{"id":444907,"date":"2026-07-09T17:01:22","date_gmt":"2026-07-09T17:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/444907\/"},"modified":"2026-07-09T17:01:22","modified_gmt":"2026-07-09T17:01:22","slug":"a-historia-do-plano-louco-com-que-a-cia-roubou-um-submarino-sovietico-afundado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/444907\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria do plano louco com que a CIA roubou um submarino sovi\u00e9tico afundado"},"content":{"rendered":"<p><strong>H\u00e1 quase 60 anos, um submarino sovi\u00e9tico cheio de armas valiosas e tecnologia ultra-secreta afundou-se no Pac\u00edfico, nunca ningu\u00e9m soube porqu\u00ea. A CIA foi encarregada de o recuperar do fundo do Oceano, com um plano louco \u2014 que envolvia um barco especial constru\u00eddo pelo \u201cElon Musk dos anos 1960\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Estamos em 1968, em plena Guerra Fria. O submarino sovi\u00e9tico <strong>K-129<\/strong> navega calmamente nas \u00e1guas profundas do Pac\u00edfico. De repente, a cerca de 2400 km a noroeste do Havai, desaparece dos radares. At\u00e9 hoje, <strong>ningu\u00e9m sabe<\/strong> porque \u00e9 que se afundou.<\/p>\n<p>A bordo do navio de alto mar encontram-se <strong>armas e tecnologia<\/strong> de imenso valor, dando origem a uma das mais espetaculares miss\u00f5es de salvamento e campanhas de divers\u00e3o da hist\u00f3ria da CIA.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a hist\u00f3ria verdadeiramente louca do <strong>Projeto Azorian<\/strong>, que o canal <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@fern-tv\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Fern<\/a> contou em detalhe num <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yGsVo0uIJVs\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">v\u00eddeo<\/a> publicado no YouTube \u2014 e que o ZAP lhe traz abaixo. E \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da origem de uma das mais famosas frases do mundo da pol\u00edtica e da diplomacia\u2026 que n\u00e3o lhe podemos nem confirmar, nem desmentir.<\/p>\n<p>Uma anomalia no Pac\u00edfico<\/p>\n<p>A 8 de mar\u00e7o de 1968, os oficiais de uma base naval dos EUA registam um sinal invulgar atrav\u00e9s do seu sistema de vigil\u00e2ncia sonora, SOSUS, uma tecnologia de ponta para <strong>detetar submarinos<\/strong>.<\/p>\n<p>O sinal, que presumivelmente tem origem numa<strong> implos\u00e3o submarina<\/strong>, foi na altura rastreado at\u00e9 um local espec\u00edfico a cerca de 2400 km a noroeste do Havai \u2014 uma regi\u00e3o conhecida por ser <strong>patrulhada pela Marinha Sovi\u00e9tica<\/strong>.<\/p>\n<p>Entretanto, num centro de controlo militar, os sovi\u00e9ticos realizam sucessivas tentativas de contacto de r\u00e1dio com o seu <strong>submarino de m\u00edsseis bal\u00edsticos K-129<\/strong>, todas sem sucesso. <strong>Algo est\u00e1 errado<\/strong>.<\/p>\n<p>Iniciam imediatamente uma busca pelo navio desaparecido, que duraria dois meses, sem sucesso. Como resultado, <strong>o K-129 \u00e9 considerado perdido<\/strong>, juntamente com os seus 83 tripulantes.<\/p>\n<p>\u00c0 dist\u00e2ncia, <strong>o ex\u00e9rcito americano acompanha atentamente a atividade<\/strong> da marinha sovi\u00e9tica. Quando os sovi\u00e9ticos cancelam a sua miss\u00e3o de salvamento, os americanos decidem enviar o<strong> USS Halibut<\/strong> para investigar o sinal an\u00f3malo.<\/p>\n<p>O Halibut, outrora um submarino de m\u00edsseis de propuls\u00e3o nuclear, \u00e9 o \u00fanico navio da Marinha dos EUA <strong>especificamente adaptado para esta miss\u00e3o<\/strong>. Na altura, funciona como navio espi\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es especiais, com tecnologia de ponta de sonares e sat\u00e9lites, tendo substitu\u00eddo os seus sistemas de m\u00edsseis por equipamento especializado de recolha de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com a vantagem da sua tecnologia avan\u00e7ada, a Marinha dos EUA \u00e9 capaz de <strong>restringir a \u00e1rea de busca<\/strong>. Em julho de 1968, o USS Halibut inicia a sua viagem para a \u00e1rea de busca a partir de Pearl Harbor. Ap\u00f3s dois meses de busca no fundo do oceano, <strong>o submarino localiza finalmente algo estranho<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00c9 colocado um pequeno dispositivo controlado por um cabo. Este dispositivo pode descer a <strong>profundidades inacess\u00edveis ao submarino<\/strong> e recolher informa\u00e7\u00f5es sobre o terreno do fundo do mar. Como um pequeno peixe, o aparelho mergulha e tira fotografias do estranho objeto no fundo do mar.