{"id":43845,"date":"2025-08-25T05:42:30","date_gmt":"2025-08-25T05:42:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/43845\/"},"modified":"2025-08-25T05:42:30","modified_gmt":"2025-08-25T05:42:30","slug":"corridas-intensas-podem-estar-ligadas-ao-cancer-de-colon-em-jovens-saudaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/43845\/","title":{"rendered":"Corridas intensas podem estar ligadas ao c\u00e2ncer de c\u00f3lon em jovens saud\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p><img width=\"1436\" height=\"1080\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Alex-Rocha-EPTC-Corrida.jpg\" class=\"webfeedsFeaturedVisual wp-post-image\" alt=\"\" style=\"display: block; margin: auto; margin-bottom: 5px;max-width: 100%;\" link_thumbnail=\"\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\"  \/><\/p>\n<p>Os tr\u00eas pacientes deveriam ser um exemplo de sa\u00fade. Eram jovens, magros e fisicamente ativos. Excepcionalmente ativos, ali\u00e1s: dois corriam ultramaratonas de 160 km regularmente, e um havia completado 13 meias-maratonas em um \u00fanico ano.<\/p>\n<p>Quando consultaram o Dr. Timothy Cannon, todos tinham c\u00e2ncer de c\u00f3lon avan\u00e7ado. Ele ficou perplexo; o mais velho tinha 40 anos, e nenhum apresentava fatores de risco conhecidos. O m\u00e9dico se perguntou se a corrida extrema poderia ter contribu\u00eddo para o desenvolvimento da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O Dr. Cannon, oncologista da Inova Schar Cancer, em Fairfax, Virg\u00ednia, lan\u00e7ou ent\u00e3o um estudo envolvendo 100 corredores de maratona e ultramaratona com idades entre 35 e 50 anos, submetendo-os a colonoscopia.<\/p>\n<p>Os resultados surpreenderam. Quase metade dos participantes apresentava p\u00f3lipos, e 15% tinham adenomas avan\u00e7ados com potencial de se tornarem cancer\u00edgenos.<\/p>\n<p>A taxa de adenomas avan\u00e7ados foi muito superior \u00e0 observada entre adultos de 40 anos na popula\u00e7\u00e3o em geral, que varia de 4,5% a 6%, segundo estudos recentes. Entre os corredores radicais, o n\u00famero foi ainda maior que os 12% registrados em nativos do Alasca, um grupo historicamente mais propenso ao c\u00e2ncer de c\u00f3lon.<\/p>\n<p>A pesquisa foi apresentada em uma confer\u00eancia da Sociedade Americana de Oncologia Cl\u00ednica, mas ainda n\u00e3o foi publicada em peri\u00f3dico m\u00e9dico.<\/p>\n<p>\u201cFiquei surpresa \u2014 voc\u00ea pensaria que correr \u00e9 super saud\u00e1vel\u201d, disse Laura Linville, 47 anos, maratonista de longa data de Alexandria, Virg\u00ednia, que participou do estudo. Ela descobriu sete p\u00f3lipos, incluindo alguns t\u00e3o grandes que precisou de procedimentos adicionais.<\/p>\n<p>\u201cCorrer \u00e9 normalmente associado a menor massa corporal, menos estresse e outros benef\u00edcios \u2014 voc\u00ea nunca ouve que possa ser ruim para voc\u00ea\u201d, acrescentou Linville, que come\u00e7ou a correr ultramaratonas durante a pandemia.<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o pretende abandonar as maratonas, mas far\u00e1 exames frequentes para detectar sinais de c\u00e2ncer de c\u00f3lon.<\/p>\n<p>O estudo surge em meio a preocupa\u00e7\u00f5es sobre o aumento do c\u00e2ncer de c\u00f3lon e reto entre adultos com menos de 50 anos, popula\u00e7\u00e3o historicamente de baixo risco.<\/p>\n<p>Embora a maioria dos diagn\u00f3sticos ainda ocorra em idosos, o crescimento do chamado c\u00e2ncer colorretal de in\u00edcio precoce levou, em 2021, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da idade recomendada para a primeira colonoscopia de 50 para 45 anos para pessoas de risco m\u00e9dio.<\/p>\n<p>O aumento da doen\u00e7a entre jovens intriga especialistas. Inatividade f\u00edsica e obesidade crescente s\u00e3o fatores apontados, o que fez os pacientes magros e saud\u00e1veis chamarem aten\u00e7\u00e3o do Dr. Cannon.