{"id":440102,"date":"2026-07-04T20:20:33","date_gmt":"2026-07-04T20:20:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/440102\/"},"modified":"2026-07-04T20:20:33","modified_gmt":"2026-07-04T20:20:33","slug":"com-40c-truques-e-direitos-de-quem-trabalha-ao-ar-livre-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/440102\/","title":{"rendered":"Com 40\u00b0C, truques e direitos de quem trabalha ao ar livre \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Assim, quando a ag\u00eancia meteorol\u00f3gica estatal espanhola emite alertas laranja ou vermelho, os empregadores s\u00e3o obrigados a ajustar o hor\u00e1rio para acautelar que trabalhadores que cumprem fun\u00e7\u00f5es ao ar livre ficam resguardados nas horas de pico de calor.<\/p>\n<p>O contraponto com Portugal \u00e9 claro: \u201cSem um diploma que fale especificamente deste tipo de riscos e que imponha concretamente medidas a adotar \u00e9 muito dif\u00edcil um empregador pegar na norma geral e ver como a pode aplicar\u201d, afirma Milena Rouxinol.<\/p>\n<p>Os relatos s\u00e3o un\u00e2nimes. Maria Jos\u00e9 diz que dias com o calor que se tem feito sentir a deixam \u201cbem mais cansada do que o habitual\u201d enquanto trabalha e quando chega a casa. Uma cantoneira de limpeza ouvida pelo Observador relata o mesmo: \u201cFicamos mais cansados e rapidamente o calor torna-se insuport\u00e1vel. O rendimento n\u00e3o \u00e9 tanto, n\u00e3o conseguimos estar tanto tempo com uma bateria das m\u00e1quinas nas costas e acabamos a suar imenso.\u201d<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Cerejeira, economista e professor da Escola de Economia e Gest\u00e3o da Universidade do Minho, diz ao Observador que \u00e9 sabido que perante o calor \u201ch\u00e1 altera\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas importantes\u201d, sendo que o \u201cdesempenho f\u00edsico \u00e9 muito menor e mais exigente\u201d. \u201cO cansa\u00e7o \u00e9 superior e para as pessoas que est\u00e3o num local de trabalho ao ar livre as<strong> ondas de calor acabam por diminuir a sua produtividade<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Refere <strong>estudos que demonstram<\/strong> que fen\u00f3menos extremos como este traduzem-se em efeitos no absentismo \u2014 com trabalhadores a faltarem porque n\u00e3o se sentem bem, E \u201co trabalhador faltar, obviamente, tem efeitos na produtividade\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de trabalho tamb\u00e9m se complicam em\u00a0\u201calgumas atividades de log\u00edstica e industriais\u201d feitas dentro de quatro paredes, mas em que as \u201ccondi\u00e7\u00f5es de climatiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis\u201d. \u201cEm condi\u00e7\u00f5es normais j\u00e1 t\u00eam altas temperaturas e a dimens\u00e3o torna-se ainda mais significativa agora\u201d, aponta.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que, mesmo em espa\u00e7os fechados e em que tendencialmente o trabalhador n\u00e3o fa\u00e7a tanto esfor\u00e7o f\u00edsico continua a ser importante assegurar a climatiza\u00e7\u00e3o para conforto de quem est\u00e1 em atividade. \u201c<strong>O clima que temos est\u00e1 a alterar-se e muitas das instala\u00e7\u00f5es de trabalho foram desenhadas h\u00e1 30 ou 40 anos quando as condi\u00e7\u00f5es eram diferentes<\/strong>. \u00c9 preciso que se olhe para essa mudan\u00e7a como um investimento e n\u00e3o como um custo\u201d, defende o economista.<\/p>\n<p>Assim, dentro de portas, Cerejeira considera importante que as empresas apostem na climatiza\u00e7\u00e3o e no isolamento t\u00e9rmico, sempre que for poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Exemplificando com os casos da agricultura e constru\u00e7\u00e3o, diz que para profiss\u00f5es que s\u00f3 podem ser exercidas no exterior, tem de \u201chaver uma adapta\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios nesta altura, privilegiando os per\u00edodos com menor calor\u201d. E com esta adapta\u00e7\u00e3o, defende, todos saem a ganhar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 ben\u00e9fico criar mecanismos de flexibiliza\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio de trabalho para contemplar situa\u00e7\u00f5es de calor mais extremo\u201d, defende. \u201cPode haver per\u00edodos de redu\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio e depois a pr\u00f3pria empresa pode usar o trabalho mais tarde\u201d, aponta. \u201c<strong>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o win win, ganham os dois, porque o funcion\u00e1rio vai trabalhar quando est\u00e1 mais produtivo<\/strong>\u201c, garante.<\/p>\n<p>De uma forma geral, o economista considera que faz sentido, <strong>repensar nesta alturas o desenho do hor\u00e1rio de trabalho.