{"id":439976,"date":"2026-07-04T17:52:14","date_gmt":"2026-07-04T17:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/439976\/"},"modified":"2026-07-04T17:52:14","modified_gmt":"2026-07-04T17:52:14","slug":"cientistas-criam-celulas-artificiais-que-comem-crescem-e-se-multiplicam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/439976\/","title":{"rendered":"Cientistas criam c\u00e9lulas artificiais que comem, crescem e se multiplicam"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-752554\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3-5-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">As SpudCells de Kate Adamala, mostradas numa imagem composta baseada em microscopia, mimetizam fun\u00e7\u00f5es celulares essenciais<\/p>\n<p><strong>O sonho de criar vida em laborat\u00f3rio parece menos distante: investigadores criaram c\u00e9lulas artificiais simples que imitam comportamentos essenciais dos seres vivos. \u201cIsto \u00e9 apenas o come\u00e7o\u201d.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muito que a ci\u00eancia persegue uma esp\u00e9cie de santo graal biol\u00f3gico: transformar uma sopa de qu\u00edmicos simples em vida auto-sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Agora, uma equipa liderada pela investigadora em biologia sint\u00e9tica <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/o-que-e-a-vida-espelhada-e-porque-e-que-os-cientistas-falam-em-consequencias-terriveis-648725\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Katarzyna Adamala<\/a>, da Universidade do Minnesota, afirma ter dado um grande passo nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os investigadores desenvolveram c\u00e9lulas artificiais simples capazes de se alimentar, crescer, multiplicar-se e at\u00e9 competir por alimento, segundo um <a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.64898\/2026.07.01.735724v1\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">estudo<\/a> pr\u00e9-publicado antes de revis\u00e3o por pares na quinta-feira no bioRxiv.<\/p>\n<p>Embora as c\u00e9lulas criadas em laborat\u00f3rio n\u00e3o estejam propriamente vivas \u2014 n\u00e3o conseguem produzir toda a maquinaria de que precisam nem dividir-se durante muitas gera\u00e7\u00f5es \u2014, exibem v\u00e1rios sinais associados \u00e0 vida.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 t\u00e3o robusta, t\u00e3o r\u00e1pida nem t\u00e3o boa na maioria das suas fun\u00e7\u00f5es como uma c\u00e9lula natural, mas \u00e9 uma prova de princ\u00edpio de que as mol\u00e9culas conseguem reconstituir comportamentos que, at\u00e9 agora, associ\u00e1vamos apenas a c\u00e9lulas vivas naturais\u201d, explica Adamala ao The Guardian.<\/p>\n<p>\u201cVamos lembrar-nos deste momento\u201d, afirmou <strong>Roseanna Zia<\/strong>, bi\u00f3loga computacional da Universidade do Missouri, que n\u00e3o participou na investiga\u00e7\u00e3o, ao <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2026\/07\/01\/science\/spudcells-synthetic-cell.html\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">New York Times<\/a>.<\/p>\n<p>Os cientistas tentam criar c\u00e9lulas em laborat\u00f3rio h\u00e1 d\u00e9cadas. A proeza pode ajudar os investigadores a compreender melhor os fundamentos da vida e a produzir determinadas subst\u00e2ncias de que os seres humanos precisam. As pessoas com diabetes, por exemplo, dependem de insulina sint\u00e9tica produzida por bact\u00e9rias e leveduras.<\/p>\n<p>Adamala e os colegas come\u00e7aram por tentar recriar a divis\u00e3o celular natural, uma parte do processo de reprodu\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de uma vers\u00e3o simplificada. Mas acabaram por inverter a abordagem e trabalhar de baixo para cima, o que lhes permitiria compreender plenamente cada componente, explica a <a href=\"https:\/\/www.smithsonianmag.com\/smart-news\/scientists-say-theyve-made-cells-that-feed-grow-and-reproduce-bringing-them-one-step-closer-to-building-life-from-scratch-180989070\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Smithsonian Magazine<\/a>.<\/p>\n<p>A equipa criou membranas celulares sint\u00e9ticas capazes de agregar prote\u00ednas do meio envolvente e, quando acumulavam prote\u00ednas suficientes, a superf\u00edcie da membrana deformava-se para dentro at\u00e9 se dividir em duas.<\/p>\n<p>Depois disso, os investigadores decidiram tentar construir uma c\u00e9lula inteira de raiz. Come\u00e7aram com esferas cheias de \u00e1gua, envolvidas por membranas oleosas, chamadas lipossomas.<\/p>\n<p>Em seguida, introduziram ADN associado a fun\u00e7\u00f5es essenciais, num sistema que inclui 36 enzimas purificadas e um genoma sint\u00e9tico reduzido. Para compara\u00e7\u00e3o, esta bact\u00e9ria tem cerca de 4.400 genes.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o recebeu o nome de <strong>SpudCell<\/strong>, devido ao seu aspeto semelhante ao de uma batata, numa homenagem ao Sputnik e ao in\u00edcio da era espacial, mas tamb\u00e9m \u00e0s origens de Adamala. \u201cSou polaca\u201d, disse ao The Guardian. \u201cSou feita sobretudo de batatas.