{"id":438003,"date":"2026-07-02T16:49:10","date_gmt":"2026-07-02T16:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/438003\/"},"modified":"2026-07-02T16:49:10","modified_gmt":"2026-07-02T16:49:10","slug":"cientistas-da-fiocruz-podem-produzir-vacina-completa-contra-a-malaria-radio-maringa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/438003\/","title":{"rendered":"Cientistas da Fiocruz podem produzir vacina completa contra a mal\u00e1ria &#8211; R\u00e1dio Maring\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Cientistas da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram passo importante para obter uma vacina mais completa contra a mal\u00e1ria. Os pesquisadores identificaram um conjunto in\u00e9dito de fragmentos de prote\u00ednas do parasita Plasmodium que podem viabilizar o desenvolvimento de um imunizante capaz de proteger contra diferentes esp\u00e9cies e atuar em v\u00e1rias fases da doen\u00e7a.<strong> A descoberta foi publicada nessa quarta-feira (1\u00ba)\u00a0na revista\u00a0 Nature.<\/strong><\/p>\n<p>O <strong>estudo adotou abordagem inovadora para entender como o sistema imunol\u00f3gico reconhece o parasita causador da mal\u00e1ria<\/strong>. Em vez de focar apenas na produ\u00e7\u00e3o de anticorpos, estrat\u00e9gia mais comum nas vacinas atuais, a equipe investigou o papel dos linf\u00f3citos T CD8+, c\u00e9lulas de defesa capazes de identificar e destruir diretamente as c\u00e9lulas infectadas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cH\u00e1 mais de 50 anos se busca\u00a0desenvolver uma vacina contra a mal\u00e1ria e, s\u00f3 recentemente, tivemos aprovados imunizantes com efic\u00e1cia limitada, voltados principalmente para o P. falciparum\u00a0e para crian\u00e7as. Um dos principais desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais\u201d, explica a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Segundo ela, o diferencial da pesquisa\u00a0foi justamente mostrar que as c\u00e9lulas T CD8+ tamb\u00e9m desempenham papel central no combate ao parasita e identificar quais as prote\u00ednas dele que s\u00e3o reconhecidas pelo sistema imune.<\/strong><\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi feita\u00a0em etapas. Primeiro, os cientistas identificaram os pept\u00eddeos, pequenos fragmentos de prote\u00ednas do parasita exibidos na superf\u00edcie das c\u00e9lulas infectadas e reconhecidos pelos linf\u00f3citos T CD8+. No total, foram identificados 453 pept\u00eddeos derivados de 166 prote\u00ednas do parasita.<\/p>\n<p>Em seguida, o grupo mapeou a origem desses fragmentos e observou que a maioria vinha de prote\u00ednas chamadas housekeeping, respons\u00e1veis por fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas e indispens\u00e1veis \u00e0\u00a0sobreviv\u00eancia do parasita.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEssas prote\u00ednas s\u00e3o necess\u00e1rias em todos os est\u00e1gios do ciclo de vida do parasita e altamente conservadas entre diferentes esp\u00e9cies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal\u201d, explica a pesquisadora. Na pr\u00e1tica, significa que uma vacina baseada nesses alvos teria mais chances de funcionar de forma ampla, atingindo o parasita em diferentes momentos da infec\u00e7\u00e3o e em suas diversas variantes.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Resposta imune<\/p>\n<p>Na etapa seguinte, a equipe testou se esses pept\u00eddeos realmente eram combatidos pelo sistema imune. Os resultados mostraram que c\u00e9lulas de pacientes infectados, tanto por P. vivax\u00a0quanto por P. falciparum, reagiram aos ant\u00edgenos identificados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a resposta\u00a0foi observada em outras tr\u00eas esp\u00e9cies de Plasmodium, incluindo aquelas que infectam primatas e camundongos. \u201cConfirmamos a resposta imunol\u00f3gica em cinco esp\u00e9cies diferentes e em m\u00faltiplos hospedeiros, incluindo humanos naturalmente infectados, humanos submetidos \u00e0 infec\u00e7\u00e3o experimental e modelos animais, tanto em camundongos quanto em primatas\u201d, afirmou\u00a0Caroline.