{"id":44003,"date":"2025-08-25T09:20:07","date_gmt":"2025-08-25T09:20:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/44003\/"},"modified":"2025-08-25T09:20:07","modified_gmt":"2025-08-25T09:20:07","slug":"grande-entrevista-ha-uma-segregacao-geografica-violenta-e-silenciosa-na-educacao-professores-a-sairem-da-classe-media-alunos-em-risco-de-uma-condenacao-para-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/44003\/","title":{"rendered":"GRANDE ENTREVISTA | &#8220;H\u00e1 uma segrega\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica violenta e silenciosa na educa\u00e7\u00e3o&#8221;: professores a sa\u00edrem da classe m\u00e9dia; alunos em risco de uma condena\u00e7\u00e3o para a vida"},"content":{"rendered":"<p>\t                OUTROS 3 D || \u201cVivemos \u00e0 sombra da car\u00eancia\u201d, afirma o economista Jos\u00e9 Tavares, que v\u00ea &#8220;a m\u00e1quina da esperan\u00e7a&#8221; a engasgar: &#8220;O populismo de direita n\u00e3o existiria se n\u00e3o houvesse esta crise de promessas falhadas&#8221;. Defende a democracia liberal e critica o &#8220;des\u00edgnio&#8221; de sermos &#8220;um pa\u00eds tendencialmente gratuito&#8221;, at\u00e9 porque &#8220;um ranking em n\u00e9on das virtudes e dos sofrimentos e das desigualdades \u00e9 o princ\u00edpio do fim de uma sociedade justa&#8221;. Em vez disso, considera que &#8220;precisamos de algum humanismo a doer&#8221;. E alerta para o decl\u00ednio na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o: &#8220;Caminhamos na dire\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como o Brasil ou Estados Unidos, onde certos percursos da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em certas geografias, s\u00e3o uma condena\u00e7\u00e3o para a vida&#8221;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Tavares nasceu em 1966, doutorou-se em Harvard, \u00e9 professor de Economia na Universidade Nova de Lisboa. \u00c9 tamb\u00e9m escritor; quando escreve, assina com o pseud\u00f3nimo Jos\u00e9 Gardeazabal. Nesta entrevista, as duas personas convergem para falar de desigualdade. Quando cita Don DeLillo: meio mundo com fome, o outro meio a alterar o design da cozinha.<\/p>\n<p>(Esta entrevista faz parte da s\u00e9rie <a href=\"https:\/\/cnnportugal.iol.pt\/noticias\/Outros-3D\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">OUTROS 3 D<\/a>: desconstru\u00e7\u00e3o, desacreditar, desigualdade, um projeto de Anabela Mota Ribeiro para a CNN Portugal)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A pobreza \u00e9 a mais abjeta desigualdade&#8221; <\/p>\n<p><strong>Desigualdade parece ser simplesmente o oposto de igualdade. Ou tem outras defini\u00e7\u00f5es? <\/strong><\/p>\n<p>A igualdade \u00e9 uma m\u00e9trica. Seja na economia, seja nos direitos, \u00e9 uma m\u00e9trica extremamente exigente, s\u00f3 f\u00e1cil na apar\u00eancia. Igualdade de que direitos? Nem todos os direitos s\u00e3o iguais, alguns s\u00e3o mais iguais do que outros. Igualdade de oportunidades ou de resultados? S\u00e3o velhas quest\u00f5es, n\u00e3o envelheceram mal. Continuam relevantes e entre n\u00f3s. Vamos estar sempre \u00e0 procura de igualdade, mas a igualdade \u00e9 um ponto. A desigualdade \u00e9 o desenrolar natural das coisas.<\/p>\n<p><strong>Como uma condi\u00e7\u00e3o natural?<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente tamb\u00e9m o \u00e9, \u201cnatural\u201d. N\u00e3o nos devemos resignar a ela, mas precisamos de entender que desigualdades s\u00e3o decisivas, como garantir que do menu de desigualdades possa emergir um centro de dignidade humana. Um dos melhores impulsos para a igualdade tem a ver com a igualdade de direitos e um esfor\u00e7o para a igualdade de oportunidades.<\/p>\n<p><strong>Um esfor\u00e7o: a igualdade exacta de oportunidades e circunst\u00e2ncias existe?