{"id":447355,"date":"2026-07-12T06:07:39","date_gmt":"2026-07-12T06:07:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/447355\/"},"modified":"2026-07-12T06:07:39","modified_gmt":"2026-07-12T06:07:39","slug":"foreign-tongues-dos-rolling-stones-evita-a-nostalgia-09-07-2026-ilustrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/447355\/","title":{"rendered":"&#8216;Foreign Tongues&#8217;, dos Rolling Stones, evita a nostalgia &#8211; 09\/07\/2026 &#8211; Ilustrada"},"content":{"rendered":"<p>Poucas <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/rock\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">bandas<\/a> desafiaram tanto a l\u00f3gica da longevidade quanto os <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/rolling-stones\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Rolling Stones<\/a>. Durante d\u00e9cadas, a pergunta nunca foi se haveria um \u00faltimo disco, mas quando ele chegaria. A morte de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2021\/08\/morre-charlie-watts-baterista-dos-rolling-stones-aos-80-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Charlie Watts<\/a>, em 2021, parecia encerrar definitivamente essa hist\u00f3ria, mas o grupo encontrou um inesperado segundo f\u00f4lego com &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/10\/rolling-stones-fazem-de-hackney-diamonds-seu-melhor-album-em-42-anos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Hackney Diamonds<\/a>&#8220;, de 2023.<\/p>\n<p>Como sempre, foi recebido como seu melhor trabalho em muitos anos, uma rea\u00e7\u00e3o afetiva comum a cada novo lan\u00e7amento da banda, mesmo que depois algumas edi\u00e7\u00f5es revelem que o disco n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom quanto as pessoas pensavam. Mas &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2026\/05\/rolling-stones-anunciam-data-de-lancamento-do-novo-album-foreign-tongues.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Foreign Tongues<\/a>&#8220;, que chega \u00e0s plataformas nesta sexta (10), pouco mais de dois anos depois, pode indicar que talvez os Stones tenham encontrado motiva\u00e7\u00e3o s\u00f3lida para seguir em frente.<\/p>\n<p>O grande m\u00e9rito do disco \u00e9 justamente evitar o peso da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/05\/como-nostalgia-deixou-de-ser-considerada-disturbio-psicologico-e-foi-reconhecida-como-emocao.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">nostalgia<\/a>. Em vez de montar uma cole\u00e7\u00e3o de autorrefer\u00eancias, a banda mistura elementos que sempre fizeram parte de seu repert\u00f3rio, como<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq2208200327.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> blues<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2023\/10\/como-os-rolling-stones-se-tornaram-a-primeira-e-ultima-banda-de-rock-da-historia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">rock<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/tv\/2025\/08\/como-o-country-virou-um-campo-de-batalha-politica.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">country<\/a>, soul, disco e baladas, sem deixar que a habitualmente med\u00edocre produ\u00e7\u00e3o de Andrew Watt tire a personalidade dos Stones.<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos em que a mixagem privilegia graves exagerados e comprime excessivamente os instrumentos, mas, no conjunto, Watt consegue transmitir a sensa\u00e7\u00e3o de que os m\u00fasicos est\u00e3o realmente tocando juntos, algo que muitas vezes desaparecia em trabalhos mais recentes.<\/p>\n<p>A abertura com &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2026\/04\/rolling-stones-lancam-rough-and-twisted-faixa-inedita-que-antecipa-novo-album.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Rough and Twisted<\/a>&#8221; mostra um rock vigoroso, constru\u00eddo sobre refer\u00eancias ao blues de Chicago e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o que moldou a banda. A <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/musica\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">m\u00fasica <\/a>n\u00e3o tenta reinventar a roda, mas lembra por que os Stones continuam sendo uma refer\u00eancia quando se trata de transformar simplicidade em energia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/keith-richards\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Keith Richards<\/a> e <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/celebridades\/2021\/04\/ronnie-wood-do-rolling-stones-diz-que-enfrentou-cancer-durante-a-pandemia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Ronnie Wood<\/a> mant\u00eam o di\u00e1logo entre guitarras que sempre caracterizou a banda, enquanto <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/mick-jagger\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Mick Jagger<\/a> canta com uma vitalidade dif\u00edcil de imaginar para algu\u00e9m que vai completar 83 anos no pr\u00f3ximo dia 26.