{"id":444286,"date":"2026-07-09T03:14:59","date_gmt":"2026-07-09T03:14:59","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/444286\/"},"modified":"2026-07-09T03:14:59","modified_gmt":"2026-07-09T03:14:59","slug":"por-que-nao-temos-memorias-da-primeira-infancia-estudo-explica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/444286\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o temos mem\u00f3rias da primeira inf\u00e2ncia? Estudo explica"},"content":{"rendered":"<p>Novo estudo publicado na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-026-71914-x\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nature Communications<\/a> revela que estudos com ratos respondem o porqu\u00ea n\u00e3o temos mem\u00f3rias da primeira inf\u00e2ncia. Interconectividade e predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica s\u00e3o poss\u00edveis respostas.<\/p>\n<p>Conforme o estudo, o centro da mem\u00f3ria do c\u00e9rebro pode vir \u201cpr\u00e9-programado\u201d e extremamente conectado a diversos sentidos. Ou seja, diferente do que se acreditava, o <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/cerebros-humanos-sem-corpo-sao-usados-em-testes-de-remedios.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e9rebro <\/a>n\u00e3o constr\u00f3i as mem\u00f3rias a partir de uma \u201ct\u00e1bula rasa\u201d, mas sim j\u00e1 pr\u00e9 disp\u00f5e de um sistema de percep\u00e7\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>A pesquisa se concentrou no hipocampo, estrutura em forma de cavalo-marinho localizada no interior do c\u00e9rebro que \u00e9 essencial para a forma\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias.<\/p>\n<p> <b>As an\u00e1lises do estudo<\/b> <\/p>\n<p>Mais especificamente, os pesquisadores focaram no corno de Amon 3 (CA3), regi\u00e3o do hipocampo que desempenha um papel central no armazenamento e na recupera\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias. Ademais, uma das caracter\u00edsticas conhecidas do CA3 \u00e9 a plasticidade dos neur\u00f4nios que permite que eles fortale\u00e7am e enfraque\u00e7am continuamente suas conex\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, o estudo analisou o tecido cerebral de ratos capturados em tr\u00eas fases da vida: logo ap\u00f3s nascer, adolesc\u00eancia e fase adulta. E o que descobriram \u00e9 que no in\u00edcio da vida as redes do hipocampo s\u00e3o densamente interligadas. De modo que ao amadurecer as redes desordenadas passam a se dividir em padr\u00f5es esparsos e mais estruturados.<\/p>\n<p>Nesse sentido, durante a adolesc\u00eancia h\u00e1 decl\u00ednios significativos na conectividade. Conforme o coautor do estudo, <b>Peter Jonas<\/b>, neurocientista do Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia da \u00c1ustria:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Descobrimos, em resumo, que o sistema n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e1bula rasa, como pens\u00e1vamos inicialmente, onde voc\u00ea pode simplesmente escrever informa\u00e7\u00f5es e, em algum momento, essas informa\u00e7\u00f5es preenchem o sistema. [\u2026] Em vez disso, ele come\u00e7a como um emaranhado de fios e depois se torna mais esparso e especificamente conectado.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p> <b>As mem\u00f3rias da primeira inf\u00e2ncia<\/b> <\/p>\n<p>Pois \u00e9 justamente a interconectividade que explica o porque n\u00e3o nos lembramos da primeira <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/colunas\/roselle-adriane-soglio\/apertem-os-cintos-a-infancia-sob-ataque.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">inf\u00e2ncia<\/a>. Uma vez que ao armazenar as mem\u00f3rias em redes de <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/primeiro-data-center-com-neuronios-humanos-e-inaugurado.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">neur\u00f4nios<\/a> muito amplas, elas ao se dissipar e se diferenciar perdem sua estrutura e caem em esquecimento.<\/p>\n<p>De acordo com a Live Science, em um tecido cerebral jovem um \u00fanico est\u00edmulo pode fazer com que um neur\u00f4nio dispare. Enquanto que em redes maduras os <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/cientistas-regeneram-neuronios-em-estudo-com-ratos.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">neur\u00f4nios<\/a> precisam de m\u00faltiplos est\u00edmulos para disparar.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, acreditava-se que as sinapses no in\u00edcio do desenvolvimento eram fracas e de baixa qualidade. No entanto, \u00e9 justamente o contr\u00e1rio. Por\u00e9m vale explicar que o c\u00e9rebro paga um pre\u00e7o pelo processo, uma vez que, ao ativar muitos neur\u00f4nios torna-se dif\u00edcil distinguir uma mem\u00f3ria da outra. Ou seja, em vez de formar redes distintas, ele pode gerar mem\u00f3rias mais amplas e menos espec\u00edficas. Em outras palavras, o sistema \u00e9 muito ativo, mas n\u00e3o muito preciso.<\/p>\n<p>Por exemplo, a imprecis\u00e3o da mem\u00f3ria faz com que animais jovens testados com leves choques em \u00e1rea de gaiolas temam toda localidade que se pare\u00e7a minimamente com o local. Enquanto que o mesmo teste com ratos adolescentes e adultos mostra que eles precisam de muito mais est\u00edmulos para perceber que o local tamb\u00e9m oferece risco de dar choque. Ou seja, a mem\u00f3ria existe, mas n\u00e3o \u00e9 precisa.<\/p>\n<p>Assim, \u00e0 medida que o <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/medica-de-harvard-afirma-que-o-intestino-e-um-segundo-cerebro.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e9rebro<\/a> amadurece, os neur\u00f4nios tornam-se mais seletivos e requerem m\u00faltiplos est\u00edmulos para serem ativados. De modo que as mem\u00f3rias se tornam mais distintas, espec\u00edficas e est\u00e1veis.<\/p>\n<p>Portanto, a dificuldade de recordar mem\u00f3rias da primeira <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/reportagem\/misteriosa-infancia-de-jesus.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">inf\u00e2ncia<\/a> pode ser resultado de um processo biol\u00f3gico em que as mem\u00f3rias mais antigas s\u00e3o muito pouco definidas para serem retidas a longo prazo.<\/p>\n<p>Contudo, ainda \u00e9 necess\u00e1rio mais estudos para conseguir identificar as redes que aparecem pr\u00e9 definidas dentro do hipocampo para, dessa forma, compreender o quanto do pr\u00e9 nascimento reside dentro do organismo.<\/p>\n<p>*Sob supervis\u00e3o de Felipe Sales Gomes<\/p>\n<p>        <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/author\/augusto-cesar\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n          <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Augusto C\u00e9sar\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-de-perfil-para-AH-1-150x150.jpeg\" class=\"avatar avatar-115 photo rounded-circle\" height=\"115\" width=\"115\"\/>        <\/a><\/p>\n<p>Historiador em forma\u00e7\u00e3o que troca qualquer &#8220;sextou&#8221; por fofocas de \u00e9poca e an\u00e1lise econ\u00f4mica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado \u00e9 o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem est\u00e1 nos meus artigos:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Novo estudo publicado na revista Nature Communications revela que estudos com ratos respondem o porqu\u00ea n\u00e3o temos mem\u00f3rias&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":444287,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[86],"tags":[4288,109,2001,116,2790,62,1133,13,32,949,33,117],"class_list":["post-444286","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-saude","tag-cerebro","tag-ciencia","tag-descoberta","tag-health","tag-memoria","tag-mundo","tag-noticia","tag-noticias","tag-portugal","tag-primeira-infancia","tag-pt","tag-saude"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116887849159530442","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=444286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444286\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/444287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=444286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=444286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=444286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}