{"id":439689,"date":"2026-07-04T11:52:07","date_gmt":"2026-07-04T11:52:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/439689\/"},"modified":"2026-07-04T11:52:07","modified_gmt":"2026-07-04T11:52:07","slug":"imigrantes-nao-vem-comer-do-bolo-aumentam-lhe-o-tamanho-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/439689\/","title":{"rendered":"&#8220;Imigrantes n\u00e3o v\u00eam comer do &#8216;bolo&#8217;, aumentam-lhe o tamanho&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>O acad\u00e9mico italiano reconheceu que muitos imigrantes de pa\u00edses mais pobres podem ter qualifica\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o conseguem, no pa\u00eds de destino, empregos que correspondam a essas qualifica\u00e7\u00f5es. Mas at\u00e9 isso \u00e9 algo que, sustenta,<strong> contribui para um aumento da produtividade na economia<\/strong>, sobretudo a prazo.<\/p>\n<p>Mesmo em empregos de qualifica\u00e7\u00e3o m\u00e9dia ou baixa \u201cter uma educa\u00e7\u00e3o superior \u00e9 algo que importa para ser mais produtivo. Por exemplo, olhe para a <strong>assist\u00eancia a idosos<\/strong>: um estrangeiro que seja m\u00e9dico ou enfermeiro no seu pa\u00eds ter\u00e1 conhecimentos de sa\u00fade que lhe permitem prestar uma assist\u00eancia melhor do que aquela que pode ser prestada por uma pessoa sem instru\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Giovanni Peri, ao Observador.<\/p>\n<p>A OCDE concluiu, no final do ano passado, que <strong>41% dos imigrantes em Portugal est\u00e3o sobrequalificados<\/strong> para o trabalho que desempenham. Ou seja, muitos t\u00eam licenciaturas ou outras qualifica\u00e7\u00f5es elevadas, mas acabam a trabalhar em fun\u00e7\u00f5es como hotelaria, restaura\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o, log\u00edstica ou servi\u00e7os pouco qualificados.<\/p>\n<p>\u201cTalvez um m\u00e9dico que emigre nunca possa [ver as compet\u00eancias reconhecidas e] ser m\u00e9dico no novo pa\u00eds, mas poder\u00e1 tornar-se um enfermeiro especializado ou um assistente mais qualificado, o que tender\u00e1 a produzir um <strong>grande ganho de produtividade ao longo do tempo<\/strong>\u201c, advoga Giovanni Peri.<\/p>\n<p>O estudo encomendado pelo BCE para ser debatido no F\u00f3rum anual de Sintra sustenta que, embora nem sempre isso corresponda \u00e0 perce\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u201co crescimento na imigra\u00e7\u00e3o, sobretudo vinda de pa\u00edses n\u00e3o pertencentes \u00e0 OCDE, tem sido, em m\u00e9dia, marcado por um <strong>equil\u00edbrio entre pessoas com e sem forma\u00e7\u00e3o superior<\/strong>\u201d. E isso \u00e9 parte da explica\u00e7\u00e3o para que os indicadores de produtividade do trabalho tenham aumentado em per\u00edodos de elevada imigra\u00e7\u00e3o, de acordo com a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este benef\u00edcio para as economias, pode ler-se no documento, \u201c<strong>contrasta com a perce\u00e7\u00e3o que existe<\/strong> em pessoas que vivem nos pa\u00edses recetores, que muitas vezes descrevem os imigrantes como pessoas com baixas qualifica\u00e7\u00f5es\u201d. N\u00e3o faltam, acrescenta-se, \u201cevid\u00eancias abundantes acerca das perce\u00e7\u00f5es erradas dos cidad\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstudos mostram que, quando se pergunta \u00e0s pessoas quantos imigrantes existem no seu pa\u00eds, elas tendem a sobrestimar largamente o seu n\u00famero. Pensam que 20% ou 30% do pa\u00eds \u00e9 imigrante, quando <strong>na realidade \u00e9 mais perto de 10% ou 12%.