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o. A igualdade absoluta e transversal \u00e9 sensa\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o, coisa de instante, talvez de cinema. Vivemos em sociedades diversas que procuram uma diversidade de bens, servi\u00e7os, modos de vida que inspiram desigualdades. H\u00e1 desigualdades pelas quais ansiamos \u2014 s\u00e3o suced\u00e2neos de liberdade. E h\u00e1 desigualdades que n\u00e3o podemos tolerar.<\/p>\n<p><strong>Comecemos por falar de desigualdade em economia, uma defini\u00e7\u00e3o concreta, mensur\u00e1vel, que se ensine e investigue nas faculdades.<\/strong><\/p>\n<p>Na economia, falamos muito de desigualdade de rendimentos, de riqueza, tamb\u00e9m outras. Falamos da desigualdade de rendimentos a partir de um \u00edndice que aceitamos como relevante, o \u00edndice de Gini, que vai de 1, m\u00e1xima desigualdade, quando um indiv\u00edduo concentra todos o rendimento da economia, ao valor 0, quando todos os indiv\u00edduos det\u00eam exatamente a mesma propor\u00e7\u00e3o do rendimento total. Nem o 1 nem o 0 aparecem na realidade. Os valores interm\u00e9dios de desigualdade s\u00e3o bastante vari\u00e1veis. O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais desiguais, os Estados Unidos e o Reino Unido exibem n\u00edveis de desigualdade tamb\u00e9m elevados, para rendimentos superiores.<\/p>\n<p><strong>Onde nos situamos?<\/strong><\/p>\n<p>Portugal, entre os pa\u00edses de rendimento elevado, suporta n\u00edveis de desigualdade demasiado elevados para o rendimento dos cidad\u00e3os. Na economia e, atrevo-me, na vida, a pior das desigualdades \u00e9 a pobreza. Que s\u00e3o coisas diferentes.<\/p>\n<p><strong>Pode dissecar a diferen\u00e7a? A primeira ace\u00e7\u00e3o, quase intuitiva, que temos de desigualdade \u00e9: pobreza.<\/strong><\/p>\n<p>A pobreza \u00e9 a mais abjeta desigualdade. Refere-se \u00e0quele n\u00famero de pessoas que est\u00e3o abaixo de um limiar de dec\u00eancia quanto ao acesso aos bens e \u00e0s oportunidades. Quanto a investir na educa\u00e7\u00e3o e futuro dos filhos, conquistar tempos livres e acesso \u00e0 cultura. Nas sociedades ricas, s\u00e3o um mist\u00e9rio. Quase b\u00edblico, diria. N\u00e3o se justifica a pobreza extrema no meio da prosperidade a que, apesar de tudo, temos acesso. A desigualdade nem sempre implica pobreza.<\/p>\n<p><strong>Em que circunst\u00e2ncias n\u00e3o \u00e9 assim?<\/strong><\/p>\n<p>A China em 1960 e 1970 era muito igualit\u00e1ria, porque os chineses eram quase todos pobres. A China viu a sua desigualdade aumentar, hoje tem n\u00edveis de desigualdade que se aproximam dos n\u00edveis dos Estados Unidos, mas tem muito menos pobres. O crescimento econ\u00f3mico implica quase sempre o aumento da desigualdade e a diminui\u00e7\u00e3o da pobreza. \u00c9 no combate \u00e0 pobreza que nos devemos concentrar. A desigualdade n\u00e3o \u00e9 coisa que gostemos de encarar, mas n\u00e3o \u00e9 necessariamente m\u00e1, por natureza. A pobreza, \u00e9.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>A China em 1960 e 1970 era muito igualit\u00e1ria, porque os chineses eram quase todos pobres.&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Muitas ideologias totais e totalit\u00e1rias s\u00e3o sonhos burgueses que correram mal&#8221; <\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 a sua defini\u00e7\u00e3o enquanto economista. Enquanto pensador e escritor, quando usa o pseud\u00f3nimo Jos\u00e9 Gardeazabal, que outras formas prop\u00f5e para auscultar o mundo na sua desigualdade?<\/strong><\/p>\n<p>O drama da desigualdade: ter lado a lado pessoas que querem coisas novas e magn\u00edficas, e pessoas sem acesso ao m\u00ednimo, os pobres. O escritor Don DeLillo tem uma frase de que me lembro muitas vezes: meio mundo com fome, o outro meio a alterar o design da cozinha. \u00c9 liter\u00e1rio, mas \u00e9 verdadeiro. A desigualdade magoa, mas a parte sombria da desigualdade \u00e9 a pobreza intoler\u00e1vel.