\u201d<\/p>\n<p>Depois de colocadas em frascos de laborat\u00f3rio cheios de uma sopa com compostos qu\u00edmicos essenciais, as SpudCells come\u00e7aram a comportar-se como organismos vivos. Consumiam mol\u00e9culas fornecidas pelos investigadores, como ATP, a principal \u201cmoeda energ\u00e9tica\u201d de toda a vida conhecida. Tamb\u00e9m se fundiam com lipossomas \u201calimentadores\u201d, que continham componentes maiores, como enzimas.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que se alimentavam, as SpudCells expandiam-se. Em poucas horas, estavam prontas para se replicar. A equipa usou a mesma t\u00e9cnica de divis\u00e3o celular que dera origem ao projeto, acrescentando prote\u00ednas especiais para levar as membranas a dividir-se \u2014 e conseguiu criar novas c\u00e9lulas, que tamb\u00e9m cresceram.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas sint\u00e9ticas demonstraram at\u00e9 uma capacidade rudimentar de evoluir. Quando os investigadores colocaram as SpudCells originais em competi\u00e7\u00e3o com uma estirpe mutante concebida para se ligar com mais for\u00e7a \u00e0s ves\u00edculas alimentadoras, as mutantes acabaram por prevalecer sobre as originais ao longo de 5 gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar destas caracter\u00edsticas extraordin\u00e1rias, as SpudCells est\u00e3o longe de ser r\u00e9plicas perfeitas da vida natural. Embora tenham os genes necess\u00e1rios, as c\u00e9lulas ainda n\u00e3o conseguem produzir os seus pr\u00f3prios ribossomas \u2014 as f\u00e1bricas celulares que constroem prote\u00ednas.<\/p>\n<p>Os cientistas fornecem-lhes manualmente ribossomas de E. coli atrav\u00e9s dos lipossomas alimentadores, mas, mesmo assim, a maquinaria de produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas deixa de funcionar ao fim de 5 a 10 gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nem todos est\u00e3o entusiasmados com o avan\u00e7o. \u201c\u00c9 um artigo muito interessante\u201d, disse \u00e0 revista <a href=\"https:\/\/www.science.org\/content\/article\/lab-created-spudcell-marks-major-step-toward-building-life-scratch\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Science<\/a> a bioqu\u00edmica <strong>Seraphine Wegner<\/strong>, da Universidade de M\u00fcnster, na Alemanha, que n\u00e3o participou no trabalho. \u201cMas n\u00e3o acho que isto signifique que estejamos perto de criar uma c\u00e9lula totalmente sint\u00e9tica.\u201d<\/p>\n<p><strong>John Dupr\u00e9<\/strong>, fil\u00f3sofo da biologia na Universidade de Exeter, em Inglaterra, questiona se estas estruturas artificiais alguma vez conseguir\u00e3o superar bact\u00e9rias modificadas no fabrico de medicamentos, alimentos, combust\u00edveis ou outros materiais \u2014 e considera que talvez nem revelem muito sobre os fundamentos da vida.<\/p>\n<p>\u201cIsto talvez forne\u00e7a um argumento convincente contra quem pensa que existe alguma subst\u00e2ncia imaterial, al\u00e9m dos qu\u00edmicos, que insufla vida na mat\u00e9ria\u201d, afirmou Dupr\u00e9. \u201cMas quase nenhum cientista acredita nisso hoje\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, Adamala acredita que as SpudCells poder\u00e3o um dia criar subst\u00e2ncias que as c\u00e9lulas naturais n\u00e3o conseguem produzir, como um novo medicamento.<\/p>\n<p>A cientista juntou-se agora ao tamb\u00e9m investigador em biologia sint\u00e9tica <strong>Drew Endy<\/strong>, da Universidade de Stanford, para fundar uma organiza\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos chamada Biotic, que pretende criar uma comunidade de trabalho colaborativo em avan\u00e7os cient\u00edficos, incluindo c\u00e9lulas artificiais.<\/p>\n<p>Endy compara as SpudCells ao primeiro voo controlado dos irm\u00e3os Wright, em 1903. \u201cO avi\u00e3o dos Wright, a voar durante 12 segundos, n\u00e3o nos d\u00e1 um 737. Isto \u00e9 apenas o come\u00e7o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As SpudCells de Kate Adamala, mostradas numa imagem composta baseada em microscopia, mimetizam fun\u00e7\u00f5es celulares essenciais O sonho&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":439977,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[2216,4614,7653,11711,109,107,108,2217,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":["post-439976","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-adn","tag-biologia","tag-bioquimica","tag-biotecnologia","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-genetica","tag-portugal","tag-pt","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116862986065627335","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/439976","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=439976"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/439976\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/439977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=439976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=439976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=439976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}