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se deve dar desculpas para n\u00e3o se exercitar, porque a maior preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a falta de atividade\u201d, afirmou Cannon, que correu a Maratona de Nova York em 2010.<\/p>\n<p>\u201cMas, depois de observar meus pacientes e os resultados do estudo, acredito que exerc\u00edcios extremos podem aumentar o risco desse c\u00e2ncer.\u201d<\/p>\n<p>M\u00e9dicos ouvidos para esta reportagem enfatizam que a maioria dos jovens com c\u00e2ncer de c\u00f3lon n\u00e3o s\u00e3o maratonistas. Ainda assim, consideram o estudo provocativo e demandam mais pesquisas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um sinal aqui\u201d, disse Dr. David Lieberman, professor em\u00e9rito da Universidade de Sa\u00fade e Ci\u00eancia do Oregon. \u201cN\u00e3o esperar\u00edamos essas taxas de adenomas de alto risco em uma faixa et\u00e1ria como essa.\u201d<\/p>\n<p>Dr. David Rubin, chefe de gastroenterologia da Universidade de Chicago, afirmou que o estudo \u00e9 relevante, mas limitado.<\/p>\n<p>\u201cFaltou um grupo de controle de adultos jovens que n\u00e3o correm longas dist\u00e2ncias, e o hist\u00f3rico familiar de c\u00e2ncer entre os maratonistas n\u00e3o era totalmente conhecido\u201d, explicou Rubin.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, corredores de resist\u00eancia podem ignorar sintomas de c\u00e2ncer de c\u00f3lon, como fezes com sangue, urg\u00eancia intestinal e diarreia, frequentemente confundindo-os com efeitos benignos da corrida.<\/p>\n<p>Um mecanismo poss\u00edvel \u00e9 a colite isqu\u00eamica, que ocorre quando o fluxo sangu\u00edneo para o c\u00f3lon \u00e9 temporariamente reduzido, desviando sangue para m\u00fasculos das pernas. Isso causa dano e incha\u00e7o nas c\u00e9lulas do c\u00f3lon, geralmente tempor\u00e1rio.<\/p>\n<p>Hipoteticamente, a inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica gerada por exerc\u00edcios extremos poderia induzir ciclos de dano e reparo celular, permitindo muta\u00e7\u00f5es que precipitam o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Dr. Rubin observa, por\u00e9m, que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que colite isqu\u00eamica aumente o risco de c\u00e2ncer de c\u00f3lon. Especialistas recomendam que corredores com sintomas gastrointestinais persistentes procurem avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o digo para parar de correr, mas \u00e9 essencial ouvir o corpo\u201d, ressaltou Dr. Eric Christenson, da Johns Hopkins. \u201cSe houver sintomas, fale com um m\u00e9dico, mesmo sendo algu\u00e9m considerado saud\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Entre os pacientes que motivaram o estudo estava Josh Wadlington, ge\u00f3grafo que participava de duas ou tr\u00eas ultramaratonas por m\u00eas. Em um ano, correu o Savage Seven, evento com sete maratonas em sete dias.<\/p>\n<p>Ele apresentava fezes com sangue e altera\u00e7\u00f5es em exames, mas n\u00e3o deu import\u00e2ncia, considerando-os efeitos da corrida. Diagnosticado com c\u00e2ncer de c\u00f3lon em 2018, pr\u00f3ximo dos 40 anos, Wadlington morreu em 2021, aos 41.<\/p>\n<p>Os outros dois pacientes, incluindo uma triatleta, tamb\u00e9m faleceram.<\/p>\n<p>\u201cEle n\u00e3o bebia, n\u00e3o fumava, era vegano. Sempre foi saud\u00e1vel\u201d, disse a vi\u00fava, que pediu anonimato. \u201cOlhando para tr\u00e1s, percebemos quantas coisas deixamos passar. Mas voc\u00ea ignora sinais achando que est\u00e1 fazendo tudo certo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os tr\u00eas pacientes deveriam ser um exemplo de sa\u00fade. Eram jovens, magros e fisicamente ativos. 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