<\/p>\n<p><strong>Os testes foram realizados tanto em amostras humanas quanto em modelos experimentais.<\/strong> Em primatas e camundongos, os ant\u00edgenos tamb\u00e9m induziram resposta de c\u00e9lulas T, inclusive em \u00f3rg\u00e3os-chave como o f\u00edgado, onde ocorre a etapa inicial da infec\u00e7\u00e3o, e no sangue. Em modelos animais, alguns desses alvos chegaram a demonstrar efeito protetor, reduzindo a carga do parasita.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 reconhecimento: vimos ind\u00edcios de prote\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 fundamental para o desenvolvimento de uma vacina\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Diferencial<\/p>\n<p><strong>Atualmente, as vacinas dispon\u00edveis contra a mal\u00e1ria t\u00eam efic\u00e1cia parcial e s\u00e3o direcionadas principalmente ao P. falciparum, atuando na fase inicial da infec\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, sua prote\u00e7\u00e3o tende a diminuir com o tempo.<\/strong><\/p>\n<p>O novo estudo aponta caminho diferente: uma vacina capaz de atuar em m\u00faltiplos est\u00e1gios do parasita, tanto no f\u00edgado quanto no sangue, e eficaz contra diferentes esp\u00e9cies.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cHoje, as vacinas n\u00e3o cobrem completamente todas as fases da infec\u00e7\u00e3o. Nosso trabalho mostra que esses ant\u00edgenos est\u00e3o presentes em v\u00e1rios momentos, o que atende a uma demanda importante da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade\u201d, explicou Caroline.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Apesar do avan\u00e7o ainda h\u00e1 um longo caminho at\u00e9 o desenvolvimento de um imunizante. Os achados precisam passar por novas etapas de valida\u00e7\u00e3o e testes cl\u00ednicos.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo foi mostrar que existem caminhos diferentes e promissores. Agora, outros grupos podem explorar esses alvos e avan\u00e7ar no desenvolvimento de uma vacina realmente eficaz contra a mal\u00e1ria\u201d, concluiu a pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cientistas da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram passo importante para obter uma vacina mais completa contra a mal\u00e1ria.&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":438004,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[19927,19919,19924,19912,19909,19920,19936,19932,19915,19916,19933,19935,19918,116,19937,2984,19925,19926,19928,19908,19922,2982,19913,32,19921,33,19910,19907,19911,19930,117,19931,19929,19914,19934,19917,19923],"class_list":["post-438003","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-amavolei","tag-basquetebol-de-maringa","tag-ciclismo-de-maringa","tag-equipe-de-maringa","tag-esporte-de-maringa","tag-esporte-maringaense","tag-esporte-paralimpico-de-maringa","tag-estadio-willie-davids","tag-futebol-de-maringa","tag-futsal-de-maringa","tag-ginasio-chico-neto","tag-ginasio-do-parque-do-japao-em-maringa","tag-handebol-de-maringa","tag-health","tag-imprensa-de-maringa","tag-maringa","tag-maringa-futebol-clube","tag-maringa-seleto","tag-maringa-volei","tag-maringaense","tag-natacao-de-maringa","tag-noticias-de-maringa","tag-orlando-gonzalez","tag-portugal","tag-prefeitura-de-maringa","tag-pt","tag-radio-de-maringa","tag-radio-maringa","tag-radios-de-maringa","tag-rugby-de-maringa","tag-saude","tag-taekwondo-de-maringa-kickboxing-de-maringa","tag-tenis-de-mesa-de-maringa","tag-time-de-maringa-equipe-de-maringa","tag-vila-olimpica-de-maringa","tag-volei-de-maringa","tag-volei-de-praia-de-maringa"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=438003"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438003\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/438004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=438003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=438003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=438003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}