{"id":446500,"date":"2026-07-11T09:07:12","date_gmt":"2026-07-11T09:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/446500\/"},"modified":"2026-07-11T09:07:12","modified_gmt":"2026-07-11T09:07:12","slug":"jeronimo-martins-afunda-27-na-bolsa-com-guerra-de-precos-da-biedronka-na-polonia-e-margens-sob-pressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/446500\/","title":{"rendered":"Jer\u00f3nimo Martins afunda 27% na bolsa com guerra de pre\u00e7os da Biedronka na Pol\u00f3nia e margens sob press\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O neg\u00f3cio da dona do Pingo Doce na Pol\u00f3nia est\u00e1 a passar por dificuldades, e estas est\u00e3o a provocar uma fuga dos acionistas. A Jer\u00f3nimo Martins leva quase quatro meses em queda, no mercado acionista, em fun\u00e7\u00e3o da incerteza gerada pela competi\u00e7\u00e3o que existe no retalho, por uma eventual compra de ativos e pela pr\u00f3pria geopol\u00edtica.<\/p>\n<p>De acordo com os analistas ouvidos pelo DN, a principal causa do sentimento negativo \u00e9 precisamente a ins\u00edgnia Biedronka. <strong>Esta \u00e9 uma gigante do retalho polaco que conta com uma cadeia de supermercados e cujos resultados do primeiro trimestre geram incerteza, sobretudo no que diz respeito \u00e0s perspetivas.<\/strong><\/p>\n<p>A Pol\u00f3nia \u00e9, com larga margem, o maior mercado do grupo (acima de Portugal e Col\u00f4mbia) e a Biedronka \u00e9 a ins\u00edgnia com maior peso, pelo que o impacto no grupo \u00e9 significativo.<\/p>\n<p>Os mercados protagonizam uma fuga que j\u00e1 provocou uma descapitaliza\u00e7\u00e3o de 27% em menos de quatro meses. \u00c9 que, desde o pico alcan\u00e7ado a 16 de mar\u00e7o (25,68 euros por a\u00e7\u00e3o), o grupo, cotado na bolsa de Lisboa, desvalorizou perto de 3,76 milh\u00f5es de euros (os t\u00edtulo fecharam, ontem, a valer 16,37 euros.<\/p>\n<p>Na base est\u00e1 um cen\u00e1rio de \u201cacumula\u00e7\u00e3o de diversos fatores\u201d, a incidir sobretudo no mercado polaco. <strong>\u00c9 que a ins\u00edgnia Biedronka tem um peso de 70% nas vendas e de 80% no EBITDA do grupo<\/strong>, sendo que os dados apontam para constrangimentos. As margens continuam abaixo do pico alcan\u00e7ado em 2022, apesar de subirem nas contas do primeiro trimestre, e as perspetivas de futuro levam a crer que h\u00e1 press\u00e3o sobre a Jer\u00f3nimo Martins.<\/p>\n<p>\u201cA margem bruta consolidada melhorou 30 pontos base em termos hom\u00f3logos, por efeito de mix, e a Biedronka manteve um crescimento compar\u00e1vel de 2,3% com forte progress\u00e3o de volumes\u201d, explica Jo\u00e3o Queiroz, head of Trading do Banco Carregosa, \u00e0 conversa com o DV.<\/p>\n<p>Posto isto, a problem\u00e1tica percecionada pelos investidores diz respeito ao modelo, j\u00e1 que o aumento \u201cfoi conseguido com uma defla\u00e7\u00e3o do cabaz superior a 3%, ou seja, a Biedronka est\u00e1 taticamente a manter a competitividade via pre\u00e7o, para defender quota e volume\u201d, diz o especialista. Nesta \u00f3tica, surge uma \u2018guerra de pre\u00e7os\u2019 que \u201cn\u00e3o ter\u00e1 ainda um final facilmente estimado (sinal de incerteza)\u201d, assinala.<\/p>\n<p>Acresce o contexto de <strong>\u201cinfla\u00e7\u00e3o salarial persistente numa economia polaca em crescimento robusto e um consumidor cuja confian\u00e7a permanece d\u00e9bil\u201d, na economia polaca.<\/strong> Assim, a eventual dificuldade para manter as demonstra\u00e7\u00f5es financeiras positivas pode estar a deixar os investidores mais receosos e, por consequ\u00eancia, defensivos.<\/p>\n<p>Com as margens abaixo das registadas em 2022 e a competi\u00e7\u00e3o feroz no mercado polaco, Jo\u00e3o Queiroz explica que \u201co mercado deixou de atribuir uma normaliza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida das margens polacas e est\u00e1 a recalibrar a a\u00e7\u00e3o em conformidade\u201d, ou seja, a cota\u00e7\u00e3o recua, em fun\u00e7\u00e3o da deteriora\u00e7\u00e3o de perspetivas.<\/p>\n<p>Ora, para a margem EBITDA da Bidronka voltar ao intervalo de 7% a 8% (a m\u00e9dia hist\u00f3rica), \u00e9 imperativo que se alinhem \u201cabrandamento da concorr\u00eancia de pre\u00e7os, recupera\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a do consumidor e al\u00edvio da infla\u00e7\u00e3o salarial em simult\u00e2neo.