{"id":444365,"date":"2026-07-09T07:33:14","date_gmt":"2026-07-09T07:33:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/444365\/"},"modified":"2026-07-09T07:33:14","modified_gmt":"2026-07-09T07:33:14","slug":"pneumonia-mata-mais-criancas-nas-periferias-de-sp-09-07-2026-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/444365\/","title":{"rendered":"Pneumonia mata mais crian\u00e7as nas periferias de SP &#8211; 09\/07\/2026 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as e adolescentes internados por<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2026\/06\/pneumonia-em-utis-de-paises-como-o-brasil-mata-ate-o-dobro-do-registrado-em-nacoes-ricas.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> pneumonia<\/a> est\u00e3o espalhados por praticamente toda a cidade de S\u00e3o Paulo. J\u00e1 as mortes pela doen\u00e7a se concentram nas regi\u00f5es mais pobres e vulner\u00e1veis da capital.<\/p>\n<p>Esse contraste, identificado em estudo publicado na Revista Paulista de Pediatria, sugere que fatores ligados \u00e0s desigualdades sociais, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de moradia e ao ambiente urbano influenciam mais o risco de morrer do que o de adoecer.<\/p>\n<p>A pesquisa analisou todos os 96 distritos administrativos do munic\u00edpio entre 2010 e 2020. No per\u00edodo, foram registrados 1.486 \u00f3bitos e 156.112 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/estado-de-sao-paulo-vive-boom-de-pneumonia-e-casos-quase-triplicam-em-tres-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">interna\u00e7\u00f5es por pneumonia<\/a> entre crian\u00e7as e adolescentes de at\u00e9 19 anos. Em m\u00e9dia, ocorreram 4,2 mortes e 446 interna\u00e7\u00f5es por 100 mil habitantes ao ano.<\/p>\n<p>Embora mortes e interna\u00e7\u00f5es tenham diminu\u00eddo ao longo da d\u00e9cada, os pesquisadores verificaram que a queda n\u00e3o ocorreu de forma homog\u00eanea.<\/p>\n<p>Enquanto as<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/05\/a-cada-3-minutos-uma-pessoa-e-internada-no-brasil-por-falhas-na-saude-primaria-diz-levantamento.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> hospitaliza\u00e7\u00f5es<\/a> se distribu\u00edram por diferentes regi\u00f5es da cidade \u2014inclusive em bairros de maior renda, como Morumbi e Jardim Paulista\u2014, as mortes ficaram concentradas sobretudo na zona leste e no extremo norte.<\/p>\n<p>Segundo William Cabral, coordenador do N\u00facleo de Geoprocessamento e Ci\u00eancia de Dados do Instituto Pensi e um dos autores do estudo, o objetivo da pesquisa era justamente comparar o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2026\/04\/cidades-com-pior-idh-do-brasil-recebem-menos-verba-federal-e-estadual-do-que-a-media-nacional.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">comportamento territorial <\/a>das interna\u00e7\u00f5es e das mortes.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 sab\u00edamos, por pesquisas anteriores, que praticamente todas as doen\u00e7as seguem um padr\u00e3o de piora nas \u00e1reas mais afastadas do centro, nas periferias. Infelizmente, esse \u00e9 um padr\u00e3o esperado. Quer\u00edamos entender se isso tamb\u00e9m acontecia com a pneumonia.&#8221;<\/p>\n<p>Para identificar as \u00e1reas de maior risco, os pesquisadores utilizaram t\u00e9cnicas de geoprocessamento e estimaram o risco relativo de interna\u00e7\u00f5es e mortes em cada distrito administrativo, levando em considera\u00e7\u00e3o o tamanho da popula\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise mostrou que os distritos com menor pontua\u00e7\u00e3o no GeoSES \u2014\u00edndice que re\u00fane indicadores de renda, escolaridade, pobreza, mobilidade, segrega\u00e7\u00e3o social e acesso a recursos\u2014 apresentaram risco relativo de morte por pneumonia cerca de 75% maior que o esperado. Em contrapartida, bairros com maior propor\u00e7\u00e3o de moradias de padr\u00e3o m\u00e9dio e alto tiveram risco aproximadamente 45% menor.<\/p>\n<p>Na etapa seguinte, a equipe investigou quais caracter\u00edsticas dos territ\u00f3rios poderiam explicar esse padr\u00e3o. Al\u00e9m do \u00edndice socioecon\u00f4mico, a presen\u00e7a de vias de tr\u00e2nsito r\u00e1pido tamb\u00e9m permaneceu associada ao maior risco de morte.<\/p>\n<p>&#8220;Distritos que registraram mais mortes tamb\u00e9m tinham maior quilometragem de vias de tr\u00e2nsito r\u00e1pido. Como este \u00e9 um estudo ecol\u00f3gico, n\u00e3o podemos estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito. Apenas mostramos que essas caracter\u00edsticas coexistem no mesmo territ\u00f3rio&#8221;, afirma Cabral.<\/p>\n<p>Segundo ele, a equipe optou por utilizar a extens\u00e3o de rodovias e vias expressas como um indicador indireto da exposi\u00e7\u00e3o a poluentes ao longo da d\u00e9cada estudada. &#8220;Foi uma surpresa encontrar essa associa\u00e7\u00e3o. As vias e o \u00edndice socioecon\u00f4mico foram os fatores que permaneceram relacionados ao risco de morte.&#8221;<\/p>\n<p>O trabalho n\u00e3o permite concluir que a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/04\/ar-poluido-aumenta-risco-de-cancer-e-ameaca-avanco-no-combate-a-doenca-aponta-relatorio-global.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o <\/a>seja respons\u00e1vel pela maior mortalidade observada, embora estudos anteriores tenham associado esse fator ao agravamento de doen\u00e7as respirat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. Distritos com melhores indicadores sociais apresentaram mais interna\u00e7\u00f5es por pneumonia, resultado que, segundo Cabral, pode refletir diferen\u00e7as na utiliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o basta ter acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade; \u00e9 preciso ter um acesso adequado. A hospitaliza\u00e7\u00e3o acontece porque a doen\u00e7a ocorreu. O pior desfecho, que \u00e9 a morte, parece estar relacionado \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/04\/determinantes-sociais-ampliam-desigualdades-e-exigem-acao-alem-da-saude-diz-diretor-da-oms.