<\/p>\n<p>Enquanto economista, a arma do pensamento \u00e9 a l\u00f3gica, que tem muitas limita\u00e7\u00f5es. Enquanto escritor, a melhor arma \u00e9 a ironia e a partilha do que \u00e9 o humano. A ironia \u00e9 importante, permite-nos descartar as falsas f\u00e1ceis solu\u00e7\u00f5es, os \u00eaxtases da virtude e das engenharias do ego \u2014 que n\u00e3o ajudam os pobres, a n\u00e3o ser os pobres metaf\u00edsicos.<\/p>\n<p><strong>Algumas pessoas, quando falam da dificuldade de acesso a determinados caminhos de vida, assinalam o facto de n\u00e3o provirmos todos do mesmo lugar, da discrimina\u00e7\u00e3o institu\u00edda que exclui em fun\u00e7\u00e3o da cor da pele, da faixa et\u00e1ria, do c\u00f3digo postal do endere\u00e7o.<\/strong><\/p>\n<p>Normalmente, quando falamos de discrimina\u00e7\u00e3o ou de desigualdade, falamos de coisas como etnia, g\u00e9nero, algum grau de defici\u00eancia, coisas importantes. Esquecemos o classismo, de que se fala pouco e que \u00e9 particularmente importante em Portugal.<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que se fala t\u00e3o pouco? E porque \u00e9 que se tem tanto embara\u00e7o em falar de dinheiro?<\/strong><\/p>\n<p>Fomos classe m\u00e9dia muito tarde. No 25 de Abril ainda t\u00ednhamos uma percentagem elevada de pessoas a trabalhar na agricultura. Temos inscrito no nosso c\u00f3digo a car\u00eancia. Falar de dinheiro \u00e9 trazer uma mem\u00f3ria dolorosa, pesada: muito provavelmente, os pais ou os av\u00f3s foram pobres. E usamos express\u00f5es como: passar dificuldades. Viemos da car\u00eancia, do analfabetismo.<\/p>\n<p><strong>Apesar dos passos significativos dados depois da Revolu\u00e7\u00e3o, e situou o 25 de Abril como o in\u00edcio do surgimento de uma classe m\u00e9dia, a mobilidade social \u00e9 diminuta.<\/strong><\/p>\n<p>Sofremos por sermos demasiado pequenos e demasiado burgueses, demasiado pequeno-burgueses. A partir dos idos de 60 e 70 do s\u00e9culo passado, as nossas elites aburguesaram-se, pequeno-aburguesaram-se, e nunca mais pararam. N\u00e3o fizemos a descoloniza\u00e7\u00e3o nem a democratiza\u00e7\u00e3o das mentes, e n\u00e3o me refiro \u00e0s coloniza\u00e7\u00f5es evidentes. Muitas ideologias totais e totalit\u00e1rias s\u00e3o sonhos burgueses que correram mal. At\u00e9 o nosso materialismo hist\u00f3rico foi mais materialismo que outra coisa. Somos adeptos do materialismo das pequenas coisas. Algum do nosso melhor pensamento social ainda \u00e9 o que fica bem num jantar de amigos, \u00e0 sobremesa. Mas os \u00edndices de desigualdade hoje e no 25 de Abril t\u00eam basicamente o mesmo valor.<\/p>\n<p><strong>Como assim?<\/strong><\/p>\n<p>Houve uma diminui\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel da pobreza. Mas o n\u00edvel de desigualdade manteve-se. Sem o Estado, ter\u00edamos uma percentagem de pobreza aterradora. Mesmo assim, parte do Estado tem trabalhado mais para a pose do que para o realismo. E fica cada vez pior na fotografia. H\u00e1 um desalento que pode levar a uma mudan\u00e7a de pol\u00edticas p\u00fablicas, a micro-revoltas \u00fateis. Estamos na armadilha do \u201ctendencialmente gratuito\u201d. Um sonho do tempo do i\u00e9-i\u00e9 e das cal\u00e7as \u00e0 boca de sino. Aspiramos a ser um pa\u00eds tendencialmente gratuito? Como des\u00edgnio, \u00e9 pouco. Um ranking em n\u00e9on das virtudes e dos sofrimentos e das desigualdades \u00e9 o princ\u00edpio do fim de uma sociedade justa. O di\u00e1logo e a insist\u00eancia no ouvir o outro na pra\u00e7a p\u00fablica \u00e9 a maior virtude da democracia liberal \u2014 que \u00e9 a pior democracia, \u00e0 excep\u00e7\u00e3o de todas as outras.