{"id":437524,"date":"2026-07-02T08:52:18","date_gmt":"2026-07-02T08:52:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/437524\/"},"modified":"2026-07-02T08:52:18","modified_gmt":"2026-07-02T08:52:18","slug":"17-milhoes-de-satelites-ameacam-astronomia-ao-tornar-o-ceu-noturno-mais-brilhante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/437524\/","title":{"rendered":"1,7 milh\u00f5es de sat\u00e9lites amea\u00e7am astronomia ao tornar o c\u00e9u noturno mais brilhante"},"content":{"rendered":"<p>O lan\u00e7amento de 1,7 milh\u00f5es de sat\u00e9lites para a \u00f3rbita terrestre nos pr\u00f3ximos anos ter\u00e1 &#8220;consequ\u00eancias devastadoras para a astronomia&#8221;, alertou esta quarta-feira uma nova investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" class=\"c-ad__placeholder__logo\" src=\"https:\/\/static.euronews.com\/website\/images\/logos\/logo-euronews-stacked-outlined-72x72-grey-9.svg\" width=\"72\" height=\"72\" alt=\"\" loading=\"lazy\"\/><br \/>\n          PUBLICIDADE<\/p>\n<p>Planos para encher a \u00f3rbita terrestre com sat\u00e9lites enormes e extremamente brilhantes representam uma &#8220;amea\u00e7a existencial&#8221; para os telesc\u00f3pios que observam o universo, segundo o <a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/videos\/eso2607a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer nofollow noopener\">Observat\u00f3rio Europeu do Sul<\/a> (ESO), que conduziu a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para preservar a capacidade da humanidade de explorar devidamente o c\u00e9u noturno, a equipa de investigadores defendeu um limite m\u00e1ximo de 100 000 sat\u00e9lites em \u00f3rbita da Terra.<\/p>\n<p>Este estudo \u00e9 o primeiro a calcular at\u00e9 que ponto as constela\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites grandes e particularmente brilhantes em prepara\u00e7\u00e3o ir\u00e3o afetar as observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas ao tornar o c\u00e9u noturno mais luminoso.<\/p>\n<p>O n\u00famero de sat\u00e9lites em \u00f3rbita da Terra atingiu j\u00e1 os 14 000, ap\u00f3s um forte aumento nos \u00faltimos anos, muitos deles integrados na constela\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lites de internet Starlink, do multimilion\u00e1rio Elon Musk.<\/p>\n<p>Mas isto \u00e9 apenas o in\u00edcio.<\/p>\n<p>A SpaceX, de Musk, anunciou planos para lan\u00e7ar mais de 1 milh\u00e3o de sat\u00e9lites at\u00e9 2028, para funcionarem como centros de dados que alimentem o boom da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Outros projetos, como o programa &#8220;Cinnamon&#8221; da start-up E-Space e as constela\u00e7\u00f5es chinesas CTC-1 e CTC-2, acrescentariam centenas de milhares de sat\u00e9lites adicionais a orbitar o planeta.<\/p>\n<p>J\u00e1 a start-up norte-americana Reflect Orbital espera lan\u00e7ar 50 000 sat\u00e9lites de grande dimens\u00e3o que recorrem a espelhos gigantes para refletir a luz do Sol de volta para a Terra, com o objetivo de fornecer ilumina\u00e7\u00e3o durante a noite.<\/p>\n<p>No total, mais de 1,7 milh\u00f5es de sat\u00e9lites poder\u00e3o em breve iluminar o c\u00e9u noturno, obscurecendo ou mesmo apagando o campo de vis\u00e3o dos telesc\u00f3pios instalados no solo.<\/p>\n<p><strong>C\u00e9u noturno fica quatro vezes mais brilhante<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Quando um sat\u00e9lite atravessa a zona que estamos a observar, deixa um risco luminoso na imagem e apaga tudo o que est\u00e1 por detr\u00e1s&#8221;, disse o astr\u00f3nomo do ESO Olivier Hainaut, que liderou o estudo publicado na revista Astronomy &amp; Astrophysics.<\/p>\n<p>&#8220;Nos \u00faltimos anos isto tem acontecido, mas ainda \u00e9 control\u00e1vel&#8221;, afirmou Hainaut \u00e0 ag\u00eancia noticiosa AFP.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, se passarmos de 14 000 para 1,7 milh\u00f5es, vamos ter mesmo problemas.&#8221;<\/p>\n<p>Os sat\u00e9lites da Reflect Orbital constituem uma amea\u00e7a particularmente grave para os c\u00e9us escuros.<\/p>\n<p>Mesmo quando os espelhos n\u00e3o est\u00e3o orientados para o observador, a luz que dispersam tornar\u00e1 cada sat\u00e9lite t\u00e3o brilhante como V\u00e9nus, conhecida como a &#8220;estrela da manh\u00e3&#8221;, acrescentou Hainaut.