{"id":443525,"date":"2026-07-08T10:57:15","date_gmt":"2026-07-08T10:57:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/443525\/"},"modified":"2026-07-08T10:57:15","modified_gmt":"2026-07-08T10:57:15","slug":"desinformacao-sobre-morte-encefalica-segue-como-barreira-para-transplantes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/443525\/","title":{"rendered":"Desinforma\u00e7\u00e3o sobre morte encef\u00e1lica segue como barreira para transplantes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Embora o Brasil tenha alcan\u00e7ado recorde hist\u00f3rico de transplantes em 2025, a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre a morte encef\u00e1lica ainda faz com que quase metade das fam\u00edlias brasileiras recuse a doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. O dado, do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), evidencia um dos principais desafios para ampliar o n\u00famero de procedimentos realizados e reduzir a fila de pacientes que aguardam por uma nova oportunidade de vida.<\/p>\n<p>A recusa familiar continua entre os principais obst\u00e1culos para o aumento das doa\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. Mesmo com avan\u00e7os nos procedimentos e na estrutura de transplantes, a autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia segue sendo indispens\u00e1vel em casos de morte encef\u00e1lica.<\/p>\n<p>Para a m\u00e9dica Fernanda Resende, intensivista do <strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/hospital-angelina-caron\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Hospital Angelina Caron<\/a><\/strong>, na Regi\u00e3o Metropolitana de Curitiba, grande parte dessa resist\u00eancia est\u00e1 relacionada \u00e0 dificuldade de compreens\u00e3o do diagn\u00f3stico e \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es equivocadas sobre o tema.. \u201cEstamos tratando do \u00f3bito do paciente. Diferentemente do coma, em que ainda existe atividade cerebral e possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o, a morte encef\u00e1lica representa a aus\u00eancia total de atividade cerebral e caracteriza a morte do indiv\u00edduo\u201d, explica.<\/p>\n<p>O principal receio das fam\u00edlias, segundo a especialista, \u00e9 acreditar que ainda exista alguma possibilidade de revers\u00e3o do quadro. \u201cMuitas perguntam se o cora\u00e7\u00e3o pode voltar a bater sozinho ou se os reflexos podem reaparecer. A maior dificuldade \u00e9 compreender a irreversibilidade da morte encef\u00e1lica\u201d, afirma.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-127439\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cerebro-brain-avc-neuro-parkinson-imagem-diagnostico-4.jpg\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"565\"  \/><\/p>\n<p>Uma das d\u00favidas mais frequentes entre os familiares \u00e9 entender por que um paciente ainda apresenta batimentos card\u00edacos e temperatura corporal, mas j\u00e1 \u00e9 considerado morto. Segundo a m\u00e9dica, isso acontece porque essas fun\u00e7\u00f5es podem ser mantidas temporariamente por aparelhos e medicamentos, enquanto o c\u00e9rebro j\u00e1 perdeu de forma definitiva e irrevers\u00edvel todas as suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Entender para decidir<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e9dica reconhece que o momento de receber um diagn\u00f3stico de morte encef\u00e1lica, seguido pela necessidade de decidir sobre uma doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os, \u00e9 dif\u00edcil. Mas tamb\u00e9m que \u00e9 preciso ter clareza e oferecer o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, com o acolhimento necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>De acordo com a especialista, o protocolo de morte encef\u00e1lica no Brasil \u00e9 regido pelo Conselho Federal de Medicina (<strong><a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/tag\/cfm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">CFM<\/a><\/strong>) e composto por dois exames cl\u00ednicos realizados por m\u00e9dicos habilitados, um teste de apneia e um exame complementar de imagem que confirma a aus\u00eancia de fluxo sangu\u00edneo cerebral. \u201cQuando a morte encef\u00e1lica \u00e9 explicada de forma clara e acolhedora, a fam\u00edlia consegue entender melhor o processo\u201d, acredita.