{"id":438590,"date":"2026-07-03T09:15:15","date_gmt":"2026-07-03T09:15:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/438590\/"},"modified":"2026-07-03T09:15:15","modified_gmt":"2026-07-03T09:15:15","slug":"adultos-com-obesidade-acima-dos-40-anos-tem-melhora-cardiovascular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/438590\/","title":{"rendered":"Adultos com obesidade acima dos 40 anos t\u00eam melhora cardiovascular"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">Adultos com obesidade e mais de 40 anos apresentam, atualmente, n\u00edveis de press\u00e3o arterial e de gordura no sangue semelhantes aos de pessoas com \u00edndice de massa corporal (IMC) normal, segundo um estudo liderado por pesquisadores do Imperial College London. A pesquisa, publicada na revista The Lancet, incluiu dados de quase um milh\u00e3o de pessoas. De acordo com os autores, essa tend\u00eancia est\u00e1 relacionada principalmente ao aumento da prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos para controle do colesterol, como as estatinas, e de f\u00e1rmacos para hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00a0A an\u00e1lise identificou uma grande mudan\u00e7a nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas em pa\u00edses de alta renda. Em diversos locais, adultos mais velhos com obesidade passaram a registrar n\u00edveis de colesterol n\u00e3o HDL, que inclui LDL e VLDL, conhecido como &#8220;ruim&#8221;, e de press\u00e3o arterial pr\u00f3ximos, ou at\u00e9 mesmo menores, do que o visto em pessoas com o IMC normal.<\/p>\n<p class=\"texto\">Por outro lado, a pesquisa mostrou que essa coincid\u00eancia n\u00e3o ocorreu entre adultos com menos de 40 anos. Nesse grupo, as diferen\u00e7as nos n\u00edveis de press\u00e3o arterial e colesterol entre pessoas com obesidade e indiv\u00edduos com IMC normal permaneceram praticamente inalteradas, o que, segundo os pesquisadores, pode ser explicado pelo menor uso de medicamentos preventivos nessa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"texto\">Apesar da melhora nos indicadores cardiovasculares entre os mais velhos, a equipe refor\u00e7a\u00a0 que a obesidade continua associada a diversos problemas de sa\u00fade, como diabetes, doen\u00e7as renais, enfermidades hep\u00e1ticas e diferentes tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p class=\"texto\">O professor Majid Ezzati, principal autor do estudo e integrante da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica do Imperial College London, real\u00e7ou os resultados da pesquisa. &#8220;Numa altura em que os medicamentos para perda de peso est\u00e3o cada vez mais utilizados, os nossos resultados fornecem um panorama da sa\u00fade cardiovascular das pessoas que provavelmente lhes ser\u00e3o prescritos, o que permite ao sistema de sa\u00fade compreender como os tratamentos para a press\u00e3o arterial e o colesterol beneficiam a popula\u00e7\u00e3o em conjunto com os medicamentos para a perda de peso.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Obesidade e sa\u00fade cardiovascular<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Embora a rela\u00e7\u00e3o entre obesidade, hipertens\u00e3o e colesterol elevado seja amplamente conhecida, ainda havia poucas evid\u00eancias sobre como esses indicadores evolu\u00edram ao longo do tempo em compara\u00e7\u00e3o com pessoas de IMC normal.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para responder a essa quest\u00e3o, os pesquisadores avaliaram informa\u00e7\u00f5es de cerca de um milh\u00e3o de pessoas reunidas em 110 bases de dados de sa\u00fade, coletadas entre 1990 e 2024. O estudo incluiu participantes da Inglaterra, Estados Unidos, Jap\u00e3o, Coreia do Sul, Taiwan, Tail\u00e2ndia e Finl\u00e2ndia.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os dados mostram que, na d\u00e9cada de 1990, adultos com obesidade apresentavam, de forma geral, press\u00e3o arterial e colesterol n\u00e3o HDL mais elevados do que indiv\u00edduos com IMC normal. Desde ent\u00e3o, na maioria participantes analisados, a redu\u00e7\u00e3o desses indicadores foi mais intensa entre pessoas com sobrepeso e obesidade de 40 a 79 anos.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os resultados foram ainda mais expressivos entre pessoas de 60 a 79 anos. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, idosos com obesidade, sobretudo aqueles com a condi\u00e7\u00e3o grave, chegaram ao fim do per\u00edodo analisado com n\u00edveis de press\u00e3o arterial e colesterol n\u00e3o-HDL semelhantes ou at\u00e9 inferiores aos observados em pacientes com IMC normal.<\/p>\n<p class=\"texto\">Segundo os pesquisadores, a principal explica\u00e7\u00e3o para essa mudan\u00e7a \u00e9 o aumento do tratamento medicamentoso voltado \u00e0 preven\u00e7\u00e3o cardiovascular. Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, pessoas com obesidade passaram a receber com maior frequ\u00eancia prescri\u00e7\u00f5es de estatinas e medicamentos anti-hipertensivos.<\/p>\n<p class=\"texto\">Vagner Vinicius Ferreira, cardiologista do Hospital Mantevida, em Bras\u00edlia, diz que o controle rigoroso da press\u00e3o arterial e do colesterol diminui de forma expressiva o risco de infarto e AVC, mas n\u00e3o elimina as demais consequ\u00eancias da obesidade. &#8220;O excesso de gordura corporal continua aumentando o risco de diabetes tipo 2, doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, esteatose hep\u00e1tica, alguns tipos de c\u00e2ncer, apneia do sono e problemas osteoarticulares. Portanto, controlar os fatores de risco cardiovasculares \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o substitui o tratamento da obesidade como doen\u00e7a cr\u00f4nica.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Jovens vulner\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Entre adultos com menos de 40 anos, a pesquisa encontrou pouca ou nenhuma redu\u00e7\u00e3o na diferen\u00e7a dos n\u00edveis de colesterol e press\u00e3o arterial entre pessoas com obesidade e aquelas com IMC normal. Os dados indicam que o uso de medicamentos para controle desses fatores de risco permanece baixo nessa faixa et\u00e1ria, refor\u00e7ando a hip\u00f3tese de que o tratamento farmacol\u00f3gico \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela melhora observada entre os mais velhos.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Interven\u00e7\u00f5es precoces no estilo de vida, exames de rastreio e, quando apropriado, medica\u00e7\u00e3o nesse grupo mais jovem devem ser considerados para prevenir complica\u00e7\u00f5es cardiovasculares a longo prazo associadas \u00e0 obesidade&#8221;, disse Ys\u00e9 d&#8217;Ailhaud de Brisis, assistente de pesquisa em sa\u00fade populacional da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica do Imperial College London.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para a endocrinologista Fernanda Parra, de S\u00e3o Paulo, em jovens, o principal problema \u00e9 o tempo de exposi\u00e7\u00e3o precoce \u00e0 obesidade, associado a um ambiente metab\u00f3lico que come\u00e7a a se deteriorar mais cedo. &#8220;Al\u00e9m disso, muitas vezes h\u00e1 subdiagn\u00f3stico e menor interven\u00e7\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria, o que atrasa o in\u00edcio de tratamento preventivo. Isso faz com que o risco se acumule ao longo do tempo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;A abordagem precisa ser precoce, cont\u00ednua e multifatorial. Isso inclui preven\u00e7\u00e3o desde fases iniciais do ganho de peso, tratamento ativo da obesidade como doen\u00e7a cr\u00f4nica, controle dos fatores metab\u00f3licos associados e acompanhamento longitudinal. Quanto mais cedo intervir, menor o ac\u00famulo de risco metab\u00f3lico ao longo da vida&#8221;, alerta\u00a0a endocrinologista.<\/p>\n<p>Palavra de especialista<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;O controle de press\u00e3o arterial e colesterol reduz significativamente eventos cardiovasculares, mas n\u00e3o elimina os efeitos sist\u00eamicos da obesidade. A obesidade continua atuando por outros mecanismos, como: inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica de baixo grau; resist\u00eancia \u00e0 insulina; disfun\u00e7\u00e3o endotelial e risco aumentado de diabetes, c\u00e2ncer e doen\u00e7a hep\u00e1tica. Ou seja, h\u00e1 uma melhora importante do risco cardiovascular, mas n\u00e3o uma neutraliza\u00e7\u00e3o completa do impacto da obesidade. Em jovens com obesidade, o risco permanece mais elevado principalmente porque h\u00e1 menor prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos preventivos nessa faixa et\u00e1ria; o tempo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 obesidade ainda \u00e9 menor, mas crescente; h\u00e1 atraso na identifica\u00e7\u00e3o de fatores de risco, com hipertens\u00e3o e dislipidemia subdiagnosticadas e menor interven\u00e7\u00e3o precoce no estilo de vida.