<\/p>\n<p><strong> E l\u00e1 est\u00e1 ele. O que resta do K-129<\/strong>, a uma incr\u00edvel profundidade de 5.000 metros.<\/p>\n<p>Os EUA come\u00e7am a entender porque \u00e9 que os sovi\u00e9ticos empreenderam uma miss\u00e3o de salvamento t\u00e3o grande. O submarino provavelmente transporta armas valiosas e <strong>tecnologia ultra-secreta<\/strong> \u2014 coisas que os sovi\u00e9ticos n\u00e3o querem que os americanos apanhem.<\/p>\n<p>A manobra de divers\u00e3o<\/p>\n<p>Em Washington, D.C., a<strong> curiosidade aumenta<\/strong>. O governo est\u00e1 ciente da situa\u00e7\u00e3o \u00fanica. Como resultado, o presidente <strong>Richard Nixon aprova uma miss\u00e3o arriscada<\/strong>. Se falhar, pode desencadear uma guerra entre os EUA e a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Nessa altura, a Guerra Fria tinha desanuviado, com um abrandamento tempor\u00e1rio da corrida ao armamento. Mas a <strong>hip\u00f3tese de recuperar um navio inimigo<\/strong> que transportava tesouros militares de valor incalcul\u00e1vel \u00e9 demasiado significativa para ser ignorada.<\/p>\n<p>Isto marca o in\u00edcio de <strong>uma miss\u00e3o verdadeiramente inacredit\u00e1vel<\/strong>. A CIA recebe ordens para conduzir uma opera\u00e7\u00e3o secreta.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com os militares, a ag\u00eancia de intelig\u00eancia trabalha de forma mais eficiente e <strong>\u00e9 menos regulamentada<\/strong>. Recuperar um submarino de uma profundidade de 5.000 metros \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil e dispendiosa.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia, <strong>embora pare\u00e7a bizarra, \u00e9 muito simples<\/strong>: construir uma garra enorme para levantar o submarino do fundo do oceano.\u00a0 A CIA apresenta um plano.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio <strong>um navio especial<\/strong>. Tem de ter uma garra gigante capaz de agarrar um submarino colossal, mas, por fora, tem de parecer um navio civil. Como \u00e9 que se constr\u00f3i um navio destes sem levantar suspeitas da imprensa ou dos espi\u00f5es sovi\u00e9ticos?<\/p>\n<p>N\u00e3o seria uma opera\u00e7\u00e3o da CIA sem uma adequada manobra de divers\u00e3o.<\/p>\n<p>Para os ajudar, a CIA seleciona ningu\u00e9m menos que o bilion\u00e1rio e magnata da ind\u00fastria aeroespacial <strong>Howard Hughes<\/strong>, que desempenhar\u00e1 o papel principal numa campanha de divers\u00e3o bem orquestrada.<\/p>\n<p>Howard Hughes vive isolado no \u00faltimo andar do Hotel Desert Inn, em Las Vegas. \u00c9 <strong>exc\u00eantrico, paranoico e extremamente rico.<\/strong> A forma como faz neg\u00f3cios n\u00e3o \u00e9 convencional. \u00c9 um homem de palavra, e \u00e9 conhecido pelos seus muitos empreendimentos.<\/p>\n<p>Algumas pessoas referem-se a Hughes como <strong>o Elon Musk dos anos 1960<\/strong>. Outras dizem que o fict\u00edcio milion\u00e1rio <strong>Tony Stark<\/strong>, o Homem de Ferro do universo dos super-her\u00f3is da Marvel, \u00e9 inspirado em Hughes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-622660\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/eccbc87e4b5ce2fe28308fd9f2a7baf3-14-744x450.jpg\" alt=\"\" width=\"561\" height=\"339\"\/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Howard Hughes, o \u201cElon Musk\u201d dos anos 1960, ou o Tony Stark da vida real.<\/p>\n<p>Como parte da campanha de divers\u00e3o, <strong>Hughes expande os neg\u00f3cios<\/strong> para a minera\u00e7\u00e3o em alto mar, cria uma empresa dedicada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de minerais e encomenda a constru\u00e7\u00e3o de um navio de minera\u00e7\u00e3o: o <strong>Hughes Glomar Explorer<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O navio \u00e9 constru\u00eddo \u00e0 vista de todos<\/strong>. Oficialmente, \u00e9 constru\u00eddo para a explora\u00e7\u00e3o de n\u00f3dulos de mangan\u00eas \u2013 pequenas forma\u00e7\u00f5es minerais encontradas no fundo do oceano.