u00e1 inova\u00e7\u00e3o trazida por essa nova empresa ao mercado.<\/p>\n<p>O que considero \u00e9 que, em Portugal, com a entrada de novos operadores, a discuss\u00e3o se centra sempre \u00e0 volta do pre\u00e7o. <strong>Acho que este setor n\u00e3o devia estar a discutir pre\u00e7o. Este setor devia estar a discutir soberania digital e devia estar a discutir resili\u00eancia das redes.<\/strong> Porque somos uma ind\u00fastria central para toda a atividade econ\u00f3mica do pa\u00eds. N\u00e3o se pode dizer que somos centrais s\u00f3 no com\u00e9rcio eletr\u00f3nico. Somos centrais para todos. V\u00ea-se quando h\u00e1 eventos que s\u00e3o impactantes ou que colocam interrup\u00e7\u00e3o de redes. E, por isso, acho que \u00e9 essa a discuss\u00e3o que temos que ter.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2000\" height=\"1333\" class=\"size-full wp-image-1914934\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ana-figueiredo25.jpg\" alt=\"\"\/>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tAna Figueiredo, CEO da MEO, em entrevista ao ECO\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\tHugo Amaral\/ECO\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t&#13;<br \/>\n&#13;\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n\t\t\t\t\t&#13;<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 responsabilidade dos pr\u00f3prios operadores? Porque, na verdade, essa vis\u00e3o, nomeadamente para quem est\u00e1 na gest\u00e3o, parece bastante razo\u00e1vel. Mas depois o setor caminha todo para o mesmo s\u00edtio, para o pre\u00e7o, e com alguma dificuldade em diferenciar oferta para l\u00e1 de poupar dois, tr\u00eas ou cinco euros em cada pacote. O que \u00e9 que os operadores e a Meo est\u00e3o a fazer para mostrar que a discuss\u00e3o n\u00e3o pode come\u00e7ar e acabar no pre\u00e7o?<\/p>\n<p>\u00c9 o investimento todo que estamos a fazer em termos de qualidade de experi\u00eancia do cliente, porque vai haver sempre pontos de falha. O que queremos \u00e9 ser o operador que seja n\u00e3o s\u00f3 mais resiliente, n\u00e3o s\u00f3 mais tecnologicamente avan\u00e7ado para aquelas que s\u00e3o as necessidades do cliente, mas aquele que responde tamb\u00e9m em momentos em que \u00e9 preciso atender o cliente, reparar o cliente, reparar o servi\u00e7o e repor o servi\u00e7o. Ou seja, aquele que tem uma performance e um desempenho mais consistentes.<\/p>\n<p>Acho que as nossas quotas de mercado demonstram isso, a forma como temos respondido em termos de din\u00e2mica de mercado, n\u00e3o tendo respondido pelo pre\u00e7o. Demonstr\u00e1mos isso em 2025: fomos o \u00fanico operador que fez uma atualiza\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os com base na infla\u00e7\u00e3o, porque acreditamos exatamente que, para continuarmos, temos que ter capacidade para continuar a investir. Agora, concordo com o coment\u00e1rio: <strong>a ind\u00fastria n\u00e3o tem sabido construir a perce\u00e7\u00e3o do cliente de que n\u00e3o somos todos iguais.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A guerra, no futuro, sobretudo neste novo ciclo tecnol\u00f3gico que a\u00ed vem, n\u00e3o vai ser em cima de gigas, ou quantos mais gigas vou ter.<\/strong> Vai ser com base na maior capacidade e na maior consist\u00eancia de desempenho das redes que cada operador tem. Al\u00e9m disso, o que estamos tamb\u00e9m a desenvolver \u00e9 a capacidade de atendermos e gerirmos a nossa rede de forma muito mais inteligente e de gerir tamb\u00e9m as necessidades dos clientes de forma muito mais inteligente e muito mais proativa. Por exemplo, tenho uma ambi\u00e7\u00e3o e uma vis\u00e3o para esta empresa do ponto de vista de atendimento ao cliente. Muito do nosso atendimento ao cliente \u00e9 feito ainda neste setor e nesta ind\u00fastria atrav\u00e9s de call center. Sabemos que n\u00e3o \u00e9 propriamente, muitas vezes, a melhor experi\u00eancia para qualquer cliente e em qualquer operadora.