{"id":440802,"date":"2026-07-05T15:49:10","date_gmt":"2026-07-05T15:49:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/440802\/"},"modified":"2026-07-05T15:49:10","modified_gmt":"2026-07-05T15:49:10","slug":"robot-curiosity-deteta-componentes-essenciais-para-a-vida-na-primeira-experiencia-de-sempre-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/440802\/","title":{"rendered":"Robot Curiosity deteta componentes essenciais para a vida na primeira experi\u00eancia de sempre em Marte"},"content":{"rendered":"<p>                O resultado complementa as dete\u00e7\u00f5es anteriores de compostos org\u00e2nicos feitas pelo Curiosity e refor\u00e7a a ideia de que Marte ter\u00e1 sido um planeta habit\u00e1vel h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, em contraste com o deserto gelado que \u00e9 hoje<\/p>\n<p>O ve\u00edculo robotizado Curiosity descobriu a mais diversa gama de mol\u00e9culas org\u00e2nicas alguma vez encontrada em Marte, incluindo sete que nunca tinham sido detetadas no Planeta Vermelho. Estes compostos que cont\u00eam carbono s\u00e3o os mesmos componentes que permitiram a emerg\u00eancia da vida na Terra.<\/p>\n<p>Os resultados, publicados na revista Nature Communications, resultaram de uma experi\u00eancia in\u00e9dita em solo marciano: o ve\u00edculo recolheu uma amostra de rocha e dissolveu-a numa solu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica para desvendar os segredos da sua composi\u00e7\u00e3o. A equipa de investiga\u00e7\u00e3o acredita que as mol\u00e9culas org\u00e2nicas identificadas na rocha foram preservadas em Marte durante 3,5 mil milh\u00f5es de anos, indicou a autora principal do estudo, Amy Williams, professora associada de ci\u00eancias geol\u00f3gicas na Universidade da Fl\u00f3rida e cientista na miss\u00e3o Curiosity.<\/p>\n<p>&#8220;Estas descobertas s\u00e3o importantes porque confirmam que a mat\u00e9ria org\u00e2nica complexa e de maiores dimens\u00f5es \u00e9 preservada em Marte ao longo de per\u00edodos de tempo geol\u00f3gicos, apesar do ambiente de radia\u00e7\u00e3o agressivo&#8221;, sublinhou Amy Williams. &#8220;Isto apoia a procura de ambientes habit\u00e1veis em Marte, que se definem como locais onde a vida teria querido viver se estivesse presente.&#8221;<\/p>\n<p>O resultado complementa as dete\u00e7\u00f5es anteriores de compostos org\u00e2nicos feitas pelo Curiosity e refor\u00e7a a ideia de que Marte ter\u00e1 sido um planeta habit\u00e1vel h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, em contraste com o deserto gelado que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&#8220;A revela\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o para mim n\u00e3o foi apenas o facto de Marte ter sido habit\u00e1vel&#8221;, referiu o coautor do estudo Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity no Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da NASA em Pasadena, na Calif\u00f3rnia. &#8220;Foi o qu\u00e3o incrivelmente habit\u00e1vel ele era.&#8221;<\/p>\n<p>Esta experi\u00eancia marcante de qu\u00edmica por via h\u00famida n\u00e3o foi concebida para distinguir se as mol\u00e9culas servem de ind\u00edcio de vida antiga em Marte, se foram depositadas no Planeta Vermelho pelo impacto de meteoritos ou se a mat\u00e9ria org\u00e2nica resultou simplesmente de processos geol\u00f3gicos. Contudo, as descobertas destacam um ponto de consenso para muitos cientistas planet\u00e1rios: para determinar de forma definitiva se alguma vez existiu vida em Marte, \u00e9 necess\u00e1rio trazer amostras de rochas de volta para a Terra.<\/p>\n<p>\u00c0 procura do alvo perfeito <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1783266549_589_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   A Mastcam do robot Curiosity captou, em 2019, este mosaico de uma regi\u00e3o do Monte Sharp que apresenta muitas rochas ricas em argila. (JPL-Caltech\/MSSS\/NASA) <\/p>\n<p>O Curiosity aterrou na Cratera de Gale em 2012 com o objetivo de determinar se o planeta j\u00e1 tinha sido habit\u00e1vel. Durante anos, o ve\u00edculo subiu uma forma\u00e7\u00e3o montanhosa chamada Monte Sharp dentro da cratera, com o intuito de alcan\u00e7ar camadas ricas em argila que tinham sido avistadas por sondas na \u00f3rbita do planeta.<\/p>\n<p>As camadas de argila, que conseguem preservar mol\u00e9culas org\u00e2nicas, sugeriam que a \u00e1gua n\u00e3o s\u00f3 esteve presente em Marte no passado distante, como tamb\u00e9m desapareceu e reapareceu naquele local ao longo do tempo. O Curiosity demorou seis ou sete anos ap\u00f3s a aterragem para chegar \u00e0 camada de argila na regi\u00e3o de Glen Torridon, no Monte Sharp, mas a espera valeu a pena, explicou Ashwin Vasavada. O ve\u00edculo deparou-se com vest\u00edgios de lamitos provenientes de lagos antigos, bem como de arenito onde a \u00e1gua corrente outrora correu em dire\u00e7\u00e3o aos lagos.