\u201d Neste momento, por\u00e9m<strong>, \u201co mercado n\u00e3o aparenta acreditar nesse alinhamento e o \u2018de-rating\u2019 do m\u00faltiplo aparenta comprovar: a a\u00e7\u00e3o negoceia a cerca de 13 vezes os lucros, contra uma m\u00e9dia de 17 vezes na \u00faltima d\u00e9cada\u201d, aponta Jo\u00e3o Queiroz.<\/strong><\/p>\n<p>O pr\u00f3prio lembra ainda que a empresa \u201csinalizou o agravamento dos custos de fornecedores na segunda metade de 2026\u201d, ligado aos pre\u00e7os do combust\u00edvel e fertilizantes. Noutro \u00e2mbito, \u201cum eventual fim da guerra na Ucr\u00e2nia poderia provocar o regresso de parte dos \u201crefugiados\u201d e emigrantes, reduzindo a popula\u00e7\u00e3o residente na Pol\u00f3nia (&#8230;) e apertando o mercado de trabalho\u201d, esclarece ainda.<\/p>\n<p><strong>Europa sobe, JMT desce<\/strong><\/p>\n<p>A Jer\u00f3nimo Martins contraria, de resto, o setor do retalho europeu. <strong>O \u00edndice bolsista Euro Stoxx 600 Retail, que re\u00fane as principais empresas europeias do setor, encerrou a sess\u00e3o de quinta-feira 3,2% acima dos n\u00edveis de fecho de meados de mar\u00e7o (compara com a tal descida de 27% nos t\u00edtulos da Jer\u00f3nimo Martins, no mesmo per\u00edodo).<\/strong> <\/p>\n<p>Mas por que raz\u00e3o? \u201cAo contr\u00e1rio da generalidade do retalho alimentar europeu, a Jer\u00f3nimo Martins \u00e9, na pr\u00e1tica, uma aposta alavancada no consumidor polaco \u2014 e \u00e9 precisamente na Pol\u00f3nia que se verifica uma das mais desafiantes \u2018guerras de pre\u00e7os\u2019 do setor na Europa\u201d, continua Jo\u00e3o Queiroz. Dito isto, a fuga dos investidores n\u00e3o significa necessariamente que olham para a empresa como sendo mais mal gerida. <strong>\u201cEst\u00e3o a dizer que o seu perfil de risco-pa\u00eds e de risco competitivo \u00e9 singular\u201d, sublinha, antes de apontar os holofotes para dados financeiros cruciais.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEm rigor, o sinal \u00e9 negativo quanto \u00e0 perce\u00e7\u00e3o de risco, mas n\u00e3o constitui, por si s\u00f3, evid\u00eancia de deteriora\u00e7\u00e3o operacional \u2014 os fundamentais reportados (quota em expans\u00e3o, balan\u00e7o equilibrado e s\u00f3lido e posi\u00e7\u00e3o de caixa\/tesouraria robusta que suporta dividendos e a expans\u00e3o na Eslov\u00e1quia) contam uma hist\u00f3ria muito menos sombria e mais virtuosa e benigna do que a cota\u00e7\u00e3o\u201d, aponta Jo\u00e3o Queiroz. Ainda assim, os n\u00fameros s\u00e3o o que s\u00e3o e certo \u00e9 que v\u00e1rias casas de investimento e bancos t\u00eam optado por cortar no pre\u00e7o alvo atribu\u00eddo \u00e0s a\u00e7\u00f5es da Jer\u00f3nimo Martins.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso do Morgan Stanley que, depois de suspender a cobertura da Jer\u00f3nimo Martins h\u00e1 cerca de um ano, regressou este m\u00eas, com um corte de quase 30% no pre\u00e7o alvo. <strong>Ora, o consenso ronda os 23,40 euros e a atribui\u00e7\u00e3o daquele gigante da banca est\u00e1 muito abaixo, fixada em 15,50 euros.<\/strong> Num ativo j\u00e1 marcado por instabilidade nos \u00faltimos meses, \u201cfunciona sobretudo como catalisador e valida\u00e7\u00e3o de receios pr\u00e9-existentes.\u201d<\/p>\n<p>Outro fator que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o \u00e9 a Col\u00f4mbia, onde a Jer\u00f3nimo Martins tamb\u00e9m tem uma marca de retalho, a Ara. De acordo o analista, esta \u201cre\u00fane os ingredientes cl\u00e1ssicos relevante de uma op\u00e7\u00e3o de crescimento ainda mal remunerada pelo mercado: expans\u00e3o da rede a cerca de 10% ao ano at\u00e9 2028\u201d, salienta. <strong>Ao mesmo tempo, \u201ca presen\u00e7a com o formato \u2018discount\u2019 pesa apenas 18,6% do retalho alimentar colombiano, contra 38,4% na Pol\u00f3nia, o que sugere uma relevante linha de expans\u00e3o a percorrer.\u201d<\/strong> Um sinal positivo que, no entanto, n\u00e3o apaga os n\u00fameros atuais da Ara.