<\/p>\n<p>E at\u00e9 em qualquer setor\u2026<\/p>\n<p>Mesmo assim, comparando com outros setores, alguns que s\u00e3o utilities, acho que o setor das telecomunica\u00e7\u00f5es est\u00e1 at\u00e9 bastante \u00e0 frente. Mas, de qualquer das maneiras, h\u00e1 muito caminho para fazer. \u00c9 nestas pequenas coisas que podemos fazer a diferen\u00e7a e que estamos a construir essa diferen\u00e7a. Ou seja, \u00e9 eu ter uma gest\u00e3o mais proativa do cliente, poder antecipar as necessidades. Corrigir e fazer o que chamamos auto-healing de um problema que pode haver na conectividade l\u00e1 de casa.<\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Acho que este setor n\u00e3o devia estar a discutir pre\u00e7o. Este setor devia estar a discutir soberania digital e devia estar a discutir resili\u00eancia das redes.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>Os operadores queixam-se de n\u00e3o ter previsibilidade na quest\u00e3o do espetro que vai expirar no ano que vem. Continua sem essa previsibilidade da parte do regulador sobre se vai haver renova\u00e7\u00e3o e de que forma \u00e9 que vai ser renovado?<\/p>\n<p>Hoje, \u00e0 data em que estamos a falar [25 de junho], n\u00e3o existe uma previsibilidade. Eu sei quando \u00e9 que termina, n\u00e3o sei quando \u00e9 que vai ser renovado e em que condi\u00e7\u00f5es \u00e9 que vai ser renovado. Como calculam, somos uma empresa de capital intensivo. Nos \u00faltimos quatro anos investimos na nossa opera\u00e7\u00e3o e no pa\u00eds 1,8 mil milh\u00f5es de euros. N\u00e3o h\u00e1 muitas empresas portuguesas que invistam desta forma em termos de capital intensivo, que \u00e9 fruto tamb\u00e9m da nossa ind\u00fastria. <strong>\u00c9 dif\u00edcil tomar decis\u00f5es de investimento n\u00e3o sabendo se dentro de seis meses eu tenho renovado um espetro cr\u00edtico para operar a minha rede e servir os meus clientes.<\/strong> Quero acreditar que esta situa\u00e7\u00e3o se vai resolver. Mas era evit\u00e1vel estarmos quase em last minute a fazer contas de como \u00e9 que vai ser feito e em que condi\u00e7\u00f5es vai ser feito.<\/p>\n<p>No Congresso da APDC, a presidente da Anacom n\u00e3o avan\u00e7ou uma data, mas sinalizou que n\u00e3o seria expect\u00e1vel uma revolu\u00e7\u00e3o nesse dossi\u00ea. Acha mesmo que h\u00e1 um risco de o espetro expirar e as operadoras ficarem sem a possibilidade de prestar servi\u00e7os? Haver uma disrup\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os por quest\u00f5es administrativas?<\/p>\n<p>N\u00e3o quero acreditar nessa situa\u00e7\u00e3o, porque acho que<strong> isso seria revelador de algum descuido do ponto de vista da gest\u00e3o deste dossi\u00ea em termos de pa\u00eds<\/strong>. Agora, o que \u00e9 importante \u00e9 que estamos a ficar sem tempo para debatermos as condi\u00e7\u00f5es e depois nos prepararmos para essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 renovar o espetro, \u00e9 em que condi\u00e7\u00f5es. Em que condi\u00e7\u00f5es e a que custo.<\/p>\n<p>Por exemplo, se eu olhar para a nossa vizinha Espanha, quando alteraram a lei das telecomunica\u00e7\u00f5es em 2021-2022, como n\u00f3s tamb\u00e9m alter\u00e1mos, alteraram dizendo que o espetro \u00e9 renovado para um per\u00edodo m\u00ednimo de dez anos e um per\u00edodo m\u00e1ximo de 40 anos, sem custos adicionais, para al\u00e9m dos custos de pagamento das taxas de espetro. O que \u00e9 que isto d\u00e1 aos operadores? Previsibilidade. Eu sei que pelo menos o espetro que tenho vigora durante dez anos, sei que n\u00e3o vou ter um custo adicional. De certa forma, esta imprevisibilidade foi criada muito recentemente, porque sempre foi renovado com base numa expectativa de que, provavelmente, vamos ter um maior n\u00famero de obriga\u00e7\u00f5es de cobertura, mas havia um azimute. Neste momento, estamos sem uma previsibilidade.<strong> [Mas] eu sou uma pessoa, como veem nas minhas interven\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o gosta muito de se queixar nem do \u00e1rbitro nem do VAR para dizer que tenho falta de competitividade para concorrer, ou falta de ferramentas.<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, eu vou entender aqui que o \u00e1rbitro \u00e9 a Anacom e o VAR \u00e9 o Governo. Ser\u00e1 isso?