{"id":44713,"date":"2025-08-25T19:09:12","date_gmt":"2025-08-25T19:09:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/44713\/"},"modified":"2025-08-25T19:09:12","modified_gmt":"2025-08-25T19:09:12","slug":"largo-do-rato-o-nao-lugar-no-coracao-de-lisboa-megafone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/44713\/","title":{"rendered":"Largo do Rato: o n\u00e3o-lugar no cora\u00e7\u00e3o de Lisboa | Megafone"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uma fam\u00edlia de elefantes sentada no Largo do Rato. Ningu\u00e9m os v\u00ea, ou talvez se finja que n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1. Est\u00e3o ali h\u00e1 anos, pesados e im\u00f3veis, em cima de um problema urban\u00edstico que atravessa governos e mandatos aut\u00e1rquicos. O primeiro elefante? O planeamento. Ou, mais precisamente, a aus\u00eancia dele.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o o Rato como quem conhece o caminho para casa. Cresci a us\u00e1-lo todos os dias \u2014 fosse para a escola, para o trabalho, para sair \u00e0 noite ou voltar. Apanho o metro ali. E depois os autocarros: o 709, o 720, o 738, o 758, o 774. J\u00e1 o usei para ir a entrevistas, para ir \u00e0 terapia, para tudo. Para muitos lisboetas, o Rato \u00e9 uma porta de entrada e de passagem, mas continua a ser uma armadilha de tr\u00e2nsito, um cruzamento disfuncional, um vazio urbano entre colinas.<\/p>\n<p>De um lado sobe-se para as Amoreiras e Campolide. Do outro, para a Estrela. Ao fundo, a Rua de S\u00e3o Bento desce at\u00e9 \u00e0 Assembleia da Rep\u00fablica. Mais acima, vindo do Pr\u00edncipe Real pela Rua da Escola Polit\u00e9cnica, passamos junto ao Tribunal Constitucional. E no topo do largo, com vista privilegiada sobre todo este caos, est\u00e1 a sede nacional do Partido Socialista. \u00c9 l\u00e1 que se re\u00fane a Comiss\u00e3o Pol\u00edtica, o Secretariado e outras estruturas importantes. A poucos metros, j\u00e1 perto do Marqu\u00eas, est\u00e1 ainda a sede nacional da Juventude Socialista. \u00c9 imposs\u00edvel ignorar o peso pol\u00edtico que rodeia este espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Durante 14 anos, o PS esteve \u00e0 frente da C\u00e2mara de Lisboa. Tiveram reuni\u00f5es regulares mesmo por cima do problema, e nada foi feito. O PSD, por sua vez, foi r\u00e1pido a apelidar o espa\u00e7o de \u201c<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/01\/04\/local\/noticia\/promotores-mantem-intencao-construir-polemico-mono-rato-lisboa-2075569\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">mono do Rato<\/a>\u201d. Mas desde que Carlos Moedas chegou \u00e0 presid\u00eancia da C\u00e2mara, em 2021, n\u00e3o houve qualquer proposta concreta, nenhum plano de requalifica\u00e7\u00e3o, nenhuma obra. Nada. Estamos a meio do segundo mandato do governo nacional, tamb\u00e9m liderado pelo PSD, e o sil\u00eancio mant\u00e9m-se. \u00c9 verdade que o governo central n\u00e3o gere a cidade, mas pode \u2014 e deve \u2014 pressionar quando est\u00e3o em causa quest\u00f5es de mobilidade, acessibilidade e justi\u00e7a urbana.<\/p>\n<p>O Bloco de Esquerda, cuja sede distrital fica no in\u00edcio da Rua de S\u00e3o Bento, tamb\u00e9m nunca trouxe o tema para a agenda. Talvez por n\u00e3o ser um assunto medi\u00e1tico. Mas devia ser. O Rato \u00e9 atravessado diariamente por estudantes, oper\u00e1rios, turistas, profissionais de todas as \u00e1reas, e at\u00e9 pelos pr\u00f3prios pol\u00edticos que v\u00e3o \u00e0 Assembleia.<\/p>\n<p>\u00c0s horas de ponta, o Rato colapsa e Lisboa colapsa com ele. A Rua da Escola Polit\u00e9cnica fica intransit\u00e1vel, a Rua de S\u00e3o Bento entope, a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 Avenida \u00c1lvares Cabral complica-se e a subida para as Amoreiras ou para a A5 torna-se um tormento. N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema do tr\u00e2nsito em Lisboa, claro, mas \u00e9 um sintoma de um problema mais vasto: a falta de planeamento e de transportes p\u00fablicos eficazes. Muitos dos atrasos dos autocarros que uso todos os dias n\u00e3o se devem apenas \u00e0 falta de motoristas, mas tamb\u00e9m a esta total aus\u00eancia de vis\u00e3o urbana.<\/p>\n<p>E depois h\u00e1 o calor. No ver\u00e3o, o Rato \u00e9 uma frigideira. Sem \u00e1rvores, sem sombras, sem bancos, sem nada. No inverno, um corredor de vento. \u00c9 um n\u00e3o-lugar no cora\u00e7\u00e3o da cidade, e ningu\u00e9m parece interessado em mud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Lembram-se de quando o Terreiro do Pa\u00e7o era atravessado por carros e n\u00e3o por pessoas? O Rato \u00e9 o que acontece quando se adia tudo. Quando se olha para o lado. Quando ningu\u00e9m tem coragem de dizer \u201cerr\u00e1mos, mas ainda vamos a tempo\u201d.<\/p>\n<p>E vamos mesmo. Mas s\u00f3 se, em vez de continuarmos a apontar o dedo uns aos outros, come\u00e7armos a assumir responsabilidades. E a ouvir quem passa todos os dias por ali. Como eu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 uma fam\u00edlia de elefantes sentada no Largo do Rato. 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