<\/p>\n<p>Os membros da vasta equipa do ve\u00edculo reuniram-se para decidir qual o melhor local poss\u00edvel para o Curiosity perfurar uma amostra e testar a presen\u00e7a de material org\u00e2nico. O robot tem apenas duas c\u00e1psulas de qu\u00edmica por via h\u00famida a bordo, pelo que a equipa queria garantir o sucesso da experi\u00eancia. Decidiram avan\u00e7ar num local que batizaram de Mary Anning, em homenagem \u00e0 pioneira da paleontologia brit\u00e2nica do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>O Curiosity perfurou a amostra de arenito contendo minerais de argila em 2020, pulverizou-a e colocou-a no interior do SAM (An\u00e1lise de Amostras em Marte, na sigla original), um instrumento localizado no interior do ve\u00edculo. O SAM consegue aquecer amostras num pequeno forno e utilizar outros dispositivos internos para detetar os gases libertados pelos minerais \u00e0 medida que se decomp\u00f5em devido ao calor. O instrumento j\u00e1 tinha sido utilizado para fazer outras descobertas fundamentais de qu\u00edmica org\u00e2nica em Marte.<\/p>\n<p>O ve\u00edculo depositou as amostras numa pequena c\u00e1psula de hidr\u00f3xido de tetrametilam\u00f3nio (TMAH). Esta solu\u00e7\u00e3o corrosiva consegue quebrar mol\u00e9culas grandes que seriam dif\u00edceis de identificar e revelar mol\u00e9culas que, de outra forma, seriam invis\u00edveis, explicou Amy Williams.<\/p>\n<p>A equipa conseguiu identificar 21 mol\u00e9culas que cont\u00eam carbono, incluindo o rec\u00e9m-detetado heterociclo de azoto, um anel de \u00e1tomos de carbono que inclui azoto \u2014 uma estrutura que serve de precursora ao ARN e ao ADN, ou \u00e1cidos nucleicos codificados com informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>&#8220;Essa dete\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante profunda porque estas estruturas podem ser precursoras qu\u00edmicas de mol\u00e9culas mais complexas que cont\u00eam azoto&#8221;, apontou Amy Williams. &#8220;Os heterociclos de azoto nunca tinham sido encontrados antes na superf\u00edcie marciana ou confirmados em meteoritos de Marte.&#8221;<\/p>\n<p>Os resultados tamb\u00e9m revelaram a presen\u00e7a de benzotiofeno, uma mol\u00e9cula que cont\u00e9m carbono e enxofre e que \u00e9 tipicamente encontrada em meteoritos que poder\u00e3o ter colidido com planetas como a Terra no passado.<\/p>\n<p>&#8220;O mesmo material que caiu em Marte atrav\u00e9s de meteoritos \u00e9 o que caiu na Terra, e provavelmente forneceu os componentes essenciais para a vida como a conhecemos no nosso planeta&#8221;, acrescentou Amy Williams.<\/p>\n<p>Parte do novo estudo incluiu tamb\u00e9m a valida\u00e7\u00e3o dos resultados do Curiosity atrav\u00e9s de testes exaustivos em laborat\u00f3rios na Terra. Os investigadores expuseram um peda\u00e7o do meteorito Murchison, que cont\u00e9m mol\u00e9culas org\u00e2nicas, ao TMAH. As mol\u00e9culas maiores do meteorito decompuseram-se em mol\u00e9culas semelhantes \u00e0s detetadas na amostra de Mary Anning, incluindo o benzotiofeno. O meteorito Murchison, descoberto na Austr\u00e1lia em 1969, tem mais de 4 mil milh\u00f5es de anos e cont\u00e9m compostos org\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Responder a uma quest\u00e3o profunda <\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1783266550_63_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>   Uma imagem aproximada e com anota\u00e7\u00f5es mostra tr\u00eas orif\u00edcios que o Curiosity perfurou na rocha marciana no local Mary Anning, em 2020. (JPL-Caltech\/MSSS\/NASA) <\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, o Curiosity tamb\u00e9m detetou as maiores mol\u00e9culas org\u00e2nicas alguma vez descobertas em Marte, enquanto o ve\u00edculo Perseverance observou manchas semelhantes \u00e0s de um leopardo em rochas que poder\u00e3o ter sido criadas por vida antiga. As observa\u00e7\u00f5es, combinadas com os novos resultados, tra\u00e7am um retrato intrigante de como era Marte no passado distante, sublinhou Ashwin Vasavada.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sou qu\u00edmico org\u00e2nico, mas ver uma diversidade de elementos org\u00e2nicos significa que estamos a vislumbrar a ponta do icebergue de uma diversidade ainda maior que existia no passado&#8221;, referiu o investigador.