<\/p>\n<p>Fa\u00e7am a leitura que entenderem. O que quero dizer \u00e9 que n\u00e3o me queixo de atores externos para defender algum tipo de resultados que possamos ter, ou dificuldades ou desafios. Agora, a forma como olhamos para isto, tanto do ponto de vista portugu\u00eas como do ponto de vista europeu, \u00e9 que estamos num paradoxo: queremos mais soberania digital, queremos mais resili\u00eancia de redes, mas, por outro lado, n\u00e3o damos previsibilidade regulat\u00f3ria, n\u00e3o trabalhamos na simplicidade e n\u00e3o trabalhamos em criar condi\u00e7\u00f5es para o investimento. Porque, para ter maior resili\u00eancia, para ter maior soberania digital, para podermos investir em novas gera\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e cumprir as metas que a pr\u00f3pria Bruxelas colocou a toda a Uni\u00e3o Europeia, precisamos de atrair investimento. <strong>Sem saber as regras do jogo, voc\u00eas sabem que os investidores, enquanto n\u00e3o souberem as regras do jogo, n\u00e3o v\u00e3o a jogo.<\/strong> Portanto, acho que aqui h\u00e1 uma quest\u00e3o em que n\u00e3o existe coer\u00eancia. Quando falamos do ponto de vista regulat\u00f3rio, o que falamos \u00e9 de ter um ambiente de previsibilidade, n\u00e3o pedimos prote\u00e7\u00e3o. Sabemos sempre que a Meo ser\u00e1 o operador mais escrutinado, mais regulado pela posi\u00e7\u00e3o que tem. Tamb\u00e9m n\u00e3o concordo com algumas ferramentas e com a forma como n\u00f3s, Meo, somos regulados, porque somos regulados ainda com regras de h\u00e1 20 anos, regras essas em que eu era monopolista, tinha uma rede de cobre, que vinha desse tempo. Hoje em dia j\u00e1 n\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro das Infraestruturas comentou recentemente que s\u00f3 30% da infraestrutura do pa\u00eds est\u00e1 em 5G, e que isso tem que ser acelerado. Esse \u00e9 o argumento: pagamos muito em espetro e, portanto, n\u00e3o temos ainda o pa\u00eds como dev\u00edamos em 5G?<\/p>\n<p>O pa\u00eds que foi definido em 5G de cobertura foi definido nos requisitos do leil\u00e3o. <strong>Estamos a cumprir todas as obriga\u00e7\u00f5es que foram definidas do ponto de vista de cobertura da popula\u00e7\u00e3o.<\/strong> A Meo cobre 97% da popula\u00e7\u00e3o em 5G e 80% da popula\u00e7\u00e3o no 5G Standalone. N\u00e3o sei de onde \u00e9 que foi retirada a estat\u00edstica, mas a infraestrutura est\u00e1 l\u00e1. O que dev\u00edamos estar a discutir \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o e como acelerar a ado\u00e7\u00e3o. E a ado\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende s\u00f3 dos operadores. \u00c9 a mesma coisa que eu dizer que tenho as autoestradas rodovi\u00e1rias vazias, mas constru\u00ed as autoestradas. A culpa \u00e9 de quem construiu as autoestradas? Ou n\u00e3o h\u00e1 carros, ou n\u00e3o h\u00e1 acesso a carros, ou as v\u00e1rias ind\u00fastrias n\u00e3o est\u00e3o a adotar o 5G e as potencialidades do 5G.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que temos um papel nisso. Temos um papel junto dos nossos clientes e estamos a fazer com v\u00e1rias empresas v\u00e1rios casos de uso, v\u00e1rios PoC [provas de conceito], com v\u00e1rias ind\u00fastrias diferentes, seja nos portos, seja na ind\u00fastria, seja na \u00e1rea financeira. Estamos a fazer v\u00e1rias ado\u00e7\u00f5es do 5G, de Standalone e de private networks. <strong>Mas para tirarmos partido de todas as funcionalidades do 5G, \u00e9 preciso tamb\u00e9m investimento por parte das empresas.<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1914967\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/ana-figueiredo03.jpg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"1333\"\/>Ana Figueiredo, CEO da MEO, em entrevista ao ECOHugo Amaral\/ECO <\/p>\n<blockquote class=\"quote--hero full-width\"><p>&#13;<\/p>\n<p>Sou uma pessoa, como veem nas minhas interven\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o gosta muito de se queixar nem do \u00e1rbitro nem do VAR para dizer que tenho falta de competitividade para concorrer, ou falta de ferramentas.