<\/strong> Sobretudo \u201cse ele pode ser mais condensado no per\u00edodo da manh\u00e3\u201d. Isso, garante, vai repercutir-se em \u201cmenos faltas e mais produtividade\u201d. E defende que, \u201cem cada situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso encontrar a melhor solu\u00e7\u00e3o\u201d. \u201c\u00c9 poss\u00edvel as empresas terem instrumentos, do ponto de vista da gest\u00e3o dos seus recursos humanos e dos seus tempos de trabalho que permitam lidar com esta nova dimens\u00e3o do trabalho\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Numa nota enviada ao Observador, Robert Marks, economista-chefe da Oxford Economics, n\u00e3o deixa d\u00favidas de que \u201ctemperaturas na faixa dos 30 graus e no in\u00edcio dos 40 graus provavelmente resultar\u00e3o em perdas substanciais de produtividade e afetar\u00e3o diretamente o trabalho em setores como a constru\u00e7\u00e3o civil, a agricultura, a ind\u00fastria, o retalho e a hotelaria, bem como noutras \u00e1reas que n\u00e3o oferecem um ambiente de trabalho protegido\u201d, setores que representam uma m\u00e9dia de 35% na Europa Ocidental. Assim, \u201cquatro dias adicionais de onda de calor em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior poder\u00e3o reduzir o crescimento anual da produtividade do trabalho entre 0,03 e 0,1 pontos percentuais\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, numa perspetiva de longo prazo, \u201ca perda de dias de trabalho contribui para riscos futuros ao elevar indiretamente os pre\u00e7os dos alimentos, sobrecarregar as cadeias de abastecimento e remodelar o mercado de trabalho \u2014 com condi\u00e7\u00f5es cada vez mais desafiantes nos setores expostos \u2014, fatores que influenciam a migra\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e a atratividade dos empregos\u201d. Numa an\u00e1lise divulgada no final de Maio, a Allianz Research real\u00e7a que o calor extremo est\u00e1 a emergir como um risco estrutural para a economia, apontando-se para casos como o do Jap\u00e3o, Fran\u00e7a, Eslov\u00e1quia, Espanha e It\u00e1lia com perdas no PIB de 5% a 7%. Portugal n\u00e3o tem uma perda t\u00e3o elevada, mas ainda assim \u00e9 estimado um impacto negativo em torno dos 2% ao fim de cinco anos de exposi\u00e7\u00e3o da ondas de calor.<\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/captura-de-ecra-2026-07-03-as-122141.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>    <\/p>\n<p>O impacto \u00e9 essencialmente quantificado pela diminui\u00e7\u00e3o do consumo e do investimento. A Allianz estima uma quebra de 1,9% no consumo portugu\u00eas e de 6% no investimento. Os pa\u00edses com maior exposi\u00e7\u00e3o ao calor, como Portugal e Espanha, poder\u00e3o, ainda, ter impactos ao n\u00edvel da infla\u00e7\u00e3o e do desemprego, que tendem a subir, uma caracter\u00edstica definidora de um choque negativo da oferta.<\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/captura-de-ecra-2026-07-03-as-122607.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>    <\/p>\n<p>Portugal, no entender dos mesmos analistas, ainda tem, or\u00e7amentalmente, espa\u00e7o para acomodar respostas caso haja necessidade por causa das ondas de calor. Mas a press\u00e3o apontada \u00e9 de 1% do PIB.<\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/captura-de-ecra-2026-07-03-as-123145.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>    <\/p>\n<p>Nos 35 anos a trabalhar ao ar livre, foram v\u00e1rias as vezes que a jardineira Maria Jos\u00e9 viu colegas a sentirem-se mal em servi\u00e7o. Nesses momentos seguem as recomenda\u00e7\u00f5es da Autoridade para as Condi\u00e7\u00f5es de Trabalho (ACT) e dos profissionais de sa\u00edde. \u201cFazemos uma pausa, sentamo-nos, procuramos uma sombra e refrescamo-nos\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio de Estado do Trabalho, Adriano Rafael Moreira, a ACT enviou <strong>notifica\u00e7\u00f5es a 200 mil empresas<\/strong> sobre a onda de calor. Chamou-lhes \u201cnotifica\u00e7\u00f5es de campanha preventiva\u201d com \u201cliteratura\u201d e \u201cinforma\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Ao Observador, o m\u00e9dico Jorge Barroso Dias, especialista em Medicina do Trabalho, refere que \u201ch\u00e1 algumas profiss\u00f5es que s\u00e3o particularmente expostas\u201d a ondas de calor como a que se faz sentir. \u201cO conforto versus desconforto t\u00e9rmico \u00e9 avaliado pela seguran\u00e7a do trabalho com uma <strong>f\u00f3rmula que junta, precisamente, a temperatura ambiente, a humidade e o equipamento do vestu\u00e1rio<\/strong>\u201c, detalha. A partir dessa f\u00f3rmula, determina-se se o trabalhador est\u00e1 em desconforto ou est\u00e1 em conforto t\u00e9rmico\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assim, quando a ag\u00eancia meteorol\u00f3gica estatal espanhola emite alertas laranja ou vermelho, os empregadores s\u00e3o obrigados a ajustar&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":440103,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[10],"tags":[27,28,476,15,16,301,14,25,26,21,22,12,13,19,20,302,32,23,24,2334,33,17,18,849,29,30,31],"class_list":["post-440102","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-portugal","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-economia","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-governo","tag-headlines","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-polu00edtica","tag-portugal","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-produtividade","tag-pt","tag-top-stories","tag-topstories","tag-trabalho","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116863568740971374","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=440102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440102\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/440103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=440102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=440102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=440102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}