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia tamb\u00e9m abre caminho para futuras miss\u00f5es que pretendem realizar an\u00e1lises qu\u00edmicas semelhantes para procurar compostos org\u00e2nicos no nosso sistema solar. Tanto o ve\u00edculo ExoMars Rosalind Franklin, da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA), que ir\u00e1 aterrar no planeta para explorar uma regi\u00e3o diferente at\u00e9 ao final da d\u00e9cada, como a miss\u00e3o Dragonfly da NASA, para estudar Tit\u00e3, a lua de Saturno, levar\u00e3o experi\u00eancias de qu\u00edmica por via h\u00famida a bordo.<\/p>\n<p>&#8220;Foi uma proeza apenas descobrir como realizar este tipo de qu\u00edmica pela primeira vez em Marte&#8221;, afirmou o coautor do estudo Charles Malespin, investigador principal do SAM no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, no Maryland. &#8220;Mas agora que pratic\u00e1mos, estamos preparados para executar experi\u00eancias semelhantes em futuras miss\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>A descoberta \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o clara de que as rochas sedimentares em Marte conseguem preservar provas do material org\u00e2nico que esteve outrora nos ambientes da superf\u00edcie do planeta h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos, afirmou Briony Horgan, professora de ci\u00eancias terrestres, atmosf\u00e9ricas e planet\u00e1rias na Universidade de Purdue em West Lafayette, no Indiana. Briony Horgan tem sido coinvestigadora e planeadora na equipa da miss\u00e3o do ve\u00edculo Perseverance, mas n\u00e3o esteve envolvida neste estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Embora ainda n\u00e3o possamos afirmar que estes elementos org\u00e2nicos foram produzidos pela vida, estamos a come\u00e7ar a reunir os dados para responder a essa quest\u00e3o&#8221;, apontou Briony Horgan. &#8220;No entanto, para responder totalmente se estes elementos indicam ou n\u00e3o vida no Marte antigo, teremos de trazer amostras de volta de Marte para estudar nos nossos laborat\u00f3rios na Terra. O regresso das amostras do Perseverance continua a ser a principal prioridade da comunidade planet\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>O Congresso cancelou em janeiro um plano ambicioso mas dispendioso da NASA e da ESA para trazer as amostras recolhidas pelo Perseverance de volta \u00e0 Terra, mas os cientistas n\u00e3o recuam na defesa de que este \u00e9 o passo mais crucial para responder a uma das maiores perguntas c\u00f3smicas da humanidade: ter\u00e1 existido vida al\u00e9m da Terra?<\/p>\n<p>Ashwin Vasavada, que tem acompanhado a abordagem met\u00f3dica da NASA na procura de vest\u00edgios de \u00e1gua antiga e habitabilidade passada em Marte, acredita que o envio de amostras para a Terra \u00e9 a \u00fanica forma de concluir esta busca de respostas que dura h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8220;Este programa que come\u00e7ou em 2000 terminou com uma experi\u00eancia definitiva para descobrir se a vida alguma vez existiu&#8221;, concluiu Ashwin Vasavada, referindo-se \u00e0 proposta de envio de amostras para a Terra. &#8220;Quero que a hist\u00f3ria chegue ao fim.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O resultado complementa as dete\u00e7\u00f5es anteriores de compostos org\u00e2nicos feitas pelo Curiosity e refor\u00e7a a ideia de que&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":440803,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[84],"tags":[609,836,611,27,109,107,108,607,608,333,15554,832,604,49814,135,610,476,301,830,603,570,831,833,2559,62,834,13,835,602,52,32,33,34143,105,103,104,106,110,29,3192],"class_list":["post-440802","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-ciencia-e-tecnologia","tag-alerta","tag-analise","tag-ao-minuto","tag-breaking-news","tag-ciencia","tag-ciencia-e-tecnologia","tag-cienciaetecnologia","tag-cnn","tag-cnn-portugal","tag-comentadores","tag-componentes","tag-costa","tag-crime","tag-curiosity","tag-desporto","tag-direto","tag-economia","tag-governo","tag-guerra","tag-justica","tag-live","tag-mais-vistas","tag-marcelo","tag-marte","tag-mundo","tag-negocios","tag-noticias","tag-opiniao","tag-pais","tag-politica","tag-portugal","tag-pt","tag-robot","tag-science","tag-science-and-technology","tag-scienceandtechnology","tag-technology","tag-tecnologia","tag-ultimas","tag-vida"],"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440802","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=440802"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440802\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/440803"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=440802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=440802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=440802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}