<\/p>\n<p><strong>Estamos na armadilha do \u201ctendencialmente gratuito\u201d. Um sonho do tempo do i\u00e9-i\u00e9 e das cal\u00e7as \u00e0 boca de sino. Aspiramos a ser um pa\u00eds tendencialmente gratuito? Como des\u00edgnio, \u00e9 pouco. Um ranking em n\u00e9on das virtudes e dos sofrimentos e das desigualdades \u00e9 o princ\u00edpio do fim de uma sociedade justa.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Fala do apoio do Estado (sem o qual o grau de pobreza seria aterrador) e\/ ou do apoio caritativo prestado por institui\u00e7\u00f5es como o Banco Alimentar ou a C\u00e1ritas? Que fornecem o b\u00e1sico: comida.<\/strong><\/p>\n<p>O Estado \u00e9 importante nos programas que apoiam fam\u00edlias mais carenciadas, na garantia de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. A caridade, em termos num\u00e9ricos, n\u00e3o \u00e9 o que muda significativamente a pobreza. \u00c9 porque o Estado falha e alimenta burocracias que excluem pessoas que caem nas suas malhas que a caridade tem lugar. O pensamento portugu\u00eas sobre a desigualdade ainda \u00e9 algo perif\u00e9rico e insistentemente m\u00edstico. O pensamento sobre a pobreza vai pouco al\u00e9m de um mau cristianismo. Enquanto princ\u00edpio de empatia, o cristianismo \u00e9 \u00f3ptimo e opera milagres. Travestido de populismo ou de marxismo funciona muito mal como pol\u00edtica p\u00fablica. A justi\u00e7a social e o multiculturalismo sofrem \u00e0s m\u00e3os do manique\u00edsmo, qualquer manique\u00edsmo. Precisamos de algum humanismo a doer, daquilo a que os anglo-sax\u00f3nicos chamam tough love.<\/p>\n<p><strong>Os nossos \u00edndices de pobreza s\u00e3o ainda elevados, sobretudo para um pa\u00eds europeu.<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Temos uma economia pouco produtiva, de impostos altos. Dev\u00edamos ser ou muito mais produtivos ou distribuir melhor.<\/p>\n<p><strong>Que outros pa\u00edses est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o semelhante ao nosso, se falarmos de desigualdade?<\/strong><\/p>\n<p>Reino Unido, Estados Unidos, Israel.<\/p>\n<p><strong>Pa\u00edses que achamos que s\u00e3o riqu\u00edssimos.<\/strong><\/p>\n<p>Ou seja, desigualdade n\u00e3o implica necessariamente pobreza. Connosco desigualdade implica ainda muita pobreza.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Somos uma sociedade de demasiados pobres por fora e de demasiados pobres por dentro&#8221;<b> <\/b> <\/p>\n<p><strong>Voltemos ao tema do classismo. Muitas pessoas sentem-se defraudadas porque cresceram com a expectativa de terem uma vida de classe m\u00e9dia. E, apesar de cumprirem certos requisitos, de terem uma boa forma\u00e7\u00e3o escolar, s\u00e3o exclu\u00eddas de determinadas esferas \u2014 onde est\u00e3o os bons empregos. Foi-lhes inculcada uma narrativa que esbarra no nepotismo. Os v\u00ednculos ao Estado ou a institui\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia continuam a ser arrebanhados por certas fam\u00edlias. Estes desiludidos n\u00e3o est\u00e3o no mesmo lugar de desigualdade dos pais. Mas sentem-se numa posi\u00e7\u00e3o de desigualdade em rela\u00e7\u00e3o a outras pessoas da mesma gera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>O acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, que se multiplicou desde o 25 de Abril, criou expectativas leg\u00edtimas. H\u00e1 25 anos os professores eram classe m\u00e9dia e eram talvez o grande corpo de classe m\u00e9dia. Tinham um rendimento que permitia casa, educar os filhos. Hoje, os professores est\u00e3o a caminho de n\u00e3o serem classe m\u00e9dia. Muito rapidamente. As expectativas come\u00e7am a n\u00e3o ser cumpridas, a n\u00e3o ser cumpridas aqui. A emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma resposta a essa frustra\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma coisa que me impressiona: quando se pergunta \u00e0s pessoas as raz\u00f5es pelas quais est\u00e3o a emigrar, n\u00e3o falam apenas do rendimento, de ganhar mais. Falam de uma coisa que mostra o fechamento da sociedade portuguesa. Dizem: \u201cEu sei que l\u00e1 fora vou ser mais ouvido e ter mais oportunidades de progredir\u201d. Isto \u00e9 o classismo. Percebem que h\u00e1 fios invis\u00edveis que as prendem. Os bloqueios que t\u00eam a ver com nepotismo, institui\u00e7\u00f5es antigas, empresas pouco din\u00e2micas que n\u00e3o v\u00e3o atr\u00e1s das pessoas melhores. Temos empresas demasiado pequenas, demasiado familiares, familiares no pior sentido.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Temos uma segrega\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica violenta na educa\u00e7\u00e3o, que se faz silenciosamente, e toda a gente est\u00e1 confort\u00e1vel com isso. Caminhamos na dire\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como o Brasil ou Estados Unidos, onde certos percursos da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em certas geografias, s\u00e3o uma condena\u00e7\u00e3o para a vida.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 aflor\u00e1mos este t\u00f3pico: em Portugal n\u00e3o partimos todos do mesmo lugar, ao contr\u00e1rio de pa\u00edses como a Holanda, que tem graus de escolariza\u00e7\u00e3o e de riqueza superiores aos nossos, consolidados h\u00e1 d\u00e9cadas. O mais certo \u00e9 que o bom emprego seja dado a algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 uma amea\u00e7a, que seja de confian\u00e7a, que perten\u00e7a. Invocar o argumento da meritocracia pode ser falacioso?<\/strong><\/p>\n<p>A meritocracia e a transpar\u00eancia vicejam em sociedades ricas e educadas, que j\u00e1 est\u00e3o confort\u00e1veis h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. N\u00f3s ainda vivemos \u00e0 sombra da car\u00eancia. Assistimos a grandes proclama\u00e7\u00f5es pela escola p\u00fablica, mas temos uma segrega\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica violenta na educa\u00e7\u00e3o, que se faz silenciosamente, e toda a gente est\u00e1 confort\u00e1vel com isso. A segrega\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica \u00e9 uma segrega\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e social. H\u00e1 muitas resist\u00eancias a ultrapassar isto, \u00e0 direita e \u00e0 esquerda. Caminhamos na dire\u00e7\u00e3o de pa\u00edses como o Brasil ou Estados Unidos, onde certos percursos da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, em certas geografias, s\u00e3o uma condena\u00e7\u00e3o para a vida. Atribuir cotas geogr\u00e1ficas pode ser uma maneira de combater este problema. Por exemplo: os 20 ou 30 melhores alunos de um liceu, de todos os liceus, t\u00eam direito a entrar em que curso for. \u00c9 uma forma de dar um sinal de oportunidade que sobrepuja a geografia.<\/p>\n<p><strong>Essa segrega\u00e7\u00e3o faz-se em sectores vitais como a educa\u00e7\u00e3o. O mesmo na sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n<p>Na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, estamos a caminhar para sistemas muito mais desiguais. Temos que pensar seriamente em maneiras de n\u00e3o ir por a\u00ed. Pensando pol\u00edticas p\u00fablicas. Praticamos pol\u00edticas contra a pobreza como antes sonh\u00e1vamos com o dia em que ser\u00edamos o mordomo da prociss\u00e3o local. Somos uma sociedade de demasiados pobres por fora e de demasiados pobres por dentro. As duas pobrezas s\u00e3o irm\u00e3s e filhas uma da outra, aparentadas at\u00e9 \u00e0 medula. Ainda n\u00e3o digerimos uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o do pensamento e da liberdade. A liberdade, demasiadas vezes, ainda \u00e9 jogo floral, e com pouca cor. As nossas malas de cart\u00e3o s\u00e3o mentais, e menos dignas que as hist\u00f3ricas malas dos pobres.