<\/p>\n<p>Os investigadores conclu\u00edram que quase todas as imagens captadas pela maior c\u00e2mara alguma vez constru\u00edda, integrada no novo Observat\u00f3rio Vera C. Rubin, no Chile, se tornariam inutiliz\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quer se esteja em Fran\u00e7a, no deserto do Saara ou no Chile, o c\u00e9u &#8220;deixaria de ser l\u00edmpido, passando a assemelhar-se ao c\u00e9u visto nos sub\u00farbios de uma cidade&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>E nas cidades com forte polui\u00e7\u00e3o luminosa, os sat\u00e9lites &#8220;seriam as \u00fanicas &#8216;estrelas&#8217; vis\u00edveis no c\u00e9u noturno&#8221;, segundo o ESO.<\/p>\n<p>Todos os 50 000 sat\u00e9lites da Reflect Orbital fariam ainda com que todo o c\u00e9u noturno ficasse at\u00e9 quatro vezes mais brilhante, acrescentou.<\/p>\n<p>Um porta-voz da Reflect Orbital disse \u00e0 AFP que a empresa est\u00e1 a encomendar estudos independentes sobre o impacto da sua tecnologia e est\u00e1 &#8220;empenhada num di\u00e1logo cont\u00ednuo com os astr\u00f3nomos&#8221;.<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o padr\u00e3o dos sat\u00e9lites ser\u00e1 &#8220;off&#8221; e &#8220;evitaremos sistematicamente redirecionar luz nas proximidades dos observat\u00f3rios&#8221;, acrescentou o porta-voz.<\/p>\n<p><strong>Decis\u00e3o nas m\u00e3os da FCC<\/strong><\/p>\n<p>Hainaut defendeu que o n\u00famero de sat\u00e9lites em \u00f3rbita seja limitado a 100 000 e que sejam suficientemente pouco brilhantes para ficarem invis\u00edveis a olho nu.<\/p>\n<p>A Reflect Orbital e a SpaceX aguardam uma decis\u00e3o da Comiss\u00e3o Federal de Comunica\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos (FCC) sobre se podem lan\u00e7ar as suas constela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O novo estudo serviu de base \u00e0 resposta do ESO aos seus pedidos, em colabora\u00e7\u00e3o com a Royal Astronomical Society do Reino Unido e a Uni\u00e3o Astron\u00f3mica Internacional.<\/p>\n<p>&#8220;A decis\u00e3o est\u00e1 agora nas m\u00e3os da FCC&#8221;, afirmou em comunicado Betty Kioko, respons\u00e1vel pelos assuntos institucionais do ESO.<\/p>\n<p>&#8220;Para a astronomia \u00f3tica, trata-se de uma amea\u00e7a existencial e esperamos que os reguladores partilhem essa vis\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A polui\u00e7\u00e3o luminosa criada por constela\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites muito brilhantes n\u00e3o \u00e9 apenas um problema para os astr\u00f3nomos.<\/p>\n<p>Verificou-se que a perda de c\u00e9us escuros perturba os rel\u00f3gios biol\u00f3gicos de humanos e animais e interfere com os ecossistemas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda o impacto energ\u00e9tico e ambiental de lan\u00e7ar quase 2 milh\u00f5es de sat\u00e9lites para o espa\u00e7o.<\/p>\n<p>E h\u00e1 receios de que grandes quantidades de detritos espaciais provenientes dos sat\u00e9lites possam colidir cada vez mais entre si, desencadeando uma perigosa rea\u00e7\u00e3o em cadeia conhecida como &#8220;s\u00edndrome de Kessler&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O lan\u00e7amento de 1,7 milh\u00f5es de sat\u00e9lites para a \u00f3rbita terrestre nos pr\u00f3ximos anos ter\u00e1 &#8220;consequ\u00eancias devastadoras para&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":437525,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[109,107,108,1008,3190,24502,32,33,2805,105,103,104,585,106,110],"class_list":["post-437524","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-espaco","tag-exploracao-espacial","tag-investigacao-espacial","tag-portugal","tag-pt","tag-satelite","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-spacex","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116849538197437008","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=437524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/437524\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/437525"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=437524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=437524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=437524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}