<\/p>\n<p>Para aumentar a cortina de fumo, o ator de Hollywood <strong>Richard Anderson<\/strong> \u00e9 contratado para apoiar os novos empreendimentos de Howard Hughes.<\/p>\n<p>Num an\u00fancio dedicado, <strong>fingem tentar vender o projeto<\/strong> \u00e0 ind\u00fastria mineira. \u201cEstou a bordo do que \u00e9 provavelmente o navio de mar mais avan\u00e7ado tecnologicamente do mundo atual, o Glomar Explorer\u201d, diz Anderson no an\u00fancio.<\/p>\n<p>Entretanto, a CIA encomenda \u00e0 Lockheed, conhecida pelo desenvolvimento de avi\u00f5es espi\u00f5es, a constru\u00e7\u00e3o em segredo de<strong> uma enorme garra<\/strong>, capaz de agarrar um submarino inteiro. Ningu\u00e9m se apercebe do que est\u00e1 realmente a acontecer.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o demora mais de quatro anos e custa cerca de <strong>350 milh\u00f5es<\/strong> de d\u00f3lares. \u00c9 <strong>um valor astron\u00f3mico<\/strong>. Num c\u00e1lculo r\u00e1pido feito pelo ZAP, com base no \u00edndice de pre\u00e7os ao consumidor para 2026 e considerada a infla\u00e7\u00e3o, equivaleria atualmente a 2,5 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2014\u00a0 cerca de <strong>2,2 milh\u00f5es de euros<\/strong>. \u200b<\/p>\n<p>Para o governo dos EUA, o navio vale cada c\u00eantimo. Os riscos s\u00e3o elevados, mas a miss\u00e3o n\u00e3o pode falhar em nenhuma circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Com um peso de 50.000 toneladas e 189 metros de comprimento, do ponto de vista t\u00e9cnico, <strong>o Glomar Explorer \u00e9 um navio verdadeiramente fascinante<\/strong>. Est\u00e1 equipado com um mecanismo de eleva\u00e7\u00e3o gigante e um enorme hangar interno, chamado \u201cPiscina Lunar\u201d, que permite o acesso ao oceano.<\/p>\n<p>O plano \u00e9 <strong>utilizar a garra para elevar um submarino sovi\u00e9tico<\/strong> at\u00e9 \u00e0 Piscina Lunar, onde poderia ser depositado e inspecionado. Mas como \u00e9 que se baixa a garra 5.000 metros no oceano?<\/p>\n<p>A bordo do navio est\u00e3o <strong>600 tubos de a\u00e7o gigantes<\/strong>, cada um com 9 metros de comprimento. Durante a descida da garra, com um guindaste montado no conv\u00e9s, estes tubos de a\u00e7o s\u00e3o ligados uns aos outros, <strong>formando assim um \u00fanico tubo<\/strong> de 5.000 metros de comprimento que pode chegar at\u00e9 ao abismo.<\/p>\n<p>O navio e a garra est\u00e3o equipados com sonares e sistemas de posicionamento avan\u00e7ados para localizar com precis\u00e3o o local dos destro\u00e7os.<\/p>\n<p>E assim come\u00e7a a louca miss\u00e3o da CIA para recuperar o K-129.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\">CIA<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-622658\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/c81e728d9d4c2f636f067f89cc14862c-20-612x443.jpg\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"405\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">O Glomar Explorer, com a garra colossal com que tentou recuperar o K-129<\/p>\n<p>A miss\u00e3o<\/p>\n<p>\u00c9 o ver\u00e3o de 1974, seis anos de prepara\u00e7\u00e3o passaram. Entretanto, o K-129 est\u00e1 a <strong>decompor-se lentamente<\/strong> no fundo do oceano.<\/p>\n<p>O navio de recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 a caminho do local dos destro\u00e7os; os preparativos correram de acordo com o plano e o moral est\u00e1 elevado. Mas, alguns dias ap\u00f3s o in\u00edcio da viagem, o Glomar recebe <strong>informa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas<\/strong>.<\/p>\n<p>O <strong>navio de rastreio sovi\u00e9tico Chazma<\/strong> est\u00e1 a patrulhar as \u00e1guas da regi\u00e3o, numa rota que cruza o caminho do Glomar. Quando os sovi\u00e9ticos chegam \u00e0s imedia\u00e7\u00f5es, <strong>parecem desconfiados. <\/strong>Para investigar melhor o que se est\u00e1 a passar, lan\u00e7am um helic\u00f3ptero para sobrevoar o navio norte-americano.