<\/p>\n<p><strong>Somos cidad\u00e3os com plena igualdade de direitos. A partir de que momento este princ\u00edpio constitucional come\u00e7a a ser corrompido? Est\u00e1 plasmado na lei, mas n\u00e3o na vida de todos os dias. Como \u00e9 que se cava o fosso?<\/strong><\/p>\n<p>Se falamos de igualdade de direitos na sa\u00fade e na educa\u00e7\u00e3o, falamos do acesso a recursos. E estamos a piorar. Mesmo com um discurso mais err\u00e1tico, acho que n\u00e3o podemos hipotecar essa igualdade de direitos fundamentais.<\/p>\n<p><strong>O discurso pol\u00edtico da extrema-direita assenta numa estigmatiza\u00e7\u00e3o do outro, do diferente. Pode fazer perigar alguns desses princ\u00edpios j\u00e1 assimilados?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de falar do populismo da direita, gostava de refor\u00e7ar esta ideia: a pobreza como forma social de desigualdade \u00e9 algo que tem que ser racionalizado. Durante muito tempo, a religi\u00e3o racionalizou a pobreza. Basicamente dizendo aos pobres para terem paci\u00eancia. A ideia de para\u00edso \u00e9, no fundo, uma ideia de extrema liberdade e igualdade, num mundo que h\u00e1 de ir. H\u00e1 um livro fant\u00e1stico do Peter Sloterdijk, C\u00f3lera e Tempo, em que compara as diferentes atitudes em rela\u00e7\u00e3o aos pobres. \u00c9 vosso o reino do c\u00e9u. E os pobres entrar\u00e3o primeiro. Depois houve um suced\u00e2neo, que nasceu tamb\u00e9m da perce\u00e7\u00e3o da desigualdade, que foi o impulso marxista. A mensagem foi oposta. \u201cN\u00e3o tenham paci\u00eancia, n\u00e3o t\u00eam nada a perder a n\u00e3o ser as vossas grilhetas. \u00c9 poss\u00edvel um sistema de grande igualdade e abund\u00e2ncia.\u201d Tamb\u00e9m n\u00e3o funcionou.<\/p>\n<p><strong>Que outras solu\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>A complementaridade entre democracia e prosperidade produziu sociedades de valor, que devemos aprimorar. H\u00e1 quem trate essa s\u00edntese de liberdade e prosperidade como algo que se pode deitar fora, ou reciclar. \u00c9 um erro. Claro que precisamos de um capitalismo mais justo, um consumismo mais sensato, mas os fetiches antissistema s\u00e3o bastante antigos e est\u00e9reis no combate \u00e0 pobreza. Existe pensamento sobre pol\u00edticas p\u00fablicas que deve ser discutido e trabalhado sem fantasmas ideol\u00f3gicos. A realidade da pobreza n\u00e3o pode ser colocada ao servi\u00e7o de ideologias, s\u00e3o as pol\u00edticas p\u00fablicas que devem ser colocadas ao servi\u00e7o da erradica\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;O populismo de direita n\u00e3o existiria se n\u00e3o houvesse esta crise de promessas falhadas&#8221; <\/p>\n<p><strong>O mundo parece uma m\u00e1quina acidentada, com um funcionamento desarticulado, ou mesmo desastroso. Convivemos diariamente com imagens de guerras. O paradigma de um mundo pacificado est\u00e1 em ru\u00edna.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A desigualdade est\u00e1 a aumentar em todos os pa\u00edses, dentro de cada pa\u00eds. Os rendimentos das classes m\u00e9dia e m\u00e9dia-baixa est\u00e3o a diminuir no Ocidente. Fundamentalmente porque sofremos a concorr\u00eancia das classes baixas e de rendimento ascendentes de v\u00e1rios pontos do planeta. Isto \u00e9 paradoxal e dram\u00e1tico. Como disse, a China v\u00ea a sua desigualdade aumentar, os Estados Unidos tamb\u00e9m, mas, se olharmos o mundo como um todo, a globaliza\u00e7\u00e3o foi acompanhada de uma diminui\u00e7\u00e3o da desigualdade no mundo. Porqu\u00ea? Porque pa\u00edses como a \u00edndia e a China lan\u00e7aram decididamente dezenas de milh\u00f5es de cidad\u00e3os para a classe m\u00e9dia mundial nas \u00faltimas d\u00e9cadas. H\u00e1 pol\u00edticos populistas em alguns destes pa\u00edses emergentes, mas n\u00e3o com a voracidade e a