<\/p>\n<p><strong>O papel da UTI ap\u00f3s a morte encef\u00e1lica<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o da morte encef\u00e1lica, a atua\u00e7\u00e3o da equipe da UTI continua sendo fundamental. Caso a fam\u00edlia autorize a doa\u00e7\u00e3o, inicia-se um protocolo espec\u00edfico para preservar os \u00f3rg\u00e3os e garantir condi\u00e7\u00f5es adequadas para o transplante.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o da morte encef\u00e1lica e a autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia para a doa\u00e7\u00e3o, o intensivista passa a adotar medidas espec\u00edficas para preservar os \u00f3rg\u00e3os. Nosso papel \u00e9 garantir que cora\u00e7\u00e3o, pulm\u00f5es, f\u00edgado e rins permane\u00e7am vi\u00e1veis para beneficiar outros pacientes que aguardam na fila de transplantes\u201d, explica Fernanda Resende.<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica, s\u00e3o realizados cuidados espec\u00edficos para manter a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, a oxigena\u00e7\u00e3o e o funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os at\u00e9 que as equipes respons\u00e1veis pela capta\u00e7\u00e3o realizem o procedimento. Esse trabalho envolve m\u00e9dicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psic\u00f3logos, assistentes sociais e outros profissionais que atuam tanto na manuten\u00e7\u00e3o cl\u00ednica quanto no acolhimento \u00e0s fam\u00edlias.<\/p>\n<p><strong>Sobre a decis\u00e3o de doar<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito importante que as pessoas expressem em vida o desejo de ser doadoras. Quando essa conversa n\u00e3o acontece, a decis\u00e3o fica nas m\u00e3os da fam\u00edlia em um momento de extrema dor e fragilidade\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Fernanda, falar sobre o tema antes que uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica aconte\u00e7a reduz d\u00favidas, inseguran\u00e7as e o peso da decis\u00e3o para os familiares. Em casos de morte encef\u00e1lica, a autoriza\u00e7\u00e3o para a doa\u00e7\u00e3o depende da concord\u00e2ncia da fam\u00edlia, o que torna o di\u00e1logo pr\u00e9vio um fator decisivo para ampliar o n\u00famero de transplantes.<\/p>\n<p>A especialista refor\u00e7a que a informa\u00e7\u00e3o correta \u00e9 uma das principais ferramentas para reduzir a resist\u00eancia \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os e ajudar mais pacientes que aguardam por um transplante.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos aspectos m\u00e9dicos, a decis\u00e3o de doar est\u00e1 diretamente relacionada ao conhecimento que a fam\u00edlia tem sobre o tema e \u00e0 compreens\u00e3o de que a morte encef\u00e1lica \u00e9 um diagn\u00f3stico definitivo.<\/p>\n<p>\u201cQuando as pessoas compreendem que a morte encef\u00e1lica \u00e9 um diagn\u00f3stico definitivo e irrevers\u00edvel, conseguem entender tamb\u00e9m que a doa\u00e7\u00e3o pode representar uma nova chance de vida para outras pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Para ela, a conscientiza\u00e7\u00e3o deve come\u00e7ar muito antes da interna\u00e7\u00e3o em uma UTI. \u201cA gente n\u00e3o deseja que isso aconte\u00e7a com ningu\u00e9m. Mas, se acontecer, a informa\u00e7\u00e3o permite que uma fam\u00edlia saiba que, mesmo diante de uma perda irrepar\u00e1vel, \u00e9 poss\u00edvel transformar a vida de v\u00e1rias pessoas por meio da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Embora o Brasil tenha alcan\u00e7ado recorde hist\u00f3rico de transplantes em 2025, a falta de informa\u00e7\u00e3o sobre a morte&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":443526,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[65917,116,71343,32,33,117,6469],"class_list":["post-443525","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-cfm","tag-health","tag-hospital-angelina-caron","tag-portugal","tag-pt","tag-saude","tag-transplantes"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116884003158541954","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/443525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=443525"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/443525\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/443526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=443525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=443525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=443525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}