<\/p>\n<p>A tripula\u00e7\u00e3o do Glomar observa nervosamente enquanto o helic\u00f3ptero sovi\u00e9tico faz v\u00e1rias passagens baixas perto do seu navio. Se os sovi\u00e9ticos descobrissem o verdadeiro objetivo da miss\u00e3o do Glomar, poderia abrir-se <strong>um conflito perigoso<\/strong>.<\/p>\n<p>O helic\u00f3ptero sovi\u00e9tico acaba por regressar ao Chazma, e as duas embarca\u00e7\u00f5es abrem comunica\u00e7\u00e3o via r\u00e1dio.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a caminho de casa e ouvimos a vossa buzina de nevoeiro. O que est\u00e3o a fazer aqui?\u201c, perguntam os russos.<\/p>\n<p>Os americanos come\u00e7am a ficar muito nervosos. O Chazma n\u00e3o estava a uma dist\u00e2ncia do Glomar que permitisse aos sovi\u00e9ticos ouvir a buzina de nevoeiro. Isso <strong>parece ser mentira<\/strong>, mas os agentes da CIA mant\u00eam a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Segue-se <strong>um curto di\u00e1logo<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cEstamos a fazer testes de minera\u00e7\u00e3o no oceano. Testes de minera\u00e7\u00e3o em oceano profundo.\u201d<br \/>\u201cQue tipo de navio s\u00e3o voc\u00eas?\u201d<br \/>\u201cUm navio de minera\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica profunda.\u201d<br \/>\u201cQuanto tempo \u00e9 que v\u00e3o ficar aqui?\u201d<br \/>\u201cEsperamos terminar os testes em duas ou tr\u00eas semanas-\u201c<br \/>\u201cDesejo-vos tudo de bom\u201d.<\/p>\n<p>O Chasma desliga, d\u00e1 meia volta e regressa ao seu porto de origem, Petropavlovsk.<\/p>\n<p>Depois deste encontro enervante, o Glomar Explorer pode finalmente prosseguir com a sua miss\u00e3o. Muito lentamente, <strong>a garra colossal come\u00e7a a sua descida<\/strong> para o oceano profundo e escuro.<\/p>\n<p>De vez em quando, um navio sovi\u00e9tico passa curiosamente. A tripula\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ficar cada vez mais tensa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s cerca de uma semana, o sistema de sonar ligado \u00e0 garra deteta o fundo do mar. Segue-se mais uma semana de prepara\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Finalmente, a garra fixa-se aos destro\u00e7os do submarino e <strong>come\u00e7a a i\u00e7\u00e1-lo<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\">cv Fern \/ YouTube<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-622662\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/9f61408e3afb633e50cdf1b20de6f466-2-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"561\" height=\"322\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">A garra colossal do Glomar Explorer a agarrar os destro\u00e7os do K-129<\/p>\n<p>O submarino de 2.700 toneladas <strong>eleva-se da sua sepultura aqu\u00e1tica<\/strong>. A garra est\u00e1 a pux\u00e1-lo para cima, metro a metro. Parece estar a correr bem, mas de repente, a garra parte-se.<strong> Mais de metade do submarino parte-se e volta a afundar-se<\/strong> nas profundezas.<\/p>\n<p>Com a maior parte do K-129 a cair no fundo do oceano, <strong>a miss\u00e3o falhou<\/strong>, pelo menos em parte. Anos de trabalho \u00e1rduo, dinheiro dos impostos, planeamento meticuloso e secretismo. <strong>Para qu\u00ea? Menos de metade de um submarino<\/strong>.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo. Isso n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O ep\u00edlogo<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a primeira tentativa falhada, <strong>a CIA planeia uma segunda miss\u00e3o<\/strong> para recuperar as partes restantes do K-129.<\/p>\n<p>Mas, num artigo publicado em fevereiro de 1975, o Los Angeles Times exp\u00f5e o Projeto Azorian e revela a verdadeira miss\u00e3o do Glomar \u2014 um epis\u00f3dio que a CIA <a href=\"https:\/\/www.cia.gov\/stories\/story\/the-exposing-of-project-azorian\/\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">recordou<\/a> em 2020 no seu site oficial.