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t&#13;\n\t\t\t\t\t\t<\/p><\/blockquote>\n<p>Ainda sobre redes, falando dos cabos submarinos, as pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00eam contribu\u00eddo para que o investimento se fa\u00e7a a tempo e horas e de acordo com as necessidades do pa\u00eds?<\/p>\n<p>Como sabem, n\u00f3s operamos o \u00fanico cabo que liga o continente aos A\u00e7ores e \u00e0 Madeira, conhecido por CAM. Esse cabo submarino j\u00e1 entrou em fim de vida em dezembro de 2024. Portanto, j\u00e1 estamos em 2026, estima-se que comece a operar no primeiro semestre de 2027. Pela nossa experi\u00eancia, queremos acreditar, mas parece-nos uma meta bastante ambiciosa. Mais do que o tema da pol\u00edtica p\u00fablica, acho que tem a ver com o tema da execu\u00e7\u00e3o. <strong>Acho que \u00e9 importante, at\u00e9 para garantir a territorialidade de todo o nosso pa\u00eds e sobretudo de territ\u00f3rios que s\u00e3o ilhas, garantir uma transi\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e uma implementa\u00e7\u00e3o r\u00e1pida deste novo cabo submarino, que provavelmente, sendo o nosso mais antigo, vai trazer outras funcionalidades que o nosso n\u00e3o tem. <\/strong>O que podemos dizer \u00e9 que estivemos sempre do lado da solu\u00e7\u00e3o, tivemos sempre propostas, e tenho quase a certeza de que, se o investimento fosse nosso, o novo cabo j\u00e1 estaria certamente tamb\u00e9m a operar.<\/p>\n<p>Parece que tem d\u00favidas sobre a capacidade de se executar isto dentro do prazo at\u00e9 2027. Porqu\u00ea?<\/p>\n<p>Acho que o calend\u00e1rio era dezembro de 2024. Podemos estar aqui a discutir se \u00e9 primeiro trimestre ou segundo trimestre de 2027. Agora, n\u00e3o podemos fazer nada ao passado. Acho que aqui o que tem que se ver \u00e9 que se assumiu que isto seria gerido por uma entidade p\u00fablica [IPTelecom] e aqui \u00e9 uma estrat\u00e9gia e uma decis\u00e3o pol\u00edtica que respeitamos. <strong>O que procuramos \u00e9 que seja executado, que se crie previsibilidade de quando vai ficar pronto, quais v\u00e3o ser as ofertas em cima dele e quais s\u00e3o as pol\u00edticas regulat\u00f3rias em cima deste novo cabo, porque tenho que fazer planos. Vou ter que migrar tr\u00e1fego, vou ter que fazer planos.<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o muitas perguntas para as quais n\u00e3o tem respostas, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Outra pergunta para a qual n\u00e3o tenho resposta \u00e9 que <strong>estou a suportar, neste momento, os custos de manuten\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o sendo cada vez mais elevados, de um cabo em que qualquer interven\u00e7\u00e3o para fazer uma repara\u00e7\u00e3o de um repetidor n\u00e3o custa menos de um milh\u00e3o de euros.<\/strong> Isto porque temos a experi\u00eancia, mas tamb\u00e9m temos os parceiros que a qualquer momento podem l\u00e1 ir e repor. Portanto, estamos expectantes sobre quando vai terminar, como vai operar, quais s\u00e3o as especificidades t\u00e9cnicas, quais s\u00e3o as especificidades tamb\u00e9m do ponto de vista de oferta, para tamb\u00e9m fazermos os nossos planos de migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para a CEO da Meo, o setor das telecomunica\u00e7\u00f5es &#8220;devia estar a discutir soberania digital e resili\u00eancia das&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":435563,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[88,89,90,9399,32,33,22884,110,8649],"class_list":["post-435562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-business","tag-economy","tag-empresas","tag-investimento","tag-portugal","tag-pt","tag-regulacao","tag-tecnologia","tag-telecomunicacoes"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116839648746784465","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=435562"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/435562\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/435563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=435562"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=435562"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=435562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}