{"id":44272,"date":"2025-08-25T13:36:22","date_gmt":"2025-08-25T13:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/44272\/"},"modified":"2025-08-25T13:36:22","modified_gmt":"2025-08-25T13:36:22","slug":"livros-fuvest-2026-tudo-sobre-balada-de-amor-ao-vento-25-08-2025-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/44272\/","title":{"rendered":"Livros Fuvest 2026: tudo sobre Balada de Amor ao Vento &#8211; 25\/08\/2025 &#8211; Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Para o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/vestibular\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vestibular<\/a> 2026 da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/usp\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">USP<\/a>, a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/fuvest\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Fuvest<\/a> adotou o livro &#8220;Balada de Amor ao Vento&#8221; para compor a sua <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2025\/07\/ineditos-ate-para-professores-livros-so-de-mulheres-na-fuvest-estimulam-novos-debates.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">lista de leitura obrigat\u00f3ria<\/a>. De <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/guia-negro\/2025\/07\/no-quintal-de-paulina-chiziane-falamos-sobre-livros-e-mocambique.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Paulina Chiziane<\/a>, pioneira na escrita mo\u00e7ambicana de romance, a narrativa exp\u00f5e os impactos de uma cultura colonial e quest\u00f5es da subjetividade humana, problematizando as contradi\u00e7\u00f5es de um sistema sociocultural complexo.<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p><strong>&#8220;Que triste \u00e9 ser gente. Gostaria de ser um animal, ser livre para amar livre, sem leis nem tradi\u00e7\u00f5es&#8221; \u2013 trecho do livro \u2018Balada de amor ao vento\u2019.<\/strong><\/p>\n<p>&#13;\n<\/p><\/blockquote>\n<p>A seguir, saiba mais sobre a obra.<\/p>\n<p>Quem \u00e9 a autora<\/p>\n<p>Paulina Chiziane nasceu em 1955, em Manjacaze, vila mo\u00e7ambicana localizada na prov\u00edncia de Gaza. Ainda crian\u00e7a, se mudou com sua fam\u00edlia para os sub\u00farbios da capital Louren\u00e7o Marques, atual Maputo. Filha de um alfaiate e de uma camponesa protestantes, teve sua forma\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em uma escola mission\u00e1ria cat\u00f3lica. J\u00e1 adulta, chegou a cursar lingu\u00edstica, sem concluir, na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> Eduardo Mondlane.<\/p>\n<p>A autora cresceu durante a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, que teve o seu fim em 1975, ap\u00f3s o movimento anticolonial protagonizado pela FRELIMO (Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/mocambique\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Mo\u00e7ambique<\/a>), da qual Paulina teve intensa participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o protagonismo feminino que emergiu na \u00e9poca foi silenciado pelo novo Estado, que optou por conservar valores tradicionais. Desiludida com as contradi\u00e7\u00f5es do projeto nacionalista, Paulina voltou o seu foco para a Cruz Vermelha, onde atuou como enfermeira.<\/p>\n<p>Escreveu contos para jornais na d\u00e9cada de 1980 e se tornou a primeira mulher de Mo\u00e7ambique a lan\u00e7ar um romance, em 1990, com &#8220;Balada de Amor ao Vento&#8221;. Ela se dedicou a temas como colonialismo, racismo e patriarcado, transformando a tradi\u00e7\u00e3o oral em escrita.<\/p>\n<p>&#8220;Paulina abriu a seara para as demais escritoras da modernidade&#8221;, pontua C\u00edntia K\u00fctter, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da <a href=\"https:\/\/ruf.folha.uol.com.br\/2024\/lista-universidades-instituicoes\/universidade-federal-da-paraiba-579.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">UFPB <\/a>(Universidade Federal da Para\u00edba).<\/p>\n<p>Entre a premia\u00e7\u00e3o que obteve est\u00e3o Jos\u00e9 Craveirinha, em 2003, e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/05\/paulina-chiziane-recebe-camoes-e-diz-que-portugues-precisa-ser-descolonizado.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Cam\u00f5es, em 2021<\/a>. Em 2005, foi indicada ao Pr\u00eamio Nobel da Paz pela relev\u00e2ncia liter\u00e1ria e social de suas obras.<\/p>\n<p>O que \u00e9 importante saber sobre o livro<\/p>\n<p><strong>O t\u00edtulo<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Balada de Amor ao Vento&#8221; \u00e9 um t\u00edtulo multifacetado, que remete \u00e0 estrutura h\u00edbrida e l\u00edrica da narrativa. De maneira concisa, &#8220;balada&#8221; confere uma leveza po\u00e9tica a um enredo que \u00e9 denso e que, ao mesmo tempo, apresenta um car\u00e1ter humano; &#8220;amor&#8221; se relaciona \u00e0s tens\u00f5es entre tradi\u00e7\u00e3o polig\u00e2mica e a monogamia crist\u00e3; &#8220;vento&#8221; fala de liberdade e do dinamismo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Constru\u00e7\u00e3o narrativa e personagens centrais<\/strong><\/p>\n<p>Narrado em primeira pessoa, a obra \u00e9 um romance de forma\u00e7\u00e3o. Nele, o