<\/strong> E quando se pergunta sobre a taxa de desemprego entre imigrantes, pensam que a maioria est\u00e1 desempregada, quando, pelo contr\u00e1rio, <strong>a maioria trabalha<\/strong>\u201c, afirma Peri, notando que, \u201cquando se pergunta sobre as qualifica\u00e7\u00f5es, muito poucos dir\u00e3o que h\u00e1 muitos imigrantes com forma\u00e7\u00e3o superior; pensam que s\u00e3o pouco qualificados, quando <strong>s\u00e3o relativamente instru\u00eddos, em m\u00e9dia<\/strong>\u201c.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Y79sjjNrMI\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2026\/06\/22\/residem-em-portugal-114-milhoes-de-pessoas-16-milhoes-sao-estrangeiras\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Residem em Portugal 11,4 milh\u00f5es de pessoas, 1,6 milh\u00f5es s\u00e3o estrangeiras<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ali\u00e1s, de acordo com os dados, \u201c<strong>em mais de 81% das observa\u00e7\u00f5es, a imigra\u00e7\u00e3o l\u00edquida foi mais qualificada do que a popula\u00e7\u00e3o local<\/strong>\u201d, pode ler-se no estudo. Ao Observador, Giovanni Peri reconhece que esse dado surpreendeu at\u00e9 a equipa de economistas envolvidos no trabalho, por si liderados.<\/p>\n<p>\u201cUma revela\u00e7\u00e3o interessante \u00e9 que <strong>o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o destes imigrantes \u00e9 relativamente alto<\/strong>\u201c, refere o italiano, notando que \u201ca intensidade de licenciados nesta imigra\u00e7\u00e3o \u00e9 normalmente <strong>superior \u00e0 dos residentes<\/strong>, e esse \u00e9 um canal atrav\u00e9s do qual os imigrantes aumentam o capital humano\u201d e, por isso, o crescimento potencial das economias.<\/p>\n<p>\t\t    \t\t         E qual \u00e9 o impacto nos pa\u00edses de origem?  <\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2193 Mostrar<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\u2191 Esconder<\/p>\n<p>O estudo de Giovanni Peri concentra-se no impacto da imigra\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses de destino, mas Fabio Panetta, governador do Banco de It\u00e1lia que estava na primeira fila do F\u00f3rum BCE, questionou o acad\u00e9mico sobre os poss\u00edveis impactos nos pa\u00edses de origem. Ser\u00e1 que o efeito \u00e9 sim\u00e9trico e se est\u00e1, apenas, a \u201ctransferir [potencial de] crescimento de uns pa\u00edses para outros?\u201d, perguntou Panetta.<\/p>\n<p>\u201cA abordagem econ\u00f3mica tradicional diz-nos que a emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 muito boa para quem emigra e temos, tamb\u00e9m, muitas evid\u00eancias de que \u00e9 boa para o pa\u00eds de destino\u201d, respondeu o acad\u00e9mico italiano. J\u00e1 para os pa\u00edses de origem, \u201c\u00e9 comum falar-se da \u2018fuga de c\u00e9rebros\u2019 que, por defini\u00e7\u00e3o, pode ser negativa\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, aponta Giovanni Peri, \u201cal\u00e9m da quest\u00e3o das remessas, existem evid\u00eancias de que se o emigrante n\u00e3o sai do seu pa\u00eds para sempre, se a dada altura regressar, trazendo consigo tecnologia, isso pode ajudar o pa\u00eds de origem\u201d. Mas este estudo n\u00e3o trabalhou sobre essa componente dos fluxos migrat\u00f3rios e respetivo impacto \u2013 \u201cisso poderia ser o pr\u00f3ximo passo\u201d nesta investiga\u00e7\u00e3o, aponta.