<\/p>\n<p>Durante a primeira miss\u00e3o, <strong>algu\u00e9m entrou nos escrit\u00f3rios de Howard Hughes<\/strong> em Los Angeles e roubou ficheiros ultra-secretos, que ligam o vision\u00e1rio empres\u00e1rio e o seu suposto navio mineiro \u00e0 CIA. <strong>A not\u00edcia espalhou-se rapidamente<\/strong>, for\u00e7ando o governo dos EUA a emitir uma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Para evitar embara\u00e7ar os sovi\u00e9ticos e p\u00f4r em risco os esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos ent\u00e3o em curso, o governo norte-americano elabora uma resposta cuidadosamente amb\u00edgua: \u201c<strong>n\u00e3o podemos confirmar nem desmenti<\/strong>r\u201d \u2013 uma frase que ficou conhecida como a <strong>resposta Glomar<\/strong>.<\/p>\n<p>Hoje, esta \u00e9 uma frase popular usada por funcion\u00e1rios do governo e respons\u00e1veis pol\u00edticos de todo o mundo para <strong>n\u00e3o revelar nada, mas dizer alguma coisa<\/strong>.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, num <strong>genial toque de ironia<\/strong>, o primeiro post da CIA no seu perfil no antigo Twitter, a 6 de junho de 2014, tem a apenas uma simples frase: \u201cN\u00e3o podemos nem <strong>confirmar nem desmentir que este \u00e9 o nosso primeiro tweet<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/x.com\/CIA\/status\/474971393852182528\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\">CIA \/ Twitter<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/x.com\/CIA\/status\/474971393852182528\" data-wpel-link=\"external\" rel=\"noopener nofollow\" class=\"ext-link\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-622657\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/c4ca4238a0b923820dcc509a6f75849b-8-1258x484.jpg\" alt=\"\" width=\"559\" height=\"215\"  \/><\/a><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">Primeiro post da CIA no Twitter<\/p>\n<p>De qualquer forma,<strong> a fuga de informa\u00e7\u00e3o marcou o fim do Projeto Azorian<\/strong>. Com o disfarce descoberto, uma segunda tentativa de recuperar os restos do K-129 tornou-se imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, <strong>o conte\u00fado da sec\u00e7\u00e3o recuperada permanece um mist\u00e9rio<\/strong>. Os relat\u00f3rios oficiais da CIA afirmam que apenas foram encontrados <strong>alguns torpedos<\/strong>, mas nenhum c\u00f3digo criptogr\u00e1fico, m\u00e1quinas ou outra tecnologia significativa \u2014 uma afirma\u00e7\u00e3o cuja veracidade \u00e9, evidentemente, discut\u00edvel.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 tudo. A CIA encontrou <strong>seis tripulantes sovi\u00e9ticos falecidos<\/strong> na sec\u00e7\u00e3o recuperada do submarino.<\/p>\n<p>Estes homens tiveram um <strong>enterro formal no mar<\/strong>, que foi filmado por uma equipa de document\u00e1rios da CIA. As imagens da cerim\u00f3nia f\u00fanebre foram desclassificadas e <strong>apresentadas ao presidente russo Boris Yeltsin<\/strong> em 1992, como gesto de boa vontade.<\/p>\n<p>Quase 60 anos depois, a maior parte do K129 permanece assim a 5.000 metros de profundidade no Oceano Pac\u00edfico. As suas coordenadas exactas ainda s\u00e3o confidenciais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 quase 60 anos, um submarino sovi\u00e9tico cheio de armas valiosas e tecnologia ultra-secreta afundou-se no Pac\u00edfico, nunca&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":444908,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[27,28,2537,1897,413,15,16,7535,14,736,25,26,21,22,62,2758,12,13,19,20,23,24,839,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-444907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-defesa","tag-espionagem","tag-eua","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-guerra-fria","tag-headlines","tag-historia","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-mundo","tag-naufragio","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-russia","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116891097328247556","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=444907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/444908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=444907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=444907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=444907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}