enredo tanto acompanha o crescimento da personagem Sarnau quanto funciona como uma forma\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do leitor ao provocar reflex\u00f5es sobre, por exemplo, costumes mo\u00e7ambicanos, pobreza e religi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Romance de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 uma teoria alem\u00e3, masculina, branca, que afirma que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para as mulheres alcan\u00e7arem sua forma\u00e7\u00e3o, seja espiritual ou material. Sarnau mostra o contr\u00e1rio&#8221;, destaca K\u00fctter. S\u00e3o apresentados dois homens ao longo da trama: Mwando, o amor incondicional por quem Sarnau vive uma decep\u00e7\u00e3o, e Nguila, o amor tradicional que evidencia as normas sociais patriarcais.<\/p>\n<p><strong>Mo\u00e7ambique como lugar de mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Por Paulina construir uma narrativa inspirada em suas experi\u00eancias, h\u00e1 uma verossimilhan\u00e7a entre realidade e fic\u00e7\u00e3o. A geografia est\u00e1 presente nas men\u00e7\u00f5es sobre o rio Save, a vegeta\u00e7\u00e3o, as aldeias e cidades mo\u00e7ambicanas.<\/p>\n<p>Paulina, ainda, descreve mitos, rituais e h\u00e1bitos, como o lobolo, dote nupcial que o noivo deve conceder \u00e0 fam\u00edlia da noiva, e o uso da capulana que, mais que um adorno, \u00e9 sin\u00f4nimo de reputa\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p>&#8220;Sarnau coloca em jogo o ineditismo das suas mem\u00f3rias. Afinal, quem vive em Mo\u00e7ambique conhece essas hist\u00f3rias da mem\u00f3ria coletiva&#8221;, observa Regina Silveira, doutora em Letras pela <a href=\"https:\/\/ruf.folha.uol.com.br\/2024\/lista-universidades-instituicoes\/universidade-federal-do-rio-grande-do-sul-581.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">UFRGS <\/a>(Universidade Federal do Rio Grande do Sul).<\/p>\n<p><strong>O humano, a tradi\u00e7\u00e3o e a modernidade<\/strong><\/p>\n<p>Mwando foi educado em um semin\u00e1rio cat\u00f3lico, entrando em choque com os costumes locais, como a poligamia que ele rejeita. Sarnau, por sua vez, n\u00e3o permite que a cultura suprima seus sentimentos, que a impulsionam em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade. &#8220;A condi\u00e7\u00e3o humana lida com emo\u00e7\u00f5es que a tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o supera&#8221;, analisa Silveira.<\/p>\n<p>Assim, a conviv\u00eancia entre pr\u00e1ticas crist\u00e3s e tradi\u00e7\u00f5es ancestrais <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/africa\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">africanas <\/a>refletem a complexidade identit\u00e1ria mo\u00e7ambicana e os dilemas internos dos personagens. &#8220;O livro traz uma hibridiza\u00e7\u00e3o de aspectos lingu\u00edsticos e culturais. N\u00f3s temos a tradi\u00e7\u00e3o e a modernidade que parecem antag\u00f4nicas e n\u00e3o s\u00e3o. A obra coloca em evid\u00eancia a identidade e a tradi\u00e7\u00e3o em processo&#8221;, comenta a pesquisadora.<\/p>\n<p>S\u00c9RIE ABORDA OS LIVROS DO VESTIBULAR 2026 DA FUVEST<\/p>\n<p>Este \u00e9 o oitavo de uma s\u00e9rie de nove textos que abordam a lista de livros do vestibular da USP deste ano. Pela primeira vez, a Fuvest selecionou obras s\u00f3 de escritoras mulheres. A cada semana, uma obra \u00e9 tema de reportagem que explica a trajet\u00f3ria da autora e os principais pontos que podem ser cobrados na prova.<\/p>\n<p>Os textos fazem parte do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/educacao\/2025\/05\/folha-lanca-secao-sobre-enem-e-vestibulares-com-assinatura-gratis-para-inscritos-no-exame.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">projeto Folha Estudantes<\/a>, criado para ajudar jovens na prepara\u00e7\u00e3o para o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/enem\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Enem<\/a> e outros vestibulares. A <strong>Folha<\/strong> oferece assinatura gratuita para estudantes que se inscreverem no Enem; <a href=\"http:\/\/www.folhaestudantes.com.br\/assinatura\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a> para saber mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para o vestibular 2026 da USP, a Fuvest adotou o livro &#8220;Balada de Amor ao Vento&#8221; para compor&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":44273,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[2713,207,169,539,13493,4224,114,115,1907,236,3063,864,237,170,2856,2715,32,33,3062,3064,3058],"class_list":{"0":"post-44272","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-africa","9":"tag-arte","10":"tag-books","11":"tag-educacao","12":"tag-enem","13":"tag-ensino-superior","14":"tag-entertainment","15":"tag-entretenimento","16":"tag-escritores","17":"tag-folha","18":"tag-fuvest","19":"tag-literatura","20":"tag-livro","21":"tag-livros","22":"tag-ministerio-da-educacao","23":"tag-mocambique","24":"tag-portugal","25":"tag-pt","26":"tag-universidade","27":"tag-usp","28":"tag-vestibular"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44272\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}