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Marcelo Bergamo, cardiologista e respons\u00e1vel t\u00e9cnico da Coreclin,<\/strong><br \/><strong>em S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00a0<\/p>\n<p>Efeitos sist\u00eamicos<br \/>\nse mant\u00eam<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;O controle de press\u00e3o arterial e colesterol reduz significativamente eventos cardiovasculares, mas n\u00e3o elimina os efeitos sist\u00eamicos da obesidade. A obesidade continua atuando por outros mecanismos, como: inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica de baixo grau; resist\u00eancia \u00e0 insulina; disfun\u00e7\u00e3o endotelial e risco aumentado de diabetes, c\u00e2ncer e doen\u00e7a hep\u00e1tica. Ou seja, h\u00e1 uma melhora importante do risco cardiovascular, mas n\u00e3o uma neutraliza\u00e7\u00e3o completa do impacto da obesidade. Em jovens com obesidade, o risco permanece mais elevado principalmente porque h\u00e1 menor prescri\u00e7\u00e3o de medicamentos preventivos nessa faixa et\u00e1ria; o tempo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 obesidade ainda \u00e9 menor, mas crescente; h\u00e1 atraso na identifica\u00e7\u00e3o de fatores de risco, com hipertens\u00e3o e dislipidemia subdiagnosticadas e menor interven\u00e7\u00e3o precoce no estilo de vida.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">Marcelo Bergamo, cardiologista e respons\u00e1vel t\u00e9cnico da Coreclin, <br \/>em S\u00e3o Paulo<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/wa.me\/?text=Adultos+com+obesidade+acima+dos+40+anos+t%C3%AAm+melhora+cardiovascular%20https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/ciencia-e-saude\/2026\/07\/7453841-adultos-com-obesidade-acima-dos-40-anos-tem-melhora-cardiovascular.html\" target=\"_blank\" title=\"Whatsapp\" aria-label=\"WhatsApp\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https:\/\/www.correiobraziliense.com.br%2Fciencia-e-saude%2F2026%2F07%2F7453841-adultos-com-obesidade-acima-dos-40-anos-tem-melhora-cardiovascular.html&amp;text=Adultos+com+obesidade+acima+dos+40+anos+t%C3%AAm+melhora+cardiovascular\" target=\"_blank\" title=\"Facebook\" aria-label=\"Facebook\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/www.correiobraziliense.com.br%2Fciencia-e-saude%2F2026%2F07%2F7453841-adultos-com-obesidade-acima-dos-40-anos-tem-melhora-cardiovascular.html&amp;text=Adultos+com+obesidade+acima+dos+40+anos+t%C3%AAm+melhora+cardiovascular\" target=\"_blank\" title=\"Twitter\" aria-label=\"Twitter\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/profile.google.com\/cp\/CgovbS8wNzZ0dms1\" title=\"Google Discover\" target=\"_blank\" aria-label=\"Google Discover\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/google-discover-icon.png\" style=\"height: 25px; margin: 0 !important; margin-left: 3px;\" alt=\"Google Discover Icon\"\/><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>              <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/isabella-almeida\/page\/1\/\" style=\"height: 100%;\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"hidden-print author-circle d-block h6 mt-0 mb-0 mr-6 text-center\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img_3872__1_-30220876.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" height=\"40\" loading=\"lazy\" style=\"object-fit:cover; width: 40px; height: 40px; margin-right:10px;\"\/><\/a><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/isabella-almeida\/page\/1\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"hidden-print author-circle d-block h6 mt-0 mb-0 mr-6 text-center\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img_3872__1_-30220876.jpg\" alt=\"\" width=\"40\" height=\"40\" loading=\"lazy\" style=\"object-fit:cover; width: 40px; height: 40px; margin-right:10px;\"\/><\/a>Isabella Almeida  <strong class=\"entryStrongAuthor\">Rep\u00f3rter<\/strong><\/p>\n<p class=\"entryDescricaoAuthor\">Goiana, mora em Bras\u00edlia desde 2018. Formada em jornalismo pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Especialista em publica\u00e7\u00f5es de sa\u00fade e ci\u00eancia.<\/p>\n<p>                          <script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Adultos com obesidade e mais de 40 anos apresentam, atualmente, n\u00edveis de press\u00e3o arterial e de gordura no&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":438591,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[6642,116,1022,32,8442,33,117],"class_list":["post-438590","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-colesterol","tag-health","tag-obesidade","tag-portugal","tag-pressao-arterial","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116855291064795848","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438590","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=438590"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/438590\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/438591"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=438590"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=438590"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=438590"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}