{"id":437365,"date":"2026-07-02T03:27:12","date_gmt":"2026-07-02T03:27:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/437365\/"},"modified":"2026-07-02T03:27:12","modified_gmt":"2026-07-02T03:27:12","slug":"estudo-explica-como-o-parasita-da-doenca-de-chagas-ativa-sua-forma-capaz-de-infectar-mamiferos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/437365\/","title":{"rendered":"Estudo explica como o parasita da doen\u00e7a de Chagas \u2018ativa\u2019 sua forma capaz de infectar mam\u00edferos"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 M\u00eddia Ci\u00eancia\n                            <\/p>\n<p>                            Estudo explica como o parasita da doen\u00e7a de Chagas \u2018ativa\u2019 sua forma capaz de infectar mam\u00edferos<\/p>\n<p class=\"summary\">Ao entender como o Trypanosoma cruzi manipula o pr\u00f3prio RNA para alterar a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas e invadir o hospedeiro, pesquisa aponta poss\u00edveis caminhos terap\u00eauticos contra a doen\u00e7a<\/p>\n<p>\n                                 M\u00eddia Ci\u00eancia\n                            <\/p>\n<p>                                                        Estudo explica como o parasita da doen\u00e7a de Chagas \u2018ativa\u2019 sua forma capaz de infectar mam\u00edferos<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Ao entender como o Trypanosoma cruzi manipula o pr\u00f3prio RNA para alterar a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas e invadir o hospedeiro, pesquisa aponta poss\u00edveis caminhos terap\u00eauticos contra a doen\u00e7a<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/58569.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(58569,'files\/post\/58569.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Microscopia \u00f3ptica de campo claro do Trypanosoma cruzi, parasita causador da doen\u00e7a de Chagas (imagem: Ana Paula de Jesus Menezes e Mariana Loterio Silva\/Instituto Butantan)<\/p>\n<p><strong>Thabata Oliveira | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> * \u2013 Para conseguir infectar humanos e outros mam\u00edferos, o parasita da doen\u00e7a de Chagas (Trypanosoma cruzi) passa por uma grande transforma\u00e7\u00e3o ao longo de seu ciclo de vida, alterando os tipos e as quantidades de prote\u00ednas do seu corpo para se adaptar. O que exatamente comanda essa transforma\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pouco compreendido. Um estudo <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1014249\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a> em maio na revista PLOS Pathogens revelou que parte desse processo acontece gra\u00e7as a altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas no chamado RNA transportador (tRNA). Essa mol\u00e9cula atua como um &#8220;entregador&#8221; celular, sendo o respons\u00e1vel por levar os amino\u00e1cidos at\u00e9 o local onde as prote\u00ednas s\u00e3o fabricadas.<\/p>\n<p>\u201cOs tRNAs funcionam como entregadores de ingredientes. Eles transportam os amino\u00e1cidos usados na montagem das prote\u00ednas, mol\u00e9culas essenciais para o funcionamento da c\u00e9lula. As modifica\u00e7\u00f5es do tRNA que estudamos podem facilitar ou dificultar essa entrega e, consequentemente, influenciar a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas\u201d, explica <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/708557\/herbert-guimaraes-de-sousa-silva\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Herbert Guimar\u00e3es de Sousa Silva<\/strong><\/a>, primeiro autor do trabalho, realizado durante seu doutorado na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (EPM-Unifesp) e no Instituto Butantan, com <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/199156\/cromatina-de-trypanosoma-cruzi-um-carater-ativo-ou-dormente-na-transcricao-de-genes-reporteres\/?q=21\/11419-9\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>bolsa<\/strong><\/a> da FAPESP.<\/p>\n<p>Atualmente em p\u00f3s-doutorado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos, o pesquisador conta que a equipe identificou 170 s\u00edtios de modifica\u00e7\u00f5es em mol\u00e9culas de tRNAs e observou que elas variam entre as formas infectivas e n\u00e3o infectivas do T. cruzi. \u201cMostramos que as modifica\u00e7\u00f5es dos tRNAs mudam ao longo do ciclo de vida do parasita e que essas mudan\u00e7as s\u00e3o importantes para facilitar sua transforma\u00e7\u00e3o de uma fase n\u00e3o infectiva para uma infectiva\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Os pesquisadores combinaram t\u00e9cnicas de sequenciamento de tRNAs, espectrometria de massa e an\u00e1lises de bioinform\u00e1tica para mapear as altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas presentes nessas mol\u00e9culas e investigar o papel que desempenham. Em seguida, utilizaram a ferramenta de edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica CRISPR para avaliar como a aus\u00eancia de uma dessas modifica\u00e7\u00f5es afeta a transforma\u00e7\u00e3o entre as fases do ciclo de vida do T. cruzi.<\/p>\n<p>O trabalho, tamb\u00e9m apoiado pela FAPESP por meio dos projetos <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/58571\/cetics-centro-de-toxinas-imuno-resposta-e-sinalizacao-celular\/?q=13\/07467-1\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>13\/07467-1<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/103785\/indo-a-fundo-na-regulacao-da-cromatina-de-trypanosoma-cruzi-identificacao-de-novas-moleculas-e-quest\/?q=18\/15553-9\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>18\/15553-9<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/111066\/o-metabolismo-de-aminoacidos-em-trypanosoma-cruzi-uma-caixa-de-ferramentas-para-sobreviver-em-ambien\/?q=21\/12938-0\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>21\/12938-0<\/strong><\/a> e <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/117968\/trna-mod-tryps-estudando-a-dinamica-do-trnaoma-de-trypanosoma-cruzi\/?q=24\/16633-7\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">24\/16633-7<\/a>,<\/strong> foi coordenado por Satoshi Kimura, da Universidade Cornell, e por <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/17331\/julia-pinheiro-chagas-da-cunha\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Julia Pinheiro Chagas da Cunha<\/strong><\/a>, do Instituto Butantan, e contou com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade Harvard.