{"id":441105,"date":"2026-07-05T22:08:20","date_gmt":"2026-07-05T22:08:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/441105\/"},"modified":"2026-07-05T22:08:20","modified_gmt":"2026-07-05T22:08:20","slug":"critica-vivo-76-2026","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/441105\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica | Vivo 76 (2026)"},"content":{"rendered":"<p>268<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-thumbnail wp-image-219842\" role=\"img\" src=\"https:\/\/www.planocritico.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/hal-4-5.svg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 outro modo de conceber Vivo 76 sen\u00e3o por uma narrativa pujante e por uma ampla contextualiza\u00e7\u00e3o \u2014 o document\u00e1rio \u00e9 sobre um \u00e1lbum, mas acaba indo muito al\u00e9m disso. O primeiro ponto \u00e9 porque o pr\u00f3prio \u00e1lbum \u00e9 pujante em si, sendo levado por uma completa inquietude expressiva, cujo retrato, por meio de outras lentes, s\u00f3 poderia se dar se autoinstanciando. O segundo \u00e9 porque, como todo movimento vigoroso, este \u00e9 produto de um caldeir\u00e3o de influ\u00eancias e outros fatores que levaram a tal obra a ser o que ela \u00e9. Aliado a esses dois fatores, surge um terceiro e inevit\u00e1vel: a identidade de <a href=\"https:\/\/www.planocritico.com\/tag\/alceu-valenca\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Alceu Valen\u00e7a<\/a>. Temos um caso raro em que a ess\u00eancia de uma obra \u00e9 realmente encontrada, de maneira n\u00edtida e intensa, na pr\u00f3pria figura de seu criador. No final das contas, Vivo 76 n\u00e3o \u00e9 sobre uma produ\u00e7\u00e3o musical, e sim sobre a figura emblem\u00e1tica de Alceu, que se reverbera pelo mundo, em pessoas, em seu trabalho musical e, o melhor de tudo aqui, na pr\u00f3pria narrativa deste filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O document\u00e1rio inteiro \u00e9 sobre uma personalidade e, assim, <a href=\"https:\/\/www.planocritico.com\/tag\/lirio-ferreira\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">L\u00edrio Ferreira<\/a> incorpora esta mesma personalidade no pr\u00f3prio formato de seu longa. Alceu Valen\u00e7a \u00e9 inventivo, en\u00e9rgico e espirituoso; Vivo 76 \u00e9 tudo isso em forma de cinema informativo. Essa completa assimila\u00e7\u00e3o da persona de Alceu v\u00ea-se na extens\u00e3o que a sua voz (n\u00e3o a musical) ganha no filme. \u00c9 como se o longa fosse do pr\u00f3prio Alceu. Trata-se de algo quase inteiramente em primeira pessoa, pois o cantor possui espa\u00e7o para os seus depoimentos, por\u00e9m, quando outras pessoas falam, \u00e9 como se a voz dele ainda estivesse ali. A atmosfera dele reina, e uma das escolhas estil\u00edsticas que contribui para isso \u00e9 a aus\u00eancia de narra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 voz em off descrevendo nada, dado que isso seria um atentado \u00e0 din\u00e2mica potente e inquietante do longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00edrio Ferreira n\u00e3o chega a fazer um filme experimental, a sua engenhosidade est\u00e1 em transformar fatos e informa\u00e7\u00f5es em, digamos, coisas para serem experimentadas mesmo. Sentir o clima expansivo da cultura hippie, tropical e regionalista; e sentir tamb\u00e9m a presen\u00e7a perform\u00e1tica de Alceu Valen\u00e7a, seja pelo seu lado pessoal ou musical. Para isso, essas experi\u00eancias se valem do humor e da completa descontra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1, neste document\u00e1rio, aquele clima de grandeza e tributo monumental prestado a um indiv\u00edduo. \u00c9 do descompromisso, de fazer de tudo uma sorridente experi\u00eancia, que emerge a homenagem a Alceu. O resultado no espectador \u00e9 de carinho junto com extrema simpatia pelo cantor e, consequentemente, pelo filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como dito, Vivo 76 nunca