{"id":446948,"date":"2026-07-11T18:35:30","date_gmt":"2026-07-11T18:35:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/446948\/"},"modified":"2026-07-11T18:35:30","modified_gmt":"2026-07-11T18:35:30","slug":"a-estrategia-da-moda-antifascista-para-derrubar-lojas-neonazis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/446948\/","title":{"rendered":"A estrat\u00e9gia da moda antifascista para derrubar lojas neonazis"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=1560429830915129&amp;set=pb.100069001481138.-2207520000&amp;type=3\" rel=\"nofollow noopener\" data-wpel-link=\"external\" class=\"ext-link\" target=\"_blank\">Rechts gegen Rechts\/Facebook<\/a><\/p>\n<p><img loading=\"eager\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-753701 size-kopa-image-size-3\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/5fad924060437e85ea441ee451e37aca-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Campanha volunt\u00e1ria regista marcas associadas a produtos extremistas para travar neg\u00f3cio lucrativo na Internet. S\u00edmbolos proibidos, como refer\u00eancias a Hitler e \u00e0 su\u00e1stica, s\u00e3o vendidos online sob c\u00f3digos.<\/strong><\/p>\n<p>Produtos associados \u00e0 extrema-direita tornaram-se, nos \u00faltimos anos, uma importante fonte de rendimento para grupos e indiv\u00edduos neonazis na Alemanha. Lojas online vendem roupa, acess\u00f3rios e outros artigos que recorrem a s\u00edmbolos reconhecidos por membros desse meio.<\/p>\n<p>Como muitos s\u00edmbolos nazis expl\u00edcitos s\u00e3o ilegais na Alemanha, os vendedores passaram a recorrer cada vez mais a uma linguagem codificada para contornar a lei. \u201cHitler\u201d tornou-se \u201cHTLR\u201d, enquanto \u201cHakenkreuz\u201d \u2014 \u201csu\u00e1stica\u201d, em alem\u00e3o \u2014 \u00e9 abreviado para \u201cHKNKRZ\u201d.<\/p>\n<p>Mas a campanha <strong>Recht Gegen Rechts (\u201cDireitos Contra a Direita\u201d)<\/strong> encontrou uma forma engenhosa de combater este artif\u00edcio legal.<\/p>\n<p>A iniciativa toma o controlo de s\u00edmbolos relacionados com o nazismo, frases extremistas codificadas e nomes de empresas de extrema-direita, registando-os como marcas junto do instituto europeu respons\u00e1vel por marcas.<\/p>\n<p>A campanha foi lan\u00e7ada em 2021 pela ag\u00eancia criativa alem\u00e3 <strong>Jung von Matt<\/strong>, em conjunto com a organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos <strong>Laut Gegen Nazis <\/strong>(\u201cBarulho Contra Nazis\u201d), sediada em Hamburgo.<\/p>\n<p>Se retalhistas extremistas continuarem a vender produtos com os nomes ou frases entretanto protegidos sem autoriza\u00e7\u00e3o, podem enfrentar processos por viola\u00e7\u00e3o de direitos de marca e ser condenados a pagar indemniza\u00e7\u00f5es por cada artigo vendido.<\/p>\n<p>Efeito imediato<\/p>\n<p>\u201cEstas lojas online n\u00e3o est\u00e3o na dark web; existem abertamente na Internet. Basta encontrar os URL certos\u201d, afirma Simon Knittel, da ag\u00eancia Jung von Matt, que ajudou a fundar a campanha.<\/p>\n<p>No entanto, para quem est\u00e1 fora do meio da extrema-direita, estas lojas n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de encontrar.<\/p>\n<p>A equipa contou com a ajuda de <strong>Joern Menge<\/strong>, fundador da Laut Gegen Nazis, e de Philip Schlaffer, ex-neonazi e antigo propriet\u00e1rio de uma loja virtual, hoje orador e ativista contra o extremismo de direita.<\/p>\n<p>\u201cBasicamente, encontra-se estas lojas quando se sabe que palavras-chave usar. Muitas delas est\u00e3o agora sediadas no estrangeiro\u201d, diz Schlaffer. \u201cTornou-se um neg\u00f3cio global em que circula muito dinheiro.\u201d<\/p>\n<p>A equipa identificou mais de 35 lojas online, cada uma com mais de mil produtos, e determinou depois quais seriam as marcas registadas mais eficazes. Para Schlaffer, a campanha tem uma abordagem simultaneamente criativa e eficiente.<\/p>\n<p>\u201cOs neonazis n\u00e3o devem sentir que t\u00eam um ref\u00fagio seguro. Devem recear que as ideias que defendem \u2014 e vendem \u2014 lhes possam ser retiradas e que os seus produtos tenham de sair do ar. Isso retira-lhes a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a\u201d, acredita.<\/p>\n<p>De facto, a equipa viu isso acontecer na pr\u00e1tica ap\u00f3s o primeiro registo de marca. \u201cQuando public\u00e1mos o nosso primeiro comunicado de imprensa a anunciar o registo, demorou cerca de 30 minutos at\u00e9 a marca ser retirada de todas as lojas online. N\u00e3o tivemos de fazer nada\u201d, explicou Knittel, \u201celes fizeram-no voluntariamente, porque sabiam que t\u00ednhamos base legal contra eles e n\u00e3o queriam sair derrotados num processo.\u201d<\/p>\n<p>Cada novo registo teve a mesma rea\u00e7\u00e3o: os artigos eram rapidamente retirados do ar. \u201cNo fim, tivemos de esperar apenas 10 minutos, e n\u00e3o 30. Foi a prova de que t\u00ednhamos encontrado algo que realmente resolvia o problema.