<\/p>\n<p>No estudo, afirma-se que \u201cos <strong>imigrantes mais qualificados ajudam mais a produtividade e o investimento<\/strong>, mas os imigrantes com menor instru\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o prejudicam a produtividade<\/strong>\u201d e, ao mesmo tempo, \u201cpreenchem empregos necess\u00e1rios\u201d num contexto de encolhimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Portugal, o INE estima quase um em cada quatro imigrantes residentes em Portugal tem forma\u00e7\u00e3o superior, uma <strong>propor\u00e7\u00e3o que j\u00e1 supera ligeiramente a da popula\u00e7\u00e3o portuguesa<\/strong>. De acordo com os dados mais recentes dos Censos do Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), 24,24% dos estrangeiros no pa\u00eds t\u00eam forma\u00e7\u00e3o superior, face a 24,09% entre a popula\u00e7\u00e3o residente considerada pelos \u00faltimos Censos.<\/p>\n<p>\u201cO efeito agregado \u00e9 grande: para cada 1% extra da popula\u00e7\u00e3o que \u00e9 imigrante gera-se, acumulado ao longo de 10 anos, <strong>entre 1,5 e 1,9 pontos percentuais de crescimento extra do PIB per capita <\/strong>e, logo, da produtividade\u201d, sustenta Giovanni Peri. Isto \u00e9 algo que demonstra o potencial da imigra\u00e7\u00e3o para impulsionar o crescimento econ\u00f3mico, particularmente em regi\u00f5es como a Uni\u00e3o Europeia, onde o crescimento da popula\u00e7\u00e3o nativa tem sido negativo, defende o economista.<\/p>\n<p>O estudo conclui que \u201cos resultados mostram que a produtividade do trabalho nos pa\u00edses recetores cresceu significativamente durante e ap\u00f3s per\u00edodos de taxas de imigra\u00e7\u00e3o mais elevadas, ou ap\u00f3s choques migrat\u00f3rios e pol\u00edticas de imigra\u00e7\u00e3o mais abertas\u201d. Refere-se o caso de Espanha, onde a imigra\u00e7\u00e3o aumentou em 15 pontos percentuais (na percentagem da popula\u00e7\u00e3o adulta) entre 1990 e 2024 e o crescimento real do PIB per capita de Espanha (acumulado) foi de cerca de 75%. O estudo aponta que \u201cat\u00e9 <strong>um ter\u00e7o deste crescimento [econ\u00f3mico] pode ser atribu\u00eddo ao fluxo de imigrantes<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o <strong>Reino Unido<\/strong> ter\u00e1, segundo os dados apurados, registado um crescimento total em que um ter\u00e7o pode ser atribu\u00eddo ao crescimento da imigra\u00e7\u00e3o, no mesmo per\u00edodo de 35 anos. Em <strong>It\u00e1lia<\/strong>, outra das grandes economias da OCDE estudadas por Giovanni Peri, houve um crescimento de 7,5 pontos percentuais no peso da imigra\u00e7\u00e3o (no total da popula\u00e7\u00e3o) e o estudo atribui \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o \u201cum acr\u00e9scimo de 14,5% de crescimento do PIB per capita, face a um crescimento (total) de 24% no per\u00edodo\u201d, de acordo com o estudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O acad\u00e9mico italiano reconheceu que muitos imigrantes de pa\u00edses mais pobres podem ter qualifica\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o conseguem, no&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":439690,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[475,1213,88,4067,476,89,90,741,1865,297,4068,62,861,32,33],"class_list":["post-439689","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-banca","tag-bce","tag-business","tag-crescimento-econu00f3mico","tag-economia","tag-economy","tag-empresas","tag-entrevista","tag-imigrantes","tag-imigrau00e7u00e3o","tag-macroeconomia","tag-mundo","tag-observador","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/439689","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=439689"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/439689\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/439690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=439689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=439689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=439689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}