explora\u00e7\u00e3o da desesperan\u00e7a econ\u00f3mica que existe nos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>O mundo est\u00e1 extremamente interligado. H\u00e1 uma f\u00e1brica a fechar em Portugal, a abrir na \u00cdndia, na Mal\u00e1sia ou na Indon\u00e9sia, com sal\u00e1rios mais baixos, para pessoas que precisam muito mais do que n\u00f3s. H\u00e1 uma desigualdade que est\u00e1 a vir desta porosidade de com\u00e9rcio entre o mundo, e que cria uma massa de descontentamento impressionante. Ou seja, o populismo de direita n\u00e3o existiria se n\u00e3o houvesse esta crise de promessas falhadas.<\/p>\n<p><strong>Que respostas existem?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis. O protecionismo ser\u00e1 sempre uma m\u00e1 resposta.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que deixou de ser poss\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p>Eu espero que n\u00e3o seja a possibilidade de sonhar com uma diminui\u00e7\u00e3o das desigualdades!<\/p>\n<p><strong>Sublinho essa resposta que traz a import\u00e2ncia do ide\u00e1rio, da cren\u00e7a, indispens\u00e1veis para insuflar os dias e nos projetarmos no futuro. Sen\u00e3o sucumbimos.<\/strong><\/p>\n<p>O futuro ideal pode nunca chegar. Se for chegando aos poucos, j\u00e1 ser\u00e1 bom. Essa m\u00e1quina, a m\u00e1quina da esperan\u00e7a, parece estar a engasgar. A matriz europeia \u00e9 a de uma sociedade que respeita direitos fundamentais, os recursos s\u00e3o um grande alimento e instrumento de igualdade. Os recursos d\u00e3o liberdade.<\/p>\n<p>Nas economias desenvolvidas, alguns recursos come\u00e7am a escassear. H\u00e1 nos pa\u00edses europeus uma percentagem elevada de pessoas que dizem: os meus filhos v\u00e3o viver pior que eu. A classe m\u00e9dia que vive no centro de Lisboa sabe que, \u00e0 falta de emigrar, os seus filhos n\u00e3o conseguir\u00e3o comprar uma casa equivalente \u00e0quela em que viveram com os pais. Isto \u00e9 marcante. Porque os anseios materiais tamb\u00e9m alimentam a m\u00e1quina da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que resta na Europa, e em Portugal, especificamente, do libert\u00e9, \u00e9galit\u00e9, fraternit\u00e9? Pesa sobre n\u00f3s, como se fosse chumbo, a ideia de que o futuro \u00e9 sombrio, n\u00e3o \u00e9 esperan\u00e7oso.<\/strong><\/p>\n<p>Penso que as desigualdades, a n\u00edvel econ\u00f3mico, podem agravar-se. Na Europa, liberdade, igualdade e fraternidade n\u00e3o foram sempre valores \u00f3bvios. Eles resultaram de uma necessidade de equil\u00edbrio num continente cheio de conflitos, guerras, com muita competi\u00e7\u00e3o e diversidade. Somos ainda, apesar de tudo, o continente em que estes valores de dignidade humana est\u00e3o mais presentes. Espero que a Europa n\u00e3o perca este farol. Tenho esperan\u00e7a que os europeus percebam esta heran\u00e7a positiva. E confio que vai haver uma rea\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel para restaurar os valores da democracia.<\/p>\n<p><strong>Mesmo que seja uma longa travessia?<\/strong><\/p>\n<p>Espero que n\u00e3o seja uma longa travessia. Realisticamente, pode ser. H\u00e1 um elemento de desigualdade e de pobreza, de car\u00eancia e de sofrimento que estava exclu\u00eddo h\u00e1 anos das nossas vidas: a guerra. Era o nosso luxo, pensar que n\u00e3o haveria guerra na Europa. A guerra representa um outro grau de amea\u00e7a. J\u00e1 n\u00e3o estamos a discutir sociedades mais ou menos funcionais. Estamos no grau zero, o grau da sobreviv\u00eancia. \u00c9 estranho. A guerra \u00e9 uma grande distopia do passado, uma assombrosa m\u00e1quina de sofrimento e desigualdade.<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Era o nosso luxo, pensar que n\u00e3o haveria guerra na Europa.