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">qualidade e \u00e0 oportunidade desse atendimento<\/a>.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, uma vari\u00e1vel relacionada \u00e0 oferta de servi\u00e7os de sa\u00fade foi testada na an\u00e1lise, mas n\u00e3o apresentou associa\u00e7\u00e3o estatisticamente significativa com a mortalidade.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o observado na capital n\u00e3o parece ser um caso isolado. Uma pesquisa conduzida em todo o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sao-paulo-estado\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">estado de S\u00e3o Paulo<\/a> encontrou resultado semelhante ao analisar pneumonia, infec\u00e7\u00e3o da corrente sangu\u00ednea e infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um estudo conduzido pelo Gaia (Grupo de An\u00e1lise de Infec\u00e7\u00f5es e Antimicrobianos), da Unifesp, apresentado em congressos cient\u00edficos e em fase final de publica\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m identificou agrupamentos geogr\u00e1ficos de maior letalidade para essas infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m identificamos agrupamentos geogr\u00e1ficos de maior letalidade para essas infec\u00e7\u00f5es, embora a distribui\u00e7\u00e3o das interna\u00e7\u00f5es nem sempre acompanhe esse comportamento&#8221;, afirma Carlos Kiffer, professor de infectologia da Unifesp e pesquisador l\u00edder do Gaia.<\/p>\n<p>Para o infectologista, a diferen\u00e7a entre os mapas de interna\u00e7\u00e3o e de mortalidade sugere que adoecer e morrer n\u00e3o dependem necessariamente dos mesmos fatores.<\/p>\n<p>&#8220;Esses achados indicam que aspectos ligados \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia, ao acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade e \u00e0s <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/monicabergamo\/2026\/05\/pacientes-do-sus-tem-acesso-cinco-vezes-menor-a-biopsias-de-colo-de-utero-que-rede-privada-diz-pesquisa.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">desigualdades <\/a>regionais podem exercer papel importante na sobreviv\u00eancia dos pacientes&#8221;, diz. Ele ressalta, por\u00e9m, que essa hip\u00f3tese ainda precisa ser confirmada por estudos capazes de identificar as causas dos \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Para Cabral, o principal m\u00e9rito do estudo \u00e9 mostrar onde as mortes se concentram, permitindo direcionar melhor as a\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/saude-publica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sa\u00fade p\u00fablica<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;O primeiro passo \u00e9 saber onde est\u00e1 o problema e qual popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 sofrendo mais com ele. O geoprocessamento permite identificar esses territ\u00f3rios e apontar os fatores associados. A partir da\u00ed, \u00e9 poss\u00edvel planejar interven\u00e7\u00f5es de forma mais orientada.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, as <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/mudanca-climatica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">mudan\u00e7as clim\u00e1ticas <\/a>tornam essa discuss\u00e3o ainda mais relevante. Se as ondas de calor passaram a ocupar espa\u00e7o na agenda da sa\u00fade p\u00fablica, as de frio tamb\u00e9m podem aumentar a vulnerabilidade de crian\u00e7as que vivem em moradias prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>    Cuide-se<\/p>\n<p class=\"c-newsletter__subtitle\">Ci\u00eancia, h\u00e1bitos e preven\u00e7\u00e3o numa newsletter para a sua sa\u00fade e bem-estar<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o que sofre mais com o calor provavelmente \u00e9 a mesma que sofre mais com o frio. Crian\u00e7as que vivem em casas frias, com pouca incid\u00eancia de sol e condi\u00e7\u00f5es inadequadas de habita\u00e7\u00e3o ficam mais expostas ao agravamento da pneumonia.&#8221;<\/p>\n<p>Por se tratar de um estudo ecol\u00f3gico, baseado em dados agregados por distrito administrativo, os autores ressaltam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar fatores individuais associados ao risco de cada <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/crianca\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">crian\u00e7a<\/a>.<\/p>\n<p>Para Gustavo Wandalsen, pediatra, alergista e imunologista do Hospital Sabar\u00e1, entre as hip\u00f3teses que poderiam explicar por que crian\u00e7as de \u00e1reas mais pobres apresentam maior risco de morrer por pneumonia est\u00e3o m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o, baixa cobertura vacinal e acesso mais prec\u00e1rio aos servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea tem acesso mais r\u00e1pido aos servi\u00e7os de sa\u00fade, ser\u00e1 tratado mais cedo e ter\u00e1 mais chance de a pneumonia n\u00e3o complicar. Mesmo quando h\u00e1 complica\u00e7\u00f5es, tratar e internar precocemente reduz o risco de morte.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Crian\u00e7as e adolescentes internados por pneumonia est\u00e3o espalhados por praticamente toda a cidade de S\u00e3o Paulo. 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