<\/p>\n<p>Na verdade, Jagger \u00e9 o grande protagonista de &#8220;Foreign Tongues&#8221;. O cantor alterna o registro grave com falsetes que remetem a discos como &#8220;Emotional Rescue&#8221;, sem que isso soe como mera repeti\u00e7\u00e3o. Em &#8220;Jealous Lover&#8221;, essa escolha funciona especialmente bem.<\/p>\n<p>J\u00e1 em &#8220;Mr Charm&#8221;, ele adota uma postura mais agressiva, enquanto &#8220;Ringing Hollow&#8221; o aproxima novamente do country e do honky-tonk que os Stones exploram desde os anos 1960.<\/p>\n<p>Algo curioso \u00e9 perceber a disposi\u00e7\u00e3o da banda para comentar o mundo contempor\u00e2neo. Os Rolling Stones sempre refletiram o esp\u00edrito de sua \u00e9poca. N\u00e3o que &#8220;Foreign Tongues&#8221; repita a for\u00e7a de &#8220;Satisfaction&#8221; ou &#8220;Street Fighting Man&#8221;, mas ela reaparece em letras que abordam <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2024\/11\/nao-aceitem-o-autoritarismo.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">autoritarismo<\/a>, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2026\/05\/10-mais-ricos-concentram-40-da-renda-no-brasil-mostra-ibge.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">concentra\u00e7\u00e3o de riqueza<\/a> e <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2025\/08\/polarizacao-politica-distribui-culpas-pelo-tarifaco.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Covered in You&#8221; critica a prolifera\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2022\/10\/lideres-autoritarios-usam-legislativo-como-base-para-erosao-democratica.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">l\u00edderes autocr\u00e1ticos<\/a>, enquanto &#8220;Mr Charm&#8221; faz refer\u00eancias pouco sutis ao poder econ\u00f4mico e tecnol\u00f3gico. Essa preocupa\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica impede que o \u00e1lbum se transforme apenas em um exerc\u00edcio de mem\u00f3ria. Ao mesmo tempo, os Stones evitam o tom panflet\u00e1rio. As cr\u00edticas sociais aparecem dilu\u00eddas em can\u00e7\u00f5es que continuam priorizando melodias fortes.<\/p>\n<p>Nem mesmo a banda mais poderosa em atividade no planeta dispensa as participa\u00e7\u00f5es especiais que viraram regra na m\u00fasica <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/pop\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pop<\/a>. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/ilustrad\/fq26059810.htm\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Steve Winwood<\/a>, lenda do grupo brit\u00e2nico Traffic, acrescenta eleg\u00e2ncia aos teclados, enquanto Paul McCartney surge discretamente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/12\/01\/ilustrada\/6.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Robert Smith <\/a>contribui com sua atmosfera melanc\u00f3lica, e <a href=\"https:\/\/f5.folha.uol.com.br\/musica\/2023\/11\/baterista-do-red-hot-chilli-peppers-e-visto-em-show-de-jorge-e-mateus.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Chad Smith<\/a>, baterista do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/red-hot-chili-peppers\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Red Hot Chili Peppers<\/a>, refor\u00e7a o peso r\u00edtmico. At\u00e9 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/bruno-mars\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Bruno Mars<\/a> deu as caras no est\u00fadio. Todos parecem compreender que o centro das aten\u00e7\u00f5es continua pertencendo aos Stones.<\/p>\n<p>O momento emocional do disco, por\u00e9m, \u00e9 Charlie Watts. Assim como em &#8220;Hackney Diamonds&#8221;, grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas do baterista aparecem em algumas faixas, especialmente na explosiva &#8220;Hit Me in the Head&#8221;. Suas batidas discretas e precisas continuam imediatamente reconhec\u00edveis.<\/p>\n<p>Nem tudo funciona com a mesma efici\u00eancia. H\u00e1 momentos em que o \u00e1lbum parece depender demais de f\u00f3rmulas conhecidas. &#8220;Never Wanna Lose You&#8221; \u00e9 praticamente uma releitura de &#8220;Some Girls&#8221;, enquanto outras can\u00e7\u00f5es recorrem a estruturas que os Stones dominam h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Depois da poderosa &#8220;Back in Your Life&#8221;, os Stones fecham o disco com uma interpreta\u00e7\u00e3o despojada de &#8220;Beautiful Delilah&#8221;, de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2017\/03\/1867845-chuck-berry-o-genio-que-inventou-a-adolescencia.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Chuck Berry<\/a>, um atestado de adora\u00e7\u00e3o ao blues totalmente desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Depois de tantos boatos de despedida que n\u00e3o se concretizaram, os Rolling Stones provam mais uma vez que continuam adiando o momento de deixar a festa. Enquanto isso, ainda vale a pena ouvi-los.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Poucas bandas desafiaram tanto a l\u00f3gica da longevidade quanto os Rolling Stones. 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