&#8221;<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Os 3 D\u2019s de h\u00e1 50 anos eram todos esperan\u00e7osos. Agora parece que todas as frentes est\u00e3o com o sinal fechado. Em movimento, mas com o sinal fechado. Como \u00e9 que esta desigualdade pode ser transformada num motor de luta? Como exprimir a insatisfa\u00e7\u00e3o e mobilizar este impulso?<\/strong><\/p>\n<p>Pergunta dif\u00edcil. A palavra luta est\u00e1 muito desvalorizada. As lutas que vemos s\u00e3o lutas de nicho que normalmente n\u00e3o s\u00e3o apreciadas por uma maioria.<\/p>\n<p><strong>Porque as pessoas n\u00e3o sabem por que lutar? Porque n\u00e3o h\u00e1 l\u00edderes?<\/strong><\/p>\n<p>Pode ser controverso o que vou dizer, mas digo: torn\u00e1mo-nos demasiado c\u00e9ticos. N\u00e3o vejo como \u00e9 que vamos encontrar uma luta significativa e que envolva uma grande parte da sociedade se n\u00e3o houver alguns valores que nos unam. E os l\u00edderes est\u00e3o muito desvalorizados. Perdemos duas vezes.<\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a controv\u00e9rsia de dizer que nos torn\u00e1mos muito c\u00e9ticos?<\/strong><\/p>\n<p>Porque o ceticismo leva-nos a sermos incapazes de nos mobilizarmos em conjunto. N\u00e3o temos uma rede ideol\u00f3gica, espiritual. A n\u00edvel individual, estou muito confort\u00e1vel com o ceticismo (desde que n\u00e3o seja cinismo). A n\u00edvel social, precisamos de mais massa comum.<\/p>\n<p><strong>Uma causa que o mobilize?<\/strong><\/p>\n<p>A literatura. Uma das primeiras vezes em que percebi o poder da literatura foi a ler Camus. Tive a perce\u00e7\u00e3o da dificuldade de compreender o outro. A literatura \u00e9 uma forma de tentar avan\u00e7ar no conhecimento do outro. Eu n\u00e3o acho que as pessoas se tornam melhores se lerem mais. Sabemos de v\u00e1rias pessoas que se tornaram piores pela leitura. Mas \u00e9 um elemento de liga\u00e7\u00e3o. Outras: no cinema e nas s\u00e9ries reavivamos o fogo da igualdade. As pessoas absorvem c\u00f3digos comuns. Nada disto \u00e9 suficiente para nos mobilizar para uma luta pol\u00edtica comum que ajude a diminuir as desigualdades.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"OUTROS 3 D || \u201cVivemos \u00e0 sombra da car\u00eancia\u201d, afirma o economista Jos\u00e9 Tavares, que v\u00ea &#8220;a m\u00e1quina&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44004,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,836,611,27,28,607,608,333,832,604,13457,13454,135,610,476,15,16,301,830,14,13456,13455,603,25,26,13459,570,21,22,831,833,62,834,12,13,19,20,835,602,52,13458,32,23,24,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-44003","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-cnn","14":"tag-cnn-portugal","15":"tag-comentadores","16":"tag-costa","17":"tag-crime","18":"tag-democracia","19":"tag-desigualdades","20":"tag-desporto","21":"tag-direto","22":"tag-economia","23":"tag-featured-news","24":"tag-featurednews","25":"tag-governo","26":"tag-guerra","27":"tag-headlines","28":"tag-igualdade","29":"tag-jose-gardeazabal","30":"tag-justica","31":"tag-latest-news","32":"tag-latestnews","33":"tag-liberdade","34":"tag-live","35":"tag-main-news","36":"tag-mainnews","37":"tag-mais-vistas","38":"tag-marcelo","39":"tag-mundo","40":"tag-negocios","41":"tag-news","42":"tag-noticias","43":"tag-noticias-principais","44":"tag-noticiasprincipais","45":"tag-opiniao","46":"tag-pais","47":"tag-politica","48":"tag-populismo","49":"tag-portugal","50":"tag-principais-noticias","51":"tag-principaisnoticias","52":"tag-top-stories","53":"tag-topstories","54":"tag-ultimas","55":"tag-ultimas-noticias","56":"tag-ultimasnoticias","57":"tag-world","58":"tag-world-news","59":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44003"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44003\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44004"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}