<\/p>\n<p>O estudo s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as a avan\u00e7os metodol\u00f3gicos recentes. \u201cDurante muito tempo, ningu\u00e9m conseguia sequenciar tRNAs de forma eficiente porque justamente as modifica\u00e7\u00f5es presentes nessas mol\u00e9culas dificultavam esse processo\u201d, afirma Cunha. Segundo a pesquisadora, protocolos desenvolvidos nos \u00faltimos anos permitiram determinar tanto a abund\u00e2ncia quanto os tipos de modifica\u00e7\u00f5es presentes nessas mol\u00e9culas.<\/p>\n<p><strong>Doen\u00e7a negligenciada, tratamento limitado<\/strong><\/p>\n<p>A doen\u00e7a de Chagas afeta cerca de sete milh\u00f5es de pessoas no mundo e \u00e9 classificada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) como uma das principais doen\u00e7as tropicais negligenciadas. A transmiss\u00e3o ocorre principalmente por meio dos insetos popularmente conhecidos como barbeiros, que eliminam o T. cruzi nas fezes durante a alimenta\u00e7\u00e3o. A infec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ocorrer pela ingest\u00e3o de alimentos contaminados com barbeiros infectados, pela transmiss\u00e3o da m\u00e3e para o beb\u00ea durante a gesta\u00e7\u00e3o e, mais raramente, por transfus\u00e3o de sangue ou transplante de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Ao longo de seu ciclo de vida, o parasita assume diferentes formas. \u201cO epimastigota \u00e9 uma forma n\u00e3o infectiva que se replica dentro do barbeiro. Depois, ele se diferencia em tripomastigota metac\u00edclico, a forma infectiva que o inseto deixa nas fezes e que invade o hospedeiro mam\u00edfero\u201d, explica <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/694453\/janaina-de-freitas-nascimento\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Janaina de Freitas Nascimento<\/strong><\/a>, professora do Instituto de Qu\u00edmica da USP e coautora do estudo.<\/p>\n<p>Apesar de ter sido descrita h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, a doen\u00e7a de Chagas ainda carece de vacina e existem apenas dois medicamentos aprovados para o tratamento: benznidazol e nifurtimox. Segundo Nascimento, a efic\u00e1cia dos f\u00e1rmacos depende do est\u00e1gio em que a infec\u00e7\u00e3o \u00e9 diagnosticada. \u201cA fase aguda geralmente apresenta sintomas muito inespec\u00edficos e, por isso, \u00e9 confundida com outras doen\u00e7as. \u00c9 justamente nessa fase que o medicamento \u00e9 mais eficaz\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse per\u00edodo, o parasita pode permanecer no organismo por d\u00e9cadas sem causar sintomas. \u201cMuitas vezes, a pessoa s\u00f3 descobre que tem doen\u00e7a de Chagas 30 anos depois, quando j\u00e1 apresenta comprometimento card\u00edaco ou altera\u00e7\u00f5es no trato digestivo. Na fase cr\u00f4nica, por\u00e9m, o tratamento tende a ser menos eficaz\u201d, diz a pesquisadora. Por isso, novas op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas s\u00e3o necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Os autores, no entanto, s\u00e3o cautelosos ao falar em aplica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas imediatas dos achados da pesquisa. Eles ressaltam a import\u00e2ncia da pesquisa b\u00e1sica para o desenvolvimento de novas estrat\u00e9gias de combate \u00e0 doen\u00e7a. \u201cQueremos entender como o T. cruzi funciona. Para criar uma terapia, voc\u00ea precisa primeiro entender a biologia do parasita\u201d, afirma Nascimento. \u201cConhecendo os mecanismos, a gente sabe onde pode atacar, mas isso ainda envolve muitos estudos.\u201d<\/p>\n<p>Cunha aponta que a \u00e1rea j\u00e1 apresenta potencial translacional em outros organismos. Modifica\u00e7\u00f5es em tRNAs v\u00eam sendo investigadas como poss\u00edveis alvos para o desenvolvimento de antimicrobianos contra bact\u00e9rias multirresistentes, o que sugere que mecanismos semelhantes possam ter aplica\u00e7\u00f5es futuras. \u201cN\u00e3o \u00e9 o foco deste trabalho, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 algo distante\u201d, conclui.<\/p>\n<p>O artigo Remodeling of tRNA modification in Trypanosoma cruzi life forms pode ser lido em: <a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1014249\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1014249<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>* Thabata Oliveira \u00e9 <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/233629\/biologia-molecular-e-engenharia-genetica-nas-pesquisas-do-departamento-de-bioquimica-do-iq-usp\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>bolsista<\/strong><\/a> de Jornalismo Cient\u00edfico da FAPESP vinculada ao IQ-USP.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"M\u00eddia Ci\u00eancia Estudo explica como o parasita da doen\u00e7a de Chagas \u2018ativa\u2019 sua forma capaz de infectar mam\u00edferos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":437366,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[70545,11481,21732,116,5058,63480,70547,65467,4613,32,33,117,65470,70546],"class_list":["post-437365","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-chagas","tag-doencas-negligenciadas","tag-fapesp","tag-health","tag-instituto-butantan","tag-iq-usp","tag-jornalismo-cientifico","tag-midia-ciencia","tag-parasita","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-thabata-oliveira","tag-trypanossoma-cruzi"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116848260145467652","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437365","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=437365"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437365\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/437366"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=437365"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=437365"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=437365"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}