\u201d<\/p>\n<p>Simbologia proibida<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o da Alemanha em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens nazis reflete a hist\u00f3ria do pa\u00eds e os seus esfor\u00e7os para evitar o ressurgimento do nacional-socialismo. De acordo com o artigo 86a do C\u00f3digo Penal alem\u00e3o, \u00e9 proibida a exibi\u00e7\u00e3o ou distribui\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos de organiza\u00e7\u00f5es inconstitucionais.<\/p>\n<p>Isto inclui s\u00edmbolos associados ao Partido Nazi, como a su\u00e1stica, s\u00edmbolos da Schutzstaffel \u2014 a organiza\u00e7\u00e3o paramilitar do regime nazi, conhecida pela sigla SS \u2014 e a sauda\u00e7\u00e3o nazi, exceto em contextos educativos, de investiga\u00e7\u00e3o ou de documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>As viola\u00e7\u00f5es podem resultar em multas ou at\u00e9 em pena de pris\u00e3o. Trata-se de uma das pol\u00edticas mais rigorosas do mundo no combate ao uso de simbologia extremista.<\/p>\n<p>Criar produtos antifascistas<\/p>\n<p>A iniciativa Recht Gegen Rechts deu j\u00e1 um passo em frente, transformando slogans neonazis em produtos antifascistas com um tom irreverente. A campanha registou a marca e o dom\u00ednio do site Druck18, um grande vendedor online de produtos neonazis gerido pelo extremista de direita Tommy Frenck.<\/p>\n<p>A loja vendia produtos com mensagens extremistas e xen\u00f3fobas, incluindo artigos ligados \u00e0 nostalgia nazi. O grupo substituiu a loja pela sua pr\u00f3pria vers\u00e3o online, que vende produtos antinazis e antirracistas.<\/p>\n<p>Na nova loja Druck 18, \u00e9 poss\u00edvel comprar, por exemplo, uma camisola com capuz com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cHKNKRZ\u201d, mas com o termo riscado e acompanhada da frase: \u201cObrigado, lei das marcas registadas: regist\u00e1mos este c\u00f3digo nazi como marca para que os nazis n\u00e3o possam dissemin\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n<p>Como a lei exige que as novas marcas sejam usadas comercialmente no prazo de cinco anos, a equipa teve de ser criativa. \u201cTivemos de encontrar uma forma de disponibilizar estes c\u00f3digos comercialmente sem contribuir para esc\u00e2ndalos nazis. Por isso, invertemo-los e coloc\u00e1mo-los em t-shirts\u201d, explicou Knittel.<\/p>\n<p>Ass\u00e9dio e processo judicial<\/p>\n<p>A campanha j\u00e1 garantiu seis marcas registadas e est\u00e1 em processo de obter outras. \u201c\u00c9 bastante complicado. Demora at\u00e9 seis meses a registar uma marca e custa 1600 euros, e nunca se sabe se o registo ser\u00e1 aprovado\u201d, acrescentou Knittel.<\/p>\n<p>A campanha depende totalmente de donativos para funcionar. A Jung von Matt trabalha de forma inteiramente volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>O ass\u00e9dio sob a forma de cartas e emails de \u00f3dio \u00e9 frequente, e a campanha procura atualmente pessoas dispon\u00edveis para emprestar os seus nomes, uma vez que cada marca tem de ser registada em nome de uma pessoa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a campanha est\u00e1 envolvida num processo judicial com Tommy Frenck, o propriet\u00e1rio original da Druck 18. Frenck tentou obter uma provid\u00eancia cautelar para impedir o uso do nome da loja, mas perdeu tanto em primeira inst\u00e2ncia como em recurso.<\/p>\n<p>Nem todos os c\u00f3digos usados por neonazis podem ser protegidos ao abrigo da lei das marcas. \u201cAinda existem c\u00f3digos contra os quais n\u00e3o conseguimos agir\u201d, explicou Knittel. \u201cMas, no fim de contas, o objetivo era sensibilizar para a exist\u00eancia destes c\u00f3digos\u201d, tanto a sociedade como a pol\u00edtica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Rechts gegen Rechts\/Facebook Campanha volunt\u00e1ria regista marcas associadas a produtos extremistas para travar neg\u00f3cio lucrativo na Internet. S\u00edmbolos&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":446949,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_share_on_mastodon":"0"},"categories":[50],"tags":[1305,27,28,3398,19689,15,16,14,603,25,26,21,22,551,4753,1079,62,12,13,19,20,23,24,550,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":["post-446948","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-mundo","tag-alemanha","tag-breaking-news","tag-breakingnews","tag-comercio","tag-ecommerce","tag-featured-news","tag-featurednews","tag-headlines","tag-justica","tag-latest-news","tag-latestnews","tag-main-news","tag-mainnews","tag-marcas","tag-marketing","tag-moda","tag-mundo","tag-news","tag-noticias","tag-noticias-principais","tag-noticiasprincipais","tag-principais-noticias","tag-principaisnoticias","tag-publicidade","tag-top-stories","tag-topstories","tag-ultimas","tag-ultimas-noticias","tag-ultimasnoticias","tag-world","tag-world-news","tag-worldnews"],"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/116902791215995355","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=446948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446948\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/446949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=446948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=446948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=446948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}