<\/p>\n<p>O racional, de acordo com Jo\u00e3o Queiroz, passa pelas \u201cmargens da Ara serem ainda muito finas\u201d, ao passo que \u201ca reforma laboral de 2025 encarece o trabalho noturno e de fim de semana, o investimento em pre\u00e7o comprime margens e afeta a rentabilidade e a dimens\u00e3o m\u00e9dia das lojas (cerca de 350 metros quadrados, metade das da Biedronka) torna improv\u00e1vel a replica\u00e7\u00e3o das margens da experi\u00eancia polaca\u201d, aponta. \u00c9 que esta \u00faltima beneficiou da chegada \u201cprecoce\u201d para assumir uma \u201cposi\u00e7\u00e3o dominante\u201d, recorda.<\/p>\n<p>O consultor de investimentos Marco Silva tamb\u00e9m esteve \u00e0 conversa com o DV\/DN e mostra uma perspetiva em parte semelhante, ainda que com nuances diferentes.<\/p>\n<p>De acordo com o pr\u00f3prio, existem tr\u00eas grandes motivos para a desvaloriza\u00e7\u00e3o agressiva na capitaliza\u00e7\u00e3o da Jer\u00f3nimo Martins. <strong>O aspeto fundamental passa, como j\u00e1 referido, pelas margens, que \u201ct\u00eam vindo a cair desde 2022 e est\u00e3o abaixo da m\u00e9dia dos \u00faltimos oito anos\u201d<\/strong>, provocando os tamb\u00e9m j\u00e1 mencionados cortes no pre\u00e7o alvo atribu\u00eddo pelas casas de investimento.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, surge o aumento de custos, associado sobretudo \u00e0 subida do pre\u00e7o do petr\u00f3leo nos mercados internacionais. Neste contexto, regista-se \u201cgrande compress\u00e3o de pre\u00e7os e margens\u201d, o que \u00e9 um dificuldade extra, j\u00e1 que a Biedronka trabalha com pre\u00e7os baixos. Na origem est\u00e1 a grande competi\u00e7\u00e3o entre os operadores do retalho.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que pode estar a mexer com o sentimento dos investidores diz respeito ao interesse j\u00e1 assumido pela Biedronka em comprar ativos do Carrefour na Pol\u00f3nia. Explica Marco Silva que a transa\u00e7\u00e3o \u201c<strong>pode ser positiva, mas numa primeira fase pode trazer custos adicionais\u201d,<\/strong> assinala.<\/p>\n<p>Em simult\u00e2neo, os mercados refletem ainda \u201calguma cautela, apesar de n\u00e3o ser muito elevada\u201d ligada \u00e0 crise geopol\u00edtica que se vive no Leste europeu. Em causa est\u00e1 a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, j\u00e1 que a Pol\u00f3nia partilha fronteira com a Ucr\u00e2nia, com o territ\u00f3rio russo de Kaliningrado e com a Bielorr\u00fassia (aliada da R\u00fassia). Significa isto que est\u00e1 numa zona de conflito, o que levanta riscos.<\/p>\n<p>Olhando para uma perspetiva de futuro, falta saber \u201ccomo \u00e9 que a Col\u00f4mbia se ir\u00e1 comportar, se sair\u00e1 dali um motor de crescimento. Mas, para todos os efeitos, a Pol\u00f3nia continua a ser o motor da Jer\u00f3nimo Martins\u201d, sumariza.<\/p>\n<p>O DV\/DN contactou a Jer\u00f3nimo Martins para obter esclarecimentos, mas at\u00e9 ao fecho da edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi poss\u00edvel obter qualquer resposta do grupo liderado por Pedro Soares dos Santos. De referir que a <strong>divulga\u00e7\u00e3o dos resultados relativos ao segundo trimestre est\u00e1 agendada para o pr\u00f3ximo dia 29 de julho.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O neg\u00f3cio da dona do Pingo Doce na Pol\u00f3nia est\u00e1 a passar por dificuldades, e estas est\u00e3o a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":446501,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[83],"tags":[55345,88,89,90,40886,96,32,33,527,71657],"class_list":["post-446500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-empresas","tag-biedronka","tag-business","tag-economy","tag-empresas","tag-jeronimo-martins","tag-mercado-de-capitais","tag-portugal","tag-pt","tag-resultados","tag-retalho-alimentar"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116900557532701735","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=446500"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446500\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/446501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=446500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=446500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=446500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}