deixa de ser cinema informativo, e se h\u00e1 essa aura pitoresca durante todo o longa, \u00e9 porque os eventos informados tamb\u00e9m s\u00e3o pitorescos. Indo al\u00e9m do \u00e1lbum-t\u00edtulo, \u00e9 apresentada toda a trajet\u00f3ria de Alceu at\u00e9 ent\u00e3o, o que inclui a sua intensa imers\u00e3o cultural, que abrigou distintos movimentos. Assim sendo, o document\u00e1rio vai desde grandes cenas art\u00edsticas at\u00e9 pequenas e c\u00f4micas situa\u00e7\u00f5es da vida de Alceu. Tudo, no final das contas, ganha uma cara de anedota \u2014 e a efervesc\u00eancia de todas essas coisas habita justamente neste olhar de apequen\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2018\u2019Pitoresco\u2019\u2019, ali\u00e1s, \u00e9 um adjetivo perfeito para caracterizar o filme e seu protagonista (que s\u00e3o simplesmente a mesma coisa). A presen\u00e7a do Alceu atual para as filmagens \u00e9 teatral e natural ao mesmo tempo. Em vez de ele apenas sentar numa cadeira e relatar o seu passado, ele perambula por a\u00ed, aparece em diversos cen\u00e1rios, interpreta n\u00fameros musicais com figurantes enfeitados. Tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o como os outros entrevistados sempre t\u00eam um tipo de enquadramento, posi\u00e7\u00e3o de corpo, cen\u00e1rio e at\u00e9 satura\u00e7\u00e3o de luz que sempre se repete e, assim, se destaca.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas entrevistas atuais, Alceu nunca se imobiliza nem abandona o ornamento. Todo momento \u00e9 momento para evocar seu esp\u00edrito vibrante e l\u00fadico, isso com um toque de ingenuidade que nunca desaparece. Alceu ganha o Brasil e at\u00e9 extrapola sua presen\u00e7a para al\u00e9m dele, mas sempre mant\u00e9m uma naturalidade de moleque ou senhor inocente do interior. H\u00e1 nele uma jun\u00e7\u00e3o de cosmopolitismo e provincianismo, de efervesc\u00eancia e singeleza, que beira ao inspirador.<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li style=\"text-align: justify;\"><strong>Filme visto na 21\u00aa Mostra de Cinema de Ouro Preto.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Vivo 76 (Brasil, 2026)<br \/><\/b><b>Dire\u00e7\u00e3o: <\/b>L\u00edrio Ferreira<br \/><b>Roteiro: <\/b>Claudio Assis, Dillner Gomes, L\u00edrio Ferreira<br \/><b>Elenco: <\/b>Alceu Valen\u00e7a, Katia Mesel, Geraldo Azevedo, Jomard Muniz de Britto, Paulo Bruscky, Charles Gavin, Ant\u00f4nio Carlos Miguel, Carlos Alberto Sion, J\u00falio Moura, Iracema Ferreira da Silva<br \/><b>Dura\u00e7\u00e3o: <\/b>102 minutos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"268 N\u00e3o h\u00e1 outro modo de conceber Vivo 76 sen\u00e3o por uma narrativa pujante e por uma ampla&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":441106,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[140],"tags":[1534,71007,71008,71009,6724,71010,71011,1414,114,115,147,148,71012,71013,71014,71015,71016,16554,146,71017,32,33],"class_list":["post-441105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-filmes","tag-alceu-valenca","tag-antonio-carlos-miguel","tag-carlos-alberto-sion","tag-charles-gavin","tag-cinema-brasileiro","tag-claudio-assis","tag-dillner-gomes","tag-documentario","tag-entertainment","tag-entretenimento","tag-film","tag-filmes","tag-geraldo-azevedo","tag-iracema-ferreira-da-silva","tag-jomard-muniz-de-britto","tag-julio-moura","tag-katia-mesel","tag-lirio-ferreira","tag-movies","tag-paulo-bruscky","tag-portugal","tag-pt"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116869